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Sagrada Família, em Barcelona

10/10/2017

Ana Fonseca – Barcelona, Espanha

Finalmente, depois das postagens sobre Barcelona que você pode ler aqui e aqui, tomei coragem e tempo para fazer um post sobre a Sagrada Família.

No dia da visita, chegamos 1h20 mais cedo que o horário dos nossos tíquetes. Aproveitamos para descansar com água e sorvetes num parque em frente, e fotografar tranquilamente os exteriores da Sagrada Família. Estudar o entorno, sentir o clima. Percebi que os ônibus de turismo passam ralando muito perto da entrada da catedral.

Isso foi muito bom, já estarmos lá antes do horário, pois nossos tíquetes eram para 16h30 e fomos convidados às 16h para entrar.

A visita

Meu marido comprou online com dias de antecedência tíquetes individuais que incluíam: um audiotour, entrada da catedral e visita a uma das torres. Já do lado de fora, o áudio dá relevância a diversos aspectos da catedral: a porta desenvolvida por um artista japonês, em verde escuro, com diversos elementos da natureza, detalhes da fachada, etc..

Uma vez dentro, você fica meio impactado e sem saber como digerir tudo, apesar da informação segmentada e muito bem pausada recebida pelo áudio. Há muitas pessoas circulando, e nem todos ali estão interessados em detalhes arquitetônicos.

Jesus na cruz, embaixo de um “guarda-chuva” e muito simbolismo: azeite, velas e uvas. Logo acima e atrás dele, subindo bem o seu olhar, você encontra um triângulo que no áudio explica ser a representação de deus (veja fotos abaixo, tentei fazer o melhor possível com as limitações da pequena câmera que eu tinha).

A subida a uma das torres se dá por elevador, controlada por um guia e com poucas pessoas. Você sai do elevador e se encontra em um “nicho” de onde pode fazer fotos da cidade de Barcelona e observar alguns detalhes da fachada. Requere um pouco de ginástica manual e contorção para fazer fotos minimamente decentes através das grades e se espremendo entre outras pessoas.

 

A descida… não, não é de elevador. É uma escada estreita e espiralada, e você precisa ter joelhos muito firmes para aguentar o tranco – o meu tremia muito de cansaço emoção, tive uma desconexão mente-corpo, achei que os joelhos iam ceder.

Dentro, tudo é extremamente moderno, ficção científica e fascinante. Comecei a clicar o teto e os detalhes.

Foto acima e abaixo: apanhei na internet, não consegui posicionamento e nitidez para fazer fotos assim. O teto da Sagrada Família desafia qualquer compreensão lógica. Parece um caleidoscópio, feito de luz e joias. 

Um pequeno detalhe: eu perdi de vista minha filha, e não estava com celular para ligar para meu marido. Me perdi do resto da família como num passe de mágica, plim! No momento que falei o nome dela uma ou duas vezes, rodei e não a vi, um (agente? guia? segurança?) funcionário chegou calmo ao meu lado, se identificou e começou a me fazer perguntas, de modo pausado. Passou isso imediatamente para uma outra colega. Logo, todos já sabiam como minha filha era, trocavam informações sobre a altura, idade, cor do cabelo, como estava vestida (camiseta coral de babados sem manga, bem chamativa, sempre faço questão de que se vista chamativa em aglomerações), que só falava holandês, e ouvi que a mãe era “uma portuguesa (!) de blusa branca e coque no cabelo escuro, perdida na nave central da igreja”. Penso que acharam que era portuguesa porque falei no meio do meu espanhol que o short dela era “azul mariño” ao invés de “azul marino”… Garganta travada e vontade de chorar, depois de uns 15 minutos a localizei com os olhos, ao lado do pai e do meu filho. Mas fiquei impressionada como os agentes agiram rápido e com muito controle da situação, falando baixinho e sorrindo, me tranquilizando. Deve ter mãe chorando, gente desmaiando e criança perdida todo dia por lá, várias, e isso deve ser rotineiro para eles, são super experientes. (Crianças perdidas ou mães perdidas, depende do ponto de vista de quem conta a história, rs).

