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Vocabulário Holandês Inútil para Amor & Desejo

16/03/2012

 
Ana Fonseca – Amsterdam, Holanda
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No meu último post eu falei como muitos holandeses (a maioria – nem todos são assim, claro) sentem o amor de uma forma plácida, tranquila, sem sobressaltos, arroubos ou grandes dúvidas. Bom, agora vamos aos termos que os holandeses usam no amor, relacionamentos e casamento. Juntei verbetes de importância aleatória – e irrisória – de uma forma muy loca:

  • Apaixonar-se: verliefd zijn.  Atenção! Quando perguntado (a) o que fez você apaixonar-se por fulano ou fulana é de bom tom dizer na Holanda: “Eu achei ele adorável.” (Ik vond hem/haar lief). Ponto final. Já é o suficiente dizer que achou alguém é adorável/doce. Isso subtende que a pessoa é adorável por dentro e por fora. E daí se desconversa, muda de assunto.
  • Marido, mulher: segue a mesma falta de criatividade do termo para namorado (a) (veja meu post anterior). Fala-se simplesmente man para marido e vrouw para mulher/esposa. Eu achava muito esquisito primeiro falar que o P. era meu “amigo” e depois quando nos casamos dizer que ele era “meu homem”, hahaha! Que emancipação vocabular !
  • Casado (a): getrouwd. Interessante que há a palavra trouw (confiança, fidelidade) no meio. Então pessoas casadas seriam pessoas que confiam uma na outra.

E como dizer fofura, princesa, gato, e outros termos enjoativos em holandês? Sim leitores! Esses termos melosos também existem!

  • Schat: tesouro. Usa-se muito o diminutivo schatje ou tesourinho (a). Muito usado para descrever bebês, criancinhas. Namorados e amigos usam entre si também, para significar “querido”. Usa-se também no cinismo. Por exemplo: “Lieve schat ! Meu querido (a). Eu já estou começando a perder a paciência… “ Nesses caso pode-se usar para se referir a subalternos, atendentes da KLM, recepcionistas intransigentes, pirralhos insuportáveis,  etc..
  • Pop, popje: boneco (a), bonequinha(a), lindinho (a).
  • Mop: literalmente significa “piada”. Se você falar no diminutivo (mopje) significa “gracinha”, engraçadinho (a), fofurinha.
  • Poepje/scheetje: pasmem! Significa “meu cocozinho, meu punzinho”. ARGH!!! Usado em classes sociais baixas.
  • Lieverd: amado, querido.
  • Bloedmooi: bonita de doer, uma mulher belíssima een bloedmooie vrouw. Tradução literal: “bonita de sangrar”.
  • Johnny e Anita. São tipos vulgares e muito sedutores, que se preocupam muito com aparência e usam muitos acessórios, cabelos volumosos, roupas justas e brilhantes, maquiagem pesada, unhas falsas, músculos muito malhados, mulheres muito platinadas ou com o cabelo muito preto quase azulado, etc… Não acho que poderíamos comparar Johnny e Anita com os termos Ricardão e Patricinha.

(Obs.: infelizmente não consigo lembrar de termos como cachorrona/piranha/safada e afins em holandês. Se usa o internacional “bitch”e é bem ofensivo – até mais para quem o pronuncia do que o objeto da ofensa.)

Como dizer “flertar com alguém”? Iemand versieren. Ao pé-da-letra: decorar, enfeitar, embelezar alguém. Faz sentido, não faz? Quando você enche a bola de alguém com palavras está querendo de alguma maneira seduzir essa pessoa, para o bem ou para o mal, não é mesmo?  Eu acho versieren um termo belíssimo da língua holandesa. Enfeitar alguém: paquerar. E olha que holandês não elogia nada nem ninguém, então quando vem palavra bonita o negócio é serio. Pode-se falar também flirten. Mas aí já é na base no olhadão de segundas terceiras e quartas intenções, fungada no cangote e pegada, e não só o palavreado enfeitado. Eu acho o flirten guerrilha, desesperado e pouco sofisticado e o versieren romântico, corajoso e elaborado.

