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Choque Cultural: um mal necessário ?

09/04/2014

bz_holandaAna Fonseca – Holanda

Resolvi fazer um post sobre um assunto que pode interessar a todos, viajantes temporários ou de mudança definitiva para um outro país . Um assunto que muitas pessoas vêem como tabú ou se envergonham de falar a respeito. Não sou psicóloga, nem antropóloga, mas já vi e li muito a respeito. Também participei no passado de fóruns de discussão pela internet e acho que posso levantar o tema por aqui.

O que é o choque cultural ? De maneira muito superficial podemos dizer que se define por:

  • Um cansaço físico associado a desconforto psicológico e cultural.
  • Uma crise de identidade + ansiedade e mal estar quando num país estrangeiro.
  • Um “piripaque” momentâneo durante uma visita turística. Um “apagão”.

Tudo isso são manifestações de choque cultural, uma tema muito estudado em países que recebem um número muito grande de turistas e emigrantes provenientes de culturas muito diversas.

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Nesses 15 anos fora do Brasil já vi turista em Israel que do dia para a noite se achou a encarnação de Cristo, amiguinha brasileira que desmaiou durante uma promoção relâmpago de bolsas de grife na Galeria Lafayette,  holandês que se perdeu sozinho na Floresta da Tijuca… A lista é bem mais longa que isso, claro. E o sofrimento físico e mental acontece basicamente porque as pessoas sofreram um choque cultural, geralmente não premeditado. Ou seja: julgaram uma situação a partir de seu próprio ponto de vista cultural, sem levar em consideração a geografia / costumes / tradições / clima locais.

Para ilustrar, um exemplo bobo: Os bosquezinhos na Holanda tem caminho para os pedestres e caminhos bem marcados para os ciclistas. A intervalos regulares você vê marcadores com indicação da distância já percorrida e entre as árvores você vê à distância outros grupos de pessoas (ou até mesmo onde você estacionou o carro). Aí acontece de uma pessoa que nasceu num país assim querer visitar uma “floresta tropical urbana” no Brasil e achar que é molinho. Proque justamente é “urbana”. Que vai ter cerquinha, plaquinha e informação a cada 100 metros. Leva um choque quando descobre que não é bem assim.  Há muitos europeus que nunca saíram da sua gaiolinha dourada e quando vão à Ásia, America Latina ou cantos remotos do mundo (Alasca, Montanhas Rochosas, deserto australiano) acham que vão dominar a situação com o preparo que tem de fazer barraquinha de camping no quintal de casa. Aí já viu. É um tal de moça que cai do abismo na Turquia, casalzinho que achou hotel na zona sul do Rio muito caro e acaba dormindo na favela, garotão que se perdeu atrás da primeira duna no Sahara, marido que foi fazer a barba ali na beira do lago na Austrália do lado da caravan e jacaré engoliu até as botas.

O choque cultural não acontece apenas com pessoas provincianas, ou “fracas da cabeça”. Longe disso ! Eu já li relatos em blogs sobre garotas cosmopolitas (do Canadá e da Austrália) que vieram morar em Amsterdam e acabaram tendo uma deprê séria. O caso que mais me marcou foi de uma canadense que veio acompanhar o namorado transferido à trabalho para Amsterdam. Veja bem: eles tinham dinheiro para gastar com turismo e bens materiais (tv, internet, celular, apartamento amplo e bem localizado), ela tinha a companhia dele que fala a mesma língua, ela nasceu num país ocidental, ela tinha inclusive uma parte da genética holandesa (um dos avós era holandês). Ainda assim caiu em depressão após um ano. Achou tudo muito diferente, difícil de se adaptar. Terminou o namoro e voltou para o Canadá onde concluiu o mestrado, arrumou outro namorado e hoje vive sorrindo no blog pessoal. Acho que a depressão  no ano que viveu na Holanda foi porque tinha uma vidinha bem confortável  e independente por lá (Canadá) e por aqui (Holanda)  era… uma simples desconhecida, apenas mais uma loura no meio de tantas outras. No Canadá ela tinha uma vasta rede social de parentes e amigos. Aqui os coleguinhas da faculdades já tinham seus próprios amigos e não a incluíram – demora tempo mesmo. Depois dos meses iniciais fazendo turismo o entusiasmo dela murchou, amizade nova não rolou, o mestrado mixou e o namoro acabou.

