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10 dicas de quem mora fora para viver bem sem empregada doméstica

16/04/2015

EUA
 
Renata Kotscho Velloso – San Francisco, EUA
 

Ao contrário do que acontece no Brasil, ter empregada em casa todos os dias é algo bastante incomum aqui nos EUA e também em outros países. No máximo, as famílias contam com ajuda de uma diarista, algumas horas por semana. Sim horas, não dias. Esse tipo de serviço aqui na Califórnia é cobrado por hora e costuma ser bem caro. Além do preço a qualidade também fica a desejar. Não existe faxina propriamente dita, a pessoa que faz esse tipo de trabalho passa aspirador no carpete, pano no piso frio e dá uma geral na cozinha e no banheiro. Via de regra saem deixando a cama desarrumada. Por esses motivos, quem mora fora do Brasil, em geral precisa aprender a se virar sozinho. Como essa tendência também está crescendo no Brasil, resolvi escrever esse post dando dicas de como manter a casa limpa e arrumada sem ajuda externa. Custa bastante disciplina, bastante paciência e programação. Mas vale a pena!

1. Coloque todo mundo na dança para ajudar. Crianças a partir dos 2-3 anos já podem começar a ajudar juntando os brinquedos. Com o passar dos anos as responsabilidades vão aumentando até que um adolescente seja capaz de dividir as tarefas igualmente com os adultos da casa.

2. Faça um pouco cada dia e evite acumular. A verdade é que quanto menos a gente faz menos a gente quer fazer. A sujeira e a bagunça vão acumulando no mesmo ritmo que a preguiça vai aumentando. É mais fácil manter a casa limpa e arrumada fazendo um pouquinho cada dia do que tentar limpar tudo numa super força tarefa e depos voltar a sujar no dia seguinte. Uma outra ideia é eleger um cômodo por dia e ir fazendo rodízio.

3. Tenha menos coisas. Quanto mais coisa você tem mais junta pó e fica bagunçado. A nossa tendência é acumular muita tralha ao longo da vida. Quebre esse ciclo e foque apenas no essencial. A gente adotou um lema aqui: tudo que não é útil ou lindo de morrer vai para doação ou para o lixo.

4. Roupa passada é coisa do passado. Desculpe o trocadilho, mas essa é a realidade de quem não tem ajuda. Passar roupa leva muito tempo e para ficar bom exige uma habilidade que a maioria das pessoas não tem. Procure comprar peças que não amassem e mande o que precisa estar impecável para a lavanderia.

5. Faça cardápios semanais e maximize as idas ao supermercado. Eu tenho uma lista de pratos que todo mundo em casa gosta e vou alternando. Sempre que possível faço compras de supermercado pela internet o que ajuda muito a economizar tempo.

6. Estabeleça “zonas da bagunça”. Eu tenho uma cesta em casa que chama “cesta da vergonha”, diariamente eu recolho tudo o que está espalhado pela casa e coloco ali. Quando a cesta fica cheia eu dou cinco minutos para os donos colocarem suas coisas no lugar ou vai tudo para o lixo. Funciona que é uma beleza!

7. Deixe os produtos de limpeza à mão. Na cozinha e em cada banheiro, eu deixo um “kit de limpeza”, assim fica mais fácil a gente limpar algo que está sujo assim que detecta a sujeira. Se os produtos estão longe, a gente acaba deixando para depois e esquecendo.

8. Crie um fluxo para as roupas. Quando a gente tem empregada, as crianças (e alguns adultos também) acham que a roupa desaparece do chão do banheiro e reaparece limpa, passada e dobrada dentro do armário. Como, infelizmente, isso não acontece é melhor criar um fluxo que facilita a vida de todos. Por exemplo, separe dois cestos grandes um para roupa branca e outra com cor e já fale para as pessoas separarem as roupas e deixá-las virada no direito dentro dos cestos. Depois de dobrar as roupas limpas, faça pilhas e  peça para os donos guardarem. Tudo isso facilita a vida e desestimula que sujem as roupas desnecessariamente.

9. Estabeleça horários para comida. Eu tenho 3 filhas: uma adolescente e duas pré adolescentes. Ou seja, se deixar elas fazem lanchinhos e sujam a cozinha a tarde inteira. Então criamos a regra a cozinha “fecha” depois do lanchinho que elas fazem as 3:00 da tarde quando chegam da escola e só abre de novo na hora do jantar.

10. Compre os equipamentos certos. É inegável: uma boa lava louça, lava roupa, secadora, ferro de passar roupa e um bom aspirador de pó fazem muita diferença. Muita mesmo!

