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Perrengues, eles podem até ser psicológicos

01/12/2015

bz_colaborador André Fernandes – Mundo

Quem nunca passou um perrengue vivendo fora do Brasil? Seja em países mais desenvolvidos ou menos desenvolvidos, os perrengues fazem parte da vida de qualquer imigrante ou intercambista. São aqueles imprevistos e pragas que nos deixam com caras de poucos amigos, que parecem engraçados olhando para trás e lembrando as estórias. Podem ser por motivos materiais, financeiros, culturais e psicológicos.

Resumo de um perrengue: chorar e sentir raiva feito criança. Foto de disneybabble.uol.com.br

Resumo de um perrengue: chorar e sentir raiva feito criança. Foto de disneybabble.uol.com.br

Perrengues psicológicos? Como é que é? Aquelas diferenças de percepção que costumam deixar estrangeiros em situação de estresse e impaciência, vamos assim dizer. O que é normal para locais num determinado país pode ser a coisa mais desconfortável para quem não está familiarizado com tal diferença. Pode ser, por exemplo, uma dinâmica de tempo mais lenta, a péssima qualidade dos serviços locais… Temos que aceitar estas diferenças e a verdade é que nem todos vão se adaptar, sejamos francos!

Outro ponto a prestar atenção é com os custos e os padrões de vida no país de destino. Em países como Noruega e Suécia, o pessoal está acostumado a padrões muito altos e custos caros. Já em países como Índia e Paquistão, os padrões são mais baixos e a infraestrutura deixa a desejar. O que é bom para um sueco habituado a excelentes serviços públicos? O que é bom para um indiano acostumado com cortes diários de energia? Vamos refletir! Abaixo, seguem os itens que tenho visto como principais causadores de perrengues.

Padrões materiais

Antes de uma mudança para outro país ou até mesmo de uma simples viagem, não podemos ir com expectativas irrealistas. Não aconselho ninguém ir países como Índia esperando por padrões escandinavos. Mesmo morando numa boa área em cidades como Jaipur, Mumbai ou Delhi, você pode lidar com problemas como falta de água e cortes de energia. No meu caso em Jaipur, por exemplo,  costumava manter 2 garrafas de 2l de água debaixo da cama para, quando faltasse água, eu ter como tomar um banho. Banho de garrafa literalmente! Não se trata de nenhuma queixa, pois fui esperando até por algo pior que isto!

Dieta

Antes de ir para a Índia, eu jamais pensaria sobre dieta alimentar, sinceramente. Pois é, mudei meus conceitos ao não me adaptar à dieta vegetariana. Acostumado a comer carne com frequência, perdi uns 10 kg durante 1 ano.

Além de se informar sobre dieta e hábitos alimentares, é válido pensar em como manter uma dieta com as comidas locais e verificar se é necessário alguma transição, como de uma dieta não-vegetariana para uma vegetariana.

Visto

Este é um assunto que dá o que falar! Muitas vezes, as informações sobre vistos estão dispersas e não são precisas, além de burocracias que mudam com frequência sem uma clara comunicação. Ou as autoridades de imigração locais podem impor exigências extras (e abusivas, como propinas) que tornam o processo mais longo e confuso.

Informe-se de todos os detalhes sobre o regime de visto do país de destino, contate brasileiros que já estiveram e estão no país, assim como a Embaixada do Brasil no país em questão (é algo que depende do país e do pessoal da embaixada, nem sempre as pessoas são acessíveis). Um pequeno detalhe pode implicar grandes encrencas e até cadeia. Quem já teve problemas com visto, não quer ter de novo!

No meu caso, por exemplo, não tive sucesso em renovar o meu visto indiano por não aceitar levar o processo via propinas. Na Sérvia, 2 amigos meus tiveram encrenca por uma informação que costuma ser omitida (o visto deve ser renovado a cada 90 dias) e por falta de vontade das autoridades locais; eu passaria pela mesma situação se eles não me informassem.

