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Como é trabalhar na Índia? Parte 1

21/02/2017

bz_indiaJuliana Paula – Mumbai, Índia

Olá, pessoal!

Através do meu canal e blog, recebo muitos e-mails de pessoas querendo saber como é trabalhar na Índia. Algumas, estão estudando uma proposta de trabalho, outras simplesmente querem morar na Índia por um tempo e decidiram procurar algum trabalho aqui e, outras, simplesmente por mera curiosidade. Seja lá qual for o motivo, todos são válidos e, espero que através deste texto, vocês considerem todos os fatores e façam a melhor decisão.

job

Talvez um dos maiores choques que eu tenha encontrado aqui na Índia, seja relacionado a maneira de eles trabalharem e as regras em uma empresa. No Brasil, trabalhei quando jovem apenas por 2, 3 anos, dando aulas na faculdade e em cursinhos de idiomas pelo Rio de Janeiro. Em 2007, me mudei para o Japão e, aí, sim, comecei a trabalhar em tempo integral, com benefícios, férias remuneradas…enfim, como “gente grande”. Apesar de nada ser fácil no início, logo me adaptei ao modo japonês de trabalhar e, é algo que gosto e trago comigo até hoje, mesmo já tendo deixado o Japão há 4 anos.

Pontualidade, sinceridade, trabalho em grupo, ter responsabilidade e assumi-la quando preciso, não enrolar para terminar determinada tarefa, cumprir os prazos, etc. Eu poderia enumerar inúmeros fatores que me fazem admirar o jeito japonês de trabalhar. Porém, não é bem o que acontece na Índia. E, é aí que muitos estrangeiros vão à loucura. E, você, que está pensando em vir trabalhar aqui, precisa saber disso! Então, respire fundo e bem-vindo ao nosso guia.

Os horários de trabalho

Pasmem, mas na maioria das empresas indianas, trabalha-se de segunda a sábado. Sim, eu sei que nós amamos ter nossos fins de semana livres, mas dependendo do estilo da empresa e do serviço que ela ofereça, você terá que trabalhar aos sábados.  No meu caso, meu contrato diz que só trabalho de segunda à sexta, de 09:00 às 17:00, mas como trabalho fazendo atendimentos à hospitais e clínicas, e muitos dos pacientes preferem ir aos sábados, eu praticamente não tenho fins de semanas. E, em muitas empresas, você ganha hora extra, mas não tem permissão para compensar os fins de semana trabalhados. Portanto, olho aberto!! Falando em contratos…

Os contratos

Como vocês sabem, aqui todo mundo tenta tirar vantagem. Portanto, olho aberto antes de assinar seu contrato. Preste atenção, sobretudo nas partes que mencionam quanto será seu salário bruto e líquido. Preste atenção também nas férias remuneradas e se você pode tirar todas juntas, por exemplo. Para aqueles que vêem como “expats “, prestem atenção em todos os benefícios que a empresa te dará em terras indianas, além do seu salário. Eles vão pagar o depósito do seu apartamento + a taxa do broker? Isso precisa ser conversado e decidido com antecedência.

Os contratos, sempre foram muito importantes para mim, pois é nele que me baseio para poder lutar por meus direitos trabalhistas caso algo não vá bem. Mas, contratos, muitas vezes aqui, são meros pedaços de papéis. Os indianos costumam trabalhar e aceitar qualquer coisa que lhes é imposta por um superior e, jamais abrem a boca para dizer: “Meus direitos” ou “No meu contrato não está escrito assim”. Mesmo que eles discordem, geralmente não reclamam e trabalham como jumentos. Por exemplo: Na primeira empresa indiana onde trabalhei, meu contrato dizia que eu teria que trabalhar de segunda a sexta, em turnos alternados. Tudo bem. Como teria os sábados livres, me matriculei em uma turma para aprender hindi. Quando alguns meses se passaram, começaram com um papo de que eu teria que trabalhar aos sábados. Eu reclamei e disse que esse não fora o combinado. Mas, a desculpa é que os outros funcionários também trabalhavam e que a empresa estava precisando de mão-de-obra. Depois de muita discussão e stress, eu acabei aceitando trabalhar apenas 2 sábados por mês. Mas, o salário continuou o mesmo. Portanto, já deixe claro na entrevista que os fins de semana para você são sagrados. A não ser que você não se importe de trabalhar seis dias por semana.

