bz_espanhaManaira Araujo – Madrid

Muitos brasileiros querem vir para a Europa e perguntam como é trabalhar na Espanha. O sistema é um pouco diferente do Brasil, com alguns pontos melhores e outros piores. A partir das minhas experiências, vou contar um pouco como funciona o mercado de trabalho por aqui.

Como é trabalhar na Espanha

Onde buscar trabalho na Espanha:

Existem vários sites para buscar trabalho na Espanha, a mais tradicional é o Infojobs.net. O melhor é se cadastrar o quanto antes nas ofertas, já que algumas costumam ter mais de 500 inscritos. De todas as formas, se você achar que seu perfil está de acordo com a vaga, mesmo com muitos candidatos, recomendo se inscrever. Muita gente se aplica a vagas que não são da sua área ou sem ter a experiência exigida. Apesar da crise, nas grandes cidades, como Madrid e Barcelona, existem muitas vagas de trabalho, só que não para todas as áreas.

Como são os salários na Espanha:

O “sueldo” mínimo na Espanha é de 756,70€ por mês. Normalmente, na hora de divulgar uma vaga e fazer o contrato de trabalho, as empresas informam o valor bruto anual do salário. Aqui não existe o 13 salário obrigatório como acontece no Brasil. Normalmente o salário bruto é dividido em 12 meses, mas algumas empresas têm “pagas extras” que entram no valor bruto anual. Para não ter dúvidas, pergunte quantos pagamentos serão realizados no ano. A maioria das pessoas recebe entre 15.000 e 18.000€ brutos anuais, o que dá em torno de 1.000 a 1.250€ líquidos por mês, se forem 12 pagamentos.

Como é o horário de trabalho na Espanha:

Os contratos costumam ser de 40h semanais, mas assim como no Brasil, existem vagas de 30 ou 20 horas semanais, ou mesmo só de fim de semana. Para quem trabalha em escritórios e empresas, aqui chamado de “trabajo de oficina”, de segunda a sexta, o horário varia muito. É normal fazer um horário de segunda a quinta com mais de 8 horas por dia (sem contar o horário de almoço, que normalmente é de 1h), para sair mais cedo na sexta-feira, às 14h ou às 15 (neste dia não tem parada para o almoço, as pessoas pedem um “bocadillo” ou comem em casa depois do trabalho). Para quem trabalha em bares e restaurantes, o horário pode ser de “turno partido”, neste caso, normalmente se trabalha de 11 a 16h e depois de 20 a 00h, para fazer o serviço nos turnos do almoço e do jantar. As empresas não costumam ter relógio de ponto. Das 4 empresas que trabalhei aqui, apenas uma tinha.

Como são os benefícios da Espanha:

Como a saúde pública é daqui é boa, dificilmente as empresas pagam plano de saúde. Os colaboradores são os responsáveis pelo transporte, ou seja, as empresas não costumam pagar o transporte como acontece no Brasil. Em relação as refeições, aqui é muito difícil encontrar uma empresa que dê vale-refeição. Como comer fora sai um pouco caro, normalmente as pessoas levam comida de casa. Nem toda empresa tem refeitório para os colaboradores, sendo que muitas vezes as pessoas comem na sua mesa de trabalho. Não trabalhei em nenhuma empresa que tivesse benefícios, mas sei que existem alguns cursos com convênios que a empresa paga e depois o governo reembolsa.

Como são as férias na Espanha:

As “vacaciones” aqui são bem flexíveis. Os empregados tem direito a 1,8 dias de férias a cada mês trabalhado, sendo que você não precisa esperar completar 1 ano de empresa desfrutar esses dias. Com 2 ou 3 meses, já é possível pedir dias das férias. Além disso, é comum tirar dias soltos para emendar feriados. Como o auge do verão daqui é agosto, nessa época a maioria das pessoas tiram férias. Algumas empresas têm jornada intensiva nesse mês (trabalha-se 8 horas seguidas), para poder sair mais cedo e aproveitar o sol, que fica até quase 23h. Em algumas empresas,  é obrigatório tirar 2 semanas de férias em agosto. Na Espanha, não recebemos nenhum adicional pelas férias, como acontece no Brasil.

Como é seguro desemprego:

Para receber o “paro”, o trabalhador precisa ter atuado legalmente e registrado (que a empresa tenha pago a “Seguridad Social”) por um período mínimo de 12 meses. O valor e a quantidade da prestação a receber vai depender do salário e do tempo de trabalho. Valor mínimo da prestação: 497,01€ para pessoas sem filhos. Valor máximo: 1.397,84€ com dois ou mais filhos. Tempo mínimo: de 360 até 539 días de trabalho dá direito a 120 dias de prestação (4 meses). Tempo máximo: mais de 1.160 días trabalhados, dá direito a 720 dias de prestação (24 meses). Aqui não tem FGTS, mas se for abrir um negócio, o trabalhador pode pedir o valor total do seguro de desemprego de uma vez.

Antes de finalizar, é importante dizer que para trabalhar na Espanha a pessoa deve ter a nacionalidade espanhola, um visto de estudante que permita trabalhar ou um visto de residência. É muito difícil as empresas fazerem vistos de trabalho, já que existe muita mão de obra disponível no país. E uma curiosidade: aqui a palavra “funcionario” só é utilizada para quem é empregado do governo.

O que você achou das condições de trabalho da Espanha? Para mim, poder tirar férias antes de completar um ano é a melhor característica, e para você? Deixe o seu comentário.

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 Manaira Araújo é mineira de BH. Formanda em Comunicação Social e especializada em marketing, atualmente mora em Madrid. Para saber mais sobre ela e o blog próprio clique aqui. Siga a nossa página no Facebook para saber mais sobre dicas de turismo e viagens clicando aqui. Twitter eInstagram: @blogbrasilcomz