Anatê
Aix-en-Provence, França

Na boca, a experiência é das mais agradáveis. Primeiro os dentes quebram a camada lisa de açúcar crocante, em seguida sentimos o sabor ligeiramente amargo da laranja, do melão e de outras frutas confeitadas misturadas às amêndoas e ao mel em um creme espesso e para terminar um biscoito tão fino e delicado como uma hóstia.

A origem da iguaria que tem a forma de um losango remonta à Antiguidade, onde um doce feito de farinha e amêndoas chamado calissone era um dos preferidos da população. No século XV, durante o casamento dela com o Rei René, a austera Rainha Jeanne sorriu saboreando um desses câlins (“carinho” em françês). Durante a peste de 1630, para prevenir a epidemia em Aix-en-Provence, o padre Martelly consagrou a cidade à Nossa Senhora e prometeu à Ela uma homenagem todos os anos. No fim da missa, os calissons abençoados foram distribuídos enquanto o povo cantava em latin venite ad calice.

O “venha ao cálice” foi aos poucos se distorcendo e se tornando “venha aos calissons” e desde essa data, em todo primeiro domingo de setembro, a cidade renova a promessa feita à Maria na igreja de Saint-Jean-de-Malte em uma missa sempre seguida de uma festa popular.

Mas você não vai precisar esperar até lá para saborear um calisson, os doces estão à venda em lojas especializadas e até nos supermercados durante o ano todo. Uma caixinha com seis ou oito calissons – depende da loja e do tamanho do doce – custa, no mínimo, 6€.

Mas nem preciso dizer que vale muito a pena experimentá-lo, preciso?