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Japão: A Chegada

12/11/2015

japão W. Anderson – Japão

Quando chegamos ao Japão, já sabíamos para que cidade iríamos morar e com o que trabalhar. Isso havia sido acertado ainda no Brasil, por intermédio da agência que intermediou com a empreiteira a nossa vinda. No Brasil, muita coisa foi dita para nós, como por exemplo, que provavelmente no dia que chegasse, era “quase” certo de ficar em um apartamento de trânsito até que fosse alocado um apartamento definitivo. Eu e minha esposa, pensamos que esse seria o procedimento normal.

Do desembarque em Nagoya até a cidade de Ogaki, na província de Gifu, com aquele trânsito todo, foi pouco mais de duas horas. Mas que mal seria esse tempo, depois de 34 horas de viagem? Nenhum! Normalmente esse percurso, de trem, pouco mais de uma hora, considerando que o aeroporto de Nagoya não fica verdadeiramente em Nagoya, como a em São Paulo, difere por exemplo. De Ogaki até o centro de Nagoya, 35 minutos de trem local.

Prefeitura de Ogaki-shi (Província de Gifu-ken)

Prefeitura de Ogaki-shi (Província de Gifu-ken)

Ao chegar no apartamento em Ogaki, minha esposa se assustou. De fora, a impressão que se tinha, era um amontoado de contêineres em bloco de 4 em baixo e outros 4 em cima, com uma escada de ferro montada para acesso. Era algo ruim de se ver mesmo. Dentro, era a impressão daquele container revestido com um armário improvisado num canto, um lavabo com banho e mini ofuro e uma mini pia. Na entrada, uma pia de inox pequena e baixa, com um fogão de duas bocas.

Conj. residencial em Akasaka-cho, bairro de Ogaki-shi, onde moramos. (by Google Maps). Cada porta, um apto, sem divisórias internas.

Conj. residencial em Akasaka-cho, bairro de Ogaki-shi, onde moramos. (by Google Maps). Cada porta, um apto, sem divisórias internas.

Chegamos poucos dias antes do feriado de Golden Week. Por essa razão, os primeiros dias foram para os trâmites de documentação, registro na prefeitura, exame médico e a entrevista (por forma) para iniciar o trabalho logo após o feriado.

No escritório da empreiteira, depois desses trâmites, pediram nossos passaportes para cópia. Quando estavam para nos levar de volta ao “container“, questionei sobre o passaporte e me informaram que ficaria retido, enquanto não quitássemos as passagens. Imediatamente disse que nada disso estava combinado, nem conversado no Brasil e nem relacionado no contrato. Falei que caso não nos devolvessem imediatamente, eu iria a polícia, a imigração e ao Consulado (como se soubesse o que estava falando e onde era cada local desses!). Minha esposa que quase não reclama (“pouco”), já dizia que aquilo daria ‘merda’ e que talvez financiar as passagens pensando na garantia do emprego, não teria sido boa ideia. Por fim, a empreiteira desistiu de reter nossos passaportes e tudo ficou certo.

Antes que tivéssemos completado um mês de nossa chegada, uma oportunidade de alugar um apartamento sem fiador, sem caução ou luvas e com a opção de comprar os primeiros móveis por preço bem acessível (além de “fiado”), se tornava realidade e dávamos adeus ao contêiner.

Ogaki é uma cidade muito boa de viver. Praticamente plana, clima muito agradável, o que (acredito) facilitou em muito a adaptação ao Japão. Moramos em Ogaki por 14 meses e depois, mudamos para os Alpes de Nagano-ken, onde minha cunhada morava, ficando mais perto de grande parte dos familiares, até a crise de 2008, quando mudamos para Tóquio.

Estação Ogaki

Estação Ogaki-shi

Loja de Produtos Brasileiros Takara (não existe mais), Churrasco, Taiko (tambores), desfile de danças típicas

Loja de Produtos Brasileiros Takara (não existe mais), Churrasco, Taiko (tambores),Ogaki Matsuri (Festival de Ogaki com desfile de danças típicas). Todas as fotos (animadas) desse post: Centro Cultural de Ogaki (Ogaki Bunka Center)

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W. Anderson é engenheiro elétrico e mora com a família há 11 anos no Japão. Para saber mais sobre ele clique aqui

Vejam fotos dele e de outros autores no perfil do BZ no Instagram. E sigam nossa página no Facebook acessando aqui.

11 Comentários leave one →
  1. Paul permalink
    12/11/2015 16:46

    Quite a scary beginning. I’m glad it tuned out alright.

  2. 12/11/2015 17:34

    Muito interessante a história dos passaportes. Na época que eu vim, lembro-me de terem retido os passaportes de toda a minha família (Pai, Madastra e Meu), citando o mesmo que dito neste blog. Na época meu pai não reclamou e deixou assim, sendo que eu, novo e sem experiência, nem sequer achei estranho, deixando quieto esse assunto. Passado-se anos e hoje, trabalhando como consultor, intérprete e tradutor, conheço mais as leis e sei que é proibído ficar com passaportes das pessoas como citado no caso do W. Anderson. Por isso, iniciativas como a do W. Anderson são importantes, pois além de nos fazerem lembrar dessas situações, pode ajudar um recém-chegado a lutar pelos seus direitos.

  3. Karina Konig Oliveira permalink
    13/11/2015 11:36

    Sinto muito orgulho de ver meu primo dando esse seu relato de vida, de coragem, quando tenho certeza que poucos dão apoio nesse momento de decisão importante, mas o importante é a lição de coragem (em defender o seu decumento) e perseverança. Valeu.

    • 13/11/2015 11:51

      Devemos defender tudo aquilo está em desacordo com o que foi tratado, em desacordo com a lei e acima de tudo, defender os menos favorecidos.
      Muito obrigado.

  4. 16/11/2015 13:04

    Ola!! Gostei muito do post e me deu ate saudades do tempo que morei no Japao!!Trabalhei na prefeitura de Nagahama e depois fui transferida para o kenchou, o governo da provincia de Shiga. Porem, fui muitas vezes a Gifu, apesar de eu nao ter boas recordacoes, pois por duas vezes fui impedida de entrar em um restaurante la, por ser estrangeira e, uma amiga descendente de japoneses, foi autorizada a entrar. A situacao foi bem desagradavel. Mas, fora isso, eu levo boas recordacoes do Japao!! Um abraco e sucesso!

    • 16/11/2015 16:17

      Realmente acredito que foi muito desagradável. Uma situação parecida aconteceu comigo na Carolina do Sul, mas era porque meu amigo era negro e lá eles são muito racistas.
      Em que ano foi isso? Tive alguns primos que moraram em Nagahama até 2009. De qualquer forma, eu também sentirei muitas saudades quando chegar a hora de partir.
      Muito obrigado por ler meu artigo.

      • 16/11/2015 17:23

        Obrigada pela resposta, Anderson!! Serio que voce tinha uns primos que moraram em Nagahama? Eu fiquei em Nagahama de 2007 a 2009. Depois disso, fui para Aichi-ken, de 2009-2013. Mundinho pequeno!! Um abraco!

      • 17/11/2015 9:47

        Sim, esses primos, uma família voltou ao Brasil e outros, mudaram para Aichi. Apenas dois estão em Shiga, próximo à Omihachiman.
        Realmente o mundo é meu pequeno, apesar do tamanho.
        Daria um bom artigo para publicar, somente pelas tantas coincidências ou situações que vivenciei.

      • 18/11/2015 3:12

        Sim…ja estou ansiosa pelos seus proximos textos!

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