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10 coisas que aprendi vivendo em um outro país

02/03/2015

bz_italiaCarla Guanais – Roma/Itália

Tenho lido na rede vários textos que falam das mudanças que sofremos quando fazemos a escolha de viver em outro país. Aprendemos sim! E muito! Resolvi então publicar hoje 10 coisas que aprendi com a minha decisão de vir morar na Itália.

1. Aprendi sobre a vida 

Já tinha ouvido dizer que não existe nada melhor do que sairmos da nossa zona de conforto, ou seja, a família, os amigos, a cidade onde sempre vivemos, onde se fala o idioma que aprendemos desde sempre, para nos fazer perceber que, independente da idade, temos ainda muito a aprender e amadurecer. E aconteceu comigo!

2. Conheci pessoas inesquecíveis

Aquela coisa né? Morar em um mesmo lugar nos faz manter sempre as mesmas amizades, ou pelo menos um mesmo círculo, onde nos sentimos seguros e aceitos, proporcionando relações sólidas e profundas.  Quando saímos desse meio, ou melhor, quando fazemos uma mudança grande que é mudar de país, se  conhece tanta gente nova (pessoas que vieram de lugares diferentes, tiveram experiências de vida até opostas das nossas, têm outros gostos, outras visões, outra cultura, etc.), e isso fornece uma visão muito mais ampla de diferentes realidades e possibilidades de vida. Pessoas com uma bagagem e história tão diferentes da nossa realidade que se, estivéssemos naquele círculo fechado de amigos com os quais nos identificamos em tudo, nunca as conheceríamos, ou ainda,  essas pessoas nunca teriam a oportunidade de fazer parte daquele círculo.

3. Conhecidos são muitos, mas amigos de verdade são raridade.

Sim. É difícil fazer amigos. Pode ser  porque temos já uma certa idade (no Brasil a maioria dos amigos são da época escolar ou adolescência), mas principalmente porque passamos a viver no meio de outra cultura e costumes, nos quais é difícil entrar, conseguir um espaço e assim, ter uma amizade verdadeira. Acontece muito entre nós expatriados, fazermos amizade com também expatriados, seja brasileiro, latino americano, ou outra nacionalidade que não a do país no qual estamos vivendo. Isso porque temos histórias parecidas, fica mais fácil de nos identificarmos e encontrarmos pontos em comum facilitando a construção de uma sólida amizade.*(escrevi um texto a respeito no meu blog pessoal, leia aqui)

4 . Vi realmente que o mundo gira e é imenso!

Sim, quando saímos do nosso país natal percebemos que nosso mundinho é um mundão! E queremos conhecer tudo, queremos aprender a falar outras línguas, queremos ver mais, saber mais… Queremos cada vez mais novas aventuras pra revigorar o coração e sentir-se novo, pronto pra outra! Viajar torna-se muito mais valioso do que ter um celular ou um carro de última geração!

Em Paris

Em Paris

5. Aprendi a inovar a cada dia

Novas situações, novos meios de enfrentá-las e novos meios de surpreender-se, quebrando barreiras como a timidez, o medo, a insegurança e o negativismo. Afinal tem que fazer acontecer em um universo muito diferente do qual se estava habituado, sem medo do fracasso, afinal o que vier é lucro. Falar outra língua, fazer atividades que de repente no Brasil jamais faríamos (principalmente no que diz respeito a emprego – já fui faxineira, babá, caixa de posto de gasolina, operadora de telemarketing… num período curto e intenso).

6.  Aprendi a me valorizar e me tornei mais confiante

Realmente! Nos vemos em situações na qual tiramos força e coragem que não sabemos de onde. A solidão e a saudade de “casa” são as primeiras coisas mais pesadas. O medo do novo e do desconhecido também. Mas pra quem tem coragem de sair da tal zona de conforto, isso é fichinha. Vemos que querer é poder. E que se temos um sonho e objetivos traçados, batalhando e dando o nosso melhor, chegamos lá.

