bz_brasilAndré Fernandes – Brasil

Já escrevi sobre trabalho voluntário no exterior para o site Revista de Viagens (checar post). Aqui, eu gostaria de acrescentar alguns pontos importantes para quem pensa num trabalho voluntário como experiência de intercâmbio.

Ao viver em 3 países e percorrer outros 11 como mochileiro, pude ver muitas pessoas passando por experiências frustrantes, sobretudo aqueles que tinham a expectativa de fazer um intercâmbio voluntário e acabaram caindo em golpes de todos os tipos.

Também já promovi intercâmbios voluntários e vi até empresas usando o nome de organizações internacionalmente reconhecidas no simples critério “mentir na cara dura”. Além de não ser viável aos meus objetivos, a questão ética também me fez dizer não a organizações que recebem voluntários e não levar esta iniciativa adiante.

Tiago Welter (meu amigo), em uma apresentação sobre intercâmbio cultural da AIESEC para estudantes sérvios, em Belgrado.

Tiago Welter (meu amigo), em uma apresentação sobre intercâmbio cultural da AIESEC para estudantes sérvios, em Belgrado.

Quando bem planejado e prestado com a estrutura adequada, além de o voluntário estar apto a fazer o trabalho a que se propôs, é uma experiência válida. Contudo, há que se prestar atenção que há uma indústria e um sem-fim de cartéis por trás de muitos programas de voluntariado e organizações que se dizem negócios sociais e humanitárias; com a mera intenção de arrancar dinheiro de estrangeiros às custas de desgraças alheias.

Além da questão ética de não ser conivente com esquemas de extorsões praticadas pela indústria da miséria, um intercâmbio voluntário sem cuidados prévios acaba terminando numa frustrante perda de tempo e dinheiro, que imagino que é o que ninguém almeja, certo? Então, abaixo, gostaria de refletir sobre os seguintes pontos:

– Busque todas as informações possíveis sobre a organização e as atividades que se propõe a prestar, assim como sobre as pessoas envolvidas. Se não houver transparência, desconfie!

– Tenha em mente qual o problema que a instituição e a atividade que você propõe a fazer pretendem resolver. Vale lembrar que problemas sociais não se resolvem em curto prazo! Vale refletir sobre questões como: por que ir ensinar inglês num país onde o idioma é massivamente falado a ponto de um estrangeiro viver lá apenas falando inglês? Não seria mais fácil, por exemplo, alocar um cidadão nativo da mesma cultura e que conhece melhor a realidade local que qualquer estrangeiro? O simples fato de ter quer orientar um voluntário estrangeiro sobre aspectos culturais já implica em trabalho extra ao staff da instituição que o recebe, e se considerarmos que ONGs normalmente tem recursos limitados em todos os termos…

– Contate quem já esteve no país, na cidade e de preferência nas mesmas organizações e atividades que você tem em mente se voluntariar.

– Preste atenção ao critério de seleção do voluntário: o que você vai fazer como voluntário? Você está capacitado para a tarefa que pretende fazer? Você já faz essa tarefa na sua escola/universidade/cidade país? Por que raios atravessar o mundo para algo que você não faz em sua própria casa? No seu país de origem, você poderia exercer a atividade a que propõe sem nenhum critério? Você agregaria algo útil a quem realmente precisa?

Fazer o que você sabe de forma que agregue algo útil a quem precisa é ponto-chave ao decidir por um intercâmbio voluntário. Espero que estas provocações tenham ajudado!

*André Fernandes, nascido em Santa Catarina para ser um nômade pelo mundo. Voltou ao Brasil e já está pensando nas próximas aventuras! Saiba mais sobre ele clicando aqui.