Deixar uma procuração no Brasil

Quando estava na Índia, a procuração fez falta quando tive uns perrengues com o serviço bancário. Deixar uma procuração em nome de alguém no Brasil é algo que facilita se precisar assinar documentos e burocracias, especialmente aos que permanecem fora por um longo período. Fica a dica!

Cartão e dinheiro

É sempre bom ter várias alternativas em mão, como uns 2 cartões extra em caso de emergência e outros meios que sejam convenientes para operações financeiras.

Em países avaliados como em situação de risco ou em crise social/política, as operadoras de cartão podem bloquear o serviço ou detectar uma operação nestes países como suspeita.  Comigo, por exemplo, já aconteceu de o caixa eletrônico engolir o cartão quando fui fazer um saque no Egito. E tive que providenciar um outro cartão. Há países onde caixas eletrônicos não costumam funcionar, outros onde golpes podem ser aplicados; detalhes que também válidos para verificar.

Algum outro perrengue que você passou e acha importante informar?

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André Fernandes, nascido em Santa Catarina para ser um nômade pelo mundo. Iniciou recentemente uma jornada na Suíça para construir a carreira dos sonhos, que vai render muitas viagens e aventuras! Boa-sorte André –  e conte-nos tudo da Suíça enquanto a Arlete Dotta encontra-se de licença maternidade do blog.  Siga o BZ na fanpage clicando aqui e no Instagram clicando aqui. Blog Brasil com Z, um blog de expatriados dos quatro cantos do mundo ! 

3 Comentários leave one →
  1. 01/12/2015 11:51

    O meu perrengue aqui, foi quando fui renovar pela primeira vez minha carteira de motorista.
    Ao fazer o exame de vista, numa forma diferente da habitual e da ocasião que tirei a carta, respondi tudo “certo” inclusive a última linha pequenina. Mas o médico me reprovou. Disse que poderia tentar de novo, mas deveria repetir o exame. Voltei pra fila e escolhi outra cabine, mas lá estava a mesma pessoa. Exame repetido, tudo lido, inclusive a última linha, reprovado mais uma vez.
    Indignado, fui reclamar, pois o médico não dizia a razão de reprovar. Mas não havia jeito. Ninguém sequer aceitou ouvir meus argumentos. Tive de seguir s orientação do médico da polícia e ir ao médico oftalmologista mesmo.
    No médico, ao examinar minha vista, ele constatou que estava perfeita, típico para alguém que tivesse com 16 anos, melhor ainda, uma visão tão boa para alguém que chegava aos 40 anos naquela época. Pedi então um atestado/laudo para levar na polícia e argumentar que não era justo ser reprovado. O médico então, quis entender a razão de pedir aquilo pra ele. Expliquei que fora reprovado duas vezes no exame de visão e estava ali, por recomendação da polícia. O médico então achou estranho e resolveu ligar lá polícia para explicar. Disseram pra ele que não adiantaria atestado ou laudo. Dessa forma, o médico resolveu pedir para a assistente, o gabarito do exame feito pela polícia e repetir comigo.
    O engraçado, foi descobrir que realmente eu respondia errado, pois na figura do exame, era para identificar a referencia cônica da figura e não a referencia da abertura, como se fazia “antigamente” no Brasil.
    Ao voltar na polícia, tive a terrível coincidência de fazer o exame com o mesmo médico que me reprovou nas duas vezes anteriores e, desta vez, responder “certo”. Ao ver minha ficha, ele não entendeu o motivo que me reprovou daquela vez. Eu então, respondi em bom, perfeito e polido japonês, que era melhor ele ir num médico também. Eu ri por dentro, me sentindo vingado!

  2. edvanfleury permalink
    26/01/2016 9:35

    Eu acho que visto e dieta são os que eu mais temo na hora de viajar. Parabéns André, adoro os temas que você aborda.

    • André Fernandes permalink
      26/01/2016 13:49

      Parece simples, mas a mudança de país, os diferentes hábitos alimentares e dietas realmente causam desconforto. Nem imagino como deve ser na China!

      Visto é uma batalha sempre, principalmente a permissão de trabalho e moradia.

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