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Dirigindo em Florença, na Itália? Veja essa armadilha!

03/03/2017

bz_italiaJuliano Emílio – Florença, Itália

Meu caros leitores do “Brasil com Z”, tem coisas que acontecem com a gente que merecem ser publicadas, mesmo sendo experiências não tão legais assim. Hoje, o que eu trago para vocês é, o que chamaria de “um importante serviço de utilidade pública aos que pretendem viajar pela Itália de carro”.

blog-flo

Ano passado eu fiz uma viagem de uma semana pela região da Toscana. O passeio foi sensacional, com lindas paisagens, passeios por vilarejos

medievais, além de uma gastronomia que me fez dizer “Mamma mia!” várias vezes. Quatro meses depois, quando já estava planejando a minha próxima aventura, recebi pelo correio uma carta vinda de Florença: uma multa de trânsito. No valor de 109 euros, apresentava a “cômoda” possibilidade de ser paga pelo cartão de crédito através da internet, em um site para lá de suspeito – na minha opinião, tinha um visual de que havia sido programado por um adolescente. Depois de uma rápida busca na internet, percebi que não era o único que havia caído nesta “armadilha florentina”.

Segundo o site “Bella-Toscana“, o que existe é uma “indústria de multas” em Florença, funcionando a pelo menos uns cinco anos. O site afirma que a média é de 1253 multas geradas por dia, ou seja, 457345 por ano! O resultado? Um saldo de  52 milhões de euros arrecadados anualmente para os cofres da prefeitura. A cidade, com 377207 moradores segundo o Wikipedia, tem mais de uma multa por habitante ao ano, me levando a pensar… quem é que anda pagando esta conta? Nós, pobres turistas desavisados!

Procurando por mais informações em sites de viagem, como o Tripadvisor, encontrei vários fóruns de discussão, em diferentes línguas, contando como os turistas do mundo todo receberam a mesma infame cartinha, até um ano depois de sua passagem pela cidade. Nestes fóruns, irlandeses, alemães, americanos e até brasileiros ficam perguntando uns aos outros se vale a pena não pagar a multa ou tentar recorrer (a proposta é de escrever uma carta às autoridades florentinas, em italiano é claro, com uma justificativa razoável – não vale dizer que não sabia das regras). As cartas chegam sempre na língua do país para onde foi enviada e em italiano; em um tom ameaçador, informam que se não for paga em 60 dias, o valor será dobrado.

A armadilha é muito bem elaborada: no centro antigo da cidade existem várias ruelas onde a circulação de veículos é proibida (chamada de “zona a traffico limitato” ou ZTL), mas sem barreira física alguma. Nos postes próximos existem placas bem pequenas avisando da proibição (olhe a foto e veja que não é exagero meu); acopladas a elas estão as (muitas) câmeras, fotografando mais que “paparazzis”, os carros dos turistas desinformados.

Para piorar, muitos hotéis que ficam no centro de Florença disponibilizam vagas de estacionamento para hóspedes que só podem ser alcançadas passando pelas tais ruas de trânsito proibido. Neste caso, o hóspede tem que passar a placa do carro ao hotel antes, que avisará a polícia, que autorizará a passagem. Olha a trabalheira… Como se não bastasse toda essa malandragem, existem agências de locação de veículos famosas, localizadas exatamente nestas ruas interditadas. O que acontece? Os turistas recebem, pelo menos, uma multa na retirada e outra na entrega do carro. Neste caso, ele não precisa nem se estressar com a multa, porque a “prestativa” agencia de locação já passa o número do cartão de crédito do coitado diretamente para a polícia, que desconta o valor automaticamente. Que eficiência, não? Na internet encontrei casos de gente com oito, dez multas deste tipo; um americano desavisado possui uma dívida somada de dez mil euros só em multas no centro de Florença. Imagino como ele deve estar animado para retornar ao país da pizza…

Em uma reportagem do jornal alemão “Süddeutsche Zeitung”, de 2011, a recomendação de advogados é que a multa não seja paga . O repórter informa que nada de grave acontece e a chance de ser checado durante uma “blitz” na Itália ou na entrada através de aeroportos é mínima. Além disso, em cinco anos a multa legalmente expira. Já o setor jurídico da ADAC (Clube do Automóvel da Alemanha) recomenda que a fim de “não se estressar futuramente”, a multa deve ser paga .

