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O que é importante para mulheres ao decidirem um destino de viagem?

20/04/2015

André Fernandes – Mundo

Ao longo de uma pesquisa que venho fazendo sobre posicionamento de países e turismo em países emergentes, tem sido claro entre as mulheres entrevistadas a importância dos direitos da mulher como um importante tópico ao decidir um destino de viagem. Considerando que muitos países menos desenvolvidos possuem culturas mais conservadoras com relação ao papel da mulher e até casos de assédio sexual em grande escala em alguns casos, somados a frequentes notícias de violência contra mulheres, não é de se estranhar.

Meu objetivo com este post não é apenas apresentar os insights apontados pelas 45 entrevistadas de 17 países – de um total de 87 entrevistados de 21 países – mas também provocar reflexões e questionamentos a mulheres que busquem informações que lhes sejam relevantes ao decidir por onde viajar, sobretudo para destinos carregados de estereótipos negativos e dos quais não costumar haver muitas informações precisas.

Entre as questões apontadas, destacaram-se as referentes aos papéis sociais desempenhados pelas mulheres, ao grau de liberdade que elas desfrutam e a como elas vão se ajustar à cultura local. Junto com estas questões, as entrevistadas também apontaram maior atenção com o dress code local, o que é culturalmente aceito e como se comportar no dia a dia. Este é apenas um lado da questão. Quando questionadas sobre os choque e aspectos negativos de suas experiências no exterior, o assédio sexual foi apontado como uma das principais causas de desconforto. Abaixo, seguem os principais pontos apontados como importantes pelas entrevistadas:

  •  como os direitos das mulheres são respeitados?;
  •  se o local é seguro para mulheres, locais e estrangeiras;
  •  grau de liberdade disfrutado pelas mulheres;
  •  dress code: cuidados que devem ser tomados com as vestimentas;
  •  grau de restrições impostas às mulheres na sociedade local;
  •  como elas vão se adaptar à cultura local.

Outro fator importante a compreender é que as mulheres estão viajando cada vez mais, e na mesma proporção, sozinhas.  Independentes pessoal e economicamente, e com maior renda disponível, demandas para atender as necessidades específicas vem sendo cada vez maiores, inclusive nos chamados “destinados exóticos”.

Conforme dados de 2013 da Federação Brasileira de Albergues, 55% dos viajantes solitários que se hospedam em albergues são mulheres. Estatísticas nos EUA, na mesma linha, apontam o crescimento do segmento de mulheres jovens, solteiras e sem filhos, em média com 27 anos de idade, que totalizam 31 milhões dispostas a consumir produtos e serviços, inclusive viajar! Contudo, não achei estatísticas mais precisas sobre o Brasil e outros países fora do mundo anglo-saxão, talvez uma oportunidade para explorar.

Comunicar e atender ao segmento feminino se mostra como um dos maiores desafios para profissionais e organizações que promovam destinos turísticos, sobretudo nos destinos fora do mainstream turístico. E do mesmo modo, comunicar ao público feminino é um ponto-chave para desfazer de estereótipos negativos e promover locais como possíveis destinos. Não me refiro a sites com layout fluffy tudo em rosa com sapatos e maquiagens (nada contra, não me levem a mal!), mas sim à disponibilidade de informações úteis, claras e realistas para uma experiência de viagem mais segura possível, sem estimular a criação de expectativas irrealistas.

foto tirada por uma amiga paraguaia, Giselle Arce, em Cairo. Além da forte influência religiosa no dress code local, o conservadorismo e o assédio sexual intimidam muitas mulheres à exposição no Egito.

foto tirada por uma amiga paraguaia, Giselle Arce, em Cairo. Além da forte influência religiosa no dress code local, o conservadorismo e o assédio sexual intimidam muitas mulheres à exposição no Egito.

Afinal de contas, ninguém quer passar por situações desconfortáveis como ser tratada como “mulher fácil” simplesmente por ser estrangeira, certo? E qual a sua opinião a respeito disso? Para visualizar a pesquisa completa, está disponível no Slideshare neste link.

__________________

*André Fernandes, nascido em Santa Catarina para ser um nômade pelo mundo. Voltou ao Brasil e já está pensando nas próximas aventuras! Saiba mais sobre ele clicando aqui.