Uma das coisas mais estranhas que existe na língua holandesa é o termo para trair (sexualmente falando). Significa “ir estranho”: vreemd gaan. Outras formas de relacionamento:

  • L.A.T. relatie. Literalmente: living alone together. Uma pessoa está só (fisicamente) – mas não é só (emocionalmente). Quando duas pessoas tem um relacionamento estável, mas cada um mora na própria casa. Muito comum entre pessoas que já foram casadas e tem filhos – mas não necessariamente. Ou pessoas com grande diferença social e econômica (um tem uma casa muito boa e o outro não então preferem não juntar as escovas de dente num mesmo armário). Brincadeiras à parte, pessoalmente eu acho a lat relatie muito interessante quando os dois não dividem o mesmo gosto para decoração, rotina doméstica, etc. Às vezes um gosta do interior e morar em casa, o outro gosta de apartamento na cidade. Ou um é carnívoro e o outro vegetariano zen… vai lá saber.
  • Open relatie. Relacionamento aberto. Casais (não necessariamente casados) que volta e meia um dos dois urina fora do penico – com o consentimento do outro. Muitos casais anunciam: “Nós temos uma open relatie”. Anunciam de boca cheia – que assim acabam atraindo mais candidatos para a esculhambação.
  • Polyamour: relacionamento onde um dos cônjuges se apaixona e se relaciona sexualmente com outro durante certo tempo. Os praticantes do polyamour não se vêem num relacionamento fora do casamento só por desejo sexual. São viciados em se apaixonar… e depois quando não dá certo ficam “só” com o velho e bom cônjuge – até que se apaixonem perdidamente por outro alguém, claro. Eles chegam a apresentar o objeto do afeto aos familiares, aos filhos, aos colegas de trabalho. Aqui, transparência e sinceridade são a base da relação.
  • Partner: parceiro. Quem mora junto e não é casado prefere usar esse termo às vezes ao invés do termo “amigo”. Eu acho muito frio, muito técnico.
  • Knipper licht relatie. Ao pé-da-letra: relacionamento de luz pisca-pica. Relacionamento in & out. Namoro instável. Ou seja: para aqueles casais que não sabem ficar sem brigar e depois ficam doidos para fazer as pazes pra poder brigar de novo. Confundem todo mundo. Com esses casais imaturos é melhor não criticar o ex-parceiro do dito (a) cujo (a) pois antes que você possa imaginar… já voltaram. Igual a muito casalsinho que a gente conhece no Brasil, né? Igual a qualquer lugar do mundo, hahaha! Aliás, acho que para conhecer as pessoas do mundo inteiro basta conhecer bem as pessoas da sua própria aldeia…

Concorda, discorda ? Compartilhe nas mídias sociais ! Bedankt & tot de volgende keer ! 

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Ana Fonseca vive na Holanda. Curtam nossa página no FB e nossa conta no Twitter para atualizações da vida no exterior. Quer ver fotos lindas de Amsterdã e outras cidades pelo mundo? Sigam nosso perfil no Instagram. Blog Brasil com Z, um blog feito por expatriados brasileiros, vivendo nos quatro cantos do mundo! 

15 Comentários leave one →
  1. 17/03/2012 8:04

    Ótimo texto, Anita! Eu já morei junto, já fui casada e já me divorciei…e nos últimos quase 5 anos, optei por uma LAT-relatie. Por escolha de ambos, porque senão não funciona, nè?

    A LAT relatie realmente está ganhando terreno entre os que já foram casados e não querem nem pensar em casar de novo (pra que cometer o mesmo erro duas vezes?). E pra quem tem filhos do casamento anterior, como você mesma disse.

    O importante é que existe todo tipo de reelação e a pessoa deve ter a liberdade de escolher a que melhor combina com ela numa determinada fase de sua vida, né?

