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40 coisas que aprendi ao começar a mochilar sozinho

24/05/2016

bz_colaborador Simão Vieira Simões – Mundo

 

Viajar é preciso. Alguns precisam até demais. Tanto que em alemão existe a palavra wanderlust, a compulsão por viajar e caminhar pelo desconhecido. Eu comecei a viajar sozinho em 2011, um ano terrível em que perdi 5 amigos. Desde então, estamos em 2016 e conheci até agora 6 países. É pouco, você pode dizer. Eu, honestamente acho pouco. Conheço gente da minha idade que já mochilou pelo mundo. Conheço mais países que muita gente do meu círculo social, é verdade, mas poderia conhecer mais.

O fato é que o cara sempre volta de uma viagem com uma cabeça diferente. Por isso, criei uma lista de 40 coisas que me fizeram pensar até então desde que voltei de Buenos Aires, minha primeira cidade internacional que visitei, em dezembro de 2011.

Você não é o centro do universo: Um pouco óbvio. Só quando você se descola do seu lugar-comum que você percebe que existem mais de 7 bilhões de pessoas no planeta.

Você aprende a se organizar… na marra: Você acha que um grupo de free tour vai te esperar por meia hora? Ou que teu pai vai te buscar na rodoviária? HA!

Você deixa de ser fresco (a): Não gosta de sopa? Não usa o banheiro fora de casa? Pois é! Seus problemas vão ter que acabar. Por bem ou por mal.

BLOG Banheiro turco

Um sanitário turco. Comum em muitas partes do mundo, até no sul da Europa (França, Itália, Grécia…) você encontra. Vai encarar? Com licença vou fechar a porta. Ôpa, cadê o papel higiênico ? Foto via obviousmag.org

Você aprende a fazer contas que nem sabia fazer de cabeça:Quanto custa 25 Euros em Reais? E 400 Zloty são quantos Euros? 6 horas de conexão + 11 de viagem + 5 até o destino dá quanto?

Você vê as pessoas com mais humanidade: Tantas religiões, tantas culturas, línguas, modos de vida, visões de vida, problemas, dádivas… Humanos não são estatísticas, massas ou ideologias. Todos temos muito em comum, mesmo não parecendo.

BLOG Banheiro bike

“I wanna ride my bike…”Que é que vocês estão olhando seus enxeridos? Nunca viram um homem andar de bicicleta não, é ? Ué, super normal aqui na Papua Nova Guiné. Foto via bikersviewpoint.tumblr.com

Você aprende a desapegar: Imagine dizer “tchau” para mais de 20 pessoas em 2-3 meses? Seu intercâmbio vai acabar, assim como sua hospedagem no albergue, seu estágio, sua viagem.

Você se torna mais independente: Não é fácil ficar sozinho em um lugar desconhecido por dias, semanas a fio. Você acaba aprendendo a se virar.

Você aprende que não existe só gente ruim no mundo: Na verdade, a proporção gente boa/má é bem gritante. Quando acesso o Facebook por um momento começo a acreditar que só existe tragédia neste mundo. Edmund Burke já dizia: “Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada”.

Você se torna mais comunicativo: A situação se torna mais tensa ou mais engraçada dependendo do seu ponto de vista. Quando se está sozinho, você é obrigado a perguntar as pessoas ou conversar para conseguir informações necessárias, como horários de ônibus, clima, o que fazer etc.

Você tem muitas histórias para contar: Sempre tenho uma história na manga pra contar, seja para alguém que acabo de conhecer ou um bom amigo.

Você se torna mais aventureiro: Você começa a se arriscar, seja trabalhando como freelance ou começa a pensar em abrir um pequeno negócio. Estagnação começa a se tornar um pesadelo.

Você começa a entender melhor o mundo: Ao invés de se tornar dividido ou preconceituoso, você começa a entender a realidade de cada pessoa e quebra certos mitos e estereótipos.

Você começa a ajudar os turistas na sua cidade:Você também provavelmente vai passar por essa situação viajando sozinho. Quem nunca precisou de ajuda para achar uma rua ou saber onde fica o banco?

BLOG TOurists

Lost tourists… via graphicriver.net

Você se torna mais curioso: Escola, universidade, sua cidade, sua profissão não são mais o bastante. Você quer aprender cada vez mais.

Você se torna mais confiante: Planejar uma viagem precisa de tempo e dinheiro, e quando você consegue, se sente feliz e capaz de fazer qualquer coisa.

Você pode impressionar seu crush: Que tal falar para a pessoa na qual você tem interesse algumas palavras bonitas em francês que você aprendeu quando você foi pra França na última vez?

Você começa a conhecer restaurantes bons e ruins: Você vai comer em restaurantes horríveis e também jóias raras quando viaja. E vai aprender a reconhecer quando um lugar vale a pena ou não.

Você vai fazer novos amigos: Eu tenho amigos praticamente em cada canto do mundo. Eu nunca digo “tchau” para eles, mas um “até logo”.

Esses amigos têm muita coisa para te ensinar:Seja a língua deles, o básico de fotografia, artes marciais… Tudo vale!

Você se torna mais preparado ao lidar com problemas: Uma vez que você tem que lidar com o desconhecido calma gente não tô falando do capeta, você encara os problemas e incertezas da vida de uma forma mais otimista.

Viajar é trocar a roupa da alma: Você se fortalece, enriquece sua mente e volta zerado pra sua vida normal (se você voltar para sua “vida normal” :D)

Você começa a valorizar mais onde vive: O Brasil não é uma m*, por mais que tenha muita coisa ruim por aqui. Cada lugar tem seus pontos bons e ruins.