Muitas das vezes chegamos a nos redefinir. Seja na relação que temos conosco mesmo e na relação que temos com os outros. Passamos a nos importar muito menos com que os outros pensam de nós. Enfim, nos descobrimos!

7. Ampliei meus horizontes

Morar fora expande a nossa mente. Portanto, velhos preconceitos vão por água abaixo. Graças à Deus! E começamos a ver que tantos dos nosso conceitos, dos nossos amigos e familiares são preconceituosos. E, sim, ao meu ver o brasileiro em geral é preconceituoso; é racista, xenófobo, homofóbico e transfóbico e, principalmente, é um povo muito machista. Ver a situação de fora e vivendo outras realidades em outro país nos muda totalmente, pra melhor. Convivemos com outros estrangeiros, vivemos na pele a situação de imigrante e “seu rótulo”, vemos muitas realidades diferentes à nossa, enfim, se cresce, amadurece e se enriquece!

8. Ampliei meu paladar e aprendi a ser mais criativa na hora de cozinhar

Sim, porque muitos perguntam, e o arroz e feijão, sente falta?? Pois é, no começo queremos ou apenas tentamos manter uma rotina alimentar como estávamos acostumados no Brasil, mas depois tudo muda. Que arroz e feijão nada! Novos pratos, novos ingredientes, novos sabores e combinações. Aprendi a respeitar “o tempo da natureza”, ou seja, usar o que a natureza oferece segundo as estações, porque aqui na Itália é assim. As bancas nas feiras e supermercados mudam de acordo com as estações do ano, e isso influi na saúde também. Passei a comer menos carne, a temperar com muito menos sal e também a comer doces muito menos doces do que aqueles brasileiros. E viva a dieta mediterrânea!

9.  Aprendi mais sobre o que significa a liberdade 

Somos responsáveis pelo nosso destino, somos livres. Tomamos nossa decisão e somos responsáveis por elas e suas consequências. O futuro depende das nossas ações de hoje. Fica muito mais fácil depois que se deixou o Brasil com apenas 2 malas, encher outras duas e ir pra onde o destino mandar ou permitir!

Sim, porque a nossa casa é onde estamos nos sentindo bem no momento, onde estamos tendo oportunidades, o lugar onde nos sentimos felizes e realizados. E se de repente não for mais aqui, é possível fazer as malas e partir, prontos pra uma nova vida, novos caminhos, novas realidades, com a bagagem cheia de sonhos e coragem!

Em Veneza

Em Veneza

10.  Aprendi que voltar para o país natal pela primeira vez, depois de nos mudarmos, é uma experiência única e enriquecedora

Procuraremos os velhos amigos, mas nos daremos conta que assim como não somos os mesmos, eles também não são. Portanto, não procurar pelo velho, ou seja, não achar que reviverá momentos divertidos ou prazeroso iguaizinhos aos de antigamente. É preciso abrir-se para novos momentos. Momentos nos quais ambos são pessoas diferente, com bagagem diferente.

Inevitavelmente vamos nos derreter com o cheirinho da comida da mamãe, vamos querer comer tudo o que não comemos há tempos (e assim engordar); vamos querer tirar o atraso e rever todo mundo, fazer um monte de coisas que temos vontade e saudade, mas de repente, vamos nos decepcionar, pois não há tempo pra tudo; tem coisas que não existem mais, tem pessoas que não estão mais ali, alguns não vão nos receber da mesma maneira, enfim.. Vai até bater uma vontade de ir embora logo, pois, pode acontecer de percebermos que, apesar daquele lugar estar em nós, ele não é mais a nossa casa. É assim. Foi assim comigo e com muitos.

*Você que mora no exterior concorda com algum ponto? Se não fez ainda a experiência de morar fora e,  tem vontade, como acha que aprenderia mais com a experiência? Comente! Obrigada!

Arrivederci!

* Carla Guanais é cientista, blogueira e mora na Itália desde 2010, onde cursa um doutorado. Saiba mais sobre ela clicando aqui.