Férias

Férias é um outro assunto que dá dor de cabeça. Pelo menos, para mim e outras colegas brasileiras que também trabalham na Índia. No meu caso, por exemplo, só tenho 13 dias de férias remuneradas ao ano. A cada ano que passa, você ganha um dia a mais, o que não é grandes coisas. Aqui a lógica é a seguinte: como temos muitos feriados no país, não precisamos de tantas férias. Errado, pois tirando os feriados da República e Independência, no resto dos dias, muitas empresas funcionam normalmente e os funcionários têm que trabalhar. Tudo depende do perfil da empresa, como já mencionei. Meu esposo é indiano, mas trabalha para uma empresa americana e, eles têm ótimos benefícios e um bom número de férias. Ele tem férias sobrando e acumulando através dos anos e, eu, fico contando cada diazinho para não gastar as minhas. Ó, vida!

Hierarquia

Este fator vai causar choque cultural em muitos brasileiros e estrangeiros em geral que vêm trabalhar aqui. A hierarquia é muito forte na sociedade indiana em geral. Seja dentro ou fora de casa. No local de trabalho, isso logo se reflete com os títulos. Você vai ouvir: – Yes, sir. – Yes, madam (ou a versão curta disso: – Yes, mam.Fulano sir, Fulana madam e por aí vai.

O que mais me impressiona (para não dizer irrita), é fato de as pessoas acharem que só por terem um título de manager ou supervisor ou leader, não precisam mais colocar a mão na massa e, seu único ofício é dar ordens aos outros. E, em dar ordens, os indianos são muito bons. Na hora de abusar do poder, também. Em uma sociedade onde há um rígido sistema de castas que por mais que não se toque no assunto, ele está sempre presente e visível, ter uma posição é algo de muito orgulho. Só que muitas vezes este orgulho excede e transforma-se em power harassment, ou abuso de poder.

Trabalho numa empresa japonesa. No Japão, claro, também há uma hierarquia forte no ambiente de trabalho, mas a diferença é que as pessoas respeitam umas às outras e não chegam a ser tão grosseiras com seus subordinados como vemos aqui. Aqui, é chefe jogando papel na cara do funcionário, batendo a porta na cara, gritando, exigindo que o chame de sire, entre outras cenas que seriam dignas de um filme de comédia. Porém, mostram a triste realidade da sociedade na qual estamos. Vou dar um outro exemplo bem bobinho: no escritório que temos em Bangalore, onde vou de vez em quando, há um japonês que é o gerente e os outros funcionários indianos. Tem uma moça que vem limpar o escritório todo dia. Os indianos bebem chai, café, etc., mas no final do dia, deixam as canecas sujas todas em cima do microondas, simplesmente porque eles foram criados para pensar que aquele não é o serviço deles. Tem uma pessoa contratada para limpar o escritório e, consequentemente, ela lavará os copos. Porém, o manager japonês fica para morrer, porque ele aprendeu na cultura dele que cada um deve lavar e limpar aquilo que sujou. E ai, as briguinhas começam. Eu também sou do “time japonês” e sempre lavo minha caneca antes de sair do escritório.

Este é o retrato da mentalidade indiana. E estou avisando isso tudo para que vocês não fiquem tão chocados se tiverem que vir trabalhar aqui.

Mas eu continuo com mais revelações no próximo post…

_______________

Juliana Paula já morou e trabalhou no Japão. Está na Índia desde 2013 e desde então, tem desbravado aquele belo e encantador país. Para saber mais sobre ela e o blog Tabibito Soul  clique aqui. Sigam a nossa página no Facebook acessando: http://www.facebook.com/blogbrasilcomze dêm uma curtida! Temos também uma conta no Instagram e no Twitter. Divirtam-se! 

6 Comentários leave one →
  1. 21/02/2017 14:38

    Oi Ju, muito interessante, mesmo, adorei saber, mas não me surpreendi com nada, pois já imaginava algo assim pelo que eu vi em minhas andanças.
    Beijos,
    Ana
    Uma dessas faces é o Aarti , palavra hindi , também escrita Arathi, Aarthi (do sânscrito) , um importante ritual religioso Hindu de adoração, uma forma de puja (oferenda), no qual a luz de lamparinas (deepas) com pavios embebidos em ghee (manteiga purificada) ou a cânfora é oferecida as águas do Ganges para mãe Ganga, nome pelo qual é chamado o Rio Ganges que os hindus consideram uma divindade.(a Deusa Ganga).

  2. Nilta. permalink
    22/02/2017 2:14

    Olá, Juliana poderia por favor comentar ou fazer uma matéria sobre o Serviço Administrativo Indiano (IAS)?
    Obrigada.

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