bz_india André Fernandes – Índia

Soube pela internet do primeiro comercial lésbico na Índia, veiculado pela Ogilvy & Mather Bangalore para uma loja de modas on-line . Um comercial com 2 personagens num estilo descolado, com a mensagem de quebrar preconceitos expressa no slogan “Bold is beautiful” (O ousado é bonito). Na Índia? Pois é, eu nem esperava por essa e, de fato, me chamou muito a atenção de tão conservador que é o país.

Já não lembro nem de ter visto muitas cenas de beijo nos filmes de Bollywood e nos meus 2 primeiros meses tive alguns choques por beijar uma mulher em público, brasileiro levando consigo o conceito de ficar… Falar de sexo, então, fora de questão! Causa tanto constrangimento quanto falar de castas.

Se havia gays entre todos que conheci na Índia, até hoje não percebi e não é necessário dizer por que eles não assumem publicamente. A sociedade indiana é muito mais fechada com respeito a homossexualismo que a brasileira, assim como em relacionamentos, sexo e gênero.

Contudo, o que chama a atenção de muitos viajantes na Índia é fato de ver travestis – hijiras – sobretudo nas grandes cidades como Delhi, pedindo dinheiro nas ruas ou nos trens durante as paradas no meio do caminho, pelo menos o que eu vi.

Hijras na Índia

Hijiras na Índia. Foto de Tom Pietrasik, publicada no theguardian.com

Ao pesquisar, pude ver os hijiras formam a classe dos eunucos, comum em sociedades antigas na Ásia e Oriente Médio. Por que motivo estes homens eram castrados? Ainda é meio um mistério e não sei responder precisamente, há homens que eram castrados para servirem a sacerdotisas, ou porque nasciam com deformações nos órgãos genitais. Se você, leitor, tiver respostas, fique à vontade para comentar.

Há lendas associando eunucos com divindade, algum poder especial e até se veem hijiras sendo reverenciadas, algo que eu não sei explicar. O que achei estranho foi não ver a mesma hostilidade que sofreriam no Brasil, por exemplo. Ainda mais que indianos, em se tratando de sexo e gênero, são 8 ou 80: se não é homem, se não é mulher, só pode ser eunuco. Assim eles pensam.

Porém, tais possibilidades de reverência não significam que não existe preconceito. Pelo contrário, eles vivem bem à margem da sociedade, tanto que são normalmente vistos mendigando nas grandes cidades ou nas estações de trens.  E foi só em 2014 que os hijiras foram reconhecidos como “3º gênero” pela Suprema Corte indiana, o que significa a possibilidade de cotas para este segmento em empregos públicos e em universidades, por exemplo. Se a lei vai ser cumprida, aí já é outra história, só o tempo vai dizer.

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*André Fernandes, nascido em Santa Catarina para ser um nômade pelo mundo. Voltou ao Brasil e já está pensando nas próximas aventuras! Saiba mais sobre ele clicando aqui. Siga a nossa página no Facebook para notícias atuais sobre viver no exterior clicando aqui