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A arte de pagar micos no Japão

25/11/2016

japão W. Anderson – Japão

Lembro-me como se ainda fosse ontem, o dia que pegamos ônibus urbano pela primeira vez aqui no Japão. Era uma tarde de sábado, estávamos de folga naquele final de semana e escolhemos ir de táxi ao shopping da cidade. Contudo, talvez por falta de planejamento e da total inexperiência de vida no Japão, a volta do shopping  foi de ônibus.

Aliás, o passeio ao shopping foi legal, mas nada se comparava aos shoppings centers que conhecíamos no Brasil. Aquele era relativamente pequeno, umas 80 lojas, uma enorme área de lazer e alimentação, com três lojas âncoras maiores, num pavimento térreo em formato de “U”, mas quadrangular, com um enorme estacionamento.

Chegamos ao ponto de ônibus e descobrimos que minutos antes já havia passado um, o que nos levaria a ficar ali esperando o próximo por mais uns 35 minutos no mínimo. Eu confesso que naquele instante, fiquei decepcionado com o Japão. Afinal de contas, como o intervalo entre ônibus pode demorar tanto? Desta forma, decidimos que seria melhor ir pegar um táxi. Durante o percurso para o ponto de táxi, eu e minha esposa ficávamos nos perguntando um ao outro: “Mas como saber se o taxista não vai dar uma volta em demasia para aumentar o valor da corrida?”, visto que até na Europa, há muito casos desta natureza e, aquela, era nossa primeira vez no Japão.

Descobrimos que não necessariamente precisaríamos pegar um táxi. Havia um micro ônibus que levava as pessoas da estação central da cidade até ao shopping e vice-versa, gratuitamente. Faltava apenas descobrir onde era a plataforma de embarque naquele enorme estacionamento. Eis que num determinado instante, vimos o referido ônibus saindo e ele parou devido ao trânsito dos carros manobrando. Quando bati na porta pedindo para abrir, o motorista fez uma careta, reprovando minha atitude e, cruzando os braços numa explícita negativa. (Mais tarde, descobrimos que japoneses possuem essa mania de cruzar, braços ou mesmo  um dedo de cada mão ao outro, em forma de “X”, para dizer que algo é proibido ou não permitido.)

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Isso significa no gestuário japonês: “NÃO!” Foto retirada daqui

Assim que encontramos a plataforma de embarque, vimos que o próximo sairia em 20 minutos. E decidimos esperar ali mesmo.

Ao chegar na estação, pedi informação sobre qual ônibus iria para o bairro onde morávamos e, fomos em direção a ele. Ao entrar no ônibus, pela porta do meio (só havia porta no meio e uma de saída na frente), eu não percebi, mas um sensor, identificava cada pessoa entrando e um ticket era disposto para que o passageiro o pegasse②. Minha esposa, percebendo minha distração, pegou o meu ticket e o dela na sequência, mas não fazia a mínimo ideia qual a utilidade deles, pois nada além do nome da cidade e um número estava impresso. Sentados, ficamos um indagando ao outro qual a finalidade daquele ticket.

Ela então, viu um rapaz também estrangeiro, sentado poucos bancos a frente e me disse: “Pergunte àquele rapaz como que usa esse ticket, ele tem cara de ser brasileiro” falou minha mulher. Assim, em bom português cheguei perto dele e perguntei como que usaríamos o ticket e como pagaríamos pela passagem.

O rapaz me olhou assustado sem entender nada… Naquele instante, me dei por conta, ele não era brasileiro③ e em inglês, me desculpei, perguntando de onde ele era e como funcionaria o pagamento e aquele ticket. Ele então, muito solícito, me disse que era das Filipinas e, explicou-me que aquele número era a referência de onde havia subido ao ônibus e quando fosse descer, no painel acima do motorista, outro número, fazendo referência ao local que iria descer, teria um valor correspondente ao ser pago, devendo desta forma, inserir o ticket e o dinheiro na máquina coletora e aguardar pelo troco caso fosse necessário.

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cada número representa o ponto de onde subiu ao ônibus e sua respectiva tarifa – by google.com

Foram no mínimo mais de duas gafes num único dia. Estava pra mais do que suficiente, que era necessário planejar melhor qualquer nova saída.

Mas nem tudo que reluz é ouro, já dizia um famoso verbete…

Numa outra ocasião, ainda morando recentemente no Japão, estávamos num restaurante com alguns amigos. Na hora de fazer um brinde, já estava lá minha esposa para me lembrar em NÃO dizer “tim-tim”, pois o fonema desta expressão, em japonês, faz menção ao órgão genital masculino. Algo que os japoneses poderiam não gostar de ouvir naquele instante.

Talvez para brincarem comigo, os amigos (brasileiros) pediram para eu fazer o brinde e, após breves palavras de agradecimento, ergui o copo e para não falar “tim-tim”, falei “Pinto!”, numa tentativa de sátira sobre a expressão do brinde. Mas, minha surpresa foi que, mesmo num restaurante tipicamente japonês, todas as mesas ao redor eram de brasileiros. Muitos olharam para minha direção e alguns disseram, “Bicha!”

E vocês, qual a gafe que cometeram quando recentes em seus países de residência? Deixe nos comentários.

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W. Anderson é engenheiro elétrico e mora com a família há 12 anos no Japão. Para saber mais sobre ele clique aqui.  Vejam fotos dele e de outros autores no perfil do BZ no Instagram. E sigam nossa página no Facebook acessando aqui.

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