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10 itens do Japão que deixam saudade

14/07/2015

bz_japao3Juliana Paula – Japão

Quem me vê hoje, falando sempre sobre a Índia, deve pensar que  sempre fui apaixonada pelo país , mas a verdade é que muito antes de a Índia aparecer na minha vida, havia um outro país no meu coração: O Japão.

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Minha relação com o Japão vem desde a infância e aos 14 anos, após muita insistência, finalmente fui matriculada em uma escola de língua japonesa no Rio de Janeiro. A primeira ida ao Japão se deu no ano de 2000, para um intercâmbio com uma bolsa de estudos do governo japonês. Mas, em 2007, mais uma vez estava eu lá, para trabalhar para o governo japonês. E aí, sim, posso dizer que conheci o Japão do Oiapoque ao Xui! Ou melhor: de Hokkaido a Okinawa!

Já tem mais de 2 anos que deixei o Japão, mas volta e meia, a saudade bate, principalmente quando eu encontro algum japonês aqui na Índia e começamos a conversar. Nesta hora, também percebo o quanto a cultura japonesa influenciou meu jeito de pensar e ser. E, falando em saudade, fiz uma listinha dos itens que todo estrangeiro sente saudade ao deixar o Japão e os quais também deixam todo novo residente do país, extasiado.

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1. O ato de cumprimentar e agradecer

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Uma das coisas que mais sinto falta, sem dúvidas, é o ato de cumprimentar as pessoas, seja na rua, no local de trabalho ou em outro local. Aqui na Índia, praticamente ninguém cumprimenta o outro. Outra coisa essencial para mim, é o ato de agradecer. Os japoneses têm inúmeras expressões para demonstrar gratidão e cada uma delas  é usada em um contexto diferente. Infelizmente, aqui na Índia, se você agradece muito ou cumprimenta demais, as pessoas te consideram ẗrouxa” e acabam depois se aproveitando de sua boa fé.

2. O sorriso

Os japoneses sorriem bastante. Há alguns cumprimentos e palavras na língua japonesa que não tem como a pessoa falar séria ou de cara fechada. E, sorrir é visto como um gesto de educação. Demorei muito para tirar isso do meu ser após vir à Índia, onde sorrir tem duas conotações: ou você é trouxa, ou você está “dando mole” para os caras. Mas, ainda assim, meu sorriso, volta e meia…escapa!

3. Serviço de 1a classe sem precisar dar gorjeta

No Japão, realmente as coisas funcionam. E muito bem! Nas lojas, você se sente praticamente um rei, de tão bem tratado e paparicado que é. Não importa qual seja o ramo: você sempre será bem atendido e dificilmente sairá insatisfeito. Ainda que fique insatisfeito e reclame, os funcionários todos vão se juntar e, em uníssono, como numa grande e ensaiada coreografia, dirão: Okyakusama, taihen moushiwake gozaimasen deshita. (Prezado cliente, nós sentimos muitíssimo pelo ocorrido). Afinal, como eles dizem” Okyakusama wa kamisama da (O cliente é um deus!)E, após ser bem paparicado, basta pegar seu produto e sair da loja, sem dar gorjetas por isso.

4. Segurança

O Japão, claro, é um país seguro sim, onde há poucos roubos e incidentes deste tipo. Este item, com certeza, é o que faz mais sucesso entre os brasileiros que vivem lá. Porém, para as mulheres que querem viajar ao país, tenham cuidado com o chikan. O chikan é um tarado e geralmente ataca suas vítimas em parques ou pontos de ônibus. Há inúmeras placas como esta, alertando sobre o  chikan. Porém, com exceção do chikan, o Japão é muito seguro e você não precisa se preocupar.

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5. Transporte público

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Como os outro setores, o transporte público no Japão funciona que é uma maravilha! Os trens, ônibus, metrôs e outros, são extremamente pontuais e, ai deles se atrasarem 1 minuto!! O povo, já impaciente, começa a reclamar. E, caso tenha algum acidente ou incidente que faça com que o trem/metrô de atrase, a companhia ferroviária ira emitir uma nota em forma de bilhete para que  cada passageiro possa se justificar no local de trabalho. Afinal, no Japão, atrasos não são permitidos. Mas, voltando ao transporte público, ele liga praticamente todo o Japão de forma eficiente. Uma das coisas mais interessantes era ver gente que tinha carros de luxo preferindo ir trabalhar de trem ou metrô. E nem por isso eram mal-vistos ou recebiam comentários, já que isto é comum lá.  Sempre me imaginava se isso seria possível no meu Brasil um dia.

