Tenho lido na rede vários textos que falam das mudanças que sofremos quando fazemos a escolha de viver em outro país. Aprendemos sim! E muito! Resolvi então publicar hoje 10 coisas que aprendi com a minha decisão de vir morar na Itália.

1. Aprendi sobre a vida 

Já tinha ouvido dizer que não existe nada melhor do que sairmos da nossa zona de conforto, ou seja, a família, os amigos, a cidade onde sempre vivemos, onde se fala o idioma que aprendemos desde sempre, para nos fazer perceber que, independente da idade, temos ainda muito a aprender e amadurecer. E aconteceu comigo!

2. Conheci pessoas inesquecíveis

Aquela coisa né? Morar em um mesmo lugar nos faz manter sempre as mesmas amizades, ou pelo menos um mesmo círculo, onde nos sentimos seguros e aceitos, proporcionando relações sólidas e profundas.  Quando saímos desse meio, ou melhor, quando fazemos uma mudança grande que é mudar de país, se  conhece tanta gente nova (pessoas que vieram de lugares diferentes, tiveram experiências de vida até opostas das nossas, têm outros gostos, outras visões, outra cultura, etc.), e isso fornece uma visão muito mais ampla de diferentes realidades e possibilidades de vida. Pessoas com uma bagagem e história tão diferentes da nossa realidade que se, estivéssemos naquele círculo fechado de amigos com os quais nos identificamos em tudo, nunca as conheceríamos, ou ainda,  essas pessoas nunca teriam a oportunidade de fazer parte daquele círculo.

3. Conhecidos são muitos, mas amigos de verdade são raridade

Sim. É difícil fazer amigos. Pode ser  porque temos já uma certa idade (no Brasil a maioria dos amigos são da época escolar ou adolescência), mas principalmente porque passamos a viver no meio de outra cultura e costumes, nos quais é difícil entrar, conseguir um espaço e assim, ter uma amizade verdadeira. Acontece muito entre nós expatriados, fazermos amizade com também expatriados, seja brasileiro, latino americano, ou outra nacionalidade que não a do país no qual estamos vivendo. Isso porque temos histórias parecidas, fica mais fácil de nos identificarmos e encontrarmos pontos em comum facilitando a construção de uma sólida amizade.*(escrevi um texto a respeito no meu blog pessoal, leia aqui)

4 . Vi realmente que o mundo gira e é imenso!

Sim, quando saímos do nosso país natal percebemos que nosso mundinho é um mundão! E queremos conhecer tudo, queremos aprender a falar outras línguas, queremos ver mais, saber mais… Queremos cada vez mais novas aventuras pra revigorar o coração e sentir-se novo, pronto pra outra! Viajar torna-se muito mais valioso do que ter um celular ou um carro de última geração!

Em Paris

Em Paris

5. Aprendi a inovar a cada dia

Novas situações, novos meios de enfrentá-las e novos meios de surpreender-se, quebrando barreiras como a timidez, o medo, a insegurança e o negativismo. Afinal tem que fazer acontecer em um universo muito diferente do qual se estava habituado, sem medo do fracasso, afinal o que vier é lucro. Falar outra língua, fazer atividades que de repente no Brasil jamais faríamos (principalmente no que diz respeito a emprego – já fui faxineira, babá, caixa de posto de gasolina, operadora de telemarketing… num período curto e intenso).

6.  Aprendi a me valorizar e me tornei mais confiante

Realmente! Nos vemos em situações na qual tiramos força e coragem que não sabemos de onde. A solidão e a saudade de “casa” são as primeiras coisas mais pesadas. O medo do novo e do desconhecido também. Mas pra quem tem coragem de sair da tal zona de conforto, isso é fichinha. Vemos que querer é poder. E que se temos um sonho e objetivos traçados, batalhando e dando o nosso melhor, chegamos lá.

Muitas das vezes chegamos a nos redefinir. Seja na relação que temos conosco mesmo e na relação que temos com os outros. Passamos a nos importar muito menos com que os outros pensam de nós. Enfim, nos descobrimos!

7. Ampliei meus horizontes

Morar fora expande a nossa mente. Portanto, velhos preconceitos vão por água abaixo. Graças à Deus! E começamos a ver que tantos dos nosso conceitos, dos nossos amigos e familiares são preconceituosos. E, sim, ao meu ver o brasileiro em geral é preconceituoso; é racista, xenófobo, homofóbico e transfóbico e, principalmente, é um povo muito machista. Ver a situação de fora e vivendo outras realidades em outro país nos muda totalmente, pra melhor. Convivemos com outros estrangeiros, vivemos na pele a situação de imigrante e “seu rótulo”, vemos muitas realidades diferentes à nossa, enfim, se cresce, amadurece e se enriquece!

8. Ampliei meu paladar e aprendi a ser mais criativa na hora de cozinhar

Sim, porque muitos perguntam, e o arroz e feijão, sente falta?? Pois é, no começo queremos ou apenas tentamos manter uma rotina alimentar como estávamos acostumados no Brasil, mas depois tudo muda. Que arroz e feijão nada! Novos pratos, novos ingredientes, novos sabores e combinações. Aprendi a respeitar “o tempo da natureza”, ou seja, usar o que a natureza oferece segundo as estações, porque aqui na Itália é assim. As bancas nas feiras e supermercados mudam de acordo com as estações do ano, e isso influi na saúde também. Passei a comer menos carne, a temperar com muito menos sal e também a comer doces muito menos doces do que aqueles brasileiros. E viva a dieta mediterrânea!

9.  Aprendi mais sobre o que significa a liberdade 

Somos responsáveis pelo nosso destino, somos livres. Tomamos nossa decisão e somos responsáveis por elas e suas consequências. O futuro depende das nossas ações de hoje. Fica muito mais fácil depois que se deixou o Brasil com apenas 2 malas, encher outras duas e ir pra onde o destino mandar ou permitir!

Sim, porque a nossa casa é onde estamos nos sentindo bem no momento, onde estamos tendo oportunidades, o lugar onde nos sentimos felizes e realizados. E se de repente não for mais aqui, é possível fazer as malas e partir, prontos pra uma nova vida, novos caminhos, novas realidades, com a bagagem cheia de sonhos e coragem!

Em Veneza

Em Veneza

10.  Aprendi que voltar para o país natal pela primeira vez, depois de nos mudarmos, é uma experiência única e enriquecedora

Procuraremos os velhos amigos, mas nos daremos conta que assim como não somos os mesmos, eles também não são. Portanto, não procurar pelo velho, ou seja, não achar que reviverá momentos divertidos ou prazeroso iguaizinhos aos de antigamente. É preciso abrir-se para novos momentos. Momentos nos quais ambos são pessoas diferente, com bagagem diferente.

Inevitavelmente vamos nos derreter com o cheirinho da comida da mamãe, vamos querer comer tudo o que não comemos há tempos (e assim engordar); vamos querer tirar o atraso e rever todo mundo, fazer um monte de coisas que temos vontade e saudade, mas de repente, vamos nos decepcionar, pois não há tempo pra tudo; tem coisas que não existem mais, tem pessoas que não estão mais ali, alguns não vão nos receber da mesma maneira, enfim.. Vai até bater uma vontade de ir embora logo, pois, pode acontecer de percebermos que, apesar daquele lugar estar em nós, ele não é mais a nossa casa. É assim. Foi assim comigo e com muitos.

*Você que mora no exterior concorda com algum ponto? Se não fez ainda a experiência de morar fora e,  tem vontade, como acha que aprenderia mais com a experiência? Comente! Obrigada!

Arrivederci!