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O “boom” de brasileiros no Chile, parte I

06/02/2017

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Carlos Fernandes – Santiago, Chile

É incrível como venho percebendo ao longo dos últimos anos o aumento vertiginoso da quantidade de brasileiros que procuram o Chile. Tanto por conta do turismo, como por conta da situação difícil em que o Brasil se encontra, fazendo desse país uma porta de entrada para uma vida melhor.

Portanto, vou dividir esse meu pensamento em dois artigos diferentes para que não haja uma salada de assuntos. Primeiramente vou focar no turismo e, na segunda parte, sobre a busca de uma nova vida nos Andes – um outro post.

O “boom” de brasileiros no Chile: Turismo

O crescimento do número de turistas brasileiros em busca do Chile aumenta a cada dia. Isso é visível na ruas e na busca dessas pessoas por informações na internet sobre o país. Principalmente sobre Santiago e o deserto do Atacama. Ouvir o português pelas ruas santiaguinas tem se tornado mais comum do que se imagina.

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Brazucada, onde me incluo, antes do jogo do Brasil pela Copa América em 2015. Sim, são o Vesgo e o Alfinete do Pânico – Foto: Arquivo Pessoal

Se fizermos uma pesquisa rápida em fontes confiáveis, iremos descobrir que Santiago é a sétima cidade do mundo mais visitada pelos brasileiros, perdendo apenas para Paris, Buenos Aires, e para as cidades norte-americanas de Las Vegas, Miami, Nova York e Orlando. Ou seja, capitais como Londres e Roma ficam atrás da capital chilena.

Os motivos são simples. Santiago fica a menos de quatro horas de avião de São Paulo, por exemplo. Os preço dos voos não são caros, sendo até mais baratos que voar dentro do Brasil. É possível, dependendo da época, encontrar passagens a R$700,00 ida e volta. Apesar de Santiago não ser uma cidade barata, a moeda local (o peso chileno) não difere muito do real. Colocando na ponta do lápis, os preços em geral são bem similares aos encontrados em grandes cidades brasileiras.

Santiago é uma cidade bonita e que facilita o turismo por ser plana. É arborizada e possui belos parques. O verão é seco e são meses sem uma gota de chuva se quer. Dá para conta nos dedos os dias em que o sol não predomina. Normalmente são dias de céu totalmente azul, com um pôr do sol espetacular.

Passear no parque é uma ótima pedida no verão santiaguino - Foto: Carlos Fernandes

Passear no parque é uma ótima pedida no verão santiaguino – Foto: Carlos Fernandes

Já no inverno, as estações de esqui ao redor da capital oferecem aquilo que brasileiro tanto quer conhecer: a neve. É impressionante o número de brasileiros que visitam a cidade nessa época do ano em busca da neve. O maior resort do Valle Nevado, principal centro de esqui do país, sugere que 60% das reservas no inverno são para brasileiros. Muitas pessoas não podem arcar com despesas em dólar ou em euro para realizar esse sonho nos Estados Unidos ou na Europa. Assim, o Chile se torna a opção mais viável.

Brasileiros tendo sua primeira experiência com o esqui em Farellones - Foto: Carlos Fernandes

Brasileiros tendo sua primeira experiência com o esqui em Farellones – Foto: Carlos Fernandes

O deserto do Atacama é outro local que chama mito a atenção dos brasileiros. Na verdade, a atenção de todos. Os europeus invadem o norte do Chile em busca daquelas paisagens surreais. Conheçam os meus artigos Deserto do Atacama I: um paraíso de visita obrigatória e Deserto do Atacama II: a visita ao paraíso continua e tirem suas próprias conclusões.

Outro fator que influencia muito nessa decisão são os feriados prolongados como o Carnaval, a Semana Santa, Corpus Christi e as festas de fim de ano. Viajar à Santiago irá oferecer um custo/benefício bem mais interessante que uma viagem dentro do Brasil.

Em resumo, o Chile se tornou a porta de entrada dos brasileiros no exterior. Assim como já era na Argentina. Normalmente esta tem sido a primeira viagem fora do Brasil dessas pessoas. E foi assim comigo há alguns bons anos atrás.

