Carla – Roma, Itália

Outro dia escrevi um post lá no meu blog Sonhos na Itália, falando de intercambistas, principalmente os bolsistas do Ciência sem Fronteiras, o programa do governo brasileiros para estudantes de graduação e pós-graduação no exterior, pelo qual também sou uma bolsista.

Naquele post (se não leu ainda (clique aqui) eu elogiei e falei da importância do programa.

Hoje venho falar das dificuldades e também quero fazer um apelo aos bolsistas.

O programa tem sido chamado de “Turismo sem Fronteiras” , “Ciência sem Vergonha” ou ainda “Vergonha sem Fronteiras”…

As críticas têm sido:

– o despreparo dos alunos bolsistas (que muitas vezes chegam no país de destino sem falar o idioma, além do que muitos alunos têm sido reprovados nas matérias cursadas no exterior sem implicar nenhuma “punição” na volta ao Brasil)

– o alto valor da bolsa (principalmente para os jovens da graduação, que dividem quarto e apartamento pagando pouquíssimo e não tem família pra custear, ao contrário dos doutorandos ou pós-doutorandos)

– da não fiscalização do uso do dinheiro concedido aos estudantes.

 Claro, com bolsa alta, consequentemente sobra dinheiro e muito, e ao invés de ser investido em cursos (idioma principalmente), é “investido” em turismo. Não que não seja importante, é também! Afinal turismo também é cultura, é bagagem, é experiência, com certeza muda muito a visão de mundo, de tudo. Mas o que tem acontecido é que tem muitos que estão fazendo do intercâmbio uma viagem turística. Quase não frequentam aulas (mesmo porque muitas universidades europeias principalmente não são obrigatoriamente  presenciais, o aluno só vai depois fazer as provas), e ainda estão sendo reprovados, voltando para o Brasil com quase nenhum conteúdo científico significativo, sem tirar proveito da oportunidade dada!

Conversei com um professor da USP que esteve aqui na Tor Vergata e ele disse que onde ele esteve na Espanha, os alunos brasileiros do programa estão sendo chamados de “fumaça”, pois somem rapidinho, ninguém os vê! Triste né? Além do que o programa está sendo muito mal falado no Brasil.

Portanto, fica o meu apelo.

Pra vocês bolsistas CsF: Aproveitem 100% a oportunidade. Façam o maior número de matérias possíveis (não o mínimo exigido), assistam às aulas, se empenhem, estudem o idioma, se destaquem! Isso fará toda a diferença para vocês no futuro e claro, também para o programa, que foi feito cheio de boas intenções mas é ainda cheio de falhas.

Viagem claro, mas que essa não seja a prioridade!

Usem o dinheiro pra aquilo que foi destinado, principalmente o seguro viagem/saúde – contratem um seguro decente, que cubra despesas emergenciais, acidentes e até mesmo morte. Tem já casos de bolsistas que foram vitimas fatais de acidentes e não estavam cobertos pelo seguro, pois não fizeram e usaram o dinheiro para outros fins.

Portanto saibam fazer a diferença!

É o futuro em jogo!

É isso aí!

Eu estou fazendo a minha parte!

Baci a tutti!

Carla Guanais é cientista, blogueira e mora na Itália desde 2010, onde está cursando um doutorado. Saiba mais sobre ela clicando aqui.