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Estilo de Vida e Culinária Austríaca

10/04/2018

 Elieser Borba – Áustria

Estou recém-chegado de uma viagem de férias ao Brasil. Retornei à Austria há alguns dias atrás e ainda me encontro sob os efeitos impactantes de sair de um continente para outro enfrentando a incerteza do voo não ser mais um perdido no Atlântico, das diferenças culturais gritantes como sempre, loucura e correria nos aeroportos, a confusão com os três idiomas que agora carrego na cabeça e o choque com o clima e o fuso horário.

Vivo na Austria desde o início de 2017, sem contar as idas em vindas em alguns países da América Latina e Europa e sempre é o mesmo: A chegada nos lugares ou a volta para casa provoca um nó na cabeça. Escreve-se mensagens achando estar no mesmo horário de quem vive noutro país como algo normal, assim como é normal perder compromissos e achar totalmente louco, durante o inverno europeu, em alguns lugares ser praticamente noite às 14hs da tarde.

O inverno da varanda lá de casa, na Áustria

Sendo eu um food addicted convicto e casado com uma mulher que é tão amante de comida e doces quanto eu não foi difícil me adaptar com a alimentação na Áustria. Os austríacos em geral são amantes incondicionais do Schinitzel, do Goulash, do Sauerkraut, do Knödel e do Geselchtes mit Erdäpfelsalat, uma espécie de carne de porco defumada deliciosa.

Geselchtes mit Erdäpfelsalat, carne de porco defumada com salada de batata. Foto: arquivo pessoal do autor

A “média” acompanhada do pão com manteiga das manhãs, por exemplo, aqui é o café Melange.  Em geral, esse Café Melange é acompanhado do Leberkäsesemmel (o Semmel é um pão que na tradição Austríaca seria comparado ao pão francês e Leberkäse é uma espécie de fiambre). Esse prato custa entre € 1,80 e € 2,80 a depender da espessura da fatia do recheio, mas é muito saboroso. Existem vários tipos de Leberkäse: com queijo, com páprica ou um mix de queijo e páprica sendo o último meu preferido.

Leberkäse com queijo, foto: via Pinterest

 

Sanduíche de Leberkase, o “Leberkäsesemmel”. Foto via: Pinterest.

A Áustria, assim como outros países da Europa, agrega à sua culinária culturas gastronômicas de distintas nacionalidades. Porém, tem uma peliculiaridade só dela no que concerne aos seus pratos típicos e períodos do ano em que são servidos com mais assíduidade, como o ganso que é servido assado no outono por exemplo. Nem irei me aprofundar sobre a quantidade de doces incríveis que só servem para ferrar com a saúde e que são bem mais em conta para serem consumidos… dá para morrer de diabetes de forma digna!

É muito comum em fóruns de internet (blogs, Facebook, etc.) perguntas sobre dicas de viagem à turismo ou mesmo em relação à mudança de país, dentre as quais o clima e o idioma são as mais frequentes. No que diz respeito à Austria, eu não diria que a questão do clima seja um problema. Obviamente que neste ponto é importante destacar que existem tipologias diferentes de pessoas quando o tema é ligado à viagem à outros países do eixo Europa, América do Norte e Ásia principalmente. Indivíduos que já carregam uma “bagagem” em relação à viagens deste porte e que porventura já tiveram contato com um inverno mais rigoroso, por exemplo, acabam se acostumando muito mais do que outros que estão se aventurando pela primeira vez. Mesmo estando na terra do Mozart, Schwarzenegger e Christoph Waltz por quase um ano, tive contato com praticamente todas as estações, sendo que a primavera só agora se aproxima, por isso, o mais interessante à ser colocado nesse quesito é que o verão aqui é tão quente quanto na Zona Oeste do Rio de Janeiro em dezembro, que o inverno foi o mais rigoroso que tive contato em comparação com outros países que fui durante o inverno  e que o outono é de um colorido muito pitoresco para o país que emana natureza de forma espetacular mesmo em magalópoles como Vienna, Innsbruck e Salzburg.