Você sente saudades da comida, das pessoas, do clima com frequência: Que saudades do frio russo, da carne argentina, das pessoas do Paraguai…

BLOG BOlo

Um dos snacks mais populares em Taiwan: Bolo de sangue de porco. Consiste de arroz com sangue de porco, coberto com paçoca de amendoim e salpicado de coentro. Hummm… Delícia! foto via  kaleidoscope.cultural-china.com

Pode ajudar no seu currículo: Você pode ter uma graduação e um mestrado, mas diferencial vai ser se você fez estágio ou voluntariado em algum outro país.

Seu inglês/espanhol melhora muito: Estas são as línguas mais faladas em uma viagem, principalmente nos destinos que nós, brasileiros, escolhemos ir. Seja para fazer um mochilão pela América do Sul ou um Work Experience nos EUA, você vai ver como isso vai ser recompensador.

Você vai querer visitar lugares: Você não vai querer só ler sobre ou assistir um documentário.

Você percebe que a vida não é tão difícil: Se você tem a oportunidade de ler este blog, você é sortudo o bastante para ter uma vida consideravelmente boa. Pense que em muitos lugares do mundo uma vida como a sua é o sonho de muita gente.

Você aprende a viajar melhor: Você aprende a organizar sua mala direito, a não confiar em certos tipos de pessoas, a trocar dinheiro etc.

Você aprende a perceber o significado de viver cada dia: Carpe Diem! Aproveite o dia! Só temos uma vida devemos aproveitar ela o máximo.

Você aprende a tomar decisões: Quando você está sozinho, você tem todo o tempo do mundo para decidir sua rota, o que visitar e com quem quer passar o tempo. Isso se transfere para os outros aspectos da sua vida com o tempo.

 Você se sente um pouco deslocado: Você não vai se sentir sozinho, mas é possível que nem todos se interessem por culinária sérvia, ou sobre a música do momento na Costa Rica.

Você aprende que você não tem controle de tudo: Minhas viagens nunca saem 100% como planejado, e provavelmente a sua também não vai sair. Já bloquearam meu cartão e perdi trem, já perdi dinheiro, já cancelaram meu voo, já arrumei um emprego simplesmente por entrar em uma escola de idiomas… Enfim, existem coisas que você não vai poder controlar. E você tem que aprender a lidar com isso.

Você percebe que o mundo é menor que você imagina: Esses dias encontrei em um bar aqui em Floripa um paulista que conheci em uma festa em Kiev. Esse tipo de coisa que me deixa espantado e feliz ao mesmo tempo.

Você vai querer se misturar: Você não vai querer ficar trancado no hostel ou ficar bebendo cerveja sozinho em um bar. Você vai puxar assunto com a pessoa que mora com você e sentar na mesa daquele pessoal animado.

Você aprende que ser estrangeiro em um lugar é o mesmo que ser um popstar: Dependendo do país que você for, você provavelmente vai ser a primeira pessoa do Brasil (ou do país que veio) a pisar naquele lugar. Todo mundo vai querer te conhecer e puxar papo contigo. Dê um bom exemplo, então! 😛

Você aprende a se conhecer: Quando eu estava na Ucrânia, comecei a ver a realidade daquele povo e acompanhar umas notícias do Brasil. Começava a pensar algumas vezes por dia, andando no metrô ou comendo alguma coisa, sobre o que eu realmente estava fazendo da minha vida e o que poderia mudar.

Você aprende a ser mais grato pelas coisas:Você provavelmente vai ser ajudado muitas vezes, vai receber conselhos, vai receber dicas, pessoas vão compartilhar histórias, comidas e bebidas contigo. E você vai aprender a dar valor a isso.

Você se adapta mais fácil a qualquer clima: Você nunca mais vai reclamar de uma chuvinha depois de pegar uma enchente no Peru ou de um friozinho pegando neve na Europa.

BLOG Batuta

Vai um espetinho de escorpião aí ? Foto via ecofrenfood.wordpress.com

Você se torna mais paciente: Você sabe que tudo tem seu tempo, sua hora para chegar. Você não precisa ter pressa.

Você aprende a viver com menos e se importar com pouco: Enquanto viaja você tem um limite de roupas, tecnologia e dinheiro. Você também não começa mais a se importar com meros detalhes, como impressionar os amigos com uma roupa maneira, ou mostrar seu carrão.

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Simão Vieira Simões nasceu em Florianópolis e é estudante de História. Ele estará colaborando com alguns posts esporádicos no BZ durante o ano de 2016. Para saber mais sobre ele clique aqui. Sigam-nos na nossa fanpage do FB para atualizações de postagens sobre o blog e o mundo. Nossas fotos podem ser vistas seguindo o nosso Instagram. O nosso Twitter você acessa clicando aqui

4 Comentários leave one →
  1. viciolicito permalink
    24/05/2016 12:10

    …lindos os aprendizados…aprende a viver a vida de fato e não apenas existir…

  2. 24/05/2016 16:47

    Ola, Simao!!Otimo post! Me identifiquei por completo, ja que estou ha quase 10 anos fora do nosso Brasil. Um abraco e ja aguardamos seus proximos posts!

  3. edvanfleury permalink
    25/05/2016 9:12

    Apesar de não se mochileiro, me identifiquei com vários pontos principalmente com a privada turca ahahaahha

  4. 25/05/2016 9:59

    A primeira vez que viajei para o exterior foi sozinha e de mochila. Conheci meu marido, que já foi mochileiro. Desde então já viajamos com nossos bebês recém-nascidos, eu já viajei sozinha com os filhos… tudo com muita cautela e planejamento. Viajar sozinho te deixa mais forte mentalmente, mais auto-confiante, sabendo antecipar e se ajustar aos eventos.

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