6. A comida
Muita gente acha que a culinária japonesa é composta apenas de sushi e sashimi. Ledo engano. Além das diversas variações de sushis e sashimis, a culinária japonesa é rica e, devido às 4 estações do ano serem bem definidas, há pratos, vegetais e ingredientes que só podem ser degustado em determinada estação. Além disso, há pratos que com certeza caem no gosto do brasileiro facilmente, como yakitori, yakiniku, korokke, omuraisu, tonkatsu (o da foto abaixo), etc.

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7. Andar de bicicleta

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Eu passei a amar andar de bicicleta depois de morar no Japão. Ela realmente se torna uma grande companheira. É com ela que você vai trabalhar, vai ao supermercado, shopping, etc. Além de me ajudar a estar sempre em forma, a bicicleta com sua inseparável cestinha me ajudava a carregar as compras e materiais de trabalho. Porém, hoje na Índia e impossível andar de bicicleta por dois motivos: o trânsito é caótico e eu corro o risco de ser atropelada e, segundo, porque não é de “bom tom” que uma mulher ande de bicicleta. As celulites agradecem.

8. Limpeza e organização

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Nunca estive na Europa, mas acredito que o Japão seja um dos locais mais limpos do mundo. Talvez perca apenas para Cingapura, mas, pelo menos, é o local mais limpo que já estive. Além da reciclagem do lixo, a qual me deu muita dor de cabeça até eu me acostumar, os japoneses aprendem desde cedo que precisam zelar por aquilo que usam, já que outros também vão usar. É aquela máxima do: Não faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você. Isto é ensinado exaustivamente nas escolas japonesas (já que todos passam pelo mesmo sistema educacional) e eles levam para toda a vida. Se vão à algum parque fazer piquenique, pode ter certeza que eles vão catar tudo no final. E, seja qual for o evento, no final, todos ajudarão a carregar as mesas, colocar tudo em ordem e até..limpar o recinto! E, isto é feito por todos: do chefão ao mais novo funcionário. E, este quesito vale nota na escola, também!

9. Konbini

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Você deve estar se perguntando que negócio é esse de “konbini”. Konbini é a palavra japonesa simplificada  para “Convenience store”. As “Konbini” são as salva-vidas do Japão. Vendem desde pilha e livros a produtos de limpeza e meia-calça. São um pouco perigosas, já que ao entrar, você pode ser tomado pelo espírito consumista e sair de lá com muito mais coisa do que pretendia. Mas, mesmo assim, é um dos itens que vai deixar saudade o dia que você deixar o Japão. A konbini também pode ser encontrada na China, Taiwan, Hong Kong, Coréia, Tailândia, etc. 

10. Honestidade

Este item, deixei por último por ser talvez, o que eu mais sinta falta. O povo japonês é um povo muito honesto. A ponto de sair correndo atrás de você pela rua caso você esqueça alguma mercadoria na loja dele.  Na hora de pagar as compras no supermercado ou qualquer outro estabelecimento, eles vão usar uma espécie de “bandejinha” de plástico onde colocarão todo o troco bem visível para o cliente e, ainda vão dizer o valor em voz alta. Neste quesito, nunca passei problema algum no Japão. Salários vêm em dia, troco vem em dia, não precisa negociar ou pechinchar…não precisa gastar energia à toa. Tudo flui tranquilamente. Hoje, na Índia, já perdi as contas de quantas vezes fui passada a perna, fiz trabalhos de tradução e intérprete e não me pagaram, pechincharam até preço de aula particular…enfim, um stress só! Foi justamente por isso que passei a me focar nos clientes japoneses residentes na Índia, já que mesmo mudando de país, eles continuam os mesmos: honestos e achando justo pagar por um serviço o qual eles não podem desempenhar.

A lista ficou grande e tinha outros itens que eu queria acrescentar, mas se eu fizesse isso, nossos leitores iam ficar entediados e iam mudar de blog. O Japão, sem dúvidas, deixou saudades, mas o que me alegra é que de alguma forma, ele está sempre perto de mim, seja através dos meus trabalhos em língua japonesa ou através dos queridos amigos japoneses que consegui aqui na Índia. Um abraço a todos!!