Dica extra: reduza as suas expectativas e o seu nível de exigência. Não tem muito jeito, por mais que todos se esforcem a sua casa não vai ficar tão limpa nem tão arrumada como quando você tem empregada mensalista. Mas a liberdade de cuidar das suas coisas e o dinheiro economizado compensam. Então relaxa, toma uma taça de vinho e esqueça a poeira atrás da televisão. Ela não faz mal a ninguém!

 ——————
*Renata Velloso é médica e autora do Bulle de Beauté e também é responsável pelo projeto Doctors on the Cloud . Para saber mais sobre ela  clique aqui.
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20 Comentários leave one →
  1. J. Eduardo Caamaño permalink
    16/04/2015 8:03

    A falta de empregada não foi um problema para mim, simplesmente porque no Brasil nunca tivemos uma empregada em casa, somos uma “espécie rara” de classe-média que nunca precisou destes serviços. Tudo que você comentou no seu post meus pais já faziam quando eu era criança. Com 7 anos de idade eu já tinha uma caixa de ferramentas básicas e adorava pendurar quadros. Com 10-12 anos eu pintei nosso apartamento por primeira vez (com ajuda do meu pai, lógico). Quando fui para a Espanha, com 33 anos, eu já estava pronto. Só não tinha muita (ou nenhuma) prática com cozinha, porque era a minha mãe quem cozinhava, mas fui provando um ingrediente aqui, outro acolá e hoje esta disciplina também está superada. Em casa eu sou pau para toda obra, só não mexo com gás e eletricidade porque não tenho conhecimento para isso.

    • 20/04/2015 15:51

      Que legal Eduardo, melhor assim né? Mas eu acredito que a realidade do Brasil está mudando também, lentamente mas está. Além da mudança cultural das famílias é necessário mudar a cultura das empresas também. No Brasil é normal as pessoas trabalharem até 7, 8 da noite porque a empresa sabe que o executivo tem alguém em casa cuidando dos filhos e da comida…aqui o padrão é das 9 às 5 e muitas empresas dão até mais flexibilidade para a pessoa trabalhar de casa se precisar.

  2. 16/04/2015 8:03

    oi Renata, bem interessante o que voce escreveu porque, apesar de estranho, na verdade no Brasil a empregada doméstica é tratada mais como uma babá-faz-tudo, do que como uma profissional prestadora de serviços domésticos.

    ainda que estranho, o que você disse sobre a diarista que sai sem arrumar as camas, por exemplo, aponta para a realidade verde-amarela, né? imagina, a gente acha que outra pessoa deve arrumar a cama onde dormimos…em casa! internacionalmente, quem presta este serviço não é uma empregada doméstica, mas uma funcionária do room-service…nos hotéis.

    muito boas as dicas, certamente necessárias…everywhere!

    ps: sou old-fashioned: gosto de roupa bem passadinha e sempre damos preferência a roupas de algodão…já viu…

    • 20/04/2015 15:53

      Pois é, Touché você tem toda a razão. Mas sempre vou achar estranho uma pessoa que vem fazer faxina e limpa em volta de um sapato que está no chão mas não tira o sapato do lugar, cobrando o que cobram aqui. Por isso prefiro fazer eu mesma com a minha família. Eu também gosto de roupa bem passadinha…mas não o suficiente pra ligar o ferro hahahaha.

      • 21/04/2015 18:04

        concordo, Renata: tem situações inaceitáveis, mas em todo lugar e em qualquer atividade, né? no caso citado, eu também considero abusivo.

        tem poucos meses que tenho uma faxineira (que é minha vizinha, o que aponta para a diferença da situação no BR; onde seria impensável tua vizinha ser tua ‘empregada’), e, para evitar qualquer inconveniente, cada vez que ela vez eu digo o que preciso naquele dia.

        passar a ferro é o único trabalho doméstico que me agrada, sabe por que? passo roupa sentadinha, coloco uma musiquinha tipo relax, e deixo minha mente viajar, enquanto transformo a roupa em algo mais bonito…Passa a ser um processo estético-criativo.

        que acha?
        abraço,

      • 21/04/2015 18:10

        hahahaha Touché, te entendo. O meu processo estético-criativo-engordativo é na cozinha 😉 Beijos!

      • 21/04/2015 18:43

        oi Renata, think about it: o meu processo não é engordativo…

  3. 16/04/2015 16:54

    Amei seu texto! Aqui na Alemanha também é assim, faxineiras caras e que nem se comparam com as que conhecemos no Brasil. Eu “tercerizei” algumas coisas, como limpadores de janelas, jardineiro e lavanderia (só para camisas e ternos) o que já me ajuda muitíssimo. O resto somos nós que fazemos, uma média de 3 horas por semana, eu e meu marido. Nem por isso a casa fica suja (apesar do cachorro) e estamos satisfeitos por não precisar por alguém em casa, que tira a nossa privacidade….

