bz_colaborador André Fernandes – Mundo

Viver num país em desenvolvimento é uma experiência única. Eu me refiro àqueles países onde não muita gente imagina estar, aqueles literalmente fora da rota, que fazem seus familiares e amigos perguntar: “Tá louco? Tá doido?”. Eu, pelo menos, adoro estas perguntas.

Porém, viver num país em desenvolvimento não é uma experiência para todos e faço questão de ir direto ao ponto. É uma experiência que nos tira da zona de conforto, ou melhor, não tem zona de conforto! Além das aventuras, a vulnerabilidade a choques culturais é muito maior.

Mergulhar no desconhecido

Viver num país menos desenvolvido é literalmente mergulhar no desconhecido. Foto extraída do trevous.com.

Depende do seu objetivo, quem sou eu para julgar? Ainda mais em se tratando de decisões tomadas por outras pessoas.  É uma relação de amor e ódio, tudo ao mesmo tempo, lições para a vida toda que nem sempre ocorrem como gostaríamos, mas deixam marcas de qualquer forma.

No meu caso, por exemplo, eu fui para um longo intercâmbio na Índia pelo objetivo de ter uma experiência num país emergente; um curto período no Egito, para ter a vivência num país do Oriente Médio. Não são países onde me vejo vivendo, menos ainda casando dentro de suas culturas, ambos são conservadores demais para mim. Trata-se da minha opinião e das minhas escolhas, a sua escolha, por sua vez, deve ser influenciada por seus critérios. Nada mais!

Junto com os choques culturais, as incertezas que você vai enfrentar são inúmeras. Você, com certeza, vai mudar ao longo de uma experiência como esta dos pés à cabeça: seus valores, seu comportamento, sua mentalidade, seu estilo de vida, carreira, etc. Como e em qual escala? Só o tempo vai mostrar. É realmente uma loucura!

Se você não se sente confortável em lidar com – ou simplesmente pensar sobre – os seus pontos fracos, suas vulnerabilidades, as incertezas e no deixar se levar pela adrenalina; é sinal de que você não está pronto para esta experiência. Não é algo que se expressa por posts no Facebook ou no Instagram. Mesmo que faça isto, quantas pessoas vão entender o que você está vivendo?

Muitos que vivem num país emergente, ainda que por um curto período, encaram a experiência como uma transa sem camisinha: você curte na hora, mas não faria de novo. É uma frase que ouvi de um amigo ao resumir sua experiência no Paquistão.

Se você for através de um programa de intercâmbio, tomar bastante cuidado ao escolher a organização/empresa/ONG/o que seja. Não é porque você vai se desafiar e sair da zona de conforto que tem que aturar pilantragens e extorsões. Isto dá muito o que falar…

No meu caso, viver em países fora do radar me ensinou a lidar com o imprevisto, meio que viver em meio do mistério a busca de um propósito. Misterioso mesmo, não? As incertezas, por bem ou por mal, libertam nossas mentes a viver o presente e esquecer tudo o mais, inclusive nossos medos e pensamentos negativos. A vida flui quando não perdemos tempo enganando a nós mesmos. Pelo menos assim foi minha experiência, como é algo relativo a cada indivíduo, as opiniões tendem a ser diferentes.

A parte nada glamorosa que vemos em países menos desenvolvidos – pobreza, desigualdade social, corrupção, assédio sexual, etc. – também mostram que a vida continua independente dos aspectos externos: podemos sonhar, rir, viver e divertir. Importante deixar claro que não sugiro ignorar tais aspectos, que decisivamente influenciam na qualidade da experiência de qualquer pessoa nestes países e na proporção do desafio. Se não vai aguentar os desconfortos existentes num determinado local, simplesmente não vá!

É um misto de extremos: fascinante e assustador, apaixonante e irritante, momentos felizes e tristes. E para quem pensar numa aventura dessas, deve estar ciente disto. Espero ter dado uma luz!

*André Fernandes, nascido em Santa Catarina para ser um nômade pelo mundo. Voltou ao Brasil e já está pensando nas próximas aventuras! Saiba mais sobre ele clicando aqui.