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Juliana Paula já morou no Japão, atualmente mora na Índia e, desde então, tem desbravado aquele belo e encantador país. Para saber mais sobre ela clique aqui.

6 Comentários leave one →
  1. 14/07/2015 12:25

    Estou eu curtindo seu post sobre o civilizado Japão quando me aparece pela frente o tarado do chikan. Até no Japão tem tarado, céus ! Da vontade de fazer treinamento pra ninja, ir para um parque ou ponto de ônibus vestida de colegial japa e quando um chikan se insinuar eu já chegar dando voadora e fazer a cabeça dele ir rolar láááá onde o judas perdeu as botas. HUMPF!!!!!

    • 14/07/2015 13:35

      Oi, Ana!!Hahaha…to dando risada aqui com teu comentario! Ai..nem me fale dos “chikan”, viu?? Ja fui abordada por eles 3 vezes e me “borrei” de medo em todas elas. O Japao eh realmente um pais fascinante, mas tambem tem um outro lado bem “doentio”, com um numero grande de pessoas com muitos problemas psiquiatricos andando soltas pelo pais. Eu nunca vi tanta gente louca em um pais so!!Mas, tirando isso, eu procuro guardar as boas lembrancas que o Japao me deixou!

  2. André Fernandes permalink
    15/07/2015 2:57

    Nem vou imaginar como você foi de um extremo a outro em todos os termos do Japão para a Índia. A Europa é limpa em geral, e a reciclagem vem se expandindo ao longo do continente.
    Logo que comecei a ler o post, nem quero imaginar como é reagir à sujeira na Índia. A cada banho que tomava, era como se eu tivesse acabado de visitar uma fábrica de fundição de ferro, tamanha era a sujeira.
    Na Índia, quase toda semana tinha que ajudar um japonês perdido na rua, de tão honestos, eles acabam sendo inocentes demais, não barganham e indianos de todos os lados cobriam 100 dólares por qualquer porcaria, só imagina!

    • 15/07/2015 6:48

      Oi, Andre!!Sim…nem eu pensei que fosse tao extremo assim!! Mas, como eu decidi me mudar para a India para ficar com meu esposo e comecar uma nova vida, eu resolvi entrar de cabeca mesmo e nao comparar com o Japao ou Brasil em hipotese alguma. E assim, a India passou a ser minha nova casa! Mas, em relacao aos japoneses que vivem aqui, realmente eles passam um perrengue com os indianos. Como eu tambem passo e ja levei muito calote de indiano, eu e os japoneses unimos as forcas e comecamos a trabalhar juntos. Assim, eh uma dor de cabeca a menos para ambos!

  3. 15/07/2015 6:39

    Ai, Juliana, que delícia esse post seu. Uma vez, vc comentou o quanto eles se pareciam com os suíços e agora pude constatar que é de fato assim mesmo. Na comparação entre os dois, teria que tirar da lista os sorrisos (que pena!), a culinária que está bem dentro dos padrões ocidentais, os chikans (ainda bem!) e os Konbinis que não existem por aqui. Gente doida tem aqui tb, mas geralmente não são agressivos.
    Em SP, tive vizinhos muito queridos descendentes de japoneses e só guardo boas lembranças e admiração por eles.
    Será que é só cultural essa questão da honestidade, gratidão e agradecimento? Parece que nesse ponto o Brasil e a Índia são bem parecidos.

    • 15/07/2015 6:54

      Oi, Arlete!Que bom que voce gostou do post! Sim…eu acho que este lance de honestidade, gratidao e educacao de um modo geral, eh cultural sim, mas que pode ser “inserido” no ser caso comece desde pequeno, como eles fazem nas escolas japonesas. Os professores japoneses costumam desempenhar o papel dos pais, na verdade. Eles ensinam todas estas coisas e todas as criancas se comportam dentro de um padrao esperado. Isso eh visivel quando chega um estrangeiro na turma, principalmente da America do Sul. Muitas vezes as criancas brasileiras e peruanas acabavam usando de uma certa “malicia” a qual talvez ate fosse encarada de forma natural nos seus respectivos paises, mas que causava um choque nos professores e colegas japoneses. Cansei de ter que desfazer mal entendidos neste sentido la no Japao. Eh muito interessante!!Um abraco!!!

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