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O que esperar quando você está esperando… no Canadá.

13/05/2017

bz_canada Tallitha Campos – Edmonton, Canadá

Nesse post irei abordar What to expect when you are expecting… in Canada. Pois bem, estou grávida de 16 semanas na data que vos escrevo e quero contar um pouco como tem sido minha experiência com a gravidez e com o pré-natal no Canadá.

Confirmei a gravidez enquanto estava viajando de férias na Europa, em fevereiro. Planejei a viagem que durou 30 dias com vários meses de antecedência. Queria beber todos os vinhos franceses e italianos que encontrasse pela frente. #soquenão Suspeitei da gravidez quando minha menstruação atrasou por dois dias. No dia de embarcar para a Europa, comprei na Dollarama (lojinha estilo 1.99) um teste de gravidez. Fiz o teste ainda no aeroporto, mas o teste não funcionou. Após dois dias em Amsterdam, fiz um novo teste e deu positivo. Naquele momento eu já estava com quase 5 semanas. Aliás, dois dias depois me encontrei com a Ana Fonseca, editora aqui do blog.

Tallitha e Ana em Amsterdam

Tallitha e Ana em Amsterdam. Foto: acervo pessoal Tallitha Campos

No dia que tivemos a confirmação da gravidez, Rodrigo e eu visitamos uma coffeeshop onde ele provou um brownie bombado. Caminhamos pelo

distrito da luz vermelha e, na volta, passei em uma farmácia. Paguei 1 euro pra usar o banheiro público do shopping e fiz o teste. Positivo ++. Sai do banheiro e contei para o Rodrigo. Pra quem estava esperando romantismo, sorry, não teve. Em resumo: papai estava fumado quando recebeu a notícia, hahaha!

As primeiras sensações

Eu queria engravidar, sim. Mas não esperava que estaria grávida durante as férias. A primeira semana foi super normal. A partir da 6a semana eu comecei a sentir os enjoos que durou até as 13 semanas, mesmo ingerindo ácido fólico e vitamina pré-natal.  Muito enjoo. Apesar de nunca ter vomitado, não era qualquer comida que me agradava. Ao final da viagem, em março, eu estava enjoada da comida e da viagem em si. Ainda hoje não consigo olhar as fotos que estão na máquina fotográfica e no celular. Tive que deixar de seguir várias contas no Instagram de Paris, por exemplo, pois me dava náusea. Não consegui mais postar fotos também (se você percebeu, meu feed no Instagram está bem parado ultimamente). Comecei a me sentir mais cansada também. E não bebi todos os vinhos que eu gostaria. Minhas calças ficaram apertadas – ainda não sei se já era a barriga de gravida dando sinal ou barriga de muita massa e pizza mesmo. Já falei que tive muito enjoo? Bastante.

O pré-natal

Agendei a primeira consulta com a médica de família ao retornar de viagem, com quase 9 semanas. A médica estava de férias, então consultei com outro médico disponível na clínica. A experiência com ele foi ruim. Ele não quis me encaminhar para fazer ultrassom e solicitou apenas exame de sangue. Ele também não demostrou muito gosto quando eu disse que gostaria de uma midwife. Enfim. Apenas após sair o resultado do exame de sangue que ele solicitou uma eco com urgência porque ele achava que o bebê era mais velho. Mas o tempo estava certinho, 9 semanas.

Consultei novamente com minha médica de família alguns dias depois. Eu achei estranho quando fui pesada na clínica… estava vestindo minha roupa toda! Roupa de inverno. Minha ginecologista no Brasil jamais me pesaria assim. A médica de família não me examinou em momento algum, apenas verificou a pressão. Tenho um probleminha numa válvula do coração e a médica basicamente se recusou a me encaminhar para um cardiologista, apenas informou que poderia pedir um novo exame após metade da gravidez. Por outro lado ela foi bem aberta com minha preferência por midwife, e não um obstetra.

Um parênteses: O sistema de saúde no Canadá e diferente do Brasil. Todo paciente tem um médico de família para a vida toda. Médico que é compartilhado com o parceiro e filhos se desejar. Não podemos agendar consulta com especialista sem ser encaminhado pelo médico de família. Marcar consulta com dermatologista para pedir creminho para o rosto, não pode. Quanto ao pré-natal, o acompanhamento e feito pelo médico de família até as 20 semanas de gestação, após isso, o médico encaminha para um obstetra que irá atender no hospital onde o parto será realizado.

Com 12 semanas fiz o ultrassom de eco translucência nucal acompanhado de um exame de sangue genético. Os resultados foram dentro da normalidade. Com 13 semanas eu finalmente consegui uma midwife.

Por que não um obstetra?