  4. 16/04/2015 17:45

    Renata, adolescente no Brasil eu achava super esquisito uma completa estranha vir limpar suas coisas e circular livremente pela sua intimidade… Sonhava em ser auto-suficiente, ter uma marido que dividisse toda a manutenção do lar doce lar e criar meus filhos com outra mentalidade. Minha mãe dizia: “Vai procurar um gringo pra casar, porque aqui no Br o ritmo é assim !”. Boca de mãe, rs rs
    Agora sério: na língua inglesa existe bastante material publicado sobre “declutter your life” e sites que volta e meia mencionam como limpar isso e aquilo (vide “Apartment Therapy”, meu vício). Achei seu post imprescindível num tipo de site como o nosso; tinha acabado de comentar com a Edijane que precisávamos fazer um post sobre como ralamos na casa-cozinha fora do Brasil. Uma perguntinha: aí na California existe o “Spring Cleaning” ? Ou é mais praticado em regiões e estados frios ? Na Holanda existe sim o Spring Cleaning (de Grote Schoonmaak), e se estende até a declutter a cabeça (ideías e filosofias atrasadas), amigos imprestáveis, empregos sem futuro e hobbies furados etc, haha !

    • Arlete permalink
      16/04/2015 19:42

      KKK! Declutter da cabeça foi ótimo, rs…

    • 17/04/2015 15:08

      oi Ana, aqui na Bélgica também tem a tradição do ‘spring cleaning’, mas não sei se abrange amigos imprestáveis, não. Afinal, ‘amigo’ e ‘imprestável’ não combina mesmo…

    • 20/04/2015 15:55

      Aqui tem sim o Spring Cleaning Ana, o povo destralha tudo e faz um “garage sale”. Acho que não é tão forte quanto noas lugares mais frios mas tem sim o mesmo conceito. Adorei estender a idéia a cabeça, fundamental isso também. Beijos!!

  5. 16/04/2015 19:54

    Oi Renata
    Muito bom. Muita gente pensa que a vida no exterior é puro luxo. Nada a ver, pela menos na maioria dos casos que eu conheço. O que ajuda aqui é que muita coisa acaba sendo mais fácil de cuidar e limpar, na minha opinião.
    Apesar de eu não ter diarista, acho até okay ter uma, porém a classe média e alta no Brasil é bem mimada com essa história de empregada doméstica e babá. Além do mais, isso só é possível ainda por conta da injustiça social e a diferença exorbitante de salários lá.
    Chega uma hora que a gente tem que crescer e dar um jeito na própria bagunça.
    Muito boa a idéia da “cesta da vergonha”, KKK! rs

    • 20/04/2015 15:58

      Oi Arlete,

      Engraçado eu nunca pensei que a vida no exterior era puro luxo. Inclusive demorei para aceitar uma oportunidade de morar nos EUA (já tinha tido outras antes) porque eu sabia que morar aqui seria morar em um lugar menor e com menos ajuda. Mas estou adorando. E você tem razão o preço dos equipamentos e a qualidade dos produtos ajuda bastante a tarefa de quem limpa a casa. Sem falar que a cultura das empresas sabe que todo mundo tem filho pra cuidar e casa pra arrumar e ninguém espera que você fique trabalhando até a noite, como muitas vezes acontece no Brasil.

  6. auto-exilado permalink
    24/04/2015 5:14

    Morando na Europa há quase dez anos, lendo um artigo desses, “Como sobreviver sem empregada doméstica” soa tão Gilberto Freyre (“Casa Grande & Senzala”).

    Nos anos 90, lembro-me de parentes que tinham empregada e nem sequer tiravam os pratos da mesa depois das refeições ou arrumavam a propria cama de manhã.

    O que era realidade aqui na Inglaterra na eras vitorianas ou eduardianas, até a primeira guerra mundial, no Brasil ainda era a norma até o final do século XX!

    O fato da classe média brasileira achar normal ter sempre uma empregada à disposição, ganhando salario de fome, trabalhando em troca de teto e comida, às vezes morando nas minúsculas “dependências de empregada”, às vezes tendo que usar uniforme e ainda por cima usar um elevador separado, só mostra quanto a sociedade brasileira é classista e colonial.