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Não há maneira 100% segura de evitar totalmente o choque cultural. Todo mundo vivendo no exterior tem numa certa medida um pouco de choque.  No entanto, se você planeja se mudar para um outro país, para reduzir o impacto do choque cultural seria bom levar em consideração os seguintes pontos:

Busque informação sobre o país que irá visitar. Informações grandes e pequenas. O transporte público é organizado e seguro ou você vai ter que fazer tudo de carro (e voce de-tes-ta dirigir) ? É um país machista ? Ou é uma país individualista (“cada um por si”) e você é do tipo que “vai para a galera”? Dá para beber água direto da torneira ? Você suporta bem a solidão?

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Use sua sabedoria e paciência. Procure ter uma visão a longo prazo. Alguns países tem uma burocracia insuportável e tudo demora muito tempo para ser resolvido. Muito. Outros países são eficientes na burocracia sim, mas são ríspidos e desconfiados dos estrangeiros. Nem todo país é aberto e flexível como o Brasil.

Procure ver o humor nas situações sem precisar usar de sarcasmo. Não deboche dos locais, dos costumes, da comida, das roupas, do sotaque ou da religião.

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Tenha confiança em você mesmo. Pense que vai dominar a língua, conhecer pessoas e fazer amizades, descolar endereços de cursos e passatempos legais. Se nada disso acontecer na velocidade que você esperava, tudo bem.

Tome riscos calculados. Prepare-se em dobro se for fazer aventuras radicais, esportes extremos ou visitar lugares isolados sozinho (a). Coloque-se no lugar dos locais e pense se faz sentido o que você está planejando, se a logística está adequada. Comente com os locais seus planos e escute com muita atenção opinião deles.

Não tenha pena de você mesmo, caso os locais o critiquem muito ou o isolem. Simplesmente ria do seu próprio sotaque e faça uma auto-análise.  Será que você está ouvindo bem, com atenção  ? Será que precisa fazer um curso de imersão em fonética ?  Veja se não é hora de usar outras roupas e sapatos, outro corte de cabelo, questionar seus próprios dogmas e opiniões, falar menos e falar mais baixo – ou não falar nada em várias situações.

Não compense as frustrações (com a nova língua, novos hábitos, incompreensão dos locais, etc.) com COMIDA. Muito estrangeiro cai de boca em todas as delícias locais como maneira de anestesiar o sofrimento. Fique de olho aberto e consciente desse perigo ! Não preciso nem recomendar para também não abraçar o álcool nem as drogas, preciso?

Descanse bastante à noite. O estímulo mental para um estrangeiro é muito grande. Não use as horas da madrugada para longos papos com o país de origem via internet  por causa do fuso horário. Se você tiver que estudar / trabalhar no dia seguinte vai ficar acabado.

Durante o dia tenha intervalos para comer. Isso vale para quem está fazendo turismo tanto para quem mora definitivamente em outro país. É muito comum estrangeiros que começam num novo emprego pularem o almoço para demonstrarem “serviço”. Tolice. Ou turistas que entusiasmados por tudo que estão vendo vão empurrando o almoço para mais tarde, mais tarde, mais tarde… até que desmaiam no meio da rua / loja de departamentos / museu, etc.

Beba água a intervalos regulares. Parece um conselho inútil mas não é não. Há pessoas que se mudam para países frios e desde então param de beber água (?!?) porque acham “que não precisam mais”. Come on people !  Isso provoca dor de cabeça e altera o metabolismo – de quem já tem que se acostumar a um novo clima.

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Não idealize o Brasil. Algumas pessoas que se mudam para um outro país, passada a fase de lua-de-mel começam a sofrer com diferenças culturais. Nesse momento exato começam a idealizar o Brasil. Que o tempo é sempre bom no Brasil (não é ). A comida é sempre maravilhosa no Brasil (não é). As pessoas são sempre amigas, ajudam, são abertas, riem (não, não, não).  Que no Brasil há liberdade para se fazer o que se quer, sempre (oi ?!). Que o Brasil é sempre divertido, não tem preconceito… Ai, ai. Caia na real. Nenhum país é perfeito.  Nem países muito ricos e desenvolvidos são perfeitos.

