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Galícia, um destino inesquecível

19/04/2017

Hoje recebemos de volta no “blog Brasil com Z” o autor da Espanha, Eduardo Caamaño Justo. O Edu deu um tempo no hobby de escrever para o blog durante alguns anos para dedicar-se à literatura, tendo lançado duas biografias nesse meio tempo: do Barão Vermelho e do mágico Houdini. Por incrível que pareça, o Edu nunca falou por aqui no BZ sobre a região do mundo onde vive e de onde sua família vem: a Galícia, no norte da Espanha. Corrigimos esse “errinho” agora, ha!  Antes tarde do que nunca… Bem-vindo ao blog Edu! 

Edu Justo – Galícia, Espanha

Em 2016, a Espanha recebeu 75.3 milhões de turistas e atualmente ocupa o 3º lugar do ranking dos países mais visitados do mundo, ficando apenas atrás da França e dos Estados Unidos. A título de comparação, o Brasil, no mesmo período, recebeu 6.6 milhões de turistas, o que demonstra que o nosso país ainda tem muito que trabalhar para se tornar uma potência turística (e atributos para isso não faltam, mas isso fica para outro post). O que faz da Espanha um dos destinos mais procurados do mundo é a clássica – porém infalível – combinação de custo/benefício, clima favorável, uma gastronomia de referência internacional e uma diversidade cultural única. Porém, como ocorre em qualquer país turístico, existem destinos mais buscados que outros, e no caso da Espanha as cidades mais demandadas são Barcelona, Madrid, Ibiza, Sevilha, Palma de Mallorca ou Valência; destinos muito famosos, porém tão saturados que muitos de seus moradores já começam a sentir-se incomodados com o barulho e com a sujeira.

Muitas agências de turismo na Espanha, conscientes da importância da diversificação e ampliação de sua oferta de produtos e serviços, vêm desenvolvendo um importante trabalho para promover outros destinos menos famosos que são verdadeiros tesouros. Neste post, falarei sobre um deles, a Galícia, região onde eu moro há 13 anos e de onde se origina a minha família.


A “atração turística” por excelência da Galícia é o famosíssimo Caminho de Santiago de Compostela, uma rota medieval de peregrinação com mais de 11 séculos de existência, hoje em dia freqüentado por milhares de pessoas de diversas idades e nacionalidades, cada uma com um objetivo diferente: místico, religioso, pessoal, esportivo, aventureiro, etc… Pouca gente sabe, mas existem várias rotas diferentes para realizar o caminho de Santiago, todas oficiais e devidamente sinalizadas por setas de cor amarela no chão, muros, pedras, postes, árvores, estradas ou marcos de granito. Como regra geral, costumam passar sempre em frente à igreja mais importante ou mais antiga da cidade.

Caminho Francês – começa em Saint-Jean-Pied-de-Port, entra na Espanha por Roncesvalles nos Pireneus, e de lá segue por cerca de 800 quilômetros até Santiago de Compostela. É caminho mais antigo de todos, e também o mais transitado;

Caminho Aragonês – com saída em Somport, e com um percurso de cerca de 980 quilômetros;

Caminho da Prata – com saída em Sevilha passando pela cidade portuguesa de Chaves. Boa parte do percurso é realizado por uma antiga estrada romana a que os árabes chamaram por algo que foneticamente soava a “plata” e por isso ficou o nome;

Caminho Primitivo – com saída em Oviedo, Asturias;

Caminho do Norte – parte de Irún passando por San Sebastian no País Vasco;

Caminho Português – a partir de Lisboa, passando pela cidade de Oporto;

Caminho Sanabrês – a partir de uma bifurcação do Caminho da Prata, desde Granja de Moreruela. É um dos menos freqüentados, mas nem por isso com menos interesse paisagístico e cultural;

Caminho Inglês – a partir das cidades gallegas de Ferrol ou de A Coruña, extendendo-se por aproximadamente 120 quilômetros. Surgiu com o inicio da Guerra dos Cem anos, quando os peregrinos da ilhas britânicas não podiam atravessar a França com segurança e assim viajavam de barco até à Galicia e daí a pé até Compostela.

