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Camboja – destino dos sonhos

10/05/2017

  Manuela Marques Tchoe – Camboja

Oi leitores do BZ! Hoje dou uma pausa nos meus textos sobre a Alemanha, para contar um pouco sobre um pedacinho do sudeste asiático.

Eu e meu marido estávamos recentemente com uma viagem marcada para a Tailândia, até que inundações cobriram Bangkok e o norte do país. A opção que tivemos? Camboja, um país que só sabíamos de nome e sobre o qual nada conhecíamos. Decidimos encarar a mudança com bom humor, e então partimos para a capital cambojana, Phnom Pehn. E logo quando chegamos caía um pé d’água tão intenso que as ruas também se alagaram, mas ao nascer do sol quente a água já havia evaporado. Preparadíssimos estávamos nós dois para começar nossa exploração nesse destino de “segunda mão”!

Phnom Pehn é uma pérola do sudeste asiático que foi colônia francesa entre os séculos 19 e 20 – a famosa Indochina – assim como vítima dos

horrores do ditador Pol Pot, líder da guerrilha comunista Khmer Rouge. Situada às margens de três rios – Tonlé Sap, Mekong e Bassac, Phnom Pehn apresenta uma mistura de arquitetura colonial francesa e pagodas, largas avenidas e ruelas, pobreza extrema e palácios reais. É um lugar de contrastes, com sabores deliciosos e muita coisa para ver.

Ficamos impressionados e não só com a arquitetura, mas com o jeito simples e hospitaleiro das pessoas. É nesse lugar caótico que encontramos uma fusão de todo tipo de gente: monges com suas roupas laranjas, moças da noite com saias curtíssimas, estudantes fardadas com saias plissê, pescadores ao pé do Mekong, vendedores de rua. Independentemente de quem eram, a hospitalidade está nas veias do povo cambojano; uma das coisas que mais gostamos foram os sorrisos!

Com o nosso guia em Phnom Pehn

Eu e meu marido no Camboja, Ta Prohm

Em frente ao palácio real em Phnom Pehn

Mas não se engane que nem todo sorriso reflete felicidade: Camboja foi palco dos horrores do Khmer Rouge, um movimento que exterminou 25% da população cambojana de fome, pestilência ou através de execuções entre 1975 e 1979. Um dos nossos guias nos contou um pouco do ele mesmo viveu, da fome que passou, dos parentes que perdeu. A tristeza continua lá, ainda está viva e crua, mas o espírito de sobrevivência faz com que o cambojano siga em frente. Mesmo assim é importante que esse passado negro não seja apagado, e no campo de execução, ou Killing Fields de Cheoung EK, podemos ainda ver os resquícios da brutalidade de uma revolução que só trouxe desespero e horror. Visitamos o Killing Fields no nosso primeiro dia em Phnom Pehn, e vimos como a chuva da noite anterior desencavou mais uma camada de terra para revelar pedacinhos de ossos, dentes e vestimentas que aos poucos voltam à superfície. Não é uma visita prazerosa, mas é uma visita importante para entender um pouco da história desse povo sofrido.

Palácio real Phnom Pehn

Não só da capital vive o Camboja, entretanto. É no município de Siem Reap que somos transportados para os momentos mais gloriosos da história desse país que, na verdade, chegou a ser o Império Khmer que abrangia não só o Camboja atual, como partes do Laos, Vietnam e Tailândia. É lá que nos deparamos com o maior templo do mundo (isso mesmo, do mundo!): o Angkor Wat.

Entrada Angkor

Dentro do Angkor Wat

Na verdade, o que vemos não é só um templo, e sim um complexo de santuários que se espalham por uma área de mais de 1,000 km2 com mais de setecentos templos de origem hindu ou budista! O ápice dessa civilização perdida estendeu-se entre os séculos 9 e 15, e possui monumentos grandiosos – ou até mais – que as famosas pirâmides do Egito. Mesmo com toda essa magnitude, esse império e sua antiga capital me eram completamente desconhecidos – como não aprendemos mais sobre esse fascinante capítulo da história mundial na escola?

Angkor Wat

Andamos pelos monumentos de pedra com estátuas entalhadas de Buda, de deuses hindus, de dançarinas e da serpente Nāga, animal de múltiplas cabeças que simboliza o espírito da terra e água do povo Khmer. Vemos monges atravessando os corredores, estátuas de Buda adornadas com tecidos laranjas e sendo reverenciados com incenso e rezas, selva tropical que se converge nos templos, com raízes de árvores fundindo-se à pedra. O único defeito do lugar é o excesso de gente que, como eu, quer conhecer os mistérios de Angkor. A vibração do lugar acaba perdendo-se no burburinho e nas fotos dos turistas (principalmente chineses).

