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Idosos no Reino Unido

12/01/2015

bz_inglaterra Rogério da Silva – Leeds, Inglaterra

Li um texto do site Revista Forum “Minha avó é magra, fashion e perfeita”, publicado no dia 02/01/2015 por Jarid Arraes. Retirando a parte política, pois o que se trata aqui é puramente da aparência da mulher e, principalmente se tratando de idosos e vendo todo esse movimento aqui de fora do Brasil, é interessante tocar nesses assuntos.  Mas é importante salientar que dispenso comentários relacionado à política, tenho também minhas opiniões quanto a isso, porém não vem ao caso aqui.

Deixando isso claro, vamos falar então sobre como eu percebo que é o dia a dia de mulheres idosas no Reino Unido, apesar que aqui a distinção é muito pouca entre homens e mulheres – Bem como nossa amiga Raquel Macagnan Silva comentou em seu Facebook – “Esse post é independente de partido político. Concordo com cada letrinha deste texto. E vivo em um país que tem um pouco mais de respeito com idosos e trata a mulher como igual ao homem.”

Baseado em minhas observações nesses últimos 14 anos de Reino Unido, sempre achei interessante o cuidado e principalmente respeito com os idosos.

Idosos No Reino Unido

Sorrisos no parque de Harrogate – Cortesia de Liliane e sua Mãe

Emprego

Quero começar por aqui pois acredito que qualquer pessoa que tenha dignidade e liberdade para se ter uma vida ativa e com meios para poder fazer o que quiser. Lembrando que estou focando em mulheres, então não fiquem na dúvida quanto a capacidade de determinados trabalhos mencionados aqui.

Há sempre uma idosa trabalhando por aqui, sem restrições. Vejo idosas trabalhando em atendimento ao cliente, na lanchonete da esquina, no caixa do supermercado, no açougue, motorista de transporte público, motorista de taxi, contadora, CEO de grandes grupos, bancárias, varredoras de rua, faxineira, apresentadora do jornal em horário nobre, apresentadora de programas de música, dança e calouros.

Não fique pensando que até mesmo grupo de trabalho não há alguém jovem que fique acanhado e indiferente perante a uma idosa, um aprendiz, ou recém saído de um colégio ou universidade, pelo contrário, trabalham juntos, aprendendo com a experiência do mais velho, respeitando os valores, e de ambas as partes, os jovens aprendem com a experiênica e os mais velhos aprendem com as modernidades tecnológicas, como iPhones e Internet.

Social

Muito bom sair e em qualquer lugar ver uma mistura de pessoas, sem alguém ficar te olhando de cima a baixo, e cochichando – “Nossa olha esse velho/a. Ou até mesmo comentários como – “De que familia esse dai é?”.

Qualquer estabelecimento público que frequentamos há algum idoso, seja ele em forma de “velhas” amigas que se reencontram sempre na quarta ou quinta feira para comer alguma coisa e tomar um vinho.

Seja ir a um pub (bar que serve comida, alguns tocam música e muitas vezes com bandas de idosos tocando os clássicos do rock), ir a um cinema, seja qual for o filme é muito comum ver idosos. Ir ao parque, à sauna, à piscina da academia (seja ela privada ou parcialmente financiada pela prefeitura).

Idosos No Reino Unido

Turma no Pub – Cortesia de Daniela Silva @danpasini

No supermercado é comum topar com um idoso estacionando o carro, fazendo compras.

Sem esquecer claro, quando fazemos nossa atividade favorita que é caminhar pelos interiores de Yorkshire e Lake Distric, sempre nos deparamos com idosos.

Há algum tempo atrás, estávamos fazendo a trilha de Hadrian’s Wall, que corta do leste ao oeste próximo da divisa da Inglaterra com Escócia, e encontramos um idoso entre seus 65-70 anos. Estava com uma mochilinha nas costas, água na mão e uma camiseta com a foto do Pão de Açucar do Rio de Janeiro, claro que eu perguntei pra ele, e me disse que viaja por todo o mundo fazendo caminhadas e que recentemente visitou o Brasil, portanto a camiseta.

Ficamos, eu e meus amigos (na época tínhamos por volta de 25 a 29 anos, entre os que estavam no grupo), adimrados da energia e disposição do senhor que nos deixou pra trás nos sobe e desce dos montes ao longo da trilha.

Benefícios

Benefícios básicos como assento prioritário em transportes públicos, descontos em locais, eventos e medicamentos. Atendimento preferencial em setores públicos e privados.

Sei que temos tudo isso no Brasil, mas a diferença aqui é a consciência, as pessoas fazem questão de ajudar um idoso a atravessar a rua, o motorista do ônibus, desce pra ajudar, coloca a rampa se necessário e claro, sempre espera, mesmo atrasado, dificil acontecer por aqui, mas acontece de dar uma atrasada, de minutos.

Aparência

Aqui as mulheres gostam de se maquear, acho que até exageradamente, mas é o jeito delas.

Elas gostam de se produzir e até comentamos que nas quintas, sextas e sábado, pode estar o frio que for, elas saem de mini-saias. Mas nem por isso vemos pessoas assoviando ou atacando a mulherada.

