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A fascinante “Féria del Caballo” em Jerez de la Frontera

20/05/2016

bz_espanha Ana Fonseca – Jerez de la Frontera, Espanha

Se você está na Andaluzia por volta de maio – ou programa fazer uma viagem por Sevilha e arredores mais ou menos nessa época-  então um evento muito típico que vale programar uma visita é a “Féria del Caballo” (Feira do Cavalo) aque acontece na cidade de Jerez da la Frontera.

Fique de olho: Não há uma data fixa para a Feira, que dura uma semana. A Feira del Caballo é celebrada uma semana antes de se celebrar a Feria de Abril em Sevilha (que tem a data em função da Semana Santa) e antes da Romaria do Rocío.

Atenção: A acomodação em Jerez de la Frontera na semana de “Feira do Cavalo” tem uma subida de preço mais alto, claro. Sugiro que façam como eu, e a partir de Sevilha (ou de outra cidade) cheguem a Jerez por trem para passar o dia. Comprem bilhetes de ida e volta um dia antes da partida. Na estação de Sevilha fomos informados que poderíamos antecipar a volta,  caso chegássemos a estação de Jerez uns vinte minutos antes da saída dos nossos tíquetes do trem para Sevilha.

A Estação de Sevilha tem umas 12 plataformas, bem sinalizada e é facílima de se locomover. A viagem Sevilha-Jerez leva uma hora, num trem novo, limpo e confortável que roda devagar. Antes de chegar a estação de Jerez vê-se a Feira del Caballo e uma quermesse gigantesca do lado oposto da rua.

A Estação de Jerez é pequena e lindinha, com mosaicos de azulejos e tranquila, como podem constatar na minha foto abaixo:

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Não há necessidade de pegar táxi para ir até a Feira de Jerez. São uns 20-25 minutos caminhando tranquilamente a partir da estação de trens, seguindo o caminho da linha ferroviária.  Em frente a Feira fica uma quermesse imensíssima, com muitos brinquedos eletrônicos, imensos bares/restaurantes com muitos churros, paellas, etc..

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Chegamos  por volta de meio-dia e tudo estava relativamente bem vazio – inclusive o quiosque de informações turísticas da feira estava fechado até as 13h. Enquanto num bar imenso degustávamos algumas tapas, o lugar se encheu de andaluzas de todas as idades, vestidas a caráter dos pés a cabeça. Estavam ali para dançar, rodopiar e dava para se ver que eram conhecidas e amigas entre si. A música flamenca aumentou de volume, e os poucos homens do lugar estavam timidamente bebericando xerez em tacinhas, chapéus de couro e olhando ao redor. Algumas amazonas com chapéus vermelhos nas mãoes e cabelos presos em coque chegaram para beber algo. Sentimos que um show aconteceria logo, tínhamos que nos apressar.

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No quiosque de informações turísticas ganhamos um mapa do lugar e o aviso de que o primeiro show de cavalos começaria às 14 horas. Corremos para a “arena” e compramos ingressos a cerca de 6EUR por pessoa (crianças até 12 anos grátis). Pancadas de chuva alternadas com tempo bom e após um atraso de quase 20 minutos começa o show, belíssimo por sinal. Duas dançarinas de flamenco vestidas de vermelho se alternaram em números com um ou dois cavalinhos, super treinados, que dão saltinhos no ar, andam só na patas traseiras, trotam de ladinho cruzado… apaixonantes cavalos andaluzes ! No total foram 2 dançarinas de flamenco e 6 cavalos com amazonas e cavaleiros que valeu a pena cada centavo pago.

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Ao lado desse espaço de shows de cavalos há uma exposição de diversos produtos em couro (chapéus, cintos, bolsas), charcuteria e jamones / quesos, e muitos cavalinhos dos deitados em camas limpíssimas de fenos. A marcação à ferro de um símbolo no cavalo e uma plaquinha no cercadinho dela informava o nome e dados do haras a qual eles pertenciam.  Dava para perceber que o objetivo da Feira é basicamente a exposição,  compra e venda de cavalos andaluzes, acessórios, jerez, tudo regado a desfile  e passeios contínuos de charretes pelos bulevar das palmeiras. Ao longo do boulevard há mais de 250 casetas servindo bebida e comida da gastronomia local, eu diria que grande parte aberta ao público (“entrada libre”). E há umas poucas casetas que são de propriedade privada ou de adegas, onde a entrada é só para convidados – você percebe isso por ter uma pessoa na porta controlando a entrada, e/ou por não ter como ver o interior a partir do boulevard.

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Por volta de 16h toda a Feira já está repleta de pessoas e charretes. E digo isso com surpresa, porque o lugar é imenso. A partir de um bar onde ficamos até quase a hora de ir embora, podíamos admirar o desfile de charretes com cavalinhos e condutores vestidos super elegantemente levando passageiros.

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Sugestão do garçom para os adultos do nosso grupo: essa carne com legumes e acompanhada de sherry do tipo “fino” servido frio, na foto abaixo (não é o meu tipo de xerez, preferido, mas enfim…)

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A impressão é de que você está fazendo figuração num filme de faroeste  – só que um faroeste… europeu. Coisa de doido.  O ambiente é muito autêntico, com grande parte das mulheres visitando a feira vestidas a caráter: vestidos justos com grandes decotes nas costas, grandes flores nos cabelos presos e maquiagem forte.

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Minha sobrinha, que é amazona e curtiu demais a feira. 

