André Fernandes – Mundo

Ao longo de uma pesquisa que venho fazendo sobre posicionamento de países e turismo em países emergentes, tem sido claro entre as mulheres entrevistadas a importância dos direitos da mulher como um importante tópico ao decidir um destino de viagem. Considerando que muitos países menos desenvolvidos possuem culturas mais conservadoras com relação ao papel da mulher e até casos de assédio sexual em grande escala em alguns casos, somados a frequentes notícias de violência contra mulheres, não é de se estranhar.

Meu objetivo com este post não é apenas apresentar os insights apontados pelas 45 entrevistadas de 17 países – de um total de 87 entrevistados de 21 países – mas também provocar reflexões e questionamentos a mulheres que busquem informações que lhes sejam relevantes ao decidir por onde viajar, sobretudo para destinos carregados de estereótipos negativos e dos quais não costumar haver muitas informações precisas.

Entre as questões apontadas, destacaram-se as referentes aos papéis sociais desempenhados pelas mulheres, ao grau de liberdade que elas desfrutam e a como elas vão se ajustar à cultura local. Junto com estas questões, as entrevistadas também apontaram maior atenção com o dress code local, o que é culturalmente aceito e como se comportar no dia a dia. Este é apenas um lado da questão. Quando questionadas sobre os choque e aspectos negativos de suas experiências no exterior, o assédio sexual foi apontado como uma das principais causas de desconforto. Abaixo, seguem os principais pontos apontados como importantes pelas entrevistadas:

  •  como os direitos das mulheres são respeitados?;
  •  se o local é seguro para mulheres, locais e estrangeiras;
  •  grau de liberdade disfrutado pelas mulheres;
  •  dress code: cuidados que devem ser tomados com as vestimentas;
  •  grau de restrições impostas às mulheres na sociedade local;
  •  como elas vão se adaptar à cultura local.

Outro fator importante a compreender é que as mulheres estão viajando cada vez mais, e na mesma proporção, sozinhas.  Independentes pessoal e economicamente, e com maior renda disponível, demandas para atender as necessidades específicas vem sendo cada vez maiores, inclusive nos chamados “destinados exóticos”.

Conforme dados de 2013 da Federação Brasileira de Albergues, 55% dos viajantes solitários que se hospedam em albergues são mulheres. Estatísticas nos EUA, na mesma linha, apontam o crescimento do segmento de mulheres jovens, solteiras e sem filhos, em média com 27 anos de idade, que totalizam 31 milhões dispostas a consumir produtos e serviços, inclusive viajar! Contudo, não achei estatísticas mais precisas sobre o Brasil e outros países fora do mundo anglo-saxão, talvez uma oportunidade para explorar.

Comunicar e atender ao segmento feminino se mostra como um dos maiores desafios para profissionais e organizações que promovam destinos turísticos, sobretudo nos destinos fora do mainstream turístico. E do mesmo modo, comunicar ao público feminino é um ponto-chave para desfazer de estereótipos negativos e promover locais como possíveis destinos. Não me refiro a sites com layout fluffy tudo em rosa com sapatos e maquiagens (nada contra, não me levem a mal!), mas sim à disponibilidade de informações úteis, claras e realistas para uma experiência de viagem mais segura possível, sem estimular a criação de expectativas irrealistas.

foto tirada por uma amiga paraguaia, Giselle Arce, em Cairo. Além da forte influência religiosa no dress code local, o conservadorismo e o assédio sexual intimidam muitas mulheres à exposição no Egito.

foto tirada por uma amiga paraguaia, Giselle Arce, em Cairo. Além da forte influência religiosa no dress code local, o conservadorismo e o assédio sexual intimidam muitas mulheres à exposição no Egito.

Afinal de contas, ninguém quer passar por situações desconfortáveis como ser tratada como “mulher fácil” simplesmente por ser estrangeira, certo? E qual a sua opinião a respeito disso? Para visualizar a pesquisa completa, está disponível no Slideshare neste link.

__________________

*André Fernandes, nascido em Santa Catarina para ser um nômade pelo mundo. Voltou ao Brasil e já está pensando nas próximas aventuras! Saiba mais sobre ele clicando aqui.