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Ijime – Japão, o país do bullying (parte 1)

24/11/2015

japão W. Anderson – Japão

IJIME (leia-se i-di-me), é a palavra japonesa para bullying. Quero abordar em alguns posts esse problema que ainda persiste dentro da sociedade japonesa e, nos dias de hoje já vem dando sinais de diminuição.

No vídeo acima, uma ilustração de que o bullying é algo horrível de presenciar, de sofrer, mas que muitos insistem praticar. Então, a reação de alguém pode surpreender a todos nós. Este vídeo vitalizou-se nas últimas semanas na internet.

O filho de uma pessoa muito conhecida minha, passou por algo cômico numa tentativa de bullying. Ele estava no último ano shogakko (o equivalente ao primário), numa escola japonesa. Filho de pai com dupla cidadania (brasileira/japonesa) e mãe também (canadense/alemã), ele foi criado aprendendo 5 idiomas simultaneamente (português, inglês, francês, alemão e claro, japonês). Com 7 anos, já sabia ler e escrever em todos eles.

Um garoto, japonês, sabendo que a mãe dele é estrangeira, ele possui cidadania brasileira, canadense, alemã e japonesa, puxou ele pelo braço ainda dentro da sala de aula e gritou “estrangeiro burro”. O garoto então respondeu, eu sou japonês também, mas o burro aqui é você, pois só sabe falar “nihongo”. Eu sei falar, ler e escrever em 5 idiomas. Virou as costas e saiu para o intervalo. Naquele mesmo dia a noite, o celular do pai dele tocou. Era da escola, o diretor, chamando o pai para uma reunião no final da tarde, no dia seguinte.

A prática de bullying é algo pregando na cultura japonesa (by leanarda.deviantart.com)

A prática de bullying é algo pregnado na cultura japonesa (by leanarda.deviantart.com)

O absurdo então, começaria naquela reunião. O diretor estava com uma outra pessoa (depois soube tratar-se do pai do aluno que iniciou o bullying), pediu para que se sentasse, e explicou a razão da reunião. Explicou que o garoto foi agressivo com o coleguinha japonês, por essa razão, foi chamado para se “desculpar” com o pai do agressor. Ao retrucar o diretor, o pai perguntou se realmente o filho do outro havia iniciado o bullying e teve resposta positiva. Então alegou que não iria pedir desculpas, pois na verdade, ele e o filho também são japoneses, mesmo que ambos não tivessem nascido no Japão, mas de acordo com a Lei, são japonesa iguais aos demais, com a diferença de possuírem também uma outra cidadania. Além do mais, o pai justificou que o filho dele jamais poderia ser chamado de burro, pois as notas, todas eram acima de 9.0, além da habilidade de dominar outros idiomas. Coisas que o agressor, não possuía.

O bullying afasta crianças da freqüência escolar, atinge a todos, sem distinção de nacionalidade (by japaoemfoco.com)

O bullying afasta crianças da freqüência escolar no Japão, atinge a todos, sem distinção de nacionalidade (by japaoemfoco.com)

Antes de receber a tréplica, sacou o gravador e avisou que toda conversa foi gravada, com a admissão da agressão pelo outro garoto, desta forma, se o bullying voltasse a ocorrer, iria processar o pai, a escola e o professor, que foram omissos e tentaram, de forma indireta, fazer bullying também com ele.

O bullying atinge meninos e meninas, muitas vezes com agressões físicas - (by - )

O bullying atinge meninos e meninas, muitas vezes com agressões físicas – (by -japanizmo.wordpress.com)

Virou-se a saiu, despedindo-se ao modo nipônico.

A escola dias mais tarde, manifestou suas desculpas ao pai e filho, durante a reunião de pais e alunos.

É claro, esse foi um caso de revés, muito difícil de acontecer, pois a natureza é que casos de bullying não sejam tornados públicos, pois denigrem a  imagem da escola. Uma escola com má fama, prejudica o acesso dos alunos às melhores universidades, pois aqui, a reputação é levado em conta.

________________

W. Anderson é engenheiro elétrico e mora com a família há 11 anos no Japão. Para saber mais sobre ele clique aqui

Vejam fotos dele e de outros autores no perfil do BZ no Instagram. E sigam nossa página no Facebook acessando aqui.

13 Comentários leave one →
  1. 24/11/2015 8:58

    O bullying é sempre nojento e perturbador. Na Holanda claro que existe também. Se chama ” pesting”. E’ esclarecido e combatido nacionalmente nas escolas. Mas no trabalho é que o bicho pega, porque acontece de modo sutil e as vezes vem dos próprios chefes (ou é tolerado por eles quando veem que acontece). O melhor mesmo é cortar no inicio, se possível. Se não for possível dar uma voadora no traste que faz o bullying, o melhor é arrumar outro emprego rápido.

  2. 24/11/2015 9:15

    Oi, Anderson!! Otimo tema!!Parabens!!Como te disse, eu trabalhei muitos anos nas escolas japonesas e vi muuuito “ijime” acontecendo. Professores maltratando e humilhando os alunos, alunos humilhando uns aos outros e, alunos humilhando e maltratando professores. Uma das professoras que conheci, foi trancada em uma sala por um grupo de alunos e obrigada a comer giz. Depois disso, ela foi parar, claro, em uma clinica psiquiatrica e quando comecei a trabalhar naquela escola, ela tinha acabado de voltar a ativa. Era evidente o trauma ainda bem presente na forma dela se comportar, falar ou ate mesmo…andar! Conheci tambem muitos estrangeiros que foram vitimas de bullying por parte dos professores japoneses e que estavam sob tratamento, alguns deles, com serissimas sequelas psicologicas. No caso que acompanhei mais de perto, o aluno ja tinha tentado suicidio diversas vezes e os pais ja nao sabiam mais o que fazer. Muito triste…

  3. 24/11/2015 10:06

    E’ uma coisa disseminada no mundo inteiro. Em algumas regiões corre mais solta do que em outras. O pior de tudo, a gota d’ ‘água, é quando quem pode colocar um ponto final na situação se omite (ou da’ a entender que o que sofreu o bullying é paranoico). Estou falando de diretores de escola, gerentes de RH, gerentes de departamento, etc..

    http://www.brasilpost.com.br/2015/11/23/racismo-escola_n_8628114.html?ncid=fcbklnkbrhpmg00000004

    • 24/11/2015 16:21

      Cabe aos educadores dos tempos atuais, admitir para si mesmos, os limites do que é uma mera brincadeira de criança e o que é bullying. Neste caso, o diretor endossou a omissão do professor ao questionar se era uma brincadeira. Deveria ter dado o exemplo e punir a todos, alunos e professor.

  4. Paul permalink
    24/11/2015 13:36

    Great text. A serious problem in all cultures.

  5. 25/11/2015 8:33

    O bullying é noticiado todo dia, a prática é comum mesmo entre desconhecidos.
    http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/apos-caso-de-racismo-milhares-fazem-boicote-a-bar-no-rio

  6. edvanfleury permalink
    25/11/2015 16:28

    Eu gosto é assim quando a pessoa samba na cara da sociedade. Eu também sou bem assim. Acho que o lado brasileiro dele falou mais alto. Quando sai a parte 2? Amei o texto.

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