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Voltar ou não voltar para o Brasil? Eis a questão

11/08/2015

bz_inglaterra Rogério da Silva – Leeds, Inglaterra

Saí do Brasil a 15 anos atrás e parece que o ciclo de “voltar de vez” pro Brasil se repete a cada 4 anos.

Estava lendo os outros posts e comentários relacionado a voltar pro Brasil, quando voltar, se volto ou se fico. Tem um sentimento geral e uma dúvida que assombra todos os brasileiros expatriados que converso sobre o assunto, alguns bem decididos e alguns totalmente perdidos, alguns bem informados e alguns super mal-informados. A verdade é que somos de nacionalidade brasileira e que mais cedo ou mais tarde iremos retornar para nossa pátria… Ou não?!?….

Da última vez estávamos bem decididos e fomos com a mente aberta, já sabendo que a re-adaptação seria difícil,. Aconteceu um 2010, tentamos. Mas em 2013, eu e minha esposa olhamos um pro outro e fomos sinceros. Nos perguntamos: “Quer voltar pra Europa?”
Foi algo bizarro, por que nem cogitávamos mais, mas em apenas 1 mês, vendemos o pouco que tínhamos, contactamos amigos para nos receber, compramos a passagem e aqui estamos na Inglaterra desde então.
Temos saudades de nossos pais e irmãos, claro, das pessoas que conhecemos. Mas só.
Parece que depois que saímos do Brasil, vemos o país de uma forma completamente diferente, esperimentamos coisas diferentes. É inevitável não comparar.
Não existe o melhor lugar do mundo, há coisas boas e coisas ruins em cada lugar.
Viver fora não é fácil, tem que abrir mão de coisas básicas, como por exemplo, falar a própria língua, ou visitar os pais no final de semana pra comer aquele feijãozinho, ou franguinho na panela que só a mãe Joana sabe fazer.
Cada caso é um caso e cada um tem seus valores e princípios. Não sou ninguém para julgar o que acho certo ou errado aqui ou em qualquer lugar do universo, posso falar de minhas experiências. Cada um de nós temos nossos valores, nossos princípios e o que consideramos ter uma qualidade de vida. Cada um de nós temos o que consideramos, conseguir alcançar naquele momento, seja alguém desempregado, trabalhando mas insatisfeito com o trabalho, seja ganhando pouco ou muito.
A minha conclusão até o momento, nesses meus 34 anos morando entre Brasil > Inglaterra > Itália > Inglaterra > Brasil > Inglaterra, necessariamente nessa ordem, é que não importa onde moras, e não importa o que esteja fazendo, o importante é estar bem consigo mesmo, e fazer o que gosta, seja lá o que for.

Roger & Daniela, Elizabeth Tower (Big Ben) - Londres

Roger & Daniela, Elizabeth Tower (Big Ben) – Londres

Nós somos condicionados, já quando bebês, a não questionar, não falar muito, aceitar e pronto.
Temos que estudar de uma forma considerada academicamente correto, ignorando completamente o dom individual de cada um, temos o dom da curiosidade, mas somos boicotados pelo sistema arcáico de ensino onde somente alguns podem fazer algo extra curricular, e a massa é direcionada e encabestrada a aceitar que temos que viver para trabalhar em algo que é considerado tendência. Diploma era necessário, agora prescisa de pós-graduação, bilíngue tem que ser natural, 3 ou 4 línguas agora é algo necessário, não interessa o que vai fazer, mas tem que ter certificado, pós, falar várias línguas e experiência de no mínimo 4-5 anos para trabalhar como jr ou estagiário, para receber uma ajuda de custo.
Dai “crescemos”, casamos, continuamos trabalhando no que não gostamos, temos filhos, continuamos trabalhando no que não gostamos, financiamos a casa por 30 anos e continumosa trabalhando no que não gostamos, aí ficamos sonhando pra quando aposentarmos  podermos viajar, fazer isso e aquilo e torcendo pra não estenderem a idade de se aposentar.
Sinto que estamos vivendo em uma era de insatisfação geral, onde a pauta do momento é a migração de pessoas, o separatismo de indivíduos, que são considerados, de acordo com a sociedade “diferentes”.
Eu quero me libertar cada vez mais disso, me posicionar e fazer o que eu quero, não desejo nada de mal a ninguém, e não julgo ninguém.
Quero liberdade de poder ir e vir, de viver a vida, explorando, conhecendo, interagindo com pessoas dos quatro cantos do globo, ou quem sabe até do universo. A verdade é que nós seres humanos ainda andamos meio perdidos, e nenhuma verdade é absoluta e nenhum lugar é perfeito e enquanto não acertamos e entendemos de dentro pra fora, estaremos sempre insatisfeitos com situações, lugares, pessoas, costumes e sistema.
Eu quero o melhor pra mim e para minha família, mesmo que isso trará uma mudança drástica de costume, forma de trabalhar e a localização do lar.
Se é certo ou errado eu não sei, só sei que da forma que andamos vivendo não é legal, seja no Brasil, Inglaterra ou Itália, se não mudarmos nossa forma de viver o tempo passa e ficamos a ver navios.
Eu quero é navegar pelos mares da vida e viver a vida da forma que eu considero qualidade.

