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Como o Uruguai mexeu com minha vida

06/02/2018

Carlos Fernandes – Uruguai

Viajar é preciso! Quem nunca ouviu essa famosa frase uma vez na vida? Mas eu, particularmente, precisava viajar com a mochila nas costas, sozinho, sem roteiro, pronto para me perder e a reencontrar aquela parte que faltava do meu sorriso que fui deixando pelo caminho.

Para quem não se lembra, sou o colaborador do BZ que contava para vocês algumas estórias sobre o Chile e a Irlanda, países em que vivi por um tempo. Desde que voltei do Chile, há quase um ano e meio atrás, algo não se encaixava em minha vida no Brasil. E acabei demorando para encontrar a resposta para essa questão.

Feliz da vida em estar na estrada novamente – Foto: Arquivo Pessoal

Em meio a um turbilhão de situações que aconteciam ou deixavam de acontecer, esse pequeno país chamado Uruguai, bem ao nosso lado, me despertou uma curiosidade. Aliás, curiosidade esta que já me perseguia desde os tempos de Chile. E que teve um aumento de intensidade nos últimos meses desse ano.

Quando percebi que esse país só oferecia comentários excelentes por parte de turistas e expatriados brasileiros, reservei sete dias para fazer o que eu não fazia há um tempo. Mochila nas costas, encarar o medo eterno de avião e carimbo no passaporte!

La Rambla: uma preciosidade banhada pelas águas do Rio de la Plata – Foto: Carlos Fernandes

Como o Uruguai me encantou, fascinou e me conquistou

Um país incrível perdido na América do Sul. É assim que eu classifico o Uruguai. No início, durante minha preparação para a viagem, pensava que Montevidéu seria uma espécie de Santiago. Com a diferença de que a capital uruguaia teria praias (mesmo que oferecida por um rio, o La Plata) e a capital chilena, a Cordilheira dos Andes.

Ledo engano. Montevidéu e Santiago não têm nada a ver uma com a outra! O Uruguai não tem nada a ver com o Chile. Assim como pouco se parece com o Brasil em alguns quesitos os quais não entrarei em detalhes, já que fugiria do contexto. E motivos para que eu chegasse a essas comparações não faltam.

Como um viajante, e não como um turista, segui caminhos fora da zona de conforto para um estrangeiro. Conheci locais fora de roteiro, distantes e procurei ao máximo estar em contato com o povo local. Tudo tendo o ônibus como meu principal meio de transporte. Mesmo que meu espanhol chileno macarrônico me pregasse algumas peças pelo caminho. Mas é assim que se faz de uma viagem algo inesquecível. Se perder em tudo. Na rua, na língua, no cardápio de um restaurante e nos pensamentos, claro.

Belezas que os caminhos aleatórios nos mostram em uma cidade – Foto: Carlos Fernandes

Assim, me encantei com a educação, respeito, prestatividade, alegria, estilo de vida e beleza (física mesmo) do povo uruguaio. Pessoas que me viam olhando perdido em um local qualquer e me perguntavam se eu precisava de ajuda. Caixas de supermercado que não me deixavam empacotar minha compra porque isso não era certo de se fazer com o cliente. Ah, Chile… ahhhhh Chile… melhor ficar quieto.

Como esquecer que duas dessas pessoas tiraram de seus bolsos um smartphone, em momentos diferentes, para me mostrar qual seria o ônibus mais correto para eu ir daquele ponto até meu destino final? Como me esquecer de pessoas que davam preferência umas às outras no trânsito ou nas ruas, como uma oferta de gentileza que me fez lembrar alguns países da Europa que conheci? Como esquecer a tentativa deles em conversar comigo em português enquanto eu falava em espanhol?

E que estilo de vida é aquele! Como diz a canção, é preciso saber viver. Não à toa, o Uruguai é considerado o melhor país da América Latina para se levar uma vida, assim como Montevidéu a melhor cidade para se morar. Poder caminhar, pedalar, correr, namorar, tomar o característico mate ou ver o pôr do sol na Rambla todos as tardes/noites é um privilégio invejável. Inveja!!!! Inveja branca!!! É isso que senti dos uruguaios.