Para aqueles que não se contentam em chegar a Santiago de Compostela, ainda existe a possibilidade de fazer uma “bonus track” até Finisterra – (ou “Fim da Terra”, como diziam os romanos). Localizado a cerca de 90 km de Santiago de Compostela, é destino final para muitos peregrinos.

O turismo gallego, no entanto, não vive só do Caminho de Santiago. A Galícia também é uma das regiões vinícolas mais importantes da Europa, onde são produzidos o famoso vinho branco Albariño e outras denominações de origem como Godello, Ribeiro, Valdeorras, Monterrei e Ribeira Sacra. Este último é produzido numa região que ficou conhecida como os “Fiordes Gallegos” devido as suas estradas ziguezagueantes que contornam um complexo de montanhas separadas por diversos rios. Ali, é possível realizar passeios de um dia para caminhar, explorar em barcos ou sobrevoar de helicóptero a região considerada uma das mais bem preservadas do mundo.

Da montanha para a praia, as opções são infinitas. Apesar de não contar com o cálido clima mediterrâneo, a Galícia é dotada de uma enorme extensão litorânea que começa na fronteira de Portugal (Atlântico Norte) até Asturias (onde começa o mar Cantábrico. Destaque para a praia de Rodas nas Ilhas Cies (considerada até pouco tempo como a mais bonita do mundo) e a praia das Catedrais, que oferece um cenário de tirar o fôlego.

E para quem gosta de turismo urbano, recomendo conhecer Vigo e La Coruña as duas cidades mais importantes da Galícia. Ambas oferecem um amplo leque de opções culturais, gastronômicas e principalmente de compras. Pouca gente sabe, mas é em La Coruña onde se encontram a sede mundial da INDITEX, empresa proprietária da famosíssima marca Zara e a fábrica da cerveja Estrella Galicia. Por ser uma região muito chuvosa, a melhor época para conhecer a Galícia é no verão, quando o sol só se põe as 11 da noite e os bares estão lotados. Como qualquer cidade espanhola que se preze, os turistas poderão encontrar todo o tipo de tapas, vinhos e cervejas, além de uma ampla gama de mariscos, o prato estrela da região.

Venha a Galiza. Hoxe, manán e sempre!

_______________________

Eduardo Caamaño Justo é blogueiro e autor de biografias históricas. Seu último livro, a biografia de Harry Houdini, está à venda em português e espanhol. Filho, neto e bisneto de espanhóis, mora há 13 anos na cidade de La Coruña. Veja fotos do Edu e de outros autores do BZ clicando na nossa conta do Instagram. Sigam-nos também no Facebook e no Twitter. Blog Brasil com Z, um site de cultura e turismo, feito por brasileiros expatriados vivendo nos quatro cantos do mundo! 

4 Comentários leave one →
  1. AnaFonseca permalink*
    20/04/2017 7:49

    Já vi concha dourada de metal no pavimento da rua até mesmo em Toulouse, Albi ou no Perigueux, acredite se quiser. Devia ter mais no passado, mas ainda estão lá e dá para encontrar fácil quando você ziguezaga pelo centro dessas cidades. Meu marido nunca entende lhufas quando digo: “Olha, a concha indicando que estamos na rota do Caminho de Santiago!” (Ele deve achar que é alguma loja, museu, parque, sei lá).

  2. 20/04/2017 23:43

    Gostei!

  3. João permalink
    28/04/2017 6:50

    Também c essa bagunça que está nosso país,Não é surpresa nenhuma atrair 10 vezes menos turistas p cá. Se o sujeito errar o caminho é entrar numa FAVELA ele tá morto.Por aqui exploram o turista E NÃO o turismo.

    • J. Eduardo Caamaño permalink
      01/05/2017 15:45

      Pois é…. O Brasil tem muito que mudar para se tornar um destino turístico viável. Diversidade natural e cultura ele já tem. Só falta se tornar um lugar mais organizado e, principalmente, seguro.

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