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Tradicional festa medieval marca a chegada da primavera em Zurique.

19/05/2015

bz_suica

Arlete Dotta – Suíça

 

Todos os anos em abril, uma grande festa marca a chegada da primavera em Zurique. É o Sechseläuten (em dialeto: Sächsilüüte), onde 26 corporações de trabalhadores ou guildas, 12 delas já fundadas já na idade média, se apresentam num desfile de rua. Centenas de pessoas assistem ao desfile de perto ou acompanham pela televisão.

Desfile Sechseläuten - foto: Roland zh, Wikimedia Commons

Desfile Sechseläuten – foto: Roland zh, Wikimedia Commons

As guildas eram confrarias de trabalhadores na idade média (ourives, carpinteiros, alfaiates, barqueiros, etc.) que, junto com a Sociedade Constaffel, comandaram a cidade de Zurique a partir do ano de 1336, quando expulsaram os nobres que estavam no poder na época. Este marco histórico ficou conhecido como “A revolução dos artesãos”. Ficando por 462 anos no poder, as guildas foram destituídas em 1798 com a invasão francesa. Mesmo assim, a tradição seguiu em formato de festa.

O desfile conta com mais ou menos de 3.500 pessoas usando trajes típicos e uniformes da época, mais de 350 cavaleiros, em torno de 50 cavalos puxando carros alegóricos e 30 grupos musicais de marchinhas tradicionais. A cada ano, um cantão é o convidado de honra e seu representante presenteado com flores.

Desfile Sechseläuten - foto: Roland zh, Wikimedia Commons

Desfile Sechseläuten – foto: Roland zh, Wikimedia Commons

Um dia antes da comemoração principal que ocorre na segunda-feira a tarde, no domingo, acontece o desfile infantil, onde mais de 2.000 crianças em idade de 5 até 15 anos desfilam igualmente em trajes típicos.

Desfile infantil - foto: Roland zh, Wikimedia Commons

Desfile infantil – foto: Roland zh, Wikimedia Commons

O nome “Sechseläuten” vem de “Sechs-Uhr-Läuten”, algo como “badaladas das seis horas”, onde o sino da igreja Grossmünster, no centro de Zurique, indicava o fim o horário de trabalho no verão. No inverno, a jornada terminava às 17 horas por causa da escuridão.

Igreja Grossmünster – foto: Roland Fischer, Wikimedia Commons

Igreja Grossmünster – foto: Roland Fischer, Wikimedia Commons

O momento mais importante da festividade dá-se pontualmente às seis com a queima de um boneco “de neve” feito de madeira e tecido, o Böög, que representa o fim do inverno. Ele é queimado em uma fogueira no estilo das nossas festas juninas, enquanto cavaleiros cavalgam num ritmo vibrante ao seu redor até sua cabeça explodir. O momento da explosão da cabeça do boneco é aguardado por todos ansiosamente, que dependendo da demora, determina se o verão será bom ou não.

Queima do Böög - foto: Guérin Nicolas, Wikimedia Commons

Queima do Böög – foto: Guérin Nicolas, Wikimedia Commons

Após a festa, o público que assistiu ao desfile entre eles, pricipalmente jovens, fazem churrasco na praça onde termina a festa, com os restos de brasa da fogueira. Esta parte do evento é inoficial e não reconhecida pelos organizadores.

Churrasco após a festa - foto: Swissinfo

Churrasco após a festa – foto: Swissinfo

Apesar ser um evento típico interessante, a festa não é aberta a todos que desejem fazer parte dela. Para participar, a pessoa tem que ser o filho mais velho de um membro ou ser inidicada por alguém de uma corporação. Até 2014 mulheres também não podiam desfilar, tendo participado uma vez em 2011 e a partir de 2014 todos os anos como grupo convidado (mas não como membros oficiais). O argumento é que por ser uma tradição medieval, os grupos foram sempre formados por homens.

Este ano, o Böög demorou 20 minutos e 39 segundos para explodir, agora só resta esperar pra saber como será o verão. Mas uma coisa todo mundo já sabe, que o Böög é um mal meteoroligsta.

 *Arlete Dotta, Desde 2009 vive cercada pelos Alpes, na Suíça, para saber mais sobre a autora clique aqui.

6 Comentários leave one →
  1. Mirian permalink
    19/05/2015 12:10

    Amo estas tradiçoes. Muito bem explicados.Parabéns Arlete Dotta.

    • Arlete permalink
      20/05/2015 6:28

      Oi Mirian, obrigada pelo seu comentário. Também gosto muito de saber sobre costumes e tradições. Aqui no blog vc vai encontrar sempre textos com muitas curiosidades sobre os vários países e seus povos. Um Abraço

  2. 19/05/2015 14:08

    Que lindo é o folclore de um país tão interessante!E com que riqueza a autora descreve essa linda festa.Fiquei curioso para saber se o tempo que levou para explodir a cabeça do Böög esse ano (20m 39 seg) significa que o verão vai ser bom ou não.Mesmo sendo o personagem péssimo meteorologista tenho essa curiosidade.Adorei o post. Obrigado Arlete.

    • aadotta permalink
      25/05/2015 15:21

      Oi Antônio, obrigada a você por participar. A gente tem que cruzar os dedos pro verão ser bom aqui, porque segundo a previsão do Böög, não vai ser não. 🙂

  3. 26/06/2015 14:26

    oi Arlete,

    que bela descrição, adorei. E fiquei pensando: o mundo estaria bem mais bonito se dirigido por artistas e artesãos!!!!

    muito legal teu post. Ah…parece que fazer previsão do tempo nunca foi bom negócio, né?

    • Arlete Dotta permalink
      27/06/2015 7:17

      Oi Touché, se fazer previsão do tempo nunca foi bom negócio, imagina aqui na Suíça que o tempo muda literalmente do dia pra noite. Nem os meteorologistas dão conta do recado. 😀

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