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Peça ajuda emocional a familiares e amigos. A manutenção do contato social é importante para a saúde mental. Releve e perdoe se alguns familiares no Brasil começarem a agir de forma “diferente” ou não ter muito tempo para você. Releve e perdoe as pessoas do país que você adotou para morar se elas não entendem seu desabafo, não tem tempo ou jogam na sua cara: “Não está gostando daqui ? Então volte para seu país de origem!” Procure ajuda especializada psicológica se for o caso. Ouça o seu corpo e não ignore sinais (mudanças repentinas de humor, grande perda ou ganho de peso, profunda irritabilidade e tédio, taquicardia…).  Não adie tratamento até ser tarde demais!

*****

Você  já passou por um choque cultural ? Como foi sua experiência ? Por quais fases você passou (lua-de-mel / negociação / ajustamento / mestria)?  Desabafe aqui com a gente ! Sugestões, críticas ? Concorda, discorda ? Compartilhe conosco ! O seu desabafo pode ajudar outras pessoas a compreender um desajuste cultural

_______________

Ana Fonseca é carioca, publicitária e vive na Holanda desde 1999 trabalhando na área de turismo e hotelaria. Adora escrever e fazer fotos por aíPara ver fotos dela e dos outros autores acesse nosso Instagram. Sigam-nos no Facebook para atualizações clicando aqui. Twitter ? Clique aqui.   

17 Comentários leave one →
  1. Helen permalink
    09/04/2014 14:26

    Sim. Concordo com o post. Moro há dois anos no norte da Noruega e tanto o clima qto o choque cultural foram extremos. E sim tb para a comparacao com o Brasil depois de um tempo. Ele parece maravilhoso. Depois da terceira visita ao Brasil percebi que a saudade nos deixa com um senso meio irreal. O clima do Brasil sim, este é maravilhoso. Porém, meu amor pela Noruega se deu no momento em que percebi o quão bom é viver num país com igualdade social. E infelizmente meu querido Brasilzão está muito longe disso.

  2. 09/04/2014 15:26

    Nossa Helen, Noruega é MUITO diferente do Brasil (e você nem mencionou de que parte do Brasil vem…). Língua difícil, clima muito frio, gente reservada. Sim, a saudade faz você perder a lógica e distorcer a realidade das coisas. Igualdade social é muito importante para mim também.

  3. raisibien permalink
    09/04/2014 15:29

    Moro há oito anos fora do Brasil. Durante esses anos morei na Itália, Estados Unidos e atualmente na Inglaterra, e acredito que o choque de cultura seja praticamente inevitável. Na Inglaterra as pessoas são mais frias e minha mania de tocar nas pessoas enquanto falo com elas já foi mal interpretada e já incomodou alguns, incluindo meu namorado Polonês que não entende o jeito mais caloroso do brasileiro. Na Itália, demorei até me acostumar com o jeito grosseiro e racista do italiano, aliás, nunca me acostumei.
    São inúmeros exemplos que poderia citar mas acredito que o choque de cultura pode ser benéfico, renovador e nos acrescentar um mundo novo, nos fazendo crescer, amadurecer e abrindo nossa visão e nosso entendimento do que é mundo.

    Beijos a todos,
    Raiani

  4. 09/04/2014 15:46

    Sim, inevitável.
    Os italianos são no geral muito bruscos sim, com as palavras.

    Já os holandeses tem uma rudeza que se expressa em ausências, silêncios. Por exemplo: se eles no fundo não gostam de você, então quando ouvem alguma coisa boa que te aconteceu não felicitam, ficam caladinhos. É o famoso “te jogar para as traças”. Ou talvez seja apenas uma maneira desengonçada deles de demonstrar inveja, vá lá saber… Meu marido nunca elogiou quando volto do cabeleireiro ou estou com uma produção para uma festa. Mesmo que na festa os outros estejam me olhando, e amigas elogiem, digam “Uau, mudou a cor do cabelo / tá linda com esse make-up” etc. Maridão finge que não olha, não percebeu, etc.. É a cultura dele, de não jogar purpurina nos outros.

    O choque cultural é benéfico e positivo porque testa seus limites/cabeça fria, questiona seus valores, e te dá uma sabedoria maior sobre as pessoas. Eu fui testada na Holanda em situações que eu não tinha experiência prévia e tive que me requebrar para sair numa boa (ou não tão queimada).

