Pessoal, me chamo Diogo e esse é meu post de inicial aqui no Brasil com Z. Nasci em Porto Alegre, sou cidadão ítalo-brasileiro e hoje vivo na Itália, mais precisamente em Roma. Sou Professor de Português e Literatura, radialista profissional e empresário. Minha intenção é dividir com vocês as experiências de se viver por aqui, nesse dito Velho Continente, mas que constantemente nos brinda com situações novas.

Há quase quatro anos tomei a decisão de mudar de vez para a Itália. O que me influenciou? O que fez com que eu decidisse levar em frente esse projeto audacioso e arriscado? Bem, na verdade foram diversos fatores, que combinados entre si fizeram com que tomasse essa decisão.

Desejo de mudança, vontade de viver e absorver outras culturas, ampliar horizontes, mais qualidade de vida e medo da insegurança – social, econômica e política – do Brasil são, sem dúvida alguma, fatores que pesaram muito na minha decisão.

Mercado Testaccio, Roma @blogbrasilcomz

Mercado Testaccio, Roma por Diogo Rimoli

Em 2012, no final da primavera europeia, vim para a Europa para dar entrada nos meus documentos relativos à cidadania italiana. Foi ótimo,

descobri um novo mundo, que para muitos é velho. No verão de 2013, no auge do verão europeu, voltei à Itália para pegar meus documentos italianos (passaporto, carta d’identità, etc). Ao voltar para o Brasil, de um modo quase inconsciente, já tinha a decisão na minha cabeça de me transferir em definitivo para a Itália, apenas necessitava de amadurecimento, o que de fato aconteceu poucos meses depois.

A partir desse momento, comecei a executar o plano de deixar o Brasil. Foram três anos de trabalho árduo, de determinação, de foco, de alegrias e tristezas até chegar o momento de embarcar em definitivo para Roma, o que aconteceu há nove meses.

Abdiquei de tudo no Brasil: bom trabalho, ótimas relações, boas perspectivas profissionais, grandes amigos, filhos, família. Nunca pensei em desistir, nunca pensei duas vezes, nunca tive dúvidas, pois sempre tive a convicção de que esse era o meu caminho, principalmente pelo fato de querer muito viver tudo o que descrevi acima e que estou vivenciando paulatinamente agora.

Evidente que é uma mudança drástica, pois literalmente do dia para a noite tudo muda. A moeda, a língua, os costumes, o modo de se vestir, de comer, de torcer por um time, de comprar, enfim, de viver.

Desembarquei em Roma, mais uma vez nas barbas do verão escaldante da Itália, sem saber formular uma frase em italiano e com um vocabulário reduzidíssimo de no máximo 100 palavras. Obviamente que isso me causava uma série de restrições, de limitações. O inglês me ajudou muito, mas a Itália não é exatamente um país onde se possa “viver” com o inglês.

Caffè Pasticceria "U. Giuliani Caffè", Roma @blogbrasilcomz

Caffè Pasticceria “U. Giuliani Caffè”, Roma por Diogo Rimoli

Cheguei à Roma com tudo, não deixei nada no Brasil, pois vendi tudo, tudo mesmo. Ou seja, a coisa era séria, não era uma aventura efêmera. Aí surgem todas as questões de ordem burocráticas: aluguel, contrato, registro nas autoridades, adaptação ao transporte público, viver sem carro, não comer carne todo dia… Mas o ditado “Em Roma faça como os romanos” foi de grande valia e aos poucos fui me inserido à sociedade romana.

Ao passo que resolvia as questões burocráticas, comecei a estudar italiano em uma escola muito boa e específica para estrangeiros. Estudei durante quatro meses, de segunda à sexta, quatro horas por dia. Fiz todos os níveis da escola até chegar ao nível superior, momento em que pude respirar um pouco e sentir efetivamente que havia aprendido o italiano. Sem dúvida que houve momentos em que bateu o desespero e que achei que nunca conseguiria aprendê-lo de fato. Aliás, para quem acha que aprender italiano é fácil pelo fato de falarmos português, vai uma dica: NÃO, NÃO É FÁCIL e requer muito esforço e dedicação.

Galeria Alberto Sordi, Roma, Itália @blogbrasilcomz

Eu e Adriane na Galeria Alberto Sordi, Roma, Itália por Diogo Rimoli

Hoje estou bem adaptado à vida em Roma, que por sinal é uma cidade apaixonante, seja por sua estonteante beleza e história seja por sua caótica condição de grande cidade italiana. Desenvolvo alguns projetos na área do esporte e que estabelecem uma ligação entre Itália e Brasil, tenho inúmeros amigos romanos, italianos e de diversas outras nacionalidades, pois Roma joga isso em cima de você e quem tem os braços abertos acolhe essa oportunidade de bom grado.

Talvez minha tarefa aqui seja exatamente essa de reportar todas as peculiaridades que vivencio cotidianamente, todas as experiências que possam ser comparadas com o Brasil e informar os brasileiros de como é de fato viver por essas bandas.

Conheci diversos países da Europa, tantas cidades – pequenas, médias e grandes – e a cada dia que passa tenho a convicção de que tomei a decisão acertada, tenho a plena consciência de que os riscos tornam a vida mais excitante, colorida, plena e, acima de tudo, tenho muita energia para gastar aqui ao longo de muitos anos que ainda estão por vir.

Saudades do Brasil? Nem tanto. Eu sinto sim saudades das pessoas, pois elas são fundamentais para dar vida aos belos lugares que são praticamente infinitos ao longo do mundo.