O idioma nativo da Austria é o alemão, e isso é a principal dificuldade para os turistas e para os que como eu vivem por aqui. A língua alemã não é nada fácil de se aprender, além do que mesmo em pontos turísticos pelo país nem todos os atendentes, garçons e funcionários em geral falam inglês e espanhol é coisa tão rara quanto português, cabeça de bacalhau ou ver um Flamenguista sendo humilde em relação ao clube. A Austria é o único país que conheço inclusive onde raramente é possível vermos grupos de turistas brasileiros falando português pelos cotovelos e mesmo o ser fluente em inglês aqui praticamente não vale de nada, salvo raras exceções em que se consegue um trabalho onde é necessário o suporte bilíngue para este.

Por isso tudo que falei acima, cabe reforçar que aos que agora lêem estas linhas e intencionam viver por aqui que antes de quaisquer planejamentos orçamentário e profissionais busquem falar alemão pelo menos no nível A2. Isso evitará muito transtorno e irá conter muitas lágrimas de desespero, principalmente quando por algum prodígio divino conseguirem um trabalho mesmo sem falar alemão (milagres acontecem) e começarem a ouvir do chefe ou supervisor “Gemma Geh” (Vambora, vambora) e toda forma de gíria que irá lhes deixar querendo voltar para as terras tupiniquins governada por Temer, Dilma e Lula ao mesmo tempo e achando tudo lindo com “besouros sem asa” passando rente suas cabeças no Rio de Janeiro do prefeito mochileiro Marcelo Crivella.

Uma outra coisa importante aos que desejam aqui viver e que eu e minha esposa descobrimos durante o processo de documentação para minha permanência no país é que na Austria se o estrangeiro, ou como dizem aqui “Ausländer“, tem formação superior é possível este anular a prova de proeficiência no idioma para fins de reunião familiar. Não é que o indivíduo fica isento da prova de alemão A1, mas o exame é protelado para dois anos após entrega do Id Card. Ao fim do prazo de dois anos no entanto é necessário prestar o exame (Prüfung) A2. Eu mesmo achei algo interessante demais, pois a pressão em realizar a prova é diminuída além do que só não estuda o suficiente para passar no exame A2 em dois anos quem for muito descomprometido com seus anseios pessoais!!

Gosto muito de uma canção antiga do Kid Abelha, composta pelo Leoni entitulada “Os Outros” e parte da letra desta música diz “procuro evitar comparações entre flores e declarações”. Muito embora falar de uma vida que passa a ser pautada numa mudança de lugar que envolve mudanças que vão para muito além de apenas estarmos embaixo de outros céus, eu diria que a vida por aqui só não é melhor por eu ser um sujeito dotado de uma empatia que emana pelos poros. É impossível aqui estar, viver e me dar a imergir cada vez mais na cultura da Áustria sem pensar o quanto mais justo seria se idosos por exemplo, não precisassem ter que vender flores, doces ou esmolar nas ruas brasileiras para estarem gozando o fim de suas vidas em aposentadorias mais justas. A comparação é inevitável nesse caso.  Mas termino por dizer aos que por acaso quiserem se aventurar por terras austríacas que sim, venham, tentem, se dêem a conhecer e a construir suas próprias opiniões a respeito deste lugar que de fato é lindo e que desde minha chegada tem sido acolhedor, inspirador, tem me iluminado e me faz querer dedicar mais e mais do que ainda posso à vida que ainda me resta pela frente.

Áustria durante o verão em Neusidlee am See

Sempre serei grato a todos os amores e desejos impossíveis que tem tornado possível viver minha história atual.

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Eliezer Borba é carioca e escritor independente. Para saber mais sobre ele, visite a mini biografia. Sigam-nos no FacebookInstagram e Twitter para atualizações diárias sobre turismo, viajar e morar no exterior. Blog “Brasil com Z”, um website feito por brasileiros vivendo nos quatro cantos do mundo!  

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