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Juliana Paula – Índia

Índia – O nome por si só já nos deixa perdidos em pensamentos e devaneios. Nenhum outro país é capaz de despertar os mais diversos sentimentos no ser humano: ódio, repulsa, amor, paixão, devoção, decepção, etc. Mas, uma coisa é certa: ningúém fica imune ao poder que ele emana.

 A Índia sempre esteve na lista dos lugares que eu queria visitar, mas jamais imaginei que um dia estaria não só visitando, mas morando, trabalhando e sentindo este país de perto, o que, para mim, é simplesmente um prazer, já que tenho fascinação por locais que emanam história e cultura.

Antes de morar na Índia, morei e trabalhei 6 anos no Japão como intérprete e tradutora para o governo local. Tudo estava indo muito bem quando a Índia me chamou. Não só me chamou, mas mandou alguém para me buscar! Em 2012, conheci a pessoa a qual alguns meses depois se tornaria o meu esposo. E, de onde ele era? Adivinhem? Sim, de lá mesmo! Da Índia!

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Com a família na Índia

Devido a barreira linguística e a dificuldade de encontrar emprego no Brasil, enfrentada pela maioria dos indianos casados com brasileiras, nós optamos por morar na Índia.

Desde o primeiro dia que pus os pés aqui, fui literalmente abraçada pelo país e seu povo. Meus vizinhos eram todos muito gentis e me ajudaram muito no início, até eu me acostumar com a dia-a-dia daqui. As crianças da vizinhança vinham todos os dias à minha porta para me chamar para brincar com elas. Foi neste período que consegui um emprego na minha área e fomos todos para Mumbai, o centro financeiro da Índia e berço de Bollywood, a maior indústria cinematográfica do mundo.

Mumbai é um caos organizado, um selva de pedra, um local que te acalenta, mas que também desfaz os sonhos de muitos que por chegam aqui. Mumbai é indescritível. Acho difícil descrever a Índia como um todo, devido a sua pluralidade religiosa, cultural e étnica. E é exatamente isso que faz este país ser tão único!

Mumbai é a cidade dos superlativos. Nela se encontra a mansão mais cara do mundo, Antilia, do empresário Mukesh Ambani, na qual pode-se experimentar até neve, devido ao sistema de climatização instalado na casa. Porém, a mesma Mumbai também abriga Dharavi, a maior favela do mundo, muito bem mostrada no filme Slumdog Millionnaire.

Dharavi (maior favela do mundo - foto do arquivo pessoal)

Dharavi (maior favela do mundo – foto do arquivo pessoal)

Mumbai, que na verdade é formada por 7 ilhas, cresceu demais e não estava preparada para receber tantas pessoas de uma só vez. Resultado disso, muita poluição, muita sujeira em todos os locais, ratos sendo vistos à plena luz do dia, muitos animais de rua, crianças de rua, mendigos, trânsito mais que caótico, aluguéis caríssimos em prédios que não valem nem metade daquele preço, entre outras mazelas. Pensando assim, não dá nenhuma vontade de morar em Mumbai, não é verdade?

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Pelas ruas de Mumbai

Por outro lado, Mumbai é uma cidade extremamente segura e bem menos conservadora que a maioria das cidades indianas. Podemos andar com nossos laptops, celulares, jóias de ouro e diamante, abrir a carteira no meio do rua e ir no caixa eletrônico sem preocupação alguma. São raros os roubos e crimes deste tipo. Aqui muitas meninas usam minisaias, mini shorts, jeans apertado, tatuagem, fumam, bebem, ainda que isto aqui atraia muitos olhares para elas por parte do público mais conservador. Apesar dos aluguéis serem caros, o custo de vida não é caro e há inúmeras vagas para quem quer trabalhar aqui.

Apesar de todas as mazelas desta megalópole, ao olhar para o belo Mar da Arábia, que banha a cidade, acabamos nos esquecendo de todo o caos ao redor e encontramos força para continuar e acabamos nos apaixonando novamente pela cidade!

Mar da Arábia (foto do arquivo pessoal)

Mar da Arábia (foto do arquivo pessoal)

Das cidades indianas, acredito que Mumbai seja uma das mais fáceis em termos de adaptação, mas mesmo assim, fica um conselho: venha de coração e mente abertos e deixe toda a sua “frescura” em casa. Isto é válido não apenas em Mumbai, mas em toda a Índia.

Não sei o que o destino dos reserva, mas se pudesse escolher, ficaria aqui na Índia até o meu último dia de vida neste planeta.

E, caso algum dos leitores do Brasil com Z venha até Mumbai um dias desses, não deixe de me chamar para um cafezinho e eu terei o prazer de guiá-los por esta caótica, mas apaixonante cidade.

Um abraço a todos!

Juliana Paula mora na Índia desde 2013 e desde então, tem desbravado aquele belo e encantador país. Para saber mais sobre ela clique aqui.