Uma dicas finais: além de procurar acomodação fora de Jerez (mas se você puder e preferir pagar para ficar na cidade fique à vontade…), sugiro que chegue a partir das 16h. Fica mais difícil arrumar um lugar para sentar-se – mas não é impossível. Há um segundo show de cavalos as 17 h (mas isso pode mudar a cada ano, então pesquise sempre no bureau de informações da feira sobre os horários). Como estávamos com crianças e uma idosa preferimos chegar cedo e voltar cedo (com o trem das 20h15 para Sevilha, que foi antecipado sem problemas). Até as 16h, 17h dá para ver que a maioria do público era acima dos 45 anos. A partir das 17 h passei a ver bem mais gente jovem e crianças. A Feira fica boa mesmo pela noite adentro, quando os painéis de luzes se acendem e dão um brilho especial à festa.

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Tinha ate um “El Zorro”se oferecendo para fazer fotos com os turistas em troca de uns trocados. 

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Essa é a única foto desse post que não foi feita por mim. Apanhei na internet e se alguém souber a fonte ou for o autor pode me avisar que eu dou os créditos. 

Bom, para concluir:  Partimos caminhando de volta para a estação de trens sentindo um gostinho de “quero mais”. Os membros da minha família holandesa concordaram com unanimidade que tínhamos visto algo diferente de tudo que podíamos imaginar, feito por e para andaluzes. Um evento muito bem organizado, limpo, bonito, grandioso, e com uma atmosfera peculiar e bem folclórica. O preço nos bares era módico e igualzinho ao que estávamos acostumados pelos bares em Sevilha. Passamos a amar mais ainda Andaluzia a partir desse evento.

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Féria del Caballo, Serviço

Quando? Todo ano pelo mês de maio. Não há uma data fixa. Curiosidade: os andaluzes se referem a Feria del Caballo também como Feria de Mayo, o simplemente Feria de Jerez.

Entrada? Grátis. Mas os shows de cavalos andaluzes são pagos (cerca de 6EUR por pessoa) e duram cerca de uma hora, uma hora e algo.

Para todas as idades? Sim. Há especialmente atrações para crianças num grande parque dentro da féria.

O que fazer? shows de cavalos andaluzes, passeios de charretes, compra de embutidos/charcuteria, acessórios em couro como cintos finamente bordados, bolsas de couro com franjas lindas de morrer, sherry e consumo de comida e bebida nas casetas (mais de 250 casetas para você escolher).

O que comer e beber, especificamente? Tapas, claro. O usual: Croquetas, calamares, boquerones (pedaços de peixe frito), lagrimitas de pollo (lágrimas de frango, ou seja: tiras finas de peito de frango empanadas e fritas), berenjenas, setas (cogumelos), molho do tipo “salmorejo”. E também coisas mais exóticas como: rinõnes al jerez e uma infinidade de coisas. Prove um sherry (xerez) que pode ser “fino” (ideal como aperitivo, servido frio para acompanhar tapas), amontillado (mais escuro, para tomar com queijos azuis) ou um oloroso (também escuro, é aromático e encorpado – alguns podem ser até doces).

Clima geral? Familiar, amigável, educado. Use sapatos fechados e confortáveis para caminhar na poeira, talvez óculos de sol.

Seguro? Sim. Não me senti ameaçada nem fui esbarrada em nenhum momento, ninguém passou a mão em mim, etc.. As pessoas são calmas e você não se sente observada. O boulevard é amplo.  M A S  (há sempre um “mas”) minha cunhada foi roubada em 300EUR sem que ela percebesse. Ela nos comunicou isso durante nossa estadia no último bar que planejávamos frequentar. Levaram a carteira de dinheiro e carteira de motorista de dentro da bolsa dela (que tem zíper). Fizemos “la denuncia” no dia seguinte em Sevilha, conforme uma agente policial na entrada da Feira nos informou para fazer. Os estímulos visuais são enormes, há bastante pessoas, cavalos (óbvio, haha), e muitos vendedores ambulantes (todos vendendo flores ou artesanato duvidoso) que começam a atuar no boulevard e até dentro dos bares no  final da tarde. Então fique sempre super atento com seus pertences e crianças, como de resto em qualquer lugar com grandes aglomerações. Eu segurei minha bolsa contra meu corpo o tempo todo e a levei até para dentro do banheiro. Eu levo bem pouco dinheiro, papel higiênico, uma garrafinha mini de água, uns band-aids, uma câmera portátil e só. E é cansativo? É cansativo, sim, ficar carregando bolsa – confesso. Mas não dói. Não dói tanto quanto perder dinheiro. Eu sou brasileira e fico de olho aberto em qualquer lugar do mundo, sempre! Nunca relaxo 100% quando faço turismo #ficaadica

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Ana Fonseca vive na Holanda desde 1999 e administra o blog Brasil com Z junto com a Carla Guanais (Itália). Para saber mais sobre ela acesse aqui. Veja fotos da Ana em Sevilha e de todos os outros autores do blog no Instagram acessando aqui. Veja aqui nosso Twitter e acesse nossa pagina no Facebook para atualizações e curiosidades sobre a vida fora do Brasil acessando aqui. Caso queira nos contactar para candidata-se a escrever para o blog envie um e-mail parablogbrasilcomz@gmail.com e apresente-se, explicando porque se considera capaz e quais suas expectativas em relação ao BZ. Agradecemos ! 

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