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Edijane Costa – Portugal

Ah, os portugueses…. Não é que os eles sejam esquisitos ou tenham costumes muito diferentes dos nossos. Mas, naturalmente, existem algumas particularidades que merecem ser partilhadas com vocês, até mesmo para ajudar a compreender melhor alguns dos aspectos da cultura e hábitos dos lusitanos. Abaixo enumero algumas dessas particularidades:

1. Existe uma clara, declarada e até “divertida” rivalidade entre os portugueses do Sul e do Norte. Os tugas do Sul (que compreende a região da capital Lisboa e da zona balneária Algarve) afirmam que os tugas do Norte (da região do grande Porto e do Douro Litoral) são reservados, conservadores, tem uma pronúncia deficiente e são mal humorados, entre outras coisas! Já os nortenhos reclamam que os tugas do Sul se acham superiores em diversos aspectos e contestam ainda prejuízos a nível socioeconômico pela concentração de empresas e serviços apenas na zona da capital. Mas esta rivalidade vai além das questões econômicas e culturais….

2. Com apenas duas equipes de futebol a revezar a vitória do campeonato nacional durante, no mínimo, os últimos 13 anos (o Benfica, com mais adeptos concentrados no Sul e o Futebol Clube do Porto, com mais adeptos concentrados no Norte) fica perceptível que esta rivalidade também é aguçada pelo futebol. Sim, não há muita surpresa no resultado do campeonato nacional por aqui, pois o título sempre fica para o Porto ou para o Benfica.

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3. Na televisão também não há muitos atrativos (pelo menos para mim!). A programação da manhã e da tarde são idênticas em todos os canais com programas mais voltados para o público feminino. Como não curto muito novelas, nem estes programas, não posso opinar muito sobre a qualidade destes. No jornalismo também não é muito diferente, as reportagens e até o horário em que são transmitidos são os mesmos em todos os canais, quase sempre com o mesmo estilo de reportagem e interpretação dos acontecimentos. Existe um ou outro programa que se destoa pela criatividade, inovação e qualidade, sobretudo no canal público (RTP).

4. Na terra de Camões os livros de autoajuda estão quase sempre entre os mais vendidos e Paulo Coelho é um dos autores mais lidos por aqui. A crise e a necessidade de compreender alguns dos fenômenos comportamentais podem estar por trás da escolha deste gênero literário (Ui, me ocorreu agora que se algum estrangeiro resolvesse escreve um post semelhante sobre o Brasil este tópico também estaria por lá…).

5. Ora bem, em contrapartida, ainda é pouco comum a procura por apoio psicoterapêutico especializado, como os psicólogos. Uma considerável parcela da população faz uso de fármacos como antidepressivos e ansiolíticos (os portugueses estão entre os países europeus que mais consomem antidepressivos e o consumo aumenta ano após ano) e por isso, mais comumente vão ao psiquiatra ou buscam apoio no médico de família por estes poderem passar receitas médicas, uma vez que os psicólogos não o podem fazer.

6. Os portugueses são grandes consumidores de café espresso e sabem muito bem apreciar a bebida. No meio da manhã ou da tarde, após as refeições ou durante uma conversa o cafezinho expresso está sempre à mesa. Eles chegam mesmo a recusar tomar um expresso por não gostar de uma determinada marca e são capazes de andar “às voltas” a procura da marca de café de que gostam.  O café em Portugal é o mais barato da Europa e de excelente qualidade, portanto é possível se darem a este capricho, a que eu também já me rendi.

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7. Boa parte da população gosta de um estilo musical muito animado e com trocadilhos nas letras conhecido como Música Pimba (que significa mais ou menos brega). Nas festas populares, sobretudo nas aldeias e cidades do interior são os cantores Pimbas que comandam a diversão, mas o curioso é que as músicas brasileiras se misturam no meio deste ritmo português.

8. Outra coisa que é muito apreciada do lado lusitano do Atlântico é o cigarro (25% da população fuma). Em todos os bares e restaurantes existem áreas reservadas só para fumantes e ao meio do trabalho, de uma aula ou de um jantar é normal dar-se uma “pausa” para que possam fumar. Ver adolescentes ou professores nas escolas e universidades a fumar é muito comum (aliás, até fumam juntos). Sei que o fumo é um hábito muito comum nos países europeus e até um direito, mas me incomodo bastante, apesar de respeitar.

9. Sobrenomes para lá de curiosos (e alguns até esquisitos!), como: Angústias, Cabaços, Purgatório, Mal lavado, Cabeçudo, Orelhudo, Aliviada, Bagaceira, Campa do Preto, Focinho de Cão, Garanhão, Hospícios, Pedaço Mau, Sítio das Solteiras,  Vacalouras, Rego do Azar,  Punhete, Deixa o Resto, Anais, Cornalheira, entre muuuitos outros servem para nomear lugares e vilas sendo bastante comuns por aqui (eu sei, vão dizer que também é possível fazer uma lista com nomes estranhos de cidades brasileiras!). Fico só a imaginar qual será o adjetivo pátrio de que nasce em Deixa o Resto ou em Punhete, por exemplo.

10. Facilmente se fica a saber que todo português tem algum parente próximo ou distante emigrado no Brasil. Ao perceberem que somos brasileiros, e numa abordagem inicial, vem sempre alguém nos dizer que tem parentes por lá, sobretudo as pessoas mais velhas. É mesmo uma forma muito gentil e simpática de dizerem que gostam do Brasil.

É claro que existem ainda outras tantas dezenas de curiosidades sobre os lusos e algumas das citadas aqui mereciam ser mais aprofundadas pois ajudariam a ilustrar melhor os costumes dos portugueses, mas isto vai ser matéria para outro post.

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Edijane Costa é psicóloga, pedagoga e estudante, vive em Portugal desde 2008. Para saber mais sobre ela clique aqui. 

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