*Rogério da Silva é analista de testes em tempo integral e blogueiro em horários de folga. Para saber mais sobre ele clique aqui.

6 Comentários leave one →
  1. André Fernandes permalink
    11/08/2015 12:46

    Nem me fala de mudanças drásticas. Gosto do Brasil, apesar de muita coisa me deixar angustiado, mas me senti em casa na Europa.
    Claro que não é uma decisão simples largar tudo e recomeçar a vida num outro país, por mais que já se tenha feito antes. Voltei ao Brasil depois de quase 2 anos numa meia volta ao mundo, mudei completamente e não me vejo mais vivendo naquela matrix de me contentar fazer o que não gosto para pagar prestações e contas para aparentar o que não tenho….
    De qualquer forma, casa é onde nos sentimos bem, onde podemos dar o nosso melhor conforme nossos valores, estar ao lado de alguém que gostamos, etc.
    Ainda não caiu a ficha que no próximo mês eu saio de novo e não sei quando volto. Só o tempo vai falar.

    • Vinicius permalink
      09/02/2016 18:40

      Andre, tive essa experiência ao morar por anos em MIAMI e voltar ao Brasil. Muita saudade da família e da minha cidade me fizeram retornar. HJ Me arrependo!!! Matada a saudade, 6 meses após já comecei a sentir falta da minha vida lá. Já estava acostumado a nova vida, adaptado e agora aqui, se tornou o lugar diferente. hj estou planejando uma nova mudança para lá , onde me sinto em casa.

  2. Arlete Dotta permalink
    11/08/2015 14:36

    Acho que expatriados vão sempre estar divididos entre dois (ou mais) mundos. Gosto daquela frase do Neruda (ou atribuída a ele): O mundo é grande demais para se nascer e morrer no mesmo lugar.

  3. 11/08/2015 17:06

    Estou na Inglaterra ha 5 anos e me encontrei aqui. Me identifiquei com o seu post quando vc fala de familia e amigos e so. Eh exatamente isso! Toda vez que vou ao Brasil a passeio e volto, ao chegar em Heathrow eu tenho a sensacao de “estar voltando pra casa”. Eh um conflito de sentimentos uma vez que tambem me sinto culpada? egoista? por estar num pais sensacional (com seus defeitos tambem, claro) e minha familia toda no Brasil….enfim, cada escolha, uma renuncia!

  4. 12/08/2015 14:12

    Claro que em relação a estudos e trabalho os brasileiros podem ter uma vida muito boa e promissora no Brasil. O que “pega” pra mim (e me entristece muito) é que por mais que o Brasil apresente progressos, a roubalheira é muito grande e impressionante. Disseminada mesmo. Ate pessoas humanistas, que estudaram muito, tem um salario muito bom e tiveram um passado de consciência da carência do povo e desnível social acabam roubando e desviando rabilhões. Além dessa roubalheira toda, o retorno dos impostos é muito baixo. Se houvesse aplicação dos impostos e maior taxação sobre muito ricos, o Brasil seria fantástico.
    Quem mais paga imposto no Brasil são os pobres, e menos recebem de volta.

    http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/04/1434959-brasil-e-o-pior-em-retorno-de-imposto-a-populacao-aponta-estudo.shtml

    A sonegação de impostos no Brasil superou R$ 415 bilhões em 2013:
    http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=236975

  5. MARIA ELENA permalink
    25/08/2015 0:58

    Olá Rogério! lendo seu texto sobre voltar ou não para o Brasil, achei-o muito interessante. Ele vem ao encontro de muitos entendimentos que tenho sobre mudanças (que fiz muitas no Brasil). Estive fazendo um tour por alguns países da Europa e finalizei ficando 35 dias em Londres para estudar Inglês e claro, conhecer o máximo de lugares possível.
    Gostei muito de Londres e entendi muitas coisas que lemos, mas só compreendemos quando temos a oportunidade de vivenciar. Nisso, o que mais me agradou foi a segurança com que pudemos nos deslocar para todos os lugares, o tempo todo; também o fato de termos tido a oportunidade de conviver com a diversidade de idiomas numa mesma cidade e da falta que senti de não sermos educados para falar outras línguas, naturalmente.
    Outro ponto que concordo com você é o fato de estarmos sempre, no Brasil, correndo atrás de diplomas, isso virou tirania. No meu caso, Graduação, duas Especializações, Mestrado e agora tentando o Doutorado, além do certificado adquirido no curso feito aí e parece que isso ainda não basta. Nessas horas, dá muita vontade de ir, mas por enquanto, o feijão e o aconchego dos brasileiros me seguram aqui. Abç

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