La Rambla, em Montevidéu – Foto: Carlos Fernandes

Montevidéu – Punta del Leste – Colonia del Sacramiento

Montevidéu não é uma cidade para ficarmos olhando para cima como na Europa. Não é uma cidade para nos encantarmos com edificações. É um local para curtirmos a vida. Sermos felizes e estamparmos um sorriso no rosto constantemente. É uma cidade para curar qualquer problema que você possa ter e que necessite de um empurrão que a vida não está te oferecendo.

Mas é claro que ela possui belezas arquitetônicas incríveis, como qualquer lugar do mundo, sendo a maioria encontrada na Plaza de la Independencia, na Ciudad Vieja. Como o Palacio Salvo, por exemplo, um dos cartões postais da capital uruguaia. Além do Teatro Solis, Ciudadela, Catedral Metropolitana, entre outros. Sem esquecer de suas agradáveis praças e parques espalhadas pelo município.

Palacio Salvio – Foto: Carlos Fernandes

Teatro Solis – Foto: Carlos Fernandes

E o que dizer de Colonia del Sacramiento! Aquela cidadezinha charmosa e histórica que respira paz. Onde os pássaros e o barulho das águas te faz lembrar de nossa infância (para aqueles com mais de 30 em diante), quando podíamos fazer isso no interior do Brasil. Deixar a hora passar e aceitarmos que os momentos felizes da vida estão nas coisas mais simples do nosso dia a dia.

Centro histórico de Colonia del Sacramiento – Foto: Carlos Fernandes

Algumas ruínas de Colonia – Foto: Carlos Fernandes

Colonia é uma cidade fundada por portugueses e, por isso, nos parece familiar – Foto: Carlos Fernandes

Punta del Leste é uma cidade com outros propósitos. Voltada ao turismo em massa de quem deseja um certo glamour, baladas e apostar seu rico dinheiro em cassinos. Antes se chegarmos ao balneário, passamos por Punta Ballena para uma visita obrigatória a Casa Pueblo, uma das edificações mais incríveis do país.

Casa Pueblo, em Punta Ballena – Foto: Carlos Fernandes

Famoso monumento de Punta del Leste: La Mano ou Los Dedos – Foto: Carlos Fernandes

Para conseguir tirar uma foto sozinho leva tempo – Foto: Carlos Fernandes

Todo o passeio é sensacional, claro. Rende muitas fotos e podemos conhecer locais altamente turísticos. Mas não era isso que eu buscava nessa minha viagem para o Uruguai. E voltar para Montevidéu era tudo o que eu precisava.

Foi difícil me despedir desse país. Pela primeira vez me apaixonei por um povo e seu estilo de vida ao invés da arquitetura ou algo que o valha. Aquela parte que faltava do meu sorriso, o qual fui deixando pelo caminho, foi reencontrado. E com ele, coisas boas estão reservadas para 2018.

Estadio Centenario de Montevideo: um dos mais emblemáticos estádios do mundo – Foto: Arquivo Pessoal

Em algum ponto da Rambla – Foto: Carlos Fernandes

Fim de tarde na Rambla – Foto: Carlos Fernandes

Como eu disse para meus amigos, pela primeira vez em cinco anos, meu grande amor chamado Dublin precisou deixar o topo da minha lista de cidades favoritas. Quem sabe do meu encanto pela capital irlandesa se assustou. Ao mesmo tempo,conseguiu entender o que representou para mim ter conhecido esse pedacinho do mundo encaixado no continente errado.

Mas se esse pedacinho do mundo estiver de fato no lugar correto, que sirva de exemplo para os demais países sul-americanos. E que cada um de nós possamos nos orgulhar de termos o Uruguai como nosso vizinho.

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Carlos Eduardo Fernandes é publicitário, escritor, já morou em Dublin, na Irlanda e  em Santiago, no Chile. Saiba mais sobre ele e o blog pessoal BRchile clicando aqui. Sigam-nos no Facebook acessando aqui. Instagram e Twitter, procure por: @blogbrasilcomz Agradecemos! 

2 Comentários leave one →
  1. marlicarmen permalink
    07/02/2018 22:12

    Nossa, pelas fotos é um lugar lindo. Quero ir pra conhecer.

    • carlosfernandeschile permalink
      07/02/2018 23:33

      Sim, é tudo muito bonito, limpo e alto astral.

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