japão W. Anderson – Japão

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 gaikokujin

“Gaijin”, é uma contração de “gaikokujin”, que significa pessoa de país estrangeiro. É assim que japoneses se referem à todos que não são japoneses e que, a princípio, morem no Japão. Ao pé da letra, gaijin” seria a pessoa de fora, que numa tradução literal, não faz muito sentido ao real significado.

No Brasil, é normalmente usado apenas “gaijin” entre as pessoas da colônia japonesa. Eles se referem ao brasileiro, como uma pessoa não descendente, sem nenhum sentido pejorativo, apenas para demonstrar que não pertencem à colônia. Engraçado notar, que mesmo  eles sendo  estrangeiros no Brasil, os brasileiros são os “gaijin”. Isso talvez, porque no idioma japonês, raramente encontramos narrações na terceira pessoa. Eles narram como executores ou como espectadores.

No Japão, o uso da forma contraída, leva à um sentido pejorativo. E, sempre que algum nativo usa desta forma, há sempre outro nativo para chamar a atenção, de que não se deve falar neste sentido. Muitos deles podem não gostar de estrangeiros, mas neste sentido, não deixam que tal opinião se torne pública.

Segregações à parte, eu não posso reclamar de preconceito por parte do meu sogro ou das demais pessoas familiares. Todos, sem exceção, me receberam bem e com muito respeito. Me tornei entre eles, uma referência para ajudar a todos que precisavam, inclusive sobre assuntos que poderiam ser considerados mais fechados.

Em meu casamento, familiares de ambos os lados compareceram em peso. Tiramos fotos todos juntos e separados, para mostrar o quanto cada parte fazia questão de marcar presença e se integrarem.

Mas o engraçado foi mesmo viver aqui no Japão.

Certa vez, eu estava com minha esposa andando da estação do metrô em Tóquio, para o estádio de baseball, aqui chamado de “yakyu”, quando um outro casal de japoneses vindo logo atrás, comentava que era estranho que “gaikokujin” se interessasse pelo “esporte nacional”. Nem dei chance para aquilo esboçar um bullying e, educadamente, me virei e falei para eles, dizendo: “Cuidado com o que vocês falam de estrangeiros, muitos como eu, entendem o que vocês dizem. Mas vocês, com certeza, não entendem meu idioma e muitos, nem mesmo entendem inglês”. Eles sem graça, me pediram desculpas e encerraram o assunto.

Gaijin2

gaijin – palavra contraída de gaikokujin

Talvez eu tivesse “pegado pesado demais”, mas ouvir um comentário que possa desmerecer alguém, não me agrada nem um pouco.

Um conhecido meu, quando chegou com o pai ao Japão em 1990, viu na imigração japonesa, um cartaz com a orientação de “japoneses” se dirigir aos guichês de 1 a 4 e estrangeiros, de 5 a 12. Ele e o pai, foram para a fila dos japoneses, mas tão logo entraram, um funcionário, já direcionou-os à fila dos estrangeiros. Na fila da imigração, se você não tem um passaporte vermelho, não é japonês. É nesta fila que acontece a primeira separação.

Depois de 11 anos juntos, dos quais, 8 de casamento, em 2012 nasceu o nosso filho, aqui no Japão. No entanto, ele não possui e nem poderia reivindicar a cidadania japonesa, perante à lei.

Se olhassem para mim e para minha esposa, lado a lado, diriam que ela é japonesa, esculpida em carrara e eu, 200% brasileiro. Mas aqui, mesmo que eu fosse negro ou índio, seria tão e igualmente estrangeiro quanto ela. Afinal de contas, brasileiro puro, mestiço ou descendente direto de japonês nativo, no Japão somos todos gaijin, sem diferença nenhuma aos olhos e à lei  dos japoneses.

Se você é expatriado, por favor conte-nos: Como seria a situação de um filho seu no país que mora?

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(*) todas as imagens utilizadas neste post foram extraídas de wikipedia.org

W. Anderson é engenheiro elétrico e mora com a família há 11 anos no Japão. Para saber mais sobre ele clique aqui

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