Carla  –  Roma, Itália

A crise! A maledetta crise!

Pois é, ela existe, e ainda é forte.

Essa é uma das minhas respostas às dezenas de emails que recebo semanalmente. Emails de brasileiros que têm uma ligação com a Itália ou apenas a vontade e curiosidade de morar neste lindo país.

A crise é evidente e os reflexos são aqueles: alta taxa de desemprego (12,9%), aumento do índice de suicídios (sim, infelizmente é o que se vê nos jornais, famílias destruídas pelo desespero, dívidas, falta de esperança num futuro…).

Ah! A partir de amanhã se volta a sonhar.  A partir de hoje estou de novo desempregado.

“Ah! A partir de amanhã se volta a sonhar. A partir de hoje estou de novo desempregado.”

Emprego escasso e mal pago. Sim, porque na realidade emprego tem mas, ou são os que exigem alta qualificação e experiência ou são aqueles que pagam pouquíssimo, digno de piada (alguns não chegam a 3,50 euros a hora, absurdo)!

Fora que está tudo cada vez mais caro. Alimentação, moradia, gasolina, etc.

Aí é que tá! É o momento de vir para a Itália? Para quem já tá aqui, ficar ou voltar pro Brasil?

Mamma mia! É um dilema.

italia

Para os que querem vir eu pergunto primeiramente: tem cidadania italiana?

E por que faço essa pergunta? Porque sem um documento deste tipo (que permite a residência e permanência legal na Itália), as opções ficam restritas.
Pra quem não tem cidadania italiana ou de outro país europeu, residir na Itália legalmente dependerá de um Permesso di Soggiorno, possível de se obter só por motivos de Família, Trabalho ou Estudos.
Aqui também são outros 500! Esses documentos só são emitidos quando se parte do Brasil já com um visto.
– estudos: quando se tem o aceite de uma universidade, ou escola, e documentos desta para obtenção do visto no consulado italiano. O detalhe importante é que raramente um curso de italiano dá direito ao visto de estudos, então pensar em vir estudar italiano não é a opção ideal.
– trabalho – quando já se sai empregado do Brasil, com o visto emitido pelo consulado através da documentação fornecida pelo empregador.
– Família – quando se tem um familiar próximo, o qual possa dar direito ao compartilhamento do documento de permanência.

Fora isso, brasileiro só pode ficar 3 meses como turista.

E ponto.

Jamais pensar em vir e ficar ilegalmente. Não é indicado para ninguém uma vida dessas!

Agora, se tem cidadania ou tem a possibilidade de vir já com um visto,  é essencial falar o mínimo de italiano, chegar e procurar um curso, fazer contatos, porque senão fica muito difícil mesmo. Falar italiano é essencial para se arrumar qualquer tipo de emprego.
E outra coisa que ajuda: saber fazer alguma coisa, não digo nem que precise ter profissão, mas no começo ajuda se sabe fazer as unhas, sabe fazer trabalho de eletricista, de hidráulico, pintor, construção, se sabe fazer limpeza, costurar, seja o que for, já aumenta o leque de opções na hora de arrumar emprego.

Quando eu vim já se falava em crise. Mas com certeza não era como agora.

Nós arriscamos, viemos e graças à Deus deu tudo certo. Mas sinceramente, se eu não estivesse estudando, já teria voltado ou ido para outro país.

 Sou sempre a que apoia os sonhos dos outros. Por isso, se quer, se é seu sonho e tem condições de realizá-lo, batalhe para realizá-lo, mas fique ciente da situação e dos riscos.

Bem, é isso.

In bocca al lupo e baci a tutti!

Carla Guanais é cientista, blogueira e mora na Itália desde 2010, onde está cursando um doutorado. Saiba mais sobre ela clicando aqui.