Após pesquisar e estudar sobre as diferenças entre o pré-natal e o parto acompanhados por uma midwife (parteira) versus um obstetra, decidi seguir com uma midwife. Em Edmonton existem apenas 17 profissionais. Me cadastrei num site e fiquei na lista de espera. Após 4 semanas aguardando, finalmente consegui. Escolhi uma midwife por confiar num tratamento mais humano e pessoal. Também gostei da ideia de parto natural (sem anestesia ou intervenções). Tive feedbacks ótimos de outras pessoas sobre a experiência de parto natural com parteira, e decidi também parir em um casa de parto (desde que não haja complicações). A midwife substitui o obstetra em todos os aspectos. Um exemplo de cuidado e atenção maior foi com a consulta. A minha primeira consulta com a médica de família durou 15 minutos. A consulta com a midwife durou 40 minutos. Eu me senti muito mais segura com a parteira.

Alguns podem pensar “nossa, que hippie”. Eu também pensava isso antes de eu começar a ler e entender como funciona o trabalho delas. Tenho certeza que será a escolha ideal. Só espero que o bebê seja pequeno pra poder sair facilmente, hihi!

Como me sinto hoje

Hoje, com 15 semanas de gestação, se alguém me perguntar como eu me sinto, a minha resposta não será positiva. Não gostei, e não estou gostando do processo. Todos os enjoos, dores de cabeça, dor na lombar, espinhas, falta de ar, dificuldade para dormir porque o nariz entupiu na madrugada… E antes que alguém comente “Ahhhh mas compensa tanto depois que você vê aquele rostinho lindo”, só tenho uma coisa pra te dizer: Ou você é uma mentirosa descarada ou é uma mulher muito corajosa. Esses dias eu conversei sobre isso com um colega de trabalho que contou da experiência da esposa dele, e ele riu quando disse a frase “You are either a stupid liar or a very brave woman”.

Os sintomas são imensos e desagradáveis. Se contar a montanha russa de emoções que a gente sente (raiva, tristeza, frustração, etc.) sem conseguir entender ou controlar. Não me arrependo de ter engravidado. Foi bem planejado, mas reconheço as dores. Não pretendo passar por isso uma segunda vez – e isso não quer dizer que não queira ter mais filhos. 

Um homem certo dia disse: “Chute no saco dói muito mais que dor de parto, né? Já viu algum homem querendo levar um chute pela segunda vez? Já as mulheres que escolhem engravidar pela segunda vez…”. Sábias palavras, amigo.

E você, leitora, o que achou do processo de pré-natal no Canadá? Se você morasse fora do Brasil e pudesse escolher, você optaria por  uma parteira ao invés de obstetra? Conta pra gente comentando no post!

_________________

Tallitha Campos é gaúcha, engenheira por formação, trabalha com qualidade e desenvolvimento de software. Mora em Edmonton com o marido desde 2014. Sigam-nos no Facebook para atualizações diárias sobre morar fora e dicas de turismo no exterior. Blog Brasil com Z, um blog feito por brasileiros expatriados vivendo nos quatro cantos do mundo!  Sigam-nos também no Twitter e Instagram para acompanhar as fotos dos nossos autores. 

4 Comentários leave one →
  1. AnaFonseca permalink*
    13/05/2017 12:15

    Morri de rir com seus enjoos. Mas você está entrando agora no segundo trimestre, o melhor de toda a gravidez. Já dá para todo mundo ver que você tem uma barriguinha de grávida (e não de ter comido muito), ela é fotogênica e não de impede de fazer nada, e os enjoos diminuem bastante.Comece a usar sapatos baixinhos e a pensar num nome(s). Ótimo você ter escolhido parteira e não obstetra. Beijos!

    • Tallitha Campos permalink
      13/05/2017 15:17

      A pançinha já está bem visível mesmo. Já passou aquela aparência de barriga de vermes hehehe! Valeu, Ana.

  2. Isabel Cristina ATTIANESI DE LIMA permalink
    13/05/2017 22:58

    Vou ser muito sincera,tenho amigas que tiveram filhos fora do Brasil e a experiência não foi nada boa.Como tenho 3 filhos e todos foram cesárea pois chegava na hora do parto nunca tinha passagem.Mais sempre fui muito bem assistida por médicos maravilhosos no Rio de Janeiro.A dica que lhe daria caso vc possa venha ter seu filho no Brasil e depois volte para o Canadá.É uma hora tão linda que com certeza queremos estar cercada de pessoas que nos amam,e que falam a nossa língua em todos os sentidos e que saibam o que é realmente ser mãe no Brasil,somos cercadas de carinho todo o tempo.

    • Tallitha Campos permalink
      14/05/2017 4:40

      Oi oi. Obrigada por comentar no meu post e por compartilhar tua experiência com a gente. Eu também conheço histórias ruins (e boas) de brasileiras e canadenses com relação ao parto. Por isso escolhi parto natural com parteira. O feedback que tenho é ótimo. Nossa vida é no Canadá agora e o baby irá nascer por aqui. 🙂

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