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O Atacama e seus vulcões incríveis – Foto: Natalia Maimoni

A influência desse “boom”

Essa invasão tupiniquim em terras mapuches fez surgir agências de turismo brasileiras especializadas em tours por Santiago, pelas estações de esqui e outros locais fascinantes em meio a Cordilheira dos Andes, e para as praias do Pacífico. Muitos dos nossos compatriotas que vivem em Santiago perceberam essa oportunidade e investiram na área do turismo, oferecendo a facilidade da língua e o jeitinho brasileiro para os passeios. É claro que isso também inchou o mercado. Mas, mesmo com a concorrência, há turistas do Brasil suficiente para todos.

Eu não sou daqueles turistas que visita um país novo e sai procurando restaurante brasileiro para comer. Ou qualquer produto brasileiro para consumir. Experimentar aquilo que o país oferece em sua gastronomia também faz parte do turismo em minha visão. Eu sei que em alguns lugares a comida pode não atender nosso paladar. Mas sempre há maneiras de nos entendermos sem precisar manter a rotina de comer a mesma coisa, o tempo todo, onde quer que esteja no mundo.

Mas muitos brasileiros não pensam assim. E, mesmo viajando ao Chile por poucos dias, só querem comer comida brasileira. Pois saibam que restaurantes tipicamente brasileiros estão também em Santiago, pois pessoas que perceberam essa necessidade tiveram a feliz ideia de investir nesse ramo. E estão contentes com os resultados.

Ou seja, a indústria do turismo voltada aos brasileiros se fortaleceu demais com essa alta demanda de visitantes do nosso país. Assim, é possível ir à Santiago usando apenas o português e até comendo apenas arroz, feijão e churrasco.

Mas cuidado com o fator câmbio. Percebendo essa preferência nacional pelos Andes, as casas de câmbio tem aproveitado para lucrar. Principalmente em feriados prolongados como citei acima. Planejar sua viagem com antecedência é sempre o melhor caminho.

Festa Junina em Santiago: onde os expatriados e turistas se encontram anualmente - Foto: Carlos Fernandes

Festa Junina em Santiago: onde os expatriados e turistas se encontram anualmente – Foto: Carlos Fernandes

E sabem o que acontece quando um brasileiro vai ao Chile a passeio e se encanta com o país? Ele enxerga a chance de viver em um lugar agradável e que possa lhe oferecer um bom trabalho e qualidade de vida. Coisas que já não existem mais no Brasil. Pelo menos para muitos de nós.

E é isso que vou abordar em meu próximo texto aqui no BZ. Como esse “boom” também tem refletido na questão da busca por uma vida melhor? Vale a pena investir na ideia? É viável se arriscar? Qual o custo de vida? E os terremotos? A segurança? Os chilenos são tão simpáticos e receptivos assim? Enfim, há muito o que escrever ainda. Aguardem…

__________________________________

Carlos Eduardo Fernandes é publicitário,  escritor, já morou na Irlanda e atualmente é professor de inglês online em Santiago, no Chile. Saiba mais sobre ele e o blog pessoal clicando aqui. Sigam-nos no Facebook acessando aqui. Instagram e Twitter, procure por: @blogbrasilcomz

5 Comentários leave one →
  1. Andrew permalink
    06/02/2017 12:34

    Ainda não conheço o Chile, mas tenho planos de ir em no maximo dois anos
    Eu acho muito mais agradavel e barato viajar para outros paises do que para o Nordeste por exemplo (sou Paulista)
    Preços das passagens são parecidos, hoteis normalmente são superiores pelo msm preço (maravilhosos impostos)
    e o bonus de conhecer novas culturas e formas de viver.

    E também fui levado por esta onde de uma vida melhor no Chile, a um certo tempo ele era um dos poucos paises que
    me adaptaria mais facilmente do que o Velho Continente por exemplo

    • carlosfernandeschile permalink
      06/02/2017 13:28

      Olá Andrew. Espero que você tenha a chance de conhecer o Chile o mais breve possível. Abraço.

  2. Arlete permalink
    06/02/2017 14:53

    Oi Carlos, post muito legal e informativo esse, estou curiosa pelos próximos. Acho que se ainda vivesse no Brasil, tb estaria pensando na possibilidade de me mudar para o Chile. Abraço

    • carlosfernandeschile permalink
      06/02/2017 17:26

      Obrigado Arlete. A parte dois chega em breve…rs. Abraço.

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