Na TV não se tem tanta bunda, ou tanta depravação, aliás as pessoas meio que policiam por aqui, sempre vemos comentários que uma propaganda ou um programa de TV saiu do ar por conta de reclamações, e como somos acostumados a nossa “culturalmente rica” TV brasileira, nem achamos tão depravado assim.

Sempre menciono que não há lugar perfeito, e muito menos quero instigar raiva ou disrespeito perante aos nossos conterrâneos brasileiros.  Sou brasileiro, adoro nosso país, mas se há uma coisa que me deixa muito entristecido é o fato de como somos machistas, movidos a aparência, egoístas até mesmo com nossas pessoas, familiares, amigos e parceiros. Movidos ao sexismo em qualquer aspecto que lidamos no dia a dia do cotidiano no Brasil, seja ele em situações como falar com a recepcionista, ou cafeteira, até uma partição pública, apresentadora de TV ou figura política.

Já que as tais “bolsas” estão na moda, bem poderíamos conseguir bolsas viagens para lugares diferentes para podermos perceber que há muitas outras coisas para se preocupar do que continuarmos a debater coisas banais como o de aparência de um ou de outro, principalmente se tratando de idosos, mulheres sejam elas de qualquer patamar, credo, cor ou status social.

Fiquem à vontade para me perguntar qualquer coisa sobre o Reino Unido.

*Rogério da Silva é analista de testes em tempo integral e blogueiro em horários de folga. Para saber mais sobre ele clique aqui.

19 Comentários leave one →
  1. 12/01/2015 12:51

    O texto da Jarid Arraes é fantástico por sua simplicidade e ir direto ao ponto. Recomendo a todos que o leiam clicando no link que o Rogério forneceu.

    O texto do Rogério pegando o texto da Jarid como mote toca em dois pontos: a cobrança quanto a aparência da mulher e a situação dos idosos no Reino Unido. Países com uma grande população jovem costumam ser imaturos quanto à condição humana na velhice. O Brasil tem um culto fanático por corpos “sarados”, “barriga negativa”, e mega cabelos, bundas, e ausência de pêlos. E malham qualquer atriz, qualquer mulher que vive do visual quando esse já não apresenta mais o mesmo viço. Acaba gerando Susanas Vieiras patéticas, que aos 70 anos deveria estar mais discreta a segura a respeito de sua forma física (NADA contra quem faz plásticas, emagrece, implanta isso e aquilo e pinta o cabelo). Homem poderoso no Brasil não sofre críticas quanto ao peso (Lula) , dentes ruins (FHC), o que for. Já a Erundina, logo logo que teve uma ascenção política disseram: “Parece um tanque !”

    É notável como os babyboomers são realmente numerosos e muito ativos na Europa e no Reino Unido. O poder de consumo é mais alto se compararmos ao Brasil, e vivem mais. Eles tem grana para ir a teatros, concertos, musicais, restaurantes, hotéis… às vezes até mais $$$ sobrando do que casais jovens e ambos bem empregados (esses tem que arcar com creches, clubinhos para os filhos, festas de anivérsário, manter carro (s) e hipoteca). Vejo que na Holanda os da terceira idade são bem assertivos: exigem qualidade dos produtos e serviços, querem um atendente de banco disponível fisicamente e não ter que fazer tudo por internet, usam a bicicleta até os fins dos 80 e tantos anos, querem dançar e passar férias em lugares distantes. Enfim: ao envelhecer não entram em pânico sobre a aparência mas se sentem mais livres e soltos de obrigações e querem ter atividades culturais e de lazer.
    Uma ressalva: as mulheres na Europa são de fato mais relax com pés de galinha, fios grisalhos e pneuzinhos. Talvez porque o continente tenha um clima temperado, o corpo não fica permanentemente em evidência.

  2. 12/01/2015 13:10

    Bem isso mesmo Anita.

    • 12/01/2015 14:47

      Muito bom o comentário da Ruth.

      “Para alguns fanáticos da estrela vermelha, Dilma é como Maomé. Intocável. Irrepreensível. Acima do bem e do mal. Nem ela se acha assim. O episódio do vestido de renda revelou que querem transformar Dilma em Evita, a santa. Na Argentina, Cristina Kirchner é muito mais visada por cartunistas e humoristas. E também os kirchneristas acusam de machistas as mulheres jornalistas que ousam criticar a maquiagem medonha de “la presidenta”.”

  3. 12/01/2015 15:08

    oi Rogerio, parabéns pela estréia!

    acho que você escolheu um tema muito significativo, pois existem grande diferenças no conceito e tratamento do que ‘idoso’ significa, em nossos dois países (vivemos sempre em DOIS países, né?).

    textos como o teu levam à reflexão sobre o tema e, esperamos, à mudança de atitude no Brasil.

    • 12/01/2015 15:20

      Sim, é um tema bem delicado. Ainda mais se tratando de figura política. Apesar de eu não ser de Direita ou Esquerda, e nem concordar com a administração, eu queria falar de uma forma neutra, mas dando ênfase na atitude em si. Uma atitude que ignoramos e é tão natural para a maioria. A esperança sim é de realmente mudar, de evoluir, melhorar, sempre.

