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Como se localizar no exterior ? Dicas práticas.

01/10/2015

bz_colaborador bz_holanda Ana Fonseca – Mundo

Brasileiro é ruim de mapa e bússola. Fato. Só me dei conta disso quando vim morar na Holanda e passava férias com meu marido no Brasil e em outros lugares do mundo. Ele sempre sabia se situar. Isso vale para uma plantação de chá no meio do nada na Malásia, ou em matas no Brasil. Meio com um ar de “Lógico, o norte esta ali atrás, de onde a gente veio”. Ou: “Temos que seguir em direção leste pra sair dessa mata e voltar para a pousada”. E eu com meus botões pensava: “Como assim sabichão? O que o norte tem a ver com isso ?” Parecia que o cabra farejava o caminho. Sempre que chegava a um lugar (ponto turístico, hotel ou pousada) ele olhava ao redor e se situava. Achei (e acho) muito peculiar isso.

Povos de áreas urbanas nos trópicos não ligam muito para localizar os pontos cardeais. Já fora dos trópicos, isso pode ser de importância fundamental.

Na Europa, o pessoal aprende a se localizar  no mundo já muito cedo na escola. Aqui um site sobre províncias da Holanda: http://www.topografie-nederland.nl/ O site foi desenvolvido para crianças de 8 a 9 anos de idade, e nele você aprende a nomear os mares interiores, os parques nacionais, os pôlderes, e a cidade principal de cada região… Há muitos outros sites mais complexos para serem utilizados por crianças, esse e apenas o inicial.  A minha filha tem atualmente 9 anos de idade e vai estudar durante um ano topografia, leitura de mapas, etc.. Ela vai também aprender legendas e símbolos (rios, fronteiras,  etc.) internacionais, como buscar caminhos alternativos, etc..

Teenager hidden by city map

É de muito importância saber se localizar. Muitas cidades no Brasil, assim como nos EUA, são do tipo “tabuleiro de xadrez”, com ruas mais ou menos do mesmo tamanho e paralelas, sendo cruzadas por algumas avenidas principais.  Isso é tipico da geografia urbana do Novo Mundo. Ótimo. Mas na Ásia, Europa e muitas outras partes do mundo, as principais cidades existem desde tempo imemoriais. Muitas são baseadas numa rede de ruas medievais, concêntricas, ou sem saída. Veja que a cidade de Paris tem a forma de um escargot. E Amsterdam uma teia de aranha, com círculos concêntricos que se espalham a partir da Estação Central. Partes de muitas cidade antigas foram pensadas para o tráfego de cavalos,  carroças, e bondes, e não para carros.  Por isso ha várias “fatias de torta”, ou seja: você vai por uma rua até que ela termina com três opções para você continuar seu caminho. Que fazer ?

Para quem quer viajar para fora do país é fundamental começar a ter intimidade com a leitura precisa e rápida de mapas. Pode fazer seu dever em casa mesmo, no Brasil, antes de partir.  Na Holanda há sites de empresas de ônibus e o minuto exato em que passam em cada ponto, e o que percorrem.  Também na Holanda, como o solo é muito fino, estão sempre renovando asfalto e bloqueando passagens inteiras aos carros. Dá uma angústia fenomenal você estar dirigindo por um caminho conhecido numa grande cidade e de repente… Tem uma placa na sua frente indicando caminho bloqueado, devido a trabalhos na pista. Eu já traumatizei com isso devido a experiencias mal sucedidas, portanto se tenho que ir a algum lugar desconhecido eu sempre verifico um dia antes se o caminho principal esta totalmente aberto ao tráfego de carros. Eu também tenho um livro de mapa com as estradas da Holanda no carro.

BLOG Curvy map

Psicólogos concluíram que mapas “curvos” são 30% mais eficientes para as mulheres se localizarem. Acima o mapa do metrô de Londres, desenvolvido para um público feminino ou para pessoas com dificuldades em interpretar mapas. A ausência de geometria precisa do mapa acima ofende alguns puristas, mas é bastante eficiente. Via: http://www.eyemagazine.com/blog/post/knots-and-geography

Algumas dicas práticas: 

  • No seu  novo endereço residencial no exterior saiba desde antes de se mudar se você estará morando na parte norte, sul, leste ou oeste da cidade. Tem um rio importante ? Ele faz ziguezague ? Ou corta a cidade em duas metades exatas ? Como você mora em relação ao rio? E em relação a outros marcos/referencias ? Saberia descrever como “Moro a 500m, noroeste da atração  turística tal e tal / escola / igreja”?
  • Tenha sempre em casa um mapa impresso da sua cidade em lugar acessível em casa e familiariza-se com ele (as direções das ruas, as ruas sem saída, onde ficam as principais garagens de estacionamentos, etc.).
  • Ha vários tipos de mapas: mapas para turistas (são os distribuídos em hotéis e pontos turísticos, onde as principais atrações são destacadas em 3D com desenho), mapas de estradas/auto-estradas, mapas de topografia (com o relevo, ciclovias, lagos, campings, curvas indicando elevação do solo, etc.)… Escolha o mapa mais adequado para cada situação sua.
  • Geralmente os mapas são feitos com o norte estando no topo. Se não houver o desenho de uma bússola no mapa, assuma que o norte está na parte superior. E não fique torcendo ou girando o mapa entre suas mãos para localizar um percurso (mulher faz muito isso). 😛
  • Aprenda a interpretar os mapas, sabendo em que escala estão. As vezes o que parece muito pequeno no mapa na verdade representa uma imensa distancia para quem precisa fazer o percurso a pé. Verifique se o mapa tem uma legenda e estude-a.
  • Se você vai para uma cidade que conta com uma rede de metrô, familiarize-se com antecedência com as linhas, nomes, cores e conexões.
  • Na Holanda ha muitos caminhos que são exclusivos para os ônibus. Eu ia todo dia durante meses para um trabalho em Amsterdam Sloterdijk (uma área de escritórios e negócios) usando ônibus. Confortável, rápido, sem engarrafamento. Ele utilizava caminhos alternativos (“bus line” pintado no asfalto) por onde carros não tinham acesso, uma beleza. Mas isso me alienou muito sobre a geografia da minha casa até o trabalho, quando precisei eventualmente usar meu carro para emergências e ir ao trabalho sozinha num sábado, por exemplo.

