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3 Coisas que “no me gustan” em Buenos Aires

17/01/2017

bz_argSilvia Oliveira – Buenos Aires, Argentina

Depois de um ano vivendo (a full) em Buenos Aires, já me sinto no direito, dever e obrigação de me posicionar sobre algumas alguns pontos de minha experiência como imigrante.

Chegou a hora de relatar para vocês, leitores do BZ, que nem tudo são flores. A verdade é que eu poderia citar muitas outras (juro!), mas vou me concentrar nessas três coisas, que mais me “molestan” e “NO ME GUSTAN PARA NADA EN ARGENTINA”!

Vamos a elas:

1) O CLIMA: Entre morrer de frio no inverno e morrer de calor no verão, fique com o dois!

Fato, por mais que o verão seja quente e que dê aquela  esfriadinha  no inverno, no geral, (falo como moradora de Minas Gerais), nós mal percebemos a mudança das estações. As temperaturas variam dentro de um intervalo razoável, o que faz com que a gente não precise ter um guarda-roupa de frio e outro de calor. Muito menos alteramos nossa rotina de vida e de alimentação em função disso. Aqui na Argentina, a vida é uma em janeiro e outra em julho…  Uma saudade: MORAR NUM PAIS TROPICAL!

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Janeiro em Buenos Aires: Alto verão

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Junho em Buenos Aires: Inverno dando as caras

2) A COMIDA: Farinha, farinha e mais farinha.

Gente, ok, sabemos que a colonização da Argentina foi espanhola, que por causa da guerra no início do século passado vieram muitos europeus e, entre eles, pencas de italianos. Mas como adaptar-se a uma alimentação completamente baseada em pães e massas? Não tô sabendo lidar! Quer ver só? Um dia comum na vida de um portenho:

Café da manhã: medialunas (farinha)

Almoço: milanesa (farinha de rosca) com batata frita (outro carboidrato!)

Merienda:  empanadas (farinha) ou tostados (farinha)
blog-empanadas
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Jantar: pasta (farinha)

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Um sabor bem argentino: Pasta com aspargos, steak e chimichurri

Reinam absolutos nas mesas: pães, massas em geral, tortas doces e salgadas, empanadas, medialunas, milanesas, alfajores. Aí você me diz: “Ah, mas existe farinha integral também!” E eu te respondo: eles ainda não descobriram isso! No supermercado, você mal mal vai encontrar pães e biscoitos integrais, que dirá macarrão ou tortilhas.  Falando em biscoitos, eles parecem adorar as asquerosas “galletitas” amanteigadas. Existem prateleiras e mais prateleiras dedicadas a elas. Assim como das massas e outras farinhas industrializadas em geral. SABE AQUELE ARROZ COM FEIJÃO, BIFE, BATATA FRITA E SALADA? Então… 😦 

Tá até bonito né? Mas não se deixem enganar! Mais farinha.

3) OS PORTEÑOS:

Tá, eles são lindos! Lindos mesmo. Bonitos ao ponto de você se apaixonar umas três vez durante seu trajeto de 40 minutos até o trabalho. Mas o que esse povo tem de beleza, tem de complicação, oh meu pai!

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As “chicas” que vivem aqui sabem bem do que eu estou falando, os meninos também. Eles podem até ser super amáveis mas normalmente essa “amabilidade” fica só entre “eles”. Não fazem a menor força pra te incluir em nada, porque já tem a panelinha deles e dificilmente estão abertos a conhecer gente nova e inserí-las em suas vidas. São super “creídos”! Sabe o carioca no Brasil? É o portenho na Argentina. O resto da população do país não gosta deles! Eles também não se dão ao trabalho de fazer-se queridos. Tem um humor sarcástico, fazem observações toscas e podem te encher o saco até o limite, no caso o deles. As brincadeiras vão até que uma das partes se “enoje” ou fique puta, falando em bom português. Além disso muitos deles são especialistas na arte de putear, ou seja, reclamar da vida, do trânsito, dos preços, do governo, do calor, do frio, da chuva que molha. Isso me leva ao item seguinte, que é…

ESPORTE NACIONAL ARGENTINO: R-E-C-L-A-M-A-R

Confesso que se me esforçasse um pouquinho poderia listar mais algumas coisas que não curto por aqui – olha eu me aportenhando (rs)! Mas considero esses três pontos listados demasiado relevantes para contar minha experiência por aqui.

E como a gente é brasileiro e não desiste nunca, CLARO, sempre encontramos um jeitinho para driblar tudo isso: cozinhamos e comemos mais em casa, fazemos  amizades com todos as pessoas que cruzam o nosso caminho, buscamos grupos de estrangeiros e brasileiros na que também vivem por aqui. A única coisa difícil mesmo de ajeitar é o calor/frio extremo! Pra esse não tem remédio: só ar condicionado e estufa…

_______________

Silvia Oliveira é mineira de Belo Horizonte e formada em Comunicação Social.  Para saber mais sobre essa “casi porteña” clique aqui. Sigam-nos no Facebook e Twitter para atualizações do blog. Para ver fotos da Silvia e de outros autores do BZ sigam-nos no  Instagram

16 Comentários leave one →
  1. 17/01/2017 9:49

    Na Europa também rola MUITO pão. Até que na Holanda não se come muita massa, mas é um tal de batata de todo jeito (até frita + molho), pão o dia inteiro, biscoitinho (koekje) com chá… Agora, a pergunta que não quer calar é: Quantos quilos a senhorita já engordou, hein?