Depois de tentar abrir o site oficial várias vezes sem sucesso, finalmente consegui acessar uma foto que comprovava a minha falha. Na dúvida, paguei, e entrei para a milionária estatística de usurpação dos turistas daquela metrópole.

Há relatos de abusos similares em outras cidades italianas, como Pisa, Siena e Roma, onde parece haver também essa fascinação por mandar essas “lembrancinhas” aos turistas, meses depois de suas visitas; em janeiro de 2017 uma amiga recebeu uma multa de Verona, por andar na faixa exclusiva de ônibus. No calor do momento ela até sugeriu que fizéssemos uma campanha para ninguém mais viajar de carro pela Itália! O que eu recomendo é: antes de viagens de carro, procurar na internet o máximo de informações possíveis sobre o tráfego nas cidades em que for dirigir, porque a legislação muda muito de um país para outro.

A armadilha montada em Florença foi tão bem arquitetada fisicamente, legalmente e juridicamente que, apesar da astronômica arrecadação, só contribui em desprestigiar e desonrar a memória e o símbolo que Florença foi e é para o resto do mundo. Contra esta ardilosa artimanha, nós visitantes contamos com uma única, porém potente arma: disseminar a informação. Este é um texto que eu peço empenhadamente que seja compartilhado, para que outros como nós; não caiam nesta arapuca.

Fica a dica!

_____________

Juliano Emilio nasceu no Paraná e é medico. Mora atualmente em Munique, na Alemanha, com a família. Para saber mais sobre ele clique aqui. Para atualizações diárias nossas, sobre a vida fora do Brasil, acompanhem-nos no Facebook e Twitter. Veja lindas fotos do Juliano Emílio e dos outros autores no nosso Instagram. Blog Brasil com Z, um site feito por brasileiros expatriados, vivendo nos quatro cantos do mundo! Quer concorrer a participar como autor? Envie-nos sua mini biografia e motivação para: blogbrasilcomz@gmail.com Contactaremos os melhores candidatos. 

9 Comentários leave one →
  1. 03/03/2017 9:45

    Em meus passeios pela Europa, a Itália nunca foi uma parada planejada, haja visto que passei ou de trem ou de avião, não desembarcando e portanto, sem sequer correr riscos maiores.
    É profundamente decepcionante receber tal lembrança de sua viagem. Eu mesmo, por certo iria xingar muito e, provavelmente, entraria no roll dos inadimplentes, pois nano aceitaria tamanha injustiça, por mais que a lei estivesse ao lado deles, se bem que neste caso, me parece quase idêntico ao que a conhece no Brasil: os bandidos legislam em causa própria.
    No entanto, refletindo com calma e muita paciência, esse alerta vale de aviso aos que se acham pilotos do mundo. Digo isso porque aqui no Japão por exemplo, definitivamente, não aconselho que turista nenhum se aventure a dirigir e, em meus artigos, já comentei isso algumas vezes, haja visto que o transporte público por aqui, além de eficiente, pode ser bem vantajoso economicamente ao turista estrangeiro. Por outro lado, caso ainda insista em dirigir por terras nipônicas (consulte o consulado do seu país de habilitação, para saber se a carta internacional de motorista vale por aqui), o risco não é apenas das multas, mas de ser impedido de retornar ao seu país de residência por ficar, literalmente preso enquanto se investiga as causas, condições e responsabilidades do acidente de trânsito. E não imagine que pela fama de segurança e (pseudo) cordialidade nipônica, as cadeias por aqui sejam dignas de férias.
    Por fim, caso fosse inevitável ter de voltar a Itália, o remédio (muito amargo) é mesmo pagar pela multa institucionalizada.

    • Juliano Emilio permalink
      03/03/2017 11:39

      Eu acredito muito em bom senso. Respeitar as regras do país que se está visitando faz parte do pacote de imersão na cultura, e isso inclui as regras de transito! O problema aqui é que, ao contrário dos centros históricos de outros países onde o transito é realmente bloqueado, em Florença só faltam estender um tapete vermelho para os desavisados entrarem nas áreas proibidas! Do Japão tenho uma ótima lembrança do transito: um taxista muito educado, usando as tradicionais luvas brancas, cobrou só metade da corrida porque demorou um pouco para achar meu hotel, um Ryokan escondidinho em uma viela de Kyoto…

  2. 03/03/2017 10:37

    Eu não pagaria, em hipótese nenhuma. Ficaria anos sem visitar a Itália, na boa. Eu acho essa multa de uma vileza… Eu fico aqui pensando: nas minhas férias vou com minha família geralmente para a França ou Espanha, de carro. Fins de semana vapt-vupt na Alemanha ou Bélgica… Dirigimos para todo lado, pela comodidade. Em cidades grandes e pequenas. Imagina se por cada lugar que passássemos recebêssemos multas controversas, devido à má sinalização/comunicação visual. Ah, não. Procedimento muito vil da prefeitura de Florença, eu não financiaria isso. Há que ser denunciado constantemente em sites e blogs de viagens, programas de TV, guias, etc..

