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Cláudia Bellizzi – Inglaterra

 

Um dos meus passeios favoritos na Inglaterra – onde moro há três anos – é visitar museus e galerias de arte. Acho esses espaços extremamente acolhedores.

Acolhedores?

Sim! Cada vez que visito um museu ou galeria de arte por aqui, tenho essa sensação maravilhosa de acolhimento. Museus deixaram de ser, há muito tempo, um espaço somente de conservação e exibição de obras de arte ou da ciência. São muito mais! São, sobretudo, centros educacionais democráticos e inclusivos. Nos museus ingleses, o público conhece e se emociona com as obras expostas, mas também pode ir muito além: pode aprender mais sobre o artista (ou cientista) e sua carreira, entender sua visão do mundo, discutir suas opçōes estéticas (ou científicas) e interagir com sua obra.

Tate Liverpool, espaço de arte moderna na cidade dos Beatles (arquivo pessoal)

Tate Liverpool, espaço de arte moderna na cidade dos Beatles (arquivo pessoal)

E como os museus dão conta de fazer tudo isso?

1. Bem, para começar, eles mantêm uma vigorosa oferta de atividades que preenche a alma do visitante e faz com que ele saia de lá com aquela vontade de voltar sempre. Veja bem, não estou falando de atividades voltadas somente para estudantes ou jovens: os museus estão preparados para receber, acolher e estimular a todos. Há opções de atividades para diferentes faixas etárias – adultos, idosos, adolescentes, crianças e até bebês (sim, bebês !).

Essas atividades incluem visitas guiadas; palestras com especialistas em arte (ou ciência); cursos de curta duração sobre as obras expostas; sessōes de entrevistas com artistas/cientistas; exibição de filmes ou documentários; grupos de estudo e tudo mais que a criatividade de curadores e diretores desses espaços inventar. Além disso, se o visitante tiver vontade de ir além e colocar a mão na massa, também pode: muitos museus oferecem workshops para aqueles que querem tentar produzir telas a óleo, serigrafias ou até desenvolver pequenos projetos científicos.

Os museus sabem ainda aproveitar datas festivas. Desenvolvem atividades temáticas e convidam as famílias para festejar com eles essas datas – que podem ser tão diferentes como a Páscoa ou a Festa das Bruxas (Halloween), por exemplo.

Museu também é espaço para crianças ! (Foto: The Guardian)

Museu também é espaço para crianças ! (Foto: The Guardian)

2. Para dar conta de tanta atividade e receber tanta gente, os museus ingleses contam com muitos funcionários, mas também com uma rede de voluntários fabulosa. Os voluntários são treinados e exercem diversas funçōes, que vão desde a recepção dos visitantes até o apoio durante cursos e workshops.

3. Quanto mais se amplia o acesso aos museus, mais público eles conquistam. E, para acolher um número crescente de visitantes, os museus ingleses estão em constante modernização e adequação – sempre reformando ou construindo novas galerias e salas de exibição e estudo.

Eu (acima, à esquerda) também faço parte do crescente público de museus na Inglaterra

Eu (acima, à esquerda) também faço parte do crescente público de museus na Inglaterra

4. Os museus abraçam avanços tecnológicos, como recursos de multimídia, para tornar a experiência do visitante ainda mais interativa. E também sabem utilizar muito bem as mídias sociais – especialmente Facebook e Twitter – para manter contato com o público e divulgar sua programação.

5. É claro que tudo isso só é possível porque o governo investe pesado no setor. Só a reforma da Tate Modern – o mais importante museu de arte moderna do Reino Unido – está calculada em 215 milhōes de libras.

6. Por fim, os museus públicos do Reino Unido são gratuitos – o que, claro, torna a visita ainda mais conveniente e atrativa para o público.

 Entrada grátis na National Gallery, em Londres (arquivo pessoal)

Entrada grátis na National Gallery, em Londres (arquivo pessoal)

Portanto, minha dica é: se você estiver planejando uma viagem para a Inglaterra, não deixe de incluir museus e galerias de arte na sua programação. É claro que muitos dos mais conhecidos estão localizados em Londres (como a Tate Modern, a National Gallery e o Museu Britânico).  Mas muitas outras cidades do país mantêm museus e galerias super importantes, como o Ashmolean Museum (em Oxford) ou a filial da Tate em Liverpool.

* Claudia Bellizzi é jornalista, carioca e adora artes plásticas. Mora em Liverpool, na Inglaterra, de onde escreve o blog Por aí na Inglaterra, sobre a cultura, o comportamento e o estilo de vida dos ingleses.