japão W. Anderson – Japão

É preciso acabarmos com o bullying - (by preventingbullying.promoteprevent.org)

É preciso acabarmos com o bullying – (by preventingbullying.promoteprevent.org)

Eu mesmo, posso dizer que passei pela experiência do bullying por duas ocasiões aqui. A primeira, foi no trabalho, um outro brasileiro, após saber o que eu fazia no Brasil, por intermédio de outra pessoa, começou a querer me agredir verbalmente, gritando para mim, que eu “não sabia japonês tão bem como ele”, que isso deveria ser uma vergonha pra mim e sugerindo que eu voltasse para o Brasil. Ele chegou a cuspir na minha cara para que eu avançasse em briga física com ele. Claro, ignorei e não entrei na onda dele. Comuniquei à chefia e ele foi transferido de seção e depois, demitido. Com a crise de 2008, ele se viu desempregado e foi junto com a família, de volta para o Brasil, com a ajuda do Governo Japonês, que trocava o visto de cada pessoa adulta, por uma indenização de ¥300,000 e de ¥200,000 para cada criança.

A segunda, foi mais fácil de lidar e eu, já sabia me virar bem com o idioma japonês. Eu havia sofrido um acidente de moto em Tóquio, quando voltava para casa. Um motorista de táxi para fugir da faixa de rolamento proibida, antes de passar na frente da polícia, mudou de faixa, fazendo-me desviar para a direita e cair com o pneu da moto na fresta do trilho do bonde, vindo a cair e sofrendo uma lesão na clavícula.

Eu estava indo para a aula de japonês numa manhã, de trem. Com o trem lotado como muitos devem imaginar, eu consegui um lugar perto da porta, em posição bem estratégica, que ao mesmo tempo que eu protegia meu braço, ficava cômodo e fácil sair quando chegasse a hora. Um japonês então, ao entrar no trem, me viu com o braço imobilizado e veio em minha direção, me empurrando. No entanto, eu consegui empurrar ele de volta e revoltado, virou para mim e me chamou de “estrangeiro burro” (uma ofensa muito comum que alguns fazem a estrangeiros por aqui).

Então, em japonês, inglês, francês, português e espanhol, eu perguntei se ele sabia cada um deles. A resposta dele foi positiva apenas para o idioma japonês (claro!), assim, eu disse que o burro era ele, completando com uma gíria de malandro, usado geralmente pela yakuza (máfia), com sentido pejorativo para a pessoa. Ele abaixou a cabeça e quando o trem parou na estação seguinte, ele desembarcou. Um outro japonês que viu, deu risada e chamou ele de idiota (baka).

Assim, como podem perceber, o bullying não acontece apenas entre estudantes. Com adultos também. Homens e mulheres sofrem bullying no ambiente de trabalho e, as vezes, entre pessoas muito próximas. É comum os chamados “salaryman – サラリーマン” japonês cometer suicídio ao final do expediente de trabalho. Por estatística, segunda-feira é o dia com maior índice.

Um japonês que era casado com uma familiar, sofreu bullying no ambiente de trabalho, chegando a receber agressão física. Teve problemas de hemorragia e foi operado em emergência. Ao sair do hospital, recebeu a pressão da empreiteira para não denunciar e pior, foi demitido.

職場のイジメ対処策は? O que fazer contra o bullying no ambiente e trabalho? (by www.yasuho1.com)

職場のイジメ対処策は?
O que fazer contra o bullying no ambiente e trabalho? (by http://www.yasuho1.com)

A cultura do bullying é presente em toda a sociedade e, no próximo post, vou falar da teoria que tenho a esse respeito.

________________

W. Anderson é engenheiro elétrico e mora com a família há 11 anos no Japão. Para saber mais sobre ele clique aqui

Vejam fotos dele e de outros autores no perfil do BZ no Instagram. E sigam nossa página no Facebook acessando aqui.