    Sendo o último país ocidental a abolir a escravidão, é esperado que ainda está se adequando à realidade do seculo XXI, fora da cultura colonial-escravocrata; coisa que os vizinhos latino-americanos há tempos superaram.

    • 24/04/2015 12:48

      A sociedade brasileira é classista e colonial… Fato. Mas ó: a tentação a empregar alguém para fazer toda a limpeza e manutenção da casa quando os salários desses emrpegados são tão baixos é grande. Até blogueiros estrangeiros dos EUA e Inglaterra que acompanho e que nos primeiros posts criticaram essa dependência à mão de obra desqualificada e barata para fazer o serviço doméstico… estão agora bunitinho desfrutando dessa mordomia. Publicaram posts e tudo, com um ar de “é tão barato mesmo, porquê não ?”

      Olha, os vizinhos latino americanos também tem funcionários domésticos. Toda casa tem sempre uma “muchacha” para limpar tudo. Países que investem em educação universal de massa obrigatória não tem isso. Mas esses mesmos gringos quando se mudam para Brasil, Ásia, etc. sempre empregam alguém a preço de banana.

      Eu sempre pensei que você só pode ter uma casa e filhos (ou seja: um “estilo de vida”) que você possa cuidar deles pessoalmente, além é claro de ir ganhar seu sutento. E a sociedade toda tem que “colaborar” e se conscientizar também. Ou seja: cobrar para que os funcionários cheguem na hora (ou antes) e assim possam sair no horário exato, as escolas oferecerem ensino integral e pós escola de alta qualidade, tudo funcione de modo pontual,. Diferentes tipos de contratos oferecidos (20h, 24h, 30h, 32h, 40 h) para que as pessoas possam fazer a opção: se matar de trabalhar de seg. a sexta ou descer o padrão de consumo e ficar um tempo com a familía ? Mil coisas.

  7. Frank permalink
    27/04/2015 8:52

    Gostei muito do seu comentário Renata.
    Saí do Brasil quando ainda morava com meus pais e, ainda que desde pequeno arrumasse minha cama e quarto e cuidasse de minhas peças íntimas, quando cheguei ao norte da Europa me dei conta de que teria muito o que aprender. Os homens e mulheres aqui são muito independentes e não esperam um casamento para terem a casa e suas roupas arrumadas e como você mencionou, ninguém tem uma doméstica faz-tudo todos os dias.

    Cuidar da propria casa, comida e roupas sempre me deu uma sensação de independência, aprendí a fazer tudo , mas devido ao meu trabalho, após anos e anos, resolví ter uma pessoa que trabalhe um dia na semana para fazer uma limpeza geral na casa que é grande, e passar minhas roupas.

    Acho que o respeito aos profissionais de limpeza no país onde moro (Holanda) é incomparável a tratamento que eles recebem em países como o Brasil, sul da Europa e países latinos em geral. Aqui o pagamento é justo, e não é raro ver o profissional de limpeza de sua casa ou trabalho indo para casa dirigindo um carro semi-novo. Tem um senhor (faxineiro) no setor de limpeza na empresa onde trabalho, que durante os meses frios vai trabalhar dirigindo uma Mercedes e no verão uma linda Vespa, enquanto que muitos dos diretores da empresa, vão de bicicletas. Muitos dos países que mencionei têm uma doméstica em casa por status assim como os carros e etc…Não que isto não possa ocorrer aqui, mas a forma como todos são educados desde criança aqui faz uma enorme diferença.

  8. 11/05/2015 14:22

    Seu artigo é muito lúcido e alcança vários campos que foram importantes no meu desenvolvimento. Acredito que o envolvimento com essas tarefas nos trás grandes lições de humildade. Parabéns pelo blog!

  9. Fran permalink
    11/09/2015 17:20

    Olá Renata! O seu post me ajudou muuuuito nesta hora! Sou uma pessoa que, desde que nasci tenho empregada doméstica em casa. Minha mãe sempre trabalhou muito fora e não teve tempo de me ensinar as tarefas domésticas. Quando morei fora do país (EUA e Itália) pude aprender um pouco desta pratica de me virar sozinha, mas quando voltei me acostumei novamente com a comodidade de uma empregada doméstica. Hoje, por estar com bebê pequeno em casa não estou trabalhando e eu e meu marido resolvemos dispensar a nossa mensalista, que, se por um lado elas são valorosas e ganham pouco, para quem as emprega é um salário alto, devido às altas tributações fora o salário. Então, começo a minha aventura sem empregada à partir de amanhã! Com certeza vou salvar suas dicas e ler diariamente até eu me acostumar com esta nova rotina! Abraços!!

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