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Deserto do Atacama, Parte I: um paraíso de visita obrigatória

15/07/2016

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Carlos Fernandes – Santiago, Chile

Se eu escrevesse minha versão do livro “1.000 lugares para conhecer antes de morrer”, eu colocaria o Deserto da Atacama como o número 1 na América do Sul. Confesso que eu não esperava que essa viagem fosse ser uma das melhores da minha vida. O motivo? Nunca fui fã de areia. E eu tinha uma visão deturpada do que seria um deserto. Mas o que eu posso dizer a todos hoje é que a visita ao Atacama é obrigatória para quem curte a natureza e locais mágicos.

Já em San Pedro de Atacama - Foto: Natalia Maimoni

Já em San Pedro de Atacama – Foto: Natalia Maimoni

Como eu tenho muito para contar, resolvi dividir esse texto em duas partes. Assim não fica chato para os amigos do BZ e eu consigo explicar um pouco de tudo o que vi e senti naquele deserto.

O Atacama

Bom, primeiro vamos entender que a região do Atacama fica ao norte do Chile e a 1670km de distância da cidade de Santiago. É considerado o deserto mais alto e árido do mundo. O ponto turístico mais alto chega a quase 5.000 metros de altitude. E o mais seco possui apenas 7% de umidade do ar. Para evitar que passemos mal ao encarar a altitude, a dica dos locais é a ingestão de chá de folha de coca ou simplesmente mascar a própria folha da coca. É muito comum as pessoas terem fortes dores de cabeça ou vomito. Já com relação a aridez, a dica é beber muita água e torcer para que seu nariz não sangre durante sua estadia.

Na rua do hostel onde me hospedei - Foto: Carlos Fernandes

Na rua do hostel onde me hospedei – Foto: Carlos Fernandes

Como chegar e onde ficar

A cidade de San Pedro do Atacama é o QG dos turistas. É naquela região que ficam os pontos turísticos. E é em San Pedro onde estão as pousadas e hostels. Pode-se chegar diretamente a cidade a partir da Bolívia. Mas para chegar ao Atacama a partir de Santiago, devemos voar por 1h30 até a cidade de Calama, já no deserto. O aeroporto já é um cartão postal. Fica no meio do nada, só areia por todos os lados. Até que surge a cidade de Calama, também no meio do nada.

Calama está a cerca de 100km de distância de San Pedro de Atacama. Há transfers que levam os turistas do aeroporto até San Pedro. A estrada é sensacional. Uma estreita faixa de asfalto no meio do terreno árido e sob o céu azul. Foi na estrada que eu já havia sentido que aquela viagem seria surpreendente. E que eu estava errado quando pensei que seria um passeio comum.

Estrada entre Calama e San Pedro de Atacama

Estrada entre Calama e San Pedro de Atacama. Ao fundo, vulcões e seus cumes cobertos de gelo – Foto: Natalia Maimoni

San Pedro de Atacama

A pequena cidade de San Pedro de Atacama possui cerca de 5.600 habitantes e está a 2.500 metros de altitude. A cidade é bem pequena e nem precisamos reservar muito tempo para conhece-la. Suas ruazinhas são de terra e tudo é muito simples por lá. Assim como os restaurantes, as lojas e as pousadas e hostels. Já vale o aviso para quem acha que viajar é se hospedar em locais luxuosos.

As ruas de San Pedro seguem o mesmo padrão. São encantadoras. Foto: Carlos Fernandes

As ruas de San Pedro seguem o mesmo padrão. São encantadoras – Foto: Carlos Fernandes

Um dos pontos mais interessantes para se fotografar na cidade, além de suas ruas, é a Igreja de San Pedro, toda cercada por um muro de “adobe” (argila e areia). Foi sede paroquial antes de 1641, mas os muros atuais datam de 1744 e foram reparados entre 1839 e 1843. Apesar de San Pedro ser pouco iluminada a noite, é seguro para caminhar até as pousadas um pouco mais afastadas. E a cidade recebe um grande número de turistas alemães, ingleses e franceses.

Eu estou ao fundo porque o mais importante é a igreja de adobe mais famosa do Atacama. Foto: Natalia Maimoni

Eu estou ao fundo porque o mais importante é a igreja de adobe mais famosa do Atacama – Foto: Natalia Maimoni

Muitas pessoas me perguntam sobre a melhor época para se visitar o Atacama. Na verdade, não existe uma época exata, mas o verão acaba sendo um pouco mais tranquilo. Apesar do calor que castiga durante o dia, a temperatura a noite tende a ser bem amena. O problema do inverno é que chega a nevar por lá. Sim, neva no deserto por causa da altitude. E a neve acaba fechando as estradas para certos pontos turísticos.

Locais para se visitar – Parte I

É claro que eu não consegui visitar todos os lugares que são sugeridos no Atacama. Existe uma infinidade de opções de passeios. Todo turista tem que escolher aqueles que curtirá mais e que se encaixe no orçamento. É só escolher uma agência em San Pedro e debater com o atendente um esquema que se encaixe em sua proposta. Há muitas agências disponíveis na cidade, já que o turismo é a atividade econômica principal do local. E não tem como fazer os passeios por conta própria. Os passeios são para locais distantes e que exige experiência dos motoristas nas estradas. As agências também oferecem lanches e café da manhã nos passeios que se iniciam ainda na madrugada. Além do mais, os motoristas também são os guias.

