bz_argSilvia Oliveira – Buenos Aires, Argentina

Depois de um ano vivendo (a full) em Buenos Aires, já me sinto no direito, dever e obrigação de me posicionar sobre algumas alguns pontos de minha experiência como imigrante.

Chegou a hora de relatar para vocês, leitores do BZ, que nem tudo são flores. A verdade é que eu poderia citar muitas outras (juro!), mas vou me concentrar nessas três coisas, que mais me “molestan” e “NO ME GUSTAN PARA NADA EN ARGENTINA”!

Vamos a elas:

1) O CLIMA: Entre morrer de frio no inverno e morrer de calor no verão, fique com o dois!

Fato, por mais que o verão seja quente e que dê aquela  esfriadinha  no inverno, no geral, (falo como moradora de Minas Gerais), nós mal percebemos a mudança das estações. As temperaturas variam dentro de um intervalo razoável, o que faz com que a gente não precise ter um guarda-roupa de frio e outro de calor. Muito menos alteramos nossa rotina de vida e de alimentação em função disso. Aqui na Argentina, a vida é uma em janeiro e outra em julho…  Uma saudade: MORAR NUM PAIS TROPICAL!

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Janeiro em Buenos Aires: Alto verão

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Junho em Buenos Aires: Inverno dando as caras

2) A COMIDA: Farinha, farinha e mais farinha.

Gente, ok, sabemos que a colonização da Argentina foi espanhola, que por causa da guerra no início do século passado vieram muitos europeus e, entre eles, pencas de italianos. Mas como adaptar-se a uma alimentação completamente baseada em pães e massas? Não tô sabendo lidar! Quer ver só? Um dia comum na vida de um portenho:

Café da manhã: medialunas (farinha)

Almoço: milanesa (farinha de rosca) com batata frita (outro carboidrato!)

Merienda:  empanadas (farinha) ou tostados (farinha)
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Jantar: pasta (farinha)

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Um sabor bem argentino: Pasta com aspargos, steak e chimichurri

Reinam absolutos nas mesas: pães, massas em geral, tortas doces e salgadas, empanadas, medialunas, milanesas, alfajores. Aí você me diz: “Ah, mas existe farinha integral também!” E eu te respondo: eles ainda não descobriram isso! No supermercado, você mal mal vai encontrar pães e biscoitos integrais, que dirá macarrão ou tortilhas.  Falando em biscoitos, eles parecem adorar as asquerosas “galletitas” amanteigadas. Existem prateleiras e mais prateleiras dedicadas a elas. Assim como das massas e outras farinhas industrializadas em geral. SABE AQUELE ARROZ COM FEIJÃO, BIFE, BATATA FRITA E SALADA? Então… 🙁 

Tá até bonito né? Mas não se deixem enganar! Mais farinha.

3) OS PORTEÑOS:

Tá, eles são lindos! Lindos mesmo. Bonitos ao ponto de você se apaixonar umas três vez durante seu trajeto de 40 minutos até o trabalho. Mas o que esse povo tem de beleza, tem de complicação, oh meu pai!

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As “chicas” que vivem aqui sabem bem do que eu estou falando, os meninos também. Eles podem até ser super amáveis mas normalmente essa “amabilidade” fica só entre “eles”. Não fazem a menor força pra te incluir em nada, porque já tem a panelinha deles e dificilmente estão abertos a conhecer gente nova e inserí-las em suas vidas. São super “creídos”! Sabe o carioca no Brasil? É o portenho na Argentina. O resto da população do país não gosta deles! Eles também não se dão ao trabalho de fazer-se queridos. Tem um humor sarcástico, fazem observações toscas e podem te encher o saco até o limite, no caso o deles. As brincadeiras vão até que uma das partes se “enoje” ou fique puta, falando em bom português. Além disso muitos deles são especialistas na arte de putear, ou seja, reclamar da vida, do trânsito, dos preços, do governo, do calor, do frio, da chuva que molha. Isso me leva ao item seguinte, que é…

ESPORTE NACIONAL ARGENTINO: R-E-C-L-A-M-A-R

Confesso que se me esforçasse um pouquinho poderia listar mais algumas coisas que não curto por aqui – olha eu me aportenhando (rs)! Mas considero esses três pontos listados demasiado relevantes para contar minha experiência por aqui.

E como a gente é brasileiro e não desiste nunca, CLARO, sempre encontramos um jeitinho para driblar tudo isso: cozinhamos e comemos mais em casa, fazemos  amizades com todos as pessoas que cruzam o nosso caminho, buscamos grupos de estrangeiros e brasileiros na que também vivem por aqui. A única coisa difícil mesmo de ajeitar é o calor/frio extremo! Pra esse não tem remédio: só ar condicionado e estufa…

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Silvia Oliveira é mineira de Belo Horizonte e formada em Comunicação Social.  Para saber mais sobre essa “casi porteña” clique aqui. Sigam-nos no Facebook e Twitter para atualizações do blog. Para ver fotos da Silvia e de outros autores do BZ sigam-nos no  Instagram