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Mamães brasileiras pelo mundo!

05/05/2019

Comemorando o Dia das Mães, hoje e numa próxima postagem, algumas de nossa autoras contam como é a experiência de ter e/ou criar filhos fora do Brasil. 

Manuela Marques TchoeMunique, Alemanha

A independência das crianças é muito importante na Alemanha e esse é talvez o meu maior desafio como mãe aqui em Munique. Existem muitas coisas que espera-se de uma criança pequena faça, desde a trocar de roupa por conta própria até caminhar até a escola sozinho. Aqui, os pequenos já andam de bicicleta na rua com seus quatro, cinco anos (é claro, aqui existe pista de bicicleta), saem para comprar pão, limpam seus pratos e tantas outras coisas que para uma criança no Brasil seria inimaginável. Quando fomos visitar a futura escola de meu filho, eram as crianças que comandavam o tour – e não os professores.

Mas, é claro, quando vejo uma criança andando na rua sozinha eu ainda fico pasma; simplesmente não foi assim que eu cresci. No Brasil, temos a ameaça constante da violência, principalmente nas grandes cidades, e aqui isso não é uma preocupação. As crianças têm um ambiente no qual podem florescer sua independência, e isso é algo muito positivo.

Apesar de às vezes a pressão pela independência ser exagerada – na minha opinião – em geral eu acredito que muitas crianças alemãs crescem com uma desenvoltura muito grande, e que isso trará grandes benefícios no futuro!

 

 

Ana Fonseca – Holanda

Tive dois filhos na Holanda, de parto natural. Hoje, estão com 15 e 12 anos. Tem sido uma experiência muito agradável criá-los aqui. 

Mãe na Holanda divide as tarefas de criação com o pai desde o nascimento dos filhos. Isso vale para tratar de criança doente, levantar no meio da noite, levar a show de balé no fim de semana ou comprar roupas e artigos de escola. Não tem essa de “pai ajudar”, pai tem que fazer metade da criação. Acho a divisão de tarefas mais igualitária que no Brasil. 

As crianças na Holanda são independentes e confiantes. Se moram fora dos grandes centros, a partir dos 5 anos de idade começam a treinar com os pais a andar de bicicleta. Pelo menos no bairro onde moram, e até a escola. Também a partir dos cinco anos vão fazer curso intensivo de natação para adquirir os diplomas de proficiência A, B e C. O curso para tirar o diploma “A” é o mais difícil, dura uns 8 meses e a criança tem que aprender os quatro estilos, a prender a respiração embaixo d’água nadando por 9 metros, e até a nadar com roupas, casaco e sapatos. É necessário num país cheio de canais, questão de sobrevivência – mas acho que começa muito cedo. 

Nem tudo da cultura holandesa me convence. Por exemplo: Acho que há pouco tempo para o almoço na escola: em teoria uma pausa de 30 minutos. Mas na prática, as crianças tem que comer o pão em 10 minutos para “ir brincar lá fora” durante o resto do tempo. Mesmo que esteja frio e o piso do pátio molhado com muitas poças… eles estimulam as crianças a engolir rápido o sanduíche e ir brincar. 

As crianças também vão umas para as casas das outras depois da escola. Isso, por vezes, transtornava meu tempo livre de trabalho às quarta-feiras. Outra coisa é que os aniversários são comemorados três vezes; com lanchinho para coleguinhas na escola às 10h, em casa para amigos e familiares, e ainda uma atividade fora da escola só para os amiguinhos da criança. Isso exige muita logística, pesquisa, organização com transporte, dinheiro, reserva do lugar… é uma dinâmica familiar centrada na criança.   

Os avós da Holanda geralmente não ajudam muito com apanhar na escola, ou ficar com a criança durante uma eventualidade. Aqui, todo mundo é independente e individualista. Então os avós querem é curtir a vida, indo a teatros, jantar fora, viagens… Eu me considero independente dessa ajuda, sou “control freak”, não acho que avós tenham que ajudar na criação. Mas é difícil para uma estrangeira ser mãe por aqui, vai passar por coisas que geralmente as holandesas não passam. 

 

Mila Patrial – Dubai, Emirados Árabes

Viemos morar nos Emirados há três anos com nossos filhos, Camila e Caio (na época com17 anos e 12 anos, respectivamente). Optamos por nos estabelecermos em Ajman, um Emirado próximo de Dubai, devido aos custos com moradia e escola serem mais acessíveis. Eu,  como mãe,  faço o papel de suporte em casa para que todos possam se dedicar aos novos desafios. Moramos perto da escola e da universidade, o que possibilita ir caminhando – mesmo no verão quando o calor é seco e insuportável em determinados horários. A maioria dos alunos dependem dos pais para levá-los para escola ou do ônibus escolar, o que torna o trânsito uma loucura. O Caio, assim que chegamos, não falava inglês e muito menos árabe, mas a adaptação que ele precisou enfrentar não foi apenas com a língua. É toda uma cultura estranha para ser decifrada.

Nas escolas daqui meninas e meninos ficam em espaços separados, o árabe é matéria obrigatória, o ensino islâmico é opcional, porém a cultura islâmica é presente devido ao calendário comemorativo e ao fato da maioria dos alunos e professores serem islâmicos. O período mais complicado é durante o Ramadã, quando aqueles que não estão fazendo o jejum devem respeitar e não comer ou beber na frente dos que estão, as roupas devem ser mais fechadas, a música não é permitida, entre outras regras válidas tanto dentro como fora das escolas. Para a Camila, que já falava inglês, não foi difícil entrar na universidade após uma avaliação curricular. Mas ela também passou por um período de adaptação quanto aos costumes. Voltava apavorada para casa, porque a maior partes das meninas usavam hijab ou burca, e os meninos muitas vezes não falavam com ela (principalmente os locais). Foi um período de muito choro e reclamações, mas passou. Três meses depois, já estava tudo resolvido. Mesmo com todas as diferenças de costumes e religião, adolescentes e jovens no mundo todo têm as mesmas vontades e conflitos. Hoje, meus filhos já se divertem com seus novos amigos do mundo árabe e oriental fazendo churrasquinho no deserto, dividindo um bom e grande prato de “Biryani”, aprendendo os diferentes dialetos locais, e curtindo os raps árabes.

Vivo ainda como mãe brasileira protetora, preocupada com o filho, fazendo lanche saudável para ele levar para a escola, etc.. Enquanto isso, as mães daqui enviam os filhos de ônibus escolar e com um pacote de salgadinho apimentado na mochila – e seja o que Alah quiser!

(A Mila Patrial é arquiteta, e mulher do nosso contribuidor de Dubai, o Carlos Marinho.)

Continua na próxima postagem…

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O “Brasil com Z” é um blog coletivo feito por brasileiros morando nos quatro cantos do mundo, onde falam sobre adaptação cultural, dão dicas de viagem e turismo, além de vários outros assuntos como gastronomia, aprendizado de línguas, criar filhos em uma outra cultura, novos hábitos e mais. Sigam-nos no Instagram e Facebook para atualizações diárias sobre esses assuntos. Agradecemos.
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