5 Comentários leave one →
  1. 20/04/2015 19:35

    oi André,

    excelente iniciativa a tua, abordar tema tão complexo. Acho que seria muito positivo se você escrevesse mais, a partir de tuas observações. Dei uma lida no Slideshare, os itens estão bem abrangentes, acho, e espero que os resultados realmente contribuam para reduzir estereótipos e problemas.

    meu marido e eu, como você, somos apaixonados por viajar, e ver outros mundos/culturas é uma das razões para trabalharmos. Como não somos gente ‘fresca’, acampamos com muito gosto, sempre que possível. E não gostamos de hotéis grandes/caros, sempre damos preferência aos B&B. Algumas vezes utilizamos os albergues da juventude, também. Então, nossa bagagem de experiências é bem grande, e compartimos com gosto.

    creio que em todo lugar tem gente gentil e atenciosa, como em todo lugar tem bandido e gente desonesta. No entanto, a mentalidade de um país existe como fato, e quem viaja precisa estar aberto às diferenças. Infelizmente, existem, sim, lugares onde a figura feminina não é tratada com respeito e, como você, acho muito importante que se faça uma boa pesquisa e análise do que se busca (e se pode tolerar), ao se planejar viajar por lugares desconhecidos.

    • 22/04/2015 17:09

      Oi Touché, meu objetivo com a pesquisa era entender o desafio de quebrar estereótipos no caso de lugares carregados de publicidade negativa ou pouco conhecidos. Ao entrevistar viajantes, imigrantes, representantes de ONGs e agentes de viagens, busquei entender o que motiva os entrevistado a viajar para locais fora do mainstream turístico e, de outro lado, o desafio de promover estes locais como destino.

      Ao longo da pesquisa, fui notando entre as mulheres entrevistadas a preocupação com os direitos da mulher no local aonde elas pretendem viajar, sobretudo após uma experiência num país conservador ou ao ouvir de pessoas conhecidas incidentes de assédio, por exemplo.

      Nas minhas experiências na Índia e no Egito, também pude perceber o quanto vivenciar experiências de assédio influenciam neste aspecto nas próximas viagens. Uma guria acostumada com América Latina, Europa, por exemplo, muitas vezes nem dá bola quando você diz algo como “cuidado em quem confiar”, “aqui os locais não aceitam que mulheres fumem/façam isso e aquilo em público”, “evitar decotes”, etc. Mas depois de algum homem local tentar agarrar na rua, perseguir… ou até ameaças de namoradinho, elas já mudam de ideia.

      Em muitos países, a realidade é bem diferente do que divulga em fotos e cartazes. À medida que mais mulheres viajam sozinhas, mais a questão se expõe mundo afora. Num local onde as mulheres já não tem as mesmas liberdades desfrutadas em boa parte do mundo ocidental, é necessário tomar precauções. Como eu digo: “ou presta atenção e toma os cuidados, ou aprende da pior maneira”

      • 22/04/2015 18:49

        boa resposta, André, obrigada.

        talvez que o ‘exótico’ seja motivo para esta busca? sabemos que a raça humana tem atração pelo desconhecido. Sem esquecer o Garfield, que gosta de viver perigosamente, né?

        passei por algumas situações desagradáveis, que apontaram para o claro machismo existente em países com culturas diversas da nossa, e olhe que sempre viajo com meu marido.

        sinceramente, não entendo que garotas inteligentes se exponham a situações onde possam ser desrespeitadas, e jamais daria como sugestão que fossem sozinhas a países onde isto possa ocorrer.

        mas a vida de cada um é de cada um… quem sou eu prá opinar????

  2. 21/04/2015 7:34

    Eu já li tanto caso de holandesa que foi se embrenhar em floresta da Indonésia e despareceu, ou foi com amiga atirada de precipício na Turquia. Mil casos assim, de mulheres jovens que se embrenham (ó meo deos, porquê???) em lugares primitivos e nunca mais são vistas. Eu fico com pena é dos parentes e amigos, por ficarem sofrendo e cheio de perguntas que jamias serão respondidas. Algumas mulheres na Europa parecem que se acham imortais (ou outras que parecem que não dão o menor valor à vida) quando viajam para lugares no mundo onde o vento faz a curva. O fascínio pelo turismo da pobreza e visitação a lugares violentos e primitivos é imenso em muitos europeus ocidentais jovens.

    O bom mesmo é se planejar direitinho, levando muito em consideração os itens que você enumerou e principalmente o dresscode e cultura local. Porque o mundo não é facil para a mulheres.

    • 22/04/2015 17:13

      Oi Ana, bem como você falou, planejar direitinho é essencial para evitar roubadas. Quando a cultura local já não é favorável às mulheres, estrangeiras devem ter atenção redobrada em como irão se adaptar à cultura local, mesmo que por um curto tempo. A franqueza é a melhor opção para não se criar expectativas irrealistas do local de destino

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