  2. 17/03/2012 8:06

    Quanto a tal open relatie, ou relacionamento aberto…eu acho que tem muito mais no Brasil do que aqui…os holandeses tendem a levar o namoro a sério, muitos querem casar e ter filhos,

    Eu acho até que relacionamento aberto é invenção de brasileiro, viu? Rsrsrsrs

    • 17/03/2012 9:27

      A cultura brasileira é bem mais hipócrita. Historicamente quando a mulher descobria um caso ou até mesmo de uma outra família do marido ela se calava e se resignava.

      Aqui um casal amigo nosso teve durante o namoro e casamento um relacionamento aberto – até que o marido disse: “Tô cansado, ou ele ou eu”. Ela disse: “Ele, claro”. Ele pediu para ela sair da casa dele em 24h. Isso foi um casamento aberto bem combinadinho, com filho, e durou até alguns anos. Quando se conheceram ele avisou que viajava a negócios com frequencia para o exterior, principalmente Russia e Polônia… que tinha muita mulher disponível pra todo lado… e que ele se fartava mesmo de prostitutas, que o primeiro casamento tinha acabado por isso, que ele era super franco a respeito (!) e ponto final. Ela topou, topou até casar e ter filho com ele – mas sempre teve seus amantes, mostrava foto prá gente, e os caras dormiam na cama dela COM o marido quando visitavam a Holanda. Os três viajavam juntos levando a criança… Ela sempre pegava caras durante acampamentos de férias da família no verão, na França.

      Quando que no Brasil exisitira uma coisa dessas ???? Ia rolar mil piadinhas, desprezo, julgamento, xingamento dela pelas costas, etc.

      Tipo assim: todo mundo (vizinhos, professores da escola, colegas de trabalho, familia) ficam sabendo da open relatie do casal (de AMBAS as partes, diga-se bem) e ninguém fala um “ai” ? Porque quando alguém dava um risinho sobre o fato de tal casal amigo ter uma open relatie era logo acusado de ter inveja… Então ninguém ciritcava nada nem ficava mordido – afinal o que cada amigo seu faz na cama é problema dele e não interfere na amizade.

      Repito: o relacionamento aberto no Brasil tende a ser é unilateral – só o marido pratica. E se a mulher pratica também é só durante um momento da vida. Está longe de ser equilibrado.

  3. Denise Braga permalink
    17/03/2012 10:16

    Infelizmente, liberdade sexual no Brasil ainda só é bem vista e aceita para os homens. Hipocritamente se fala em direitos iguais ma, rapidinho, se julga uma mulher por sua conduta sexual. Mas um dia isso muda, temos que construir uma sociedade mais consciente e culta politica e socialmente, civil e ambiemtalmente. Um dia a gente chega lá!

  4. 17/03/2012 16:31

    Anita!!!
    Isso e’ que e’ informação cultural sobre relacionamentos!!! Adorei e achei bem legal cada um com seus códigos, nao e’?
    Eu sou casada e acho que o compromisso moral e formal e’ importante. Nao acredito que viveria um relacionamento aberto mas admiro e respeito que tem esse “aproach”.
    Beijos

  5. NCS permalink
    18/03/2012 15:19

    Sinceramente estou passada com estes termos, não sou puritana, tenho 25 anos, mas na minha cabeça e na minha vida não entram estes termos. Namoro um holandês, eu o respeito, sinto e acredito que ele faz o mesmo. O que acho mais engraçado é dizerem que nós brasileiras é que somos “dadas”!

  6. 20/03/2012 13:18

    Anita ótimo texto, faltou o schatje patatje… eu escuto tanto isso por ai… o que me irrita um pouco são os diminutivos sem fim.. babtje, livertje…scheetje realmente é de matar…

    Uma das familias com que eu morei a mãe era viúva, o marido teve um piripaque 2 anos depois do casamento, eles já haviam casado meio tardiamente, aos 40 e poucos do segundo tempo, uma dia eu comentei que deve ter sido muito dificil perder o esposo com duas crianças super pequenas, inclusive uma bebe de 4 meses e sabe o que ela me respondeu? Eu vivi somente uns 3 anos da minha vida com ele, não faz tanta diferença pra mim, só pros meus filhos que vai ser criados sem pais. Fiquei de queixo caido, mas achei brutalmente realista. Depois disso também ela tinha um namorico com um ex colega de faculdade, que era separado, mas dividia a casa com a ex – esposa, depois de 15 anos de casado ele não queria lá nada muito sério com a minha host, que vivia chorando pelos cantos quanto ele saia com outras mulheres e contava a ela, dormia lá em casa quanto estava afim… enfim eu acho que nessa questão e relacionamento aberto tem sempre um que o cotovelo vai doer mais.