Acima, a oração “Pai Nosso” em catalão. Para a gente que sabe português, é bem facinho: “Pare nostre, que esteu em el cel, sigui santificat el vostre nom…”

O piso na saída da visita é assim (acima, um detalhe – não consegui fotografar o resto todo, muitas perninhas e pezinhos circulando…).

Impressão final?

Eu já estive em diversas catedrais na Europa, romanas, góticas, barrocas… A Sagrada Família é diferente de tudo que já vi em termos de arquitetura da igreja católica, e realmente a arquitetura fascina e emociona. O art nouveau próprio do Gaudí tem um quê de futurista / nave espacial, inseto, herança árabe e geometria (a parte da “floresta de colunas” da Sagrada Família, os “caracois” das escadas, os tentáculos) e inovação. Tudo muito complexo e de bom gosto. Eu sem dúvida voltaria lá mais uma vez, quando visitar a cidade no futuro.  Foi um sonho que se realizou e que só ficará melhor com a passagem dos anos, quando a catedral estiver terminada. Quando? Há estimativas para que isso ocorra em 2026, exatos 144 depois de ter sido começada. Ou seria 2034? Ninguém sabe com 100% de certeza. Só sei de uma coisa ao certo: será o maior e mais belo monumento cristão no planeta Terra, há que se admitir – e isso seja lá qual for sua crença, ou mesmo crença nenhuma.

Algumas curiosidades e números:

A visita a Sagrada Família atrai 3 milhões de visitantes por ano!

O custo dos tíquetes de entrada desses visitantes gera € 25 milhões por ano, que são usados para cobrir os custos da construção. Quando você visita a Sagrada Família, está ajudando a completá-la;

Quando pronta, esse templo católico terá um total de 18 torres – 1 para cada evangelista, 1 para cada apóstolo, 1 para a Virgem Maria e 1 para Jesus. Essas duas últimas estarão acima de todas as outras, especialmente a torre de Jesus: terá 172,5 metros de altura.

Gaudí dedicou uns 43 anos da sua vida à supervisão dos trabalhos de construção da Sagrada Família. Ao morrer depois de um atropelamento aos 74 de idade, ele tinha visto apenas um quarto da construção de sua obra prima.

Atualmente, mais de 70% do total dos projetos da Sagrada Família já foi realizado;

Apesar de ser referida como “catedral” (fiz isso o tempo todo aqui no post) a Sagrada Família é uma basílica, pois é grande, muito grande e foi consagrada pelo papa Benedito XVI como tal em 2010.

Dica Final:

Leve a melhor câmera fotográfica que puder (eu não levei, grrr, devido ao medo de assaltos em BCN – mas deveria ter levado sim), tome tempo. Não faça a visita quando estiver muito cansado(a), ou com fome. Leia antes a respeito de Gaudí e da Sagrada Família, de preferência com guias visuais, com bastante fotos. Eu me informei a respeito sobre toda as obras dele com o livro “Visual Edition to the complete work of Architect: Antoni Gaudí” da Dos de Arte ediciones, ISBN 978-84-96783-85-0. Compacto, papel brilhante, fotos extremamente nítidas, desenhos e esquemas, tudo numas 240 páginas.

Para saber mais, visite o site oficial da Basílica (em catalão, espanhol e inglês): http://www.sagradafamilia.org/es/

Todas as fotos desse post (com exceção das duas do teto, mencionadas de terem sido fisgadas na internet): autoria e arquivo pessoal da própria autora do post. Outras fotos minhas e dos demais autores você encontra no Instagram do blog “Brasil com Z”

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Ana Fonseca mora na Holanda e administra o BZ, um blog feito por brasileiros expatriados vivendo nos quatro cantos do mundo. Dicas de turismo, viagens e culinária, diferenças e choques culturais, as dificuldades em se fazer novos amigos e integrar-se, estudo e trabalho no exterior… falamos sobre tudo isso por aqui, e muito mais! Gostou do que leu? Então curta nossa página do Blog Brasil com Z no Facebook, nossa conta no Twitter e Instagram e compartilhe nossas postagens com seus contatos. Agradecemos! Mora no exterior, gosta de escrever e quer se candidatar a participar mensalmente do BZ? Seja ousado (a) e escreva-nos um e-mail contando quem você é e sua motivação para fazer parte da equipe de autores: blogbrasilcomz@gmail.com Boa-sorte! 

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