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Ijime – Japão, o país do bullying (parte 3)

07/12/2015

japão W. Anderson – Japão

É preciso acabarmos com o bullying - (by preventingbullying.promoteprevent.org)

É preciso acabarmos com o bullying – (by preventingbullying.promoteprevent.org)

Eu mesmo, posso dizer que passei pela experiência do bullying por duas ocasiões aqui. A primeira, foi no trabalho, um outro brasileiro, após saber o que eu fazia no Brasil, por intermédio de outra pessoa, começou a querer me agredir verbalmente, gritando para mim, que eu “não sabia japonês tão bem como ele”, que isso deveria ser uma vergonha pra mim e sugerindo que eu voltasse para o Brasil. Ele chegou a cuspir na minha cara para que eu avançasse em briga física com ele. Claro, ignorei e não entrei na onda dele. Comuniquei à chefia e ele foi transferido de seção e depois, demitido. Com a crise de 2008, ele se viu desempregado e foi junto com a família, de volta para o Brasil, com a ajuda do Governo Japonês, que trocava o visto de cada pessoa adulta, por uma indenização de ¥300,000 e de ¥200,000 para cada criança.

A segunda, foi mais fácil de lidar e eu, já sabia me virar bem com o idioma japonês. Eu havia sofrido um acidente de moto em Tóquio, quando voltava para casa. Um motorista de táxi para fugir da faixa de rolamento proibida, antes de passar na frente da polícia, mudou de faixa, fazendo-me desviar para a direita e cair com o pneu da moto na fresta do trilho do bonde, vindo a cair e sofrendo uma lesão na clavícula.

Eu estava indo para a aula de japonês numa manhã, de trem. Com o trem lotado como muitos devem imaginar, eu consegui um lugar perto da porta, em posição bem estratégica, que ao mesmo tempo que eu protegia meu braço, ficava cômodo e fácil sair quando chegasse a hora. Um japonês então, ao entrar no trem, me viu com o braço imobilizado e veio em minha direção, me empurrando. No entanto, eu consegui empurrar ele de volta e revoltado, virou para mim e me chamou de “estrangeiro burro” (uma ofensa muito comum que alguns fazem a estrangeiros por aqui).

Então, em japonês, inglês, francês, português e espanhol, eu perguntei se ele sabia cada um deles. A resposta dele foi positiva apenas para o idioma japonês (claro!), assim, eu disse que o burro era ele, completando com uma gíria de malandro, usado geralmente pela yakuza (máfia), com sentido pejorativo para a pessoa. Ele abaixou a cabeça e quando o trem parou na estação seguinte, ele desembarcou. Um outro japonês que viu, deu risada e chamou ele de idiota (baka).

Assim, como podem perceber, o bullying não acontece apenas entre estudantes. Com adultos também. Homens e mulheres sofrem bullying no ambiente de trabalho e, as vezes, entre pessoas muito próximas. É comum os chamados “salaryman – サラリーマン” japonês cometer suicídio ao final do expediente de trabalho. Por estatística, segunda-feira é o dia com maior índice.

Um japonês que era casado com uma familiar, sofreu bullying no ambiente de trabalho, chegando a receber agressão física. Teve problemas de hemorragia e foi operado em emergência. Ao sair do hospital, recebeu a pressão da empreiteira para não denunciar e pior, foi demitido.

職場のイジメ対処策は? O que fazer contra o bullying no ambiente e trabalho? (by www.yasuho1.com)

職場のイジメ対処策は?
O que fazer contra o bullying no ambiente e trabalho? (by http://www.yasuho1.com)

A cultura do bullying é presente em toda a sociedade e, no próximo post, vou falar da teoria que tenho a esse respeito.

________________

W. Anderson é engenheiro elétrico e mora com a família há 11 anos no Japão. Para saber mais sobre ele clique aqui

Vejam fotos dele e de outros autores no perfil do BZ no Instagram. E sigam nossa página no Facebook acessando aqui.

11 Comentários leave one →
  1. 06/12/2015 7:46

    OI, W. Anderson!!!Excelente post! Sim…ha casos tenebrosos de ijime. Muitas vezes, morando aqui na India, eu sinto falta das “facilidades” do Japao e da educacao das pessoas. Mas, quando lembro estes casos e a dificuldade que eles tem em aceitar aquilo que eh diferente, nao me dah vontade nenhum de voltar la. So mesmo para passear. Um abraco e tudo de bom!

    • 06/12/2015 7:52

      Eu acredito muito na reação das pessoas em não abaixar a cabeça para o agressor, fazendo este, entender que a próxima vítima do bullying pode ser ele mesmo.

      • 06/12/2015 7:57

        Sim!!Falei muitas vezes isso para meus alunos. Mas o problema eh que as escolas tinham a tendencia a ficar do lado do estudante japones e sua familia.

  2. 07/12/2015 10:30

    Aqui também rola bullying no ambiente de trabalho, mas é mais uma provocação. Tipo: você vai tirar uma dúvida com um colega e ele responde: “Descubra por você mesmo, se vira !” Ou então: “Já te expliquei isso antes, mas você acha difícil compreender, não ?” Eu faço questão de explicar, de sair do meu lugar se for possível, para ajudar outros colegas. Algumas pessoas se chocam com isso, não é da cultura holandesa, muito individualista. Agora, no Japão o pessoal cuspir colega, xingar desconhecido em trem e sair no braço… Ooooh, baixaria geral ! Esse povo é reprimido e estressado.

    • 07/12/2015 11:37

      O mais incrível foi o camarada que cuspiu em mim, me escrever e ligar depois de 3 anos. Isso para eu ajudar ele a obter visto para voltar ao Japão, já que o governo daqui só liberaria vistos de quem foi embora com a ajuda no mínimo 3 anos depois, coisa que só aconteceu depois de 5 anos, mesmo assim, se o interessado em voltar conseguisse cumprir uma série de requisitos previamente determinados, diferente dos que normalmente poderiam requerer visto normal de trabalho. Bem, eu disse que o ajudaria sim, mas tão logo desligou o telefone, troquei o número e bloqueei o remetente. Não iria prejudicá-lo, mas ajudar também, já seria demais.

      • 07/12/2015 21:39

        Whaaat ? Então o cara devia estar passando os maiores apertos no Brasil e decidiu passar óleo de peroba na cara pra te contactar. Não tem outra explicação. Você agiu corretamente i.m.h.o..

      • 08/12/2015 0:14

        Sabe daquele ditado, “aqui se faz, aqui se paga”…? Então, a conta dele veio antes do que pensava.

    • david permalink
      09/12/2015 16:16

      Ana, talvez este tipo de resposta faça parte da cultura holandesa e a pessoa não tenha feito por maldade.

      • 09/12/2015 18:58

        Em todas as culturas, há uma linha tênue que separa o bullying da brincadeira. Ainda que não seja feito por maldade, é necessário sempre respeitar a condição da outra pessoa e, não usar a justificativa de uma brincadeira para constranger esta pessoa.
        O bullying muitas vezes é feito justamente imaginando que aquilo é parte da cultura local, como acontece muito aqui no Japão, ignorando que esta pessoa poderia sentir-se atingida.

  3. Paul permalink
    07/12/2015 22:08

    The best way to stop being bullied is to stand up for your self if possible. Way to go Anderson!!

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