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A homossexualidade na Índia

16/11/2015

bz_india André Fernandes – Índia

Soube pela internet do primeiro comercial lésbico na Índia, veiculado pela Ogilvy & Mather Bangalore para uma loja de modas on-line . Um comercial com 2 personagens num estilo descolado, com a mensagem de quebrar preconceitos expressa no slogan “Bold is beautiful” (O ousado é bonito). Na Índia? Pois é, eu nem esperava por essa e, de fato, me chamou muito a atenção de tão conservador que é o país.

Já não lembro nem de ter visto muitas cenas de beijo nos filmes de Bollywood e nos meus 2 primeiros meses tive alguns choques por beijar uma mulher em público, brasileiro levando consigo o conceito de ficar… Falar de sexo, então, fora de questão! Causa tanto constrangimento quanto falar de castas.

Se havia gays entre todos que conheci na Índia, até hoje não percebi e não é necessário dizer por que eles não assumem publicamente. A sociedade indiana é muito mais fechada com respeito a homossexualismo que a brasileira, assim como em relacionamentos, sexo e gênero.

Contudo, o que chama a atenção de muitos viajantes na Índia é fato de ver travestis – hijiras – sobretudo nas grandes cidades como Delhi, pedindo dinheiro nas ruas ou nos trens durante as paradas no meio do caminho, pelo menos o que eu vi.

Hijras na Índia

Hijiras na Índia. Foto de Tom Pietrasik, publicada no theguardian.com

Ao pesquisar, pude ver os hijiras formam a classe dos eunucos, comum em sociedades antigas na Ásia e Oriente Médio. Por que motivo estes homens eram castrados? Ainda é meio um mistério e não sei responder precisamente, há homens que eram castrados para servirem a sacerdotisas, ou porque nasciam com deformações nos órgãos genitais. Se você, leitor, tiver respostas, fique à vontade para comentar.

Há lendas associando eunucos com divindade, algum poder especial e até se veem hijiras sendo reverenciadas, algo que eu não sei explicar. O que achei estranho foi não ver a mesma hostilidade que sofreriam no Brasil, por exemplo. Ainda mais que indianos, em se tratando de sexo e gênero, são 8 ou 80: se não é homem, se não é mulher, só pode ser eunuco. Assim eles pensam.

Porém, tais possibilidades de reverência não significam que não existe preconceito. Pelo contrário, eles vivem bem à margem da sociedade, tanto que são normalmente vistos mendigando nas grandes cidades ou nas estações de trens.  E foi só em 2014 que os hijiras foram reconhecidos como “3º gênero” pela Suprema Corte indiana, o que significa a possibilidade de cotas para este segmento em empregos públicos e em universidades, por exemplo. Se a lei vai ser cumprida, aí já é outra história, só o tempo vai dizer.

__________

*André Fernandes, nascido em Santa Catarina para ser um nômade pelo mundo. Voltou ao Brasil e já está pensando nas próximas aventuras! Saiba mais sobre ele clicando aqui. Siga a nossa página no Facebook para notícias atuais sobre viver no exterior clicando aqui

7 Comentários leave one →
  1. 16/11/2015 9:05

    Oi, Andre!!!Realmente este assunto eh delicado e, aqui na India, nao poderia ser diferente. Sim, as hijras sao um misterio mesmo, mas segundo a tradicao daqui, dizem que elas tem poderes de amaldicoar ou abencoar pessoas e, por isso, elas ganham muito mais dinheiro nos trens e sinais do que criancas pedintes ou mendigos aleijados. Escrevi sobre elas ha um tempo e vou deixar o link aqui caso interesse:
    http://tabibitosoul.com/2013/07/14/hijras-quem-sao-elas/
    http://tabibitosoul.com/2013/07/15/hijras-quem-sao-elas-parte-2/
    Alias, ainda sobre o assunto homossexualismo, estou escrevendo um artigo sobr os filmes banidos na India por causa do conteudo homossexual ou explicito demais. Um deles, Fire, foi altamente aclamado no exterior, mas banido aqui, porque tratava da relacao homossexual entre duas cunhadas. Ja o mais recente, o Unfreedom, tambem trata do homossexualismo e tem recebido otimas criticas internacionais. Mas aqui, nao passou pela censura e nao chegara as telonas, infelizmente.
    Um abraco!!!!

