Saí do Brasil a 15 anos atrás e parece que o ciclo de “voltar de vez” pro Brasil se repete a cada 4 anos.

Estava lendo os outros posts e comentários relacionado a voltar pro Brasil, quando voltar, se volto ou se fico. Tem um sentimento geral e uma dúvida que assombra todos os brasileiros expatriados que converso sobre o assunto, alguns bem decididos e alguns totalmente perdidos, alguns bem informados e alguns super mal-informados. A verdade é que somos de nacionalidade brasileira e que mais cedo ou mais tarde iremos retornar para nossa pátria… Ou não?!?….

Da última vez estávamos bem decididos e fomos com a mente aberta, já sabendo que a re-adaptação seria difícil,. Aconteceu um 2010, tentamos. Mas em 2013, eu e minha esposa olhamos um pro outro e fomos sinceros. Nos perguntamos: “Quer voltar pra Europa?”

Foi algo bizarro, por que nem cogitávamos mais, mas em apenas 1 mês, vendemos o pouco que tínhamos, contactamos amigos para nos receber, compramos a passagem e aqui estamos na Inglaterra desde então.
Temos saudades de nossos pais e irmãos, claro, das pessoas que conhecemos. Mas só.

Parece que depois que saímos do Brasil, vemos o país de uma forma completamente diferente, esperimentamos coisas diferentes. É inevitável não comparar.

Não existe o melhor lugar do mundo, há coisas boas e coisas ruins em cada lugar.
Viver fora não é fácil, tem que abrir mão de coisas básicas, como por exemplo, falar a própria língua, ou visitar os pais no final de semana pra comer aquele feijãozinho, ou franguinho na panela que só a mãe Joana sabe fazer.

Cada caso é um caso e cada um tem seus valores e princípios. Não sou ninguém para julgar o que acho certo ou errado aqui ou em qualquer lugar do universo, posso falar de minhas experiências. Cada um de nós temos nossos valores, nossos princípios e o que consideramos ter uma qualidade de vida. Cada um de nós temos o que consideramos, conseguir alcançar naquele momento, seja alguém desempregado, trabalhando mas insatisfeito com o trabalho, seja ganhando pouco ou muito.

A minha conclusão até o momento, nesses meus 34 anos morando entre Brasil > Inglaterra > Itália > Inglaterra > Brasil > Inglaterra, necessariamente nessa ordem, é que não importa onde moras, e não importa o que esteja fazendo, o importante é estar bem consigo mesmo, e fazer o que gosta, seja lá o que for.

Rogerio e Daniela, Elizabeth Tower (Big Ben) - Londres

Rogerio e Daniela, Elizabeth Tower (Big Ben) – Londres

Nós somos condicionados, já quando bebês, a não questionar, não falar muito, aceitar e pronto.

Temos que estudar de uma forma considerada academicamente correto, ignorando completamente o dom individual de cada um, temos o dom da curiosidade, mas somos boicotados pelo sistema arcáico de ensino onde somente alguns podem fazer algo extra curricular, e a massa é direcionada e encabestrada a aceitar que temos que viver para trabalhar em algo que é considerado tendência. Diploma era necessário, agora prescisa de pós-graduação, bilíngue tem que ser natural, 3 ou 4 línguas agora é algo necessário, não interessa o que vai fazer, mas tem que ter certificado, pós, falar várias línguas e experiência de no mínimo 4-5 anos para trabalhar como jr ou estagiário, para receber uma ajuda de custo.

Dai “crescemos”, casamos, continuamos trabalhando no que não gostamos, temos filhos, continuamos trabalhando no que não gostamos, financiamos a casa por 30 anos e continumosa trabalhando no que não gostamos, aí ficamos sonhando pra quando aposentarmos  podermos viajar, fazer isso e aquilo e torcendo pra não estenderem a idade de se aposentar.

Sinto que estamos vivendo em uma era de insatisfação geral, onde a pauta do momento é a migração de pessoas, o separatismo de indivíduos, que são considerados, de acordo com a sociedade “diferentes”.
Eu quero me libertar cada vez mais disso, me posicionar e fazer o que eu quero, não desejo nada de mal a ninguém, e não julgo ninguém.

Quero liberdade de poder ir e vir, de viver a vida, explorando, conhecendo, interagindo com pessoas dos quatro cantos do globo, ou quem sabe até do universo. A verdade é que nós seres humanos ainda andamos meio perdidos, e nenhuma verdade é absoluta e nenhum lugar é perfeito e enquanto não acertamos e entendemos de dentro pra fora, estaremos sempre insatisfeitos com situações, lugares, pessoas, costumes e sistema.

Eu quero o melhor pra mim e para minha família, mesmo que isso trará uma mudança drástica de costume, forma de trabalhar e a localização do lar.

Se é certo ou errado eu não sei, só sei que da forma que andamos vivendo não é legal, seja no Brasil, Inglaterra ou Itália, se não mudarmos nossa forma de viver o tempo passa e ficamos a ver navios.

Eu quero é navegar pelos mares da vida e viver a vida da forma que eu considero qualidade.