    Beijos

    • 21/03/2012 8:28

      “Schatje patatje” é engraçado para chamar criança né ?
      Esse negócio de open relatie é para cowboy !

  7. 20/03/2012 15:11

    Gostei do post (muitissimo bem escrito ainda que mantendo a oralidade do texto) e minha experiencia de 5 anos nestes Países Baixos, confirmam o exposto pela autora.

    Só discordo de que partner pareça frio. Bom, isto é uma opinião pessoal. Até porque muita gente usa a expressão para dar a entender que tem uma relacao bem estavel e solida mas que nao sao (ainda?) oficialmente casados.

    Podemos tecer milhões de comentários sobre como no Brasil é melhor nisto e naquilo. Mas uma coisa aqui continua me maravilhando: as pessoas comentam mutissimo menos sobre a vida pessoal dos outros e, de um modo geral, pega mal fazer comentários julgando o comportamento afetivo das pessoas. Ou seja, voce ouve bem menos coisas do tipo “eles namoram a tanto tempo, eles deviam se casar” ou “ela tem 27 e ainda nao desencalhou”.

    • 21/03/2012 8:34

      Eu ficava decepcionada com alguma tia/tio velho que eu não via há muito tempo me perguntava em alguma festa de casamento/velório/quermesse/coisa que o valha: “… mas você ainda está sem namorado ? Deve ser muito exigente ! Niguém deve prestar para você, hein ! Baixa essa bola ” etc.
      Outra péssima é perguntar se não vai querer ter filho, se ainda vai ficar esperando muito, quantos vai querer, se está com barriguinha de cerveja ou é neném, se ainda não teve porque quer adotar (insinuando que a pessoa possa ser estéril) etc.. Terrível.

  8. 29/03/2012 5:01

    Olha, Anita, me apaixonei ainda mais pela língua Holandesa. Estou aprendendo sozinho, já que a grana é curta para que eu possa pagar por aulas particulares, que são incrivelmente bem lecionadas! Maar, Ik kan! Quando conheci dois amigos holandeses em Buenos Aires, logo de cara a amizade apareceu, mas eles sempre foram muito reservados comigo, não perguntaram muita coisa, ou seja, eles não querem muuitas explicações, querem realmente é descobrir aos poucos, pois, como um deles disse, “Queremos descobrir as pessoas aos poucos, se você conta tudo de uma só vez, ou se explica demais, por quê vamos querer conversar contigo? Qual graça vai ter?”, e pior que não é verdade? O Brasileiro tem mania de falar pra caramba, já sai contando para deus o mundo, do ônibus à academia sobre a sua vida financeira, amorosa, profissional, blá blá blá, eu, por exemplo, sou um desses, mas aprendi a fechar mais a minha boca. Difícil, viu!? Mas, vamos ver como me saio no Holandês, pelo mundo afora! Bedankt voor uw tips! xx.

  9. 30/03/2012 20:20

    Graag gedaan.
    Com estrangeiros eles são mesmo desconfiados. Entre eles tagarelam bastante.

  10. izaira permalink
    24/11/2012 14:49

    Sou casada com um holandês e aprendo muito sobre comportamento social, respeito a vida dos outros e etc. Eles não comentam sobre a vida alheia e ponto. Se tem o marido ou mulher tem outros relacionamentos; não interessa aos vizinhos e parentes; só ao casal. E tudo é falado abertamente entre o casal. Falta grave é ter amante e não falar. No meu caso , optamos por não ter amantes. rsrsrs

  11. izaira permalink
    24/11/2012 14:58

    Você é ótima. está me ajudando a conhecer a cabeça dos holandeses.Obrigada.

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