30 Comentários leave one →
  1. 02/03/2015 9:00

    adorei, Carla!

    tão simples e verdadeiro, honesto como você. Concordo com tudo, é assim mesmo.

    muito importante depoimentos como o teu, baseados na realidade, sem fantasiar os mundos entre os quais vivemos.

    parabéns, quero ler mais!

    • Carla Guanais permalink
      02/03/2015 9:10

      Obrigada! Você sempre são doce e gentil! Espero ler um seu tbm! com certeza com muito mais tempo de expatriada deve ter interessantíssimos aprendizados! baci

  2. 02/03/2015 9:19

    Carla, como sempre simples e verdadeira.
    E’ isso aì, concordo com tudo. E a parte mais dificil dessa mudança, ao menos pra mim, è aceitar os falimentos, e nao se desesperar.

    Um ponto no teu texto q me tocou bastante, foi esse de ao voltar ao paìs de origem, querer ir embora logo. Isso também aconteceu comigo, e me senti culpada. Mas despois eu entendi.

    Nos transformamos em cidadoes do mundo, onde o nosso paìs nao è mais a nossa casa, mas o paìs atual também nao dara aquela sensaçao de casa ao 100%. Nossa casa é o mundo.
    Baci!

    • Carla Guanais permalink
      02/03/2015 9:29

      Obrigada Manu! Exatamente! Somos cidadãos do mundo! A questão dos falimentos é uma coisa da questão de ter os pés no chão ao tomar a decisão. Saber que não vai ser fácil, vão ter momentos que pensaremos em desistir, voltar, enlouquecer! Mas que com coragem e perseverança tudo se ajeita! Dai que se solidificam os aprendizados. Obrigada pelo comentário e por sempre acompanhar e participar das minhas publicações. Baci

  3. Bia Nunes permalink
    02/03/2015 10:10

    Adorei!!! Me identifiquei com a maior parte, e me fez abrir os olhos para outras que ainda não tinha parado pra pensar! Muito bom! 🙂

    • Carla Guanais permalink
      02/03/2015 10:14

      Que bom Bia! Fico feliz! Obrigada por comentar! 😀

  4. Suzane permalink
    02/03/2015 10:24

    Simplesmente amei essa matéria!!!
    Agora final deste mês se Deus quiser também estarei indo para fora, para a Espanha. O nervosismo, ansiedade de chegar logo e passar por tudo dentro dos aeroportos, (farei Conexão) são as minhas maiores preocupações de momento. Mas confio que dará tudo certo.

    Parabéns mesmo.
    Me ajudou a ter uma base de como será. Abraços 🙂

    • Carla Guanais permalink
      02/03/2015 10:31

      Obrigada Suzane! Vai dar tudo certo! Se depois quiser contar sua experiência no blog será um prazer. Abraço e boa sorte!

  5. Cinthia Mori permalink
    02/03/2015 11:01

    Oi Carla, seus textos são sempre ótimos! Parabéns!
    Gostei muito sobre o que vc disse sobre a “zona de conforto” e sobre fazer outras atividades que nunca faríamos no Brasil. Tantas pessoas ficam só reclamando, mas nunca se mexem para tentar mudar a situação.
    Estou na Itália há um pouco mais de um ano e tbm já tive que trabalhar dando aulas de inglês, “animatore” e no “doposcuola” da igreja. São experiencias todas muito válidas e enriquecedoras, mas que jamais faria no Brasil.
    Quanto ao item 7 quando vc comenta sobre o Brasil ser um país muito preconceituoso, eu concordo plenamente. Mas foi na Itália que eu sofri pela primeira vez todo esse preconceito de racismo. Talvez pelo fato que sou descendente de japoneses e todos pensam que sou chinesa. O preconceito é forte em todos os dias em que saio de casa. É uma tristeza muito grande. Acho que se encaixa quando vc diz sobre o rótulo de imigrante.
    bjs!