  4. Liliane permalink
    12/01/2015 15:27

    Já vivi na Inglaterra por 8 anos, hj estou no Brasil por motivo familiar, mas é frustrante o desrespeito e descriminação que o mulher que está com seus 40… 45… 50… e até idosas! Voltei ao Brasil e na ocasião estava com 40 anos, enviei VÁRIOS currículos e mesmo com formação superior, fluente em inglês e com toda bagagem de experiência ñ consegui sequer uma entrevista decente! Foi frustrante! Hj tenho meu próprio comércio, mas infelizmente o Brasil está LONGE de mudar de visão e mentalidade.

  5. Isabel Cristina permalink
    12/01/2015 21:35

    Já ficaria satisfeita,se houvesse mais respeito para com os idosos,e tivesse mais oportunidade de trabalho, sem que houvesse exploração de mão de obra o que é muito complexo aqui no Brasil vc se aposenta aí se torna descartável…Hoje temos dupla cidadania,mais a família esta toda no Brasil seria muito complexo deixar uma vida toda para trás!!!! Adorei a sua matéria Rogerio da Silva.

    • 12/01/2015 21:39

      Obrigado Isabel.
      É verdade. Espero que com a experiência de tantos Brasileiros fora do Brasil, possam levar um pouco de mudança positiva e evolução para aprimorar nossa cultura. Um país lindo, com riquezas naturais de dar inveja a muitos países, mas com uma cultura um pouco tanto quanto atrasada.

  6. Auto exilado permalink
    15/01/2015 8:07

    Após 8 anos aqui na Inglaterra e sem ir ao Brasil (graças aos céus), já considero banal ver idosos em todos os lugares, trabalhando ou passeando, estudando ou se divertindo, em organizações de trabalho voluntário.

    Lendo esse post, esqueci que ex-colônias tropicais ainda não chegaram nesse grau de civilidade e cidadania. Mas eles ainda chegam lá… Afinal, conquistaram sua independência política não fazem nem 200 anos!

    • 15/01/2015 8:34

      É verdade. A esperança é que evoluímos nesse ponto tanto quanto tantos outros.
      O bacana é compartilhar essas experiências para pessoas que estão ilhadas em conhecimentos, lá no Brasil, vejam que há muito mais do que as futilidades que hoje são manchetes nacional. 😁

    • 15/01/2015 8:50

      oi Auto exilado,

      será que respeito aos idosos (leia: às pessoas de qualquer idade) tem a ver com a independência política? ou tua última frase vem como ironia?

      porque quando penso nas culturas antigas…

      • Auto-exilado permalink
        15/01/2015 23:27

        Quis dizer que respeito aos idosos requer educacao, o que requer um grau maior de civilidade, o que leva tempo. 200 anos é pouco. Sem bem que os vizinhos Chile e Uruguai avançaram bem mais que o Brasil nos indicadores sociais (crime, indice de educacao, qualidade de vida, distribuicao de renda).

      • 16/01/2015 8:06

        talvez porque no Chile e Uruguai não vigore a ‘lei de Gerson’: o importante é levar vantagem em tudo. Por que no Brasil, onde tantas leis não ‘pegam’ esta é tão bem aceita…?

      • 16/01/2015 9:15

        Bravo Touché.
        Coisas simples e óbvias como a “lei de Gerson” são tão aceitas em nossa sociedade que quando há uma pessoa com pensamento ao contrário é ridicularisado a ponto de honestidade não ser o que realmente importa e o fator fundamental para solucionar grande parte desse caus em que Brasil está desde sua época do descobrimento.
        Não concordo que por sermos um país relativamente novo, culturalmente não assumimos a culpa e não arregaçamos a manga e principalmente não nos preparamos antes e muito menos depois do que algo acontece.
        O que quero dizer é – há outros países relativamente novos, talvez até mais novos que o nosso onde há senao de coletividade, honestidade, preparação, organização e muito mais educação, mas com um interesse individual, as pessoas não ficam sentadas esperando cair do céu, vão e agem, entendem seus direitos e deveres como cidadão.

        Quando percebemos que isso e pequenas ações como ser íntegro em casa, com a família, com o vizinho, com a comunidade, com um todo, ai sim talvez algo poderá começar a mudar e deixarmoa de ser “maria vai com as outras” quando sai banalidade na TV.
        😜

      • 16/01/2015 16:34

        pois é, Rogerio! integridade transparece em cada pequena atitude.
        parece que no Brasil há uma des-integridade crônica?
        ai ai.

      • joao permalink
        18/01/2015 19:13

        “Auto-exilado” Mas sobre Uruguai…. sobre criminalidade há violência no Uruguai tem aumentado e casas vivem tudo com muro alto…. anos atrás isso não existia e tem debate entre direita e esquerda sobre pena leves contra menores infratores… que virou epidemia no Uruguai… tem tudo são flores no Uruguai mesmo com vários avanços sociais nessa ultima década ..abraço by

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