Portanto, separei alguns locais que visitei para compartilhar com vocês.

Valle de la Luna

O Valle de la Luna é o local mais visitado de San Pedro do Atacama e está localizado a 13km de distância de seu centro. Está situada na Cordillera de la Sal a cerca de 2.600 metros de altitude. Lá, no verão, podemos encontrar uma umidade relativa do ar na casa dos 7% e um calor de 40 graus, o que faz do Valle o ponto mais árido do planeta.

Uma das várias paisagens do Valle de la Luna - Foto: Carlos Fernandes

Uma das várias paisagens do Valle de la Luna – Foto: Carlos Fernandes

O nome dessa atração se dá pelo fato do local possuir as características do terreno existente na Lua. Declarado santuário da natureza em 1982, o Valle de la Luna é formado por estranhas formações geológicas. A mistura de rochas e muita areia, que formam belas dunas, faz com que sua paisagem se modifique a cada metro caminhado por dentro do parque.

Outra bela paisagem do Valle de la Luna - Foto: Carlos Fernandes

Outra bela paisagem do Valle de la Luna – Foto: Carlos Fernandes

Mais uma mudança de paisagem dentro do parque do Valle de la Luna - Foto: Carlos Fernandes

Mais uma mudança de paisagem dentro do parque do Valle de la Luna – Foto: Carlos Fernandes

No parque ainda encontramos um local chamado de Las Tres Marías. Trata-se de formações rochosas causadas pela erosão do sal e do vento do deserto. Essas formações tem como principais componentes o granito, pedras de quartzo e argila.

Las Tres Marías e muito sal que também faz parte da paisagem do Atacama - Foto: Carlos Fernandes

Las Tres Marías e muito sal que também faz parte da paisagem do Atacama – Foto: Carlos Fernandes

A bela mistura de areia e sal - Foto: Carlos Fernandes

A bela mistura de areia e sal – Foto: Carlos Fernandes

Ao fim de nossa aventura pelo Valle de la Luna é chegada a hora de ver o por do sol na famosa Piedra del Coyote. Trata-se de um mirante onde podemos avistar abaixo as lindas paisagens lunares e ao horizonte alguns vulcões e o por do sol. Uma belíssima paisagem e um ótimo momento para fechar o passeio com chave de ouro.

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Aguardando o por do sol na Pedra do Coiote – Foto: Carlos Fernandes

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O Atacama é cercado por vulcões e confesso que sou péssimo para guardar nomes – Foto: Carlos Fernandes

Laguna Cejar, Ojos del Salar e Laguna Tebinquiche

A Laguna Cejar é uma lagoa que contém uma alta concentração de sal, maior que a encontrada no Mar Morto, e faz com que seu corpo flutue sem esforço. A Laguna Cejar está localizada dentro do “Gran Salar de Atacama” a cerca de 30km de San Pedro. Sua água possui uma cor turquesa e, além do de sal, possui ainda lítio.

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Laguna Cejar ao fundo e o deserto de sal – Foto: Natalia Maimoni

Saindo da Laguna Cejar, o passeio segue até os Ojos del Salar. Os “ojos” são duas lagoas bem no meio do deserto. Elas se formaram devido a duas perfurações feitas nos anos 70 para buscar petróleo. O petróleo em si não foi encontrado. Encontraram somente um rio proveniente de água da cordilheira que passavam por debaixo da terra. Assim se formaram os “Ojos del Salar”.

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Ojos del Salar – Foto: Natalia Maimoni

A última parada do tour é para a Laguna Tebinquiche. É lá que os turistas esperam o por do sol com bebidas e aperitivos oferecidos pelas agências. Ótima oportunidade para provar a bebida mais famosa dos Andes, o pisco sour. A Laguna Tebinquinche é extremamente salgada também. No verão ela está praticamente seca. Porém, no inverno, quando está mais cheia, funciona como um espelho de água.

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Laguna Tebinquinche no verão, praticamente seca, em meio ao sal – Foto: Natalia Maimoni

Por hoje é isso. Muito em breve publicaremos a segunda parte sobre o deserto do Atacama. Enquanto isso, se você já fez essa viagem, compartilhe pelos comentários sua experiência de ter conhecido esse espetáculo da natureza.

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Carlos Eduardo Fernandes é publicitário,  já morou na Irlanda e atualmente é professor de inglês online em Santiago, no Chile. Saiba mais sobre ele e o blog pessoal clicando aqui. Sigam-nos no Facebook acessando aqui. Instagram e Twitter, procure por: @blogbrasilcomz

2 Comentários leave one →
  1. Wjunior permalink
    05/01/2017 18:10

    Você foi no ano de 2016?
    Por qual (ou quais) agências realizou os passeios?

    • carlosfernandeschile permalink
      05/01/2017 18:14

      Olá Wjunior. Fui em março de 2016 e realizei os passeios pelo Atacama pela Whipala Expedition.

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