bz_italiaCarla Guanais – Roma, Itália

Amo os animais, quem segue meu blog pessoal sabe. Mas qual a relação dos italianos com os animais, mais especificamente, quando se trata de animais domésticos???

http://gattivity.blogosfere.it

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Segundo uma pesquisa recente, 42% das famílias italianas têm um animal em casa. Mais de 40% dos que têm animalzinho em casa, têm mais de 1. A maioria são cães, mas há também muitos gatos e outros pequenos animais.
Aqui na Itália os cachorros não são criados para serem cães de guarda, mentalidade de ainda muitos no Brasil. Cães são amigos, parceiros, para servir de companhia e, para muitos, são como filhos. Sim, 68% da população italiana vê seus animais de estimação como seus próprios filhos. Essa mentalidade influi também na compra de alimentos de qualidade, brinquedos e no cuidado com a saúde do animalzinho.

Existem várias leis que protegem e regulam a convivência com os animais na Itália. Por exemplo a lei do ir e vir, onde animais são aceitos em shoppings, supermercados e até mesmo restaurantes. Há uma lei de trânsito e acidentes também, omitir socorro a um animal é equivalente por lei à omissão de socorro a um humano, portanto, sujeito à punição.
Ambulâncias de socorro de animais podem usar a sirene e cortar o trânsito, assim como carros particulares que transportam doente, seja humano ou não, também pode cortar trânsito no percurso ao hospital usando a buzina.
Nos condomínios é proibido proibir a presença de animais.
Praticamente não existem cães de rua. Quando são vistos, são capturados, levados à canis, tratados e colocados para adoção. Não podem ser sacrificados.
Já com gatos não é bem assim, nem todos são capturados. Roma por exemplo, é uma cidade na qual os gatos são patrimônio da cidade. Têm sua liberdade protegida por lei.  Muitos são capturados somente para castração para evitar a ‘proliferação’ dos animaizinhos. Vão para os gatils normalmente filhotes abandonados, que não são totalmente independentes ainda e são mais fáceis de arrumar uma família que os adote e ame.
Existem numerosas ongs de proteção animal, que promovem adoção e esterilização/castração desses animais.
Maltratos aos animais também é crime.

Nós adotamos 2 gatinhos aqui!
Quando se pretende adotar um animalzinho, a equipe de adoção faz uma visita de pré-adoção para ver se o ambiente no qual o gatinho vai viver é propício e se responde um questionário com diversas perguntas, para conhecer mais o interessado na adoção. Se preocupam com questões do tipo: ‘Quando você viajar o que pensa em fazer com ele?’ entre outras coisas. Se não se encaixa no perfil exigido te descartam. Se é aceito, se assina um formulário de adoção com um termo de responsabilidade de castração/esterilização. A equipe que faz a adoção também pode vir te visitar algum tempo depois (meses às vezes) para ver como está o bichinho.
É lei também colocar chip de identificação nos cachorros. Donos que não o fizerem são multados. Chips nos gatos ainda é facultativo. Essas e outras leis, porém não muito atualizadas,  podem ser lidas na íntegra aqui.

Eu e minha gatinha Preta

Eu e minha gatinha Preta

Eu e meu gatinho Lion, o caçula

Eu e meu gatinho Lion, o caçula

Mas nem tudo sãos flores! Vocês imaginam que aqui existe muito o preconceito com gatos e cachorros da cor preta? São os mais difíceis de conseguir família que os adote. E, o pior, gatos pretos são até maltratados e usados em rituais, além de sofrerem pela fama de trazer azar. Pura ignorância!

Fizemos questão de adotar uma gatinha preta e um sem um dos olhinhos, o Lion. Pois animais que têm alguma deficiência também são rejeitados. Absurdo não? Contei tudo lá no Sonhos na Itália.

Mas, falando de União Europeia, a Itália divide o terceiro lugar dos países que mais tem animais domésticos, junto com a Hungria, ficando atrás somente da Bélgica e Países Baixos. Os gatos são maioria na Europa, e a França é a campeã na presença deles nas residências. Seguida por Reino Unido, Itália e Alemanha. Quem prefere os cachorros são a Polônia, Romênia e República Tcheca.
A Itália, como o Brasil, tem muitas aves como animais domésticos, o que sou totalmente contra. Esperamos que isso logo mude, afinal nasceram livres, são independente e têm asas, principalmente essa questão! Voam! Não tem sentido nenhum deixá-los presos em uma gaiola! É puro egoísmo! Não acham?

Essa relação com os animais domésticos (que é sempre em aumento) influi em muitas coisas, principalmente no que diz respeito ao respeito aos animais em geral, não só aqueles domesticados.
Na escolha na alimentação por exemplo, mais de 7% dos italianos são vegetarianos ou veganos. Pode parecer um percentual baixo, mas se pensando na cultura italiana e sua culinária, é um número expressivo que só vem aumentando. Além do que, segundo o Eurispes, 82% dos italianos são contrários aos testes em animais , 75% contra a caça deles, 65% são contra a exploração dos animais em circos e 86% é contra o uso de peles de animais em casacos e outras vestimentas.

Enfim, da era romana à era onde animais são tratados como iguais, com todos os direitos garantidos.

Pian Piano!

Arrivederci!

* Carla Guanais é cientista, blogueira e mora na Itália desde 2010, onde cursa um doutorado. Saiba mais sobre ela clicando aqui.