  5. 09/04/2014 17:55

    oi Anita,

    parto do princípio que se emigra por interesse pessoal, salvo exceções que não conheço, quem sabe tem algum imigrante que recebeu um pedido assinado por todo um povo para que vá morar lá…né?

    assim sendo, acho que cabe ao imigrante buscar, de todas as formas possíveis, integrar-se e ser aceito, construir novas amizades, aprender, partilhar, sempre tendo em vista o privilégio que significa poder viver onde se sente melhor/mais feliz. Isto implica em gratidão pelo país e povo que nos acolhe. E em se tentar dar algo em retorno, contribuir com o que sabemos e podemos fazer.

    Antwerpen, por exemplo, tem muuuuuitos imigrantes, de várias origens. A maioria se limita a reclamar e exigir, protestar e se queixar, sem fazer qualquer esforço para se entrosar E fazer algo para a melhora da coletividade. Esta atitude certamente não contribui para que ninguém se sinta feliz, nem para que outros se alegrem com a nova presença. O chavão ‘em meu país é assim, na minha terra é assado’, sempre com a conotação de que o ‘meu’ país é melhor, só serve, mesmo, é para gerar um ‘então porque não volta?’, que normalmente não é verbalizado, mas que, pessoalmente, acho merecido.

    choque cultural pode ser fator de crescimento, sempre e quando se esteja consciente de que é parte integrante e fundamental no processo de ‘transmutação cultural’ e que se valorize o bom de se poder viver entre dois mundos. Selecionar o que se quer/gosta, de cada cultura, e compartir novos conhecimentos e experiencias. Coração e mentes abertos.

    e, prá quem não estiver satisfeito, é como dizemos no Brasil: ‘a porta da rua é serventia da casa’. Certo?

    boa discussão, parabéns pela iniciativa!

    Touché

    • 09/04/2014 18:16

      Há muitos que chegam à Holanda por forte necessidade econômica e desprezam a cultural local (principalmente o povo que vem daquele país que começa com M e termina com S). São profundamente recalcados. Olha, as mães desse povo deixam (estimulam até) os filhos a quebrarem chocolates de Pascoa e Sinterklaas no supermercado, a arranhar os carros dos nativos, molestar fisicamente homossexuais e mulheres etc. etc. etc. Vi várias vezes isso.

      Agora, eu realmente não sei como alguém vai para outro país por livre e espontânea vontade sem ler nada a respeito. Eu li os “clássicos” Undutchables” (um pouco cínico demais para mim) , “Understanding the Dutch””The Low Sky”, e agora há o “Stuff Dutch People Like”. Todos diferentes e muito interessantes. Eu li e tirei minhas próprias conclusões. Também visitei museus, como comida holandesa, leio revistas sobre educar crianças (lógico), vejo filmes, etc.

      NÃo adotei 100% dos hábitos porque já cheguei aqui aos 30 anos exatos. Adoro os sapatos, bolsas, roupas. Adoro os sistema educacional.

      Agora, é a maior moda entre muitos estrangeiros na Holanda falar mal do país. Da comida, da língua, do tempo, tudo. Incrível mesmo. Cheguei à conclusão que são pessoas muito limitadas e me desliguei de gente assim.

      • 15/04/2014 17:03

        Anita,

        como dizemos, né? ‘para quem não estiver satisfeito, a porta da rua é serventia da casa’.

        pena que gente ingrata e incompetente para crescer em novas culturas insista em ficar onde não se sente bem…

  6. Victor Hotz Fioreze permalink
    09/04/2014 21:49

    Eu ainda estou muito emotivo com tudo! Mudei-me para os EUA (Austin, TX) faz 3 meses, tudo ainda é muito recente… Tudo muito confuso… Emoção e nervos a flor da pele… Gostei e muito de ler a respeito! Tranquilizou-me…

  7. 10/04/2014 7:19

    As pessoas sofrem choque cultural quando se mudam para uma outra parte do MESMO país em que nasceram. Já imaginou um gaúcho que se mude para…o Acre, o Pará ? O que não dizer então de outro país ? Há holandês que nasceu na Randstad (Ams, Haarlem, ou Haia, ou Rotterdam, etc.) e que se muda para outra ponta do paisinho e não se acostoma de jeito nenhum. Victor, no início tudo é caos (para o bem ou para o mal) depois as coisas vão se assentando e formando um padrão.