    • Carla Guanais permalink
      02/03/2015 11:06

      Obrigada Cinthia! Exatamente, todas experiências são super válidas! Seriam também no Brasi se pensássemos de outra forma, mas também se lá trabalhos como esses fossem mais valorizados. Aqui se aceita pois se ganha praticamente dentro de uma mesma faixa de salário, não? Imagino que você sofra mesmo, ainda mais que devem achar estranho que você seja uma brasileira-japonesa. Mas é diferente, porque lá é muito difícil termos contato com estrangeiros, normalmente são já segunda geração ou terceira.. Mas espero que você leve sempre bem todas as fases difíceis, conquiste seu espaço e possa se sentir bem e confortável no país que escolheu! Baci e obrigada por comentar!

  6. Marlon Victor permalink
    02/03/2015 12:17

    E exatamente assim, soube descrever muito bem Carla Guanais ! Eu tbm moro na Italia em Pisa . Deixo meus parabens pela materia .

  7. Edijane Costa permalink
    02/03/2015 16:50

    Parabéns Carla pela forma descomplicada com que conseguiu nos transmitir a sua experiência. Nota-se que este período de expatriação também serviu como cenário para o desenvolvimento de um trabalho pessoal de autoconhecimento, amadurecimento e acomodação da experiência. Bjs

  8. 02/03/2015 21:12

    Exatamente issò , um depoimento transparente como a neve
    Brava bravíssima !!!
    Simone Affi Verona

  9. 03/03/2015 7:22

    Um texto sincero e positivo, que dá abertura a outros autores a também refletir sobre suas experiências. Expatriados tem muitos pontos em comum e passam por situações semelhantes. Me identifiquei !

  10. Rodrigo Valverde permalink
    07/03/2015 11:19

    ÓTIMO TEXTO, NÃO TEM O QUE PÔR E NEM TIRAR… É EXATAMENTE TUDO O QUE ACONTECE COM QUE TEVE O PRAZER DE PROVAR ESSA EXPERIÊNCIA ÚNICA…
    PARABÉNS PELO TEXTO, CARLA!!!

  11. Jéssica permalink
    09/03/2015 17:45

    Amei a matéria Carla!
    Mais uma vez passo pra deixar meus parabéns.E agradeço a Deus por ter encontrado esse blog!
    Me ajudou a ser mais perseverante em meus projetos por mais difíceis que sejam.Espero em breve partir para a Itália sem muito romantismo,mas ciente da verdade “nua e crua”. Tenho no coração um desejo imenso de conhecer mais e me aprofundar na cultura italiana.Caminhar por este mundo e ajuntar experiências para a vida.
    Bacione!

  12. edilma permalink
    11/04/2015 16:55

    Linda, boa tarde
    AMEI
    esta realidade sua , gosto de suas matérias. Estive em Itália por 1 semana voltei com nova dieta alimentar menos sal gorduras e açúcares …….sem paciência para ouvir as babaquises de alguns contatos meus termos de preconceitos e com o belo pensamento eu decido tudo por mim, sou responsável pelo meu hoje e pela perspectiva do amanhã, sou cigana Edilma que viaja e que em cada o viagem descobre o novo para progredir mais e mais em diversos aspectos.

    • Carla Guanais permalink
      12/04/2015 20:28

      obrigada! Agradeço o comentário! baci

  13. Yara Freitas permalink
    16/04/2015 14:20

    Parabéns Carla Guanais! Me identifiquei com seu artigo, pois no final da minha vida passei pela experiência de viver fora do Brasil. AMEI cada minuto, cada dificuldade. Cresci e aprendi muito mais do que com a vida universitária! O pior de tudo vou voltar para o país e me sentir como um peixe fora da água…Mais uma vez PARABÉNS GAROTA!

    • Carla Guanais permalink
      16/04/2015 14:35

      Obrigada Yara! SE quiser contar a sua história o BZ é aberto para colaboração de leitores tbm! baci

  14. Estela Alonso permalink
    21/03/2016 19:30

    Amando seus textos! Estou amadurecendo, ainda que talvez um pouco tarde devido à idade, a ideia de me mudar para o país que sempre me toca o coração. Grazie mille per tutto quello che scrivi e mi aiuta a prendere decisioni importanti! Arrivederci! 🙂

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