    • silviaoliveirabsas permalink
      18/01/2017 0:06

      Engordei 10kgs em 12 meses. Minha sorte é que cheguei super magra! Mas já cortei o carboidrato e pelo visto vou ter que cortar pro resto da minha vida aqui… hahaha! Apesar de ser quase impossível… rs

  2. edvanfleury permalink
    17/01/2017 9:50

    Percebi que eu ia amar morar na Argentina por causa da comida ahahaha. EU amo tudo isso que faz mal à saúde. bjs

    • silviaoliveirabsas permalink
      18/01/2017 0:05

      Engraçado como a maioria deles não tem essa preocupação nutricional. Quando vou comer, logo penso no que é proteína, no que é carboidrato, no que tem vitaminas, etc… por isso tem me custado um pouco esse ponto.

  3. 17/01/2017 19:27

    Boa. O mapa ta certinho com o que eles pensam, kkkk

    • silviaoliveirabsas permalink
      18/01/2017 0:01

      Se não é assim, é quase! Rs

  4. 17/01/2017 23:26

    melhor definição que fizeram. Sou de Córdoba.

    • silviaoliveirabsas permalink
      18/01/2017 0:00

      Gracias Julio. Todavía tengo poco tiempo en Argentina. Pero algunas cosas ya se me hacen muy claras… jajaja

  5. Jonas permalink
    18/01/2017 2:19

    Concordo…hehe. Agora me explique o pq, mesmo eles comendo tanta massa, a quantidade de obeso/gordo é muito menor do que no braza? Principalmente entre os mais velhos. Seria o mate? Heheh

    • silviaoliveirabsas permalink
      18/01/2017 4:12

      Jonas, quem descobrir vai ficar rico! Mas eu acho que a gente come mais que eles…

  6. Tito permalink
    18/01/2017 22:11

    Silvia, eu mudaria o título. Trocaria “Argentina” por “Buenos Aires”. Digamos que é a opinião e a experiência que você tem por viver em Buenos Aires, e você bem sabe que o país é grande e as coisas são diferentes nos outros lugares, tanto que você comenta que as pessoas do resto do país não gostam muito dos portenhos… Imagina que um estrangeiro vai viver no Rio de Janeiro e publica algo sobre o que ele não gosta no país usando fatos que acontecem só no Rio. Seria generalizar e não levar em consideração as grandes diferenças que existem de um estado pra outro ou entre uma ou outra região. 🙂

    • 19/01/2017 8:55

      Tito, “You’ve got a point”. Já mudamos o título. Porém, acho que não dá para comparar o BR (200 milhões de pessoas) com a ARG (45 milhões). Tanto a população quanto a área geográfica do BR são bem maiores que a ARG. Penso que a população Argentina pense mais como “nação” (e portanto hábitos culturais mais homogêneos) que a população do BR (um piauiense não tem a mesma cabeça que um gaúcho, nem um manauense pensa como um carioca). Mas valeu seu ponto de vista!

  7. betofreitas196 permalink
    22/01/2017 16:47

    Sil, alguns pontos que você listou sobre os portenhos também estão presentes nos paulistanos. Provavelmente, são características dessas metrópoles que foram muito influenciadas pela cultura dos imigrantes europeus. Os paulistanos também são muito fechados, embora sejam educados e amáveis em algumas circunstâncias. Mesmo as brincadeiras, como as que você citou, aqui ficam restritas às pessoas que eles consideram próximas. Obviamente, não há tanta proximidade com quem vem de fora. A alternativa também é criar laços com outros “forasteiros” ou paulistanos com a mente mais aberta, normalmente os que são tidos como desajustados ou excluídos da lógica capitalista selvagem que impera por aqui. Talvez nós, por sermos mineiros, acostumados a uma cultura muito mais receptiva e calorosa, soframos um pouco mais com isso. Parabéns pelo texto! Eu em deliciei com a sua história e com as fotos de comida também. 🙂

    • silviaoliveirabsas permalink
      22/01/2017 17:03

      Beto, que feedback fantástico o seu! Fico contente que tenha se divertido lendo! Então, a gente que é mineiro, apesar de ter fama de desconfiado, somos os primeiros a abrir nossa casa é nossa coração a quem chega. Somos receptivos por natureza. E comigo acontece exatamente o que vc disse, ou me “engancho” com outros forasteiros ou faço amizade com os argentinos fora do promédio, mais abertos à diversidade. E mesmo com essas pequenas coisas, minha vida aqui é muito gratificante! Nesse segundo ano, estou fazendo os devidos ajustes para que “mi vida en Buenos Aires” seja cada vez mais ajustada ao meu “savoir vivre”. 😚

  8. Ricardo permalink
    20/02/2017 5:33

    Silvia, bons comentários. O clima realmente é um problema pra quem não é do Sul do Brasil. Eu, como gaúcho, não estranho nada, pois o clima porteño é quase idêntico ao de POA (e menos frio que o de Curitiba), mas quem vem de Minas pra cima realmente sofre. Um abraço!

    • silviaoliveirabsas permalink
      21/02/2017 21:34

      Eu senti muito o clima, Ricardo! Não tô acostumada a esse frio não… nem tinha roupa de frio para isso. E sim, gaúchos e portenhos tem muito em comum, o clima, o churrasco (asado) , o chimarrão (mate). Sem dúvida, deve ser o cidadão brasileiro que menos sofre com a adaptação.

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