  2. 16/11/2015 13:01

    Boa escolha de video André, muito significativo ! Já está com 2.366.966 visualizações no Youtube. Eu achei o video muito light para um comercial de roupas (parece mais cena de novelinha das 18h na minha perspectiva) mas para a cultura indiana deve ser ousadíssimo e estar ajudando a quebrar tabús. Infelizmente só conheço a cultura indiana muito superficialmente, de blogs e via internet. Gostaria de saber a opinião de blogueiros que vivam na Índia a repeito desses tabús de sexualidade. Estaria a cultura indiana se abrindo para tolerar a comunidade LGBT ? A Juliana no comentário dela falou em censura a filmes. Mas em livros, anuncios, trabalho, no seio das famílias… como deve ser ?

  3. 19/11/2015 22:30

    Olá, André. Td bem? Acompanho sempre os seus textos aqui no blog e gosto muitos das suas publicações. Sou jornalista, residente em Moscou há seis anos e também um viajante mundano, perdido por este planeta. 🙂

    Gostaria de fazer duas correções nesta postagem:
    1) homossexualISMO: o sufixo “ismo” era usado para se referir a pessoas com a sexualidade diferente da heterossexualidade, já que a prática homossexual era considerada uma doença e a palavra tinha conotações patológicas. Em 1990, a Organização Mundial de Saúde excluiu a orientação homossexual de sua lista de distúrbios mentais e o termo “homossexualidade” passou a ser preferido;

    2) hijras NÃO são, necessariamente, homossexuais. Hijras são transexuais ou transgêneros e isso tem a ver com identidade de gênero (não com orientação sexual). Uma hijra pode ser homossexual ou heterossexual. Dito isto, seu interessante texto é sobre transexualidade – não sobre homossexualismo (sic).

    Parabéns por trazer à tona um tema tão interessante. Estive na Índia há uns anos e acho que um dia eu volto ao país – mas para morar. 🙂

    Um abraço a boas viagens!

    Sandro

  4. O Mundano permalink
    19/11/2015 22:31

    Olá, André. Td bem? Acompanho sempre os seus textos aqui no blog e gosto muitos das suas publicações. Sou jornalista, residente em Moscou há seis anos e também um viajante mundano, perdido por este planeta. 🙂

    Gostaria de fazer duas correções nesta postagem:
    1) homossexualISMO: o sufixo “ismo” era usado para se referir a pessoas com a sexualidade diferente da heterossexualidade, já que a prática homossexual era considerada uma doença e a palavra tinha conotações patológicas. Em 1990, a Organização Mundial de Saúde excluiu a orientação homossexual de sua lista de distúrbios mentais e o termo “homossexualidade” passou a ser preferido;

    2) hijras NÃO são, necessariamente, homossexuais. Hijras são transexuais ou transgêneros e isso tem a ver com identidade de gênero (não com orientação sexual). Uma hijra pode ser homossexual ou heterossexual. Dito isto, seu interessante texto é sobre transexualidade – não sobre homossexualismo (sic).

    Parabéns por trazer à tona um tema tão interessante. Estive na Índia há uns anos e acho que um dia eu volto ao país – mas para morar. 🙂

    Um abraço a boas viagens!

    Sandro

    • André Fernandes permalink
      20/11/2015 13:34

      Oi Sandro, obrigado pelos feedbacks! Recebi outros feedbacks sobre “homossexualidade e homossexualismo”, não fazia a mínima ideia da diferença de ambos os termos. Assim que tiver tempo, vou revisar o post para tornar mais claro sobre ambos os termos e sobre os hjiras. É um tema um tanto controverso, não muito falado.
      Abraços,
      André

      • 06/12/2015 21:49

        Obrigado pela atenção, André. E uma vez mais: parabéns.

      • O Mundano permalink
        06/12/2015 21:50

        Obrigado pela resposta e, mais uma vez, parabéns pelos posts. Abs.

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