Desde que meus filhos nasceram e aprenderam a dizer o nome próprio, do pai e da mãe, ensinamos a eles a aprender onde moram.  Anos depois, aprenderam pouco a pouco como nossa village está situada na Holanda e perto de que grande cidade (Repetiam sempre a frase: “Fica ao norte de Amsterdam”). A nossa village fica também perto de outras duas cidades de médio porte (cortadas por um rio importante) e uma área vasta de recreação. Eles sempre desde muito pequenos aprenderam a fazer uma relação da casa com esses lugares, utilizando os pontos cardeais.  Quando meu filho completou 12 anos e teve que ir de bicicleta para uma escola de ensino médio em Zaandam, treinei o caminho de bicicleta várias vezes com ele, mesmo debaixo de muita chuva.  Fiz também ida e volta um par de vezes um percurso 5min. mais rápido, porém  muito isolado. Não dei mole pra ele indo de carro. Mostrei para ele num Google map o caminho que tínhamos feito. E quando o caminho um dia estava bloqueado por obras no asfalto, ele soube ir “cheirando” totalmente sozinho um segundo caminho alternativo para a escola – que fica a uns 9,5km noroeste da nossa casa. 😉

Pessoal, vamos nos localizar !

________

Ana Fonseca mora desde 1999 na Holanda. Para ver fotos dela e dos demais autores do BZ siga nosso perfil no Instagram: http://www.instagram.com/blogbrasilcomz Para notícias internacionais sigam-nos no Facebook

7 Comentários leave one →
  1. 01/10/2015 17:00

    Muito interessante seu texto, Ana! Você tem toda razão, raramente usamos os pontos cardeais como referencial por puro desconhecimento. Vivo passando apuros e vergonha por não conseguir me localizar… Ótimas dicas e reflexão!

    • 01/10/2015 18:41

      Grata pelo seu comentário Sheila. Na Holanda e super importante saber se a casa que você quer comprar tem um quintal ensolarado na parte da tarde. Por isso você deve saber se o quintal esta idealmente na posição oeste ou sul antes mesmo de visitar a casa que vc pensa em comprar. Meu marido prefere “quintal dando para o sul”. Caso contrario você fica no frio e sombra durante a parte da tarde. Triste no verão ! Essas casas com quintal ensolarado são ate mais caras! No Brasil isso não tem a menor importância. Ha muitas situações fora dos trópicos que influem em muitas decisões praticas das pessoas. Tais como: escolher que tipo de paisagismo nas cidades, que tipo de plantas para o interior das casas (a posição do sol vai mudando ao longo das estacoes em países temperados), pátios para escolas (de preferencia os arquitetos deveriam planejar pátios escolares para o sudoeste, como os quintais residenciais), etc.. Quando você vai percebendo isso, se torna mais critico e vê que a maioria das construções não estão ali daquele “jeito” por acaso. Ter um pai engenheiro civil acho que também me ajudou um pouquinho ! 😉

  2. André Fernandes permalink
    02/10/2015 2:43

    Este post me lembrou de checar se os habitantes locais usam formas específicas para se localizar e quais. Me lembrou também de um ponto que a Arlete mencionou sobre suíços se localizarem tomando por referência montanhas pelo nome, pontos cardeais e distância.

    • 02/10/2015 6:10

      Olha Andre, tem muito piloto de aviãozinho teco-teco pela Asia e Africa que se direciona olhando e reconhecendo os cumes das montanhas. Na Holanda muita gente se direciona pelos rios, caminhos d’água (sou ruim nisso) e numa cidadezinha sempre olhando para cima procurando as agulhas (torres) das igrejas. Mesmo num mundo com GPS e satélites e’ sempre bom a gente internalizar no coração e mente os pontos cardeais.

  3. 02/10/2015 3:06

    Ola, Ana!!!Adorei o texto!!Exatamente como acontecia no Japao! E, as criancas tambem estudam a fundo topografia e outros detalhes do bairro e da cidade onde moram. Coisas que eu, pelo menos, nunca estudei no Brasil! Em relacao as casas e apartamentos para alugar, no Japao eles sempre levavam em conta a direcao da casa em relacao ao sol.E, no inverno, realmente fazia toda a diferenca!!!
    Um abraco!!!!

    • 02/10/2015 6:15

      Bom, no Rio a gente sabe perfeitamente as ‘areas (zona norte, sul, centro, oeste, etc.). Os tuneis, a costa e as montanhas servem de referencia também. Uma cidade cheia de pontos de referencia e “boa iluminação”, por sinal. Agora, em lugares planinhos, poucos pontos de referencia e com chuva, fog, etc. as pessoas sentem uma necessidade maior de “batalhar para enxergar o caminho”.

      • 02/10/2015 8:08

        Eh verdade. No Rio e na India, geralmente eu nao me perco. Ja no Japao….abafa o caso! Beijos!

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