    • Juliano Emilio permalink
      03/03/2017 11:42

      Já dirigi (e bastante!) pela Alemanha, Franca e Espanha e nunca havia acontecido algo parecido… E fora a quantidade de gente reclamando pela internet, o que prova que outros turistas do mundo todo também tem passado por isso.

      • 03/03/2017 18:53

        Nunca, nunca recebi multas fora da Holanda. Mas deve ser porque só estive uma vez na Itália (e não incluí Florença no meu roteiro).

    • 03/03/2017 11:42

      Você tem razo, por isso meu primeiro pensamento de não pagar.

  3. Adriana Leite permalink
    03/03/2017 14:17

    Essa matéria não procede. Vergonhoso é não respeitar as leis de trânsito de um país com base na preservação do seu patrimônio histórico e cultural, de valor incalculável. Claro com o “jeitinho brasileiro” já praticado nesse texto, com recomendações do não pagar uma multa devida, vai ser difícil com essa cultura compreender um país que respeita a sua história. É muito simples, ou se estuda as leis e trânsito local, ou não se aluga carro aqui na Itália. Não existe indústria alguma, procurem informações em bons blogs locais, primeiro que quem está em hotel que precisa passar como veículo autorizado tem essa possibilidade, só se informar com o hotel como proceder, a mesma coisa sobre locadora que se pode pegar e entregar o carro fora das zonas proibidas para trânsito. Fico até preocupada com quem quer visitar o país e vem ler um artigo assim.

    • 03/03/2017 17:58

      Olá, Adriana Leite. Todas as informações e links que o Juliano forneceu procedem. Eu conferi, na responsabilidade de editora do blog Brasil com Z, cada informação. Você provavelmente não conseguiu entender muito bem, por exemplo, esse link em inglês: http://www.bella-toscana.com/traffic_violations_italy.htm#.WLmdmvk1-M9 As prefeituras, especialmente na Itália, devido aos baixos salários dos cidadãos, não obtém o suficiente em taxas e compensam isso com multas ardilosas para obter rendimentos. O autor desse post não manipulou nenhuma informação, tudo pode ser comprovado por quem não tem cabeça quente nem nacionalismo exacerbado. E me parece que você tomou um pouco as dores dos florentinos. Nós aqui do blog Brasil com Z, o Juliano, eu e todos os autores, temos uma reputação pela qual zelar. Não fazemos calúnias, nem denúncias em vão. Entretanto, se você tiver um link, uma informação que prove o que falamos estar errado, ou que lance luz nova nesse assunto, eu gostaria de por favor obtê-la para publicação.
      As multas de Florença são discutíveis. Como comparação: Onde moro, na Holanda, há muito tempo a polícia não tem interesse em resolver crimes leves. O maior interesse da polícia por aqui parece ser obter renda através de multas a motoristas e ciclistas (farolzinho apagado de bike=60EUR, 10 segundos passados do limite do estacionamento= 80EUR, etc.). Mas, diferente de Florença, as multas aplicadas no trânsito da Holanda sempre procedem e nunca são ardilosas ou dúbias.
      Para encerrar, agradeço pelo seu comentário Adriana Leite, volte sempre! Não fique preocupada com brasileiros visitando a Itália, estamos de olho em multas ardilosas e deixando todos bem informados para que não entrem de gaiato nem se metam em imbroglios no país da pizza.

    • Juliano Emilio permalink
      03/03/2017 19:53

      Oi Adriana! Obrigado pelo comentário! Eu acabei pagando a tal multa, apesar da orientação expressa, por exemplo, de uma reportagem do Süddeutsche Zeitung, já em 2011, para que os turistas alemães não pagassem quaisquer multas italianas ( http://www.sueddeutsche.de/auto/strafzettel-im-urlaub-inkasso-alla-fiorentina-1.1129362). Além disso, existem inúmeros fóruns de turistas do mundo todo reclamando da mesma situação, que não é exclusiva dos turistas brasileiros… O intuito é informar os fatos!

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