  8. Cristina permalink
    10/04/2014 13:50

    Estou me preparando para uma mudança para a Argentina, leio tudo o q posso sobre o país e sobre o q é ser um expatriado. Já mudei de cidade, sou paulistana e vivo a 6 anos em Ribeirão Preto, choque cultural foi grande, mas descobri coisas em mim, tipo, não morro se não tiver amigos, me adapto mto bem a novas situações, sei me portar bem em qq situação e principalmente, tenho uma necessidade mto grande de absorver novas culturas e respeito a forma de agir e pensar de otras pessoas. Acho q tenho grandes chances de não surtar kkk. Bj. Adorei o post, mto útil e bem escrito, parabéns.

  9. 10/04/2014 18:20

    Isso aí: leia, informe-se sobre a história, a literatura, o cinema, a geografia, a política. E uma vez estando lá observe as pessoas e a situações sem analisar tudo a ferro e a fogo. Sucesso para você !

  10. Ana permalink
    14/04/2014 7:04

    Bem, eu entrei no choque cultural e contInuo eletrecutada, eu fico lendo estorias de pessoas que vivem em outros paises e se dizem felizes e realizadas, para mim e dificil acreditar muito, ou elas vivem uma ilusao para si mesmas ou sao muito mentirosas. Vivo fora do Brasil desde 2007, e ouvindo conselhos, tentando enganar a mim mesma que o problema sou eu e nao o que esta em minha volta, pode ate ser, para se adaptar(estude, trabalhe, conheca a cultura, socialize, viaje, fiz tudo…) mas depois do ultimo ano 2013, foi o apice a gota d’agua cheguei ao ponto de procurar um neurologista, pois achei que estava louca e o remedio que ele me deu acabou de me endoidar, tive syndrome de panico e uma quase tentativo de suicidio( o remedio me deu uma crise a noite, fiquei sem respirar e quis pular do deck). Meu Deus! Pensei… nao serao por coisas materias e irei perder o que tenho de mais valioso que e minha vida… Decidi, Basta! Dar um chega… estou tao “louca” , crazy que estou ate procurando um “exorcista” pois acho que o que sinto e mais que fisico e emcional e spiritual. Doente o tempo todo desde que cheguei aqui, dores de cabecas todo santo dia, enjoos, nauseas, entoxicacao alimentar, ganho de peso(20kgs a mais), inchaco, caimbras, fibromyalgia, queda de cabelo, tristeza, depressao, falta de gosto(comida nao tem paladar), nauseas, vomitos, diarreia quase que diariamente, TPM insuportavel dores e agora por ultimo cheguei o ultimo estagio do stresse…
    Desculpe, eu ser do contra de todos, mais ter quatro carros na garagem, diploma, estudo, idiomas, negocio proprio, viajar para onde quiser, cartao de credito ilimitado,… nao me trouxe nenhuma felicidade!
    Perdi as coisas mais importantes que tinha, amigos, familia, raizes, estoria… hoje me considero uma “perdida no mundo”. Falar outras linguas nao me fez ter amigos ou adaptar a sociedade, ter todas as caracteristicas dos gringos, disciplina, cumprir horarios, seriedade, educacao de escolas(deixar bem claro), por que educacao de cultura social eles na tem, trabalhar com eles, conviver com eles … so me fizeram ter aversao a cada dia mais a ponto de nao suportar mais ouvir outra lingua senao a minha maternal, estou com um trauma imenso e a vontade que tenho e de me enfiar no interior do Brasil com uma nova identidade e comecar tudo de novo numa vida bem simples e nunca dizer e comentar para ninguem de meu passado ou experiencias, ou que morei em outro pais , simplesmente apaga-lo. Tenho medo que voltando para minha terra e nao adaptar mais, ir parar num hospicio, pois isso e que faz o comprometimento cultural e perca dos senso de origem para brasileiros que moram fora e para disfarcar a maioria vive de aparencias, e um horror! Desculpe aos deslumbrados de plantao mas morar no exterior so me fez mal, perdi a juventude, a beleza, a mocidade, a saude fisica e estou correndo contra o tempo para nao perder a saude psicologica e emocional. O que ganhei… bagagem cultural comprometendo toda o resto de minha vida, nem filhos posso ter mais… Nao se iludam com a vida no exterior e pura ilusao, e precisamos VIVER REALIDADE OU SEJA SER FELIZ. O pior que relatos como o meu ninguem publique pois preferem viver na ilusao, contar vantagem ou simplesmente falar mal de sua terra natal como se o resto do mundo fosse “perfeito”.