Museu Nacional Phnom Pehn

Ainda assim, é um lugar fabuloso para se conhecer e, se a viagem for programada para estações mais baixas (exceto no período das monções) ainda dá para sentir a energia especial de Angkor.

Monumento no Campo de Extermínio

Para você que está planejando a próxima viagem, lembre-se de colocar Camboja nos seus planos. E, caso você realmente esteja disposta a desbravar esse país fantástico, eis alguns Do’s and Dont’s:

Não se agite ou irrite quando as coisas não dão certo

Camboja não é Europa: tem muita coisa que não funciona, pessoas que tentam te enrolar, horários que não são cumpridos. Para os estressadinhos de plantão, respire fundo e baixe a bola. Ser rude com os locais não vai te ajudar em nada, absolutamente nada.

Não compre ou dê esmola para crianças

No Brasil temos o mesmo problema: crianças de famílias pobres acabam vendendo balangandãs nas ruas e nos templos, e não vão à escola. Evite de comprar quaisquer coisas das crianças; eu sei que é penoso, até porque elas são insistentes mesmo! Se você quiser ajudar crianças desamparadas, o melhor é doar algum dinheiro para instituições que combatem o trabalho infantil.

Não se encontre ou converse com crianças sozinhas

O Camboja tem mais um problema seríssimo: a prostituição infantil. Portanto, evite conversar com crianças se você estiver sozinho. Novamente: se quiser ajudar, pesquise de antemão organizações sérias que combatem esses problemas.

Não ande de elefante

Por mais que pareça bacana, evite andar nos elefantes. Assim como na Tailândia, existem casos de animais maltratados. Não dê trela para esse tipo de comércio!

Tenha cuidado com higiene

Lugares que oferecem comida ou bebida nem sempre são limpos. Eu e meu marido tomamos um suco de cana com gelo local, muito provavelmente de proveniência duvidosa, e tivemos consequências estomacais que não vou detalhar aqui. Fica a dica para tomar água de garrafa fechada apenas, evitar gelo a qualquer custo, e prestar atenção onde você come.

Consuma e ajude a população local

Os cambojanos são pobres e o turismo é uma das poucas fontes de renda do país. Portanto, se você tiver dinheiro, ajude os pequenos negócios. Não só a população sai ganhando, como você também: roupas, souvenirs, refeições em restaurantes são baratos. Aproveite enquanto os preços continuam acessíveis.

Dança tradicional cambojana

Respeite os costumes

É óbvio, não é? Mas que costumes exatamente? Os cambojanos são geralmente pessoas modestas e religiosas, portanto especialmente mulheres devem evitar de usar roupas curtas e decotes, retire os sapatos em templos ou quaisquer outros santuários religiosos, evite demonstrações intensas de afeto como beijos molhados e peça permissão para tirar fotos.

Aproveite a viagem!

*Todas as fotos dessa postagem, com exceção da primeira, são de autoria da própria autora do texto. 

_______________

Manuela Marques Tchoe tem 37 anos, é mãe e diretora de marketing e escritora nas horas vagas. Para saber mais sobre ela e o blog pessoal o Baiana da Baviera  clique aqui. Para atualizações diárias, sigam-nos no Facebook, Instagram e Twitter. Quer participar do “blog Brasil com Z”? Envie-nos um e-mail para blogbrasilcomz@gmail.com informando-nos da sua motivação e dois textos:  uma minibio, e um texto de apresentação. Entraremos em contato com os melhores candidatos para trocar mais informações e, quem sabe, convidar para participar do blog.   

5 Comentários leave one →
  1. Arlete permalink
    10/05/2017 8:41

    Adorei seu post, Manuela. Muitas dicas legais e úteis com fotos lindas! Parabéns tb por enfatizar os problemas da prostituição infantil, do trabalho infantil e de atrações às custas de animais.

    • manuelamsp permalink
      10/05/2017 19:12

      Obrigada Arlete! Fico feliz que você tenha gostado! 🙂

  2. AnaFonseca permalink*
    10/05/2017 9:36

    Oi Manuela, o sudeste asiático é mesmo muito particular. E a parabenizo por ter enfatizado a problemática das crianças de rua e dos animais selvagens em cativeiro. No Instagram tem imagens de ambos, turistas europeus/norte americanos adultos ao lado de crianças sozinhas e com elefantes, leões, arraias, etc.. Nunca dou curtidas. Cumprimos também um papel social aqui no BZ quando levantamos essas questões e dizemos do nosso posicionamento. Parabéns pelo post.
    https://blogbrasilcomz.com/2016/06/16/chega-de-turismo-com-animais-selvagens/

  3. 12/05/2017 13:16

    Sonho em conhecer esse lugar tão diversificado ❤

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