    • 15/04/2014 17:00

      Ana,

      não sou, nem nunca fui, nem tenho vocação para vir a ser uma ‘deslumbrada de plantão’, e acredito que a grande parte das pessoas que se dizem felizes em outro país fora o de origem – seja o Brasil ou qualquer outro, não se encaixem na tua versão – ‘ou elas vivem uma ilusao para si mesmas ou sao muito mentirosas.’

      lamento que tua boa situação financeira não tenha te possibilitado achar um caminho para a partilha de outros fatos que tuas problemáticas existenciais e psicológicas. Sempre acreditei que usar o que se tem de talentos, dons e valores, a favor dos outros seja a melhor forma de se construir uma boa vida.

      volte para o Brasil, sim, quem sabe lá você encontra a resposta para tuas buscas? Eu continuarei a viver na Bélgica, agradecida a este país e a este povo que me acolheu e me possibilita construir uma vida com mais respeito, paz e romance.

      mas a isto talvez você considere ilusão? ou mentira?
      cada um olha o mundo pela janela de seus próprios olhos…

  11. 14/04/2014 7:30

    Oi Ana. Obrigada pelo seu comentário. A gente publica todo tipo de desabafo sim, mesmo se for discordando do autor do texto e dos outros comentaristas. Lógico que a gente publica ! Só não pode ser pessoalmente ofensivo ao colunista.

    Ma parece que você teve uma vida bem ativa no país para onde você se mudou (não citou o nome do país) . Então me parece que teve um “burn out” ou algo similar – bem comum nas últimas décadas entre pessoas que tem muitas atividades e responsabilidades simultâneamente. Eu não vejo nenhum problema em quem volta para o país de origem . Não vejo isso como “fracasso” ou incapacidade de se adaptar. Cada um tem que procurar viver onde se sente mais feliz. Isso é muito pessoal e subjetivo.
    Desejo sucesso nas suas escolhas !

  12. 07/05/2015 17:15

    Achei interessante ter considerado nesse post a parte física! No meu caso, fez muita diferença na minha adaptação na Índia, no Egito os cuidados que tenho com a saúde e em estar bem fisicamente. Me ajuda a manter o foco, a complementar a preparação psicológica, e me afasta de drogas e do exagero com bebidas. Sempre vejo muitos, sobretudo os mais jovens, que reagem ao choque com drogas, bebidas e comida. Os choques tendem a ser ainda maiores quando se leva àquela ideia de “fazer o que não se tem coragem de fazer na sua terra”.
    Agora, me preparando para mais um período longo fora do Brasil, estas dicas resumem o que venho refletindo de considerar os aspectos emocionais, psicológicos e físico – e todo lugar tem seus lados positivo e negativo.

    • 07/05/2015 18:13

      Isso mesmo. A pessoa tem que estar mentalmente e fisicamente preparada, com regras pessoais bem definidas. Ter limites, conhecer seus padrões. Tem gente que “solta a franga” quando vai para outro país, correndo até risco de vida (com assaltos, doenças, etc.). É necessário curtir sim, mas não aloprar !

  13. 27/01/2016 6:17

    Acredito que o maior problema (dos brasileiros) no choque cultural, se inicia pela Educação. Depois, há aquela mania de menosprezar e menosvalorizar o Brasil, exaltando o país estrangeiro.
    Mas quando chegam lá, não tem o mesmo gingado, o mesmo conhecimento e às vezes, as mesmas facilidades em obter as coisas, que na primeira frustração já faz comparação com o Brasil, dizendo que “se fosse no Brasil, já teria resolvido o problema”.
    Ledo engano. Duplamente.
    É certo que o Brasil não é nenhum mar de rosas, mas nem por isso, qualquer país estrangeiro seja infinitamente melhor.
    Só mesmo um expatriado sabe na pele e na alma, o que é viver longe de sua terra natal, por pior que possa ser.
    Agora, quanto aos estrangeiros que vão ao Brasil, a maior decepção deles, em minha opinião, é com o fato do Brasileiro não ter a mesma educação que eles, esquecendo que brasileiro é muito malandro (não todos, claro) e, acabam vítimas de sua própria ingenuidade.

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