Skip to content

Eu deveria ter ficado quieto

16/08/2016

japão&    bz_franca W. Anderson – Japão & França

Brasileiro é mesmo uma figurinha premiada. Muitas vezes peca por não ficar quieto.

Tinha acabado de me mudar para Tóquio, enquanto minha esposa estava passeando no Brasil. Então, resolvi conhecer alguns lugares, e a escolha foi Kamakura, uma cidade litorânea ao oeste de Tóquio, já na província de Kanagawa-ken. Porém, relativamente perto e famosa por sua estátua gigante de Buda. O Japão possui duas estátuas gigantes de Buda. A estátua de Kamakura, com 13,35 metros e o Grande Buda de Nara, com 16,2 metros (há fontes que dizem 12 e 15 metros respectivamente e também, que difere de todas elas). Ambos apresentam Buda sentado.

Buda - Templo de Koutoko-in (Kamakura/JP) arq. pessoal

Buda – Templo de Koutoko-in (Kamakura/JP) arq. pessoal

Estava dentro do trem, um pouco lotado, enquanto eu sentado, dois homens estrangeiros, um em torno dos 50 anos e o outro perto dos 30 anos de pé, bem próximos, conversavam entre si, em inglês. Eu estava lendo um ebook, mas mesmo assim ouvia algumas coisas  da conversa deles, já que não falavam tão baixo, além da proximidade. Até aí tudo bem, o assunto era do cotidiano.

Quando chegamos a Kamakura, trocamos de trem, para um outro de pequeno porte, que nos levaria até bem próximo da entrada do Templo. Por coincidência, ficaram do meu lado, todos de pé.

A conversa prosseguia entre eles, mas em determinado instante, um deles reclamou que o outro (então percebi que eram um casal), havia feito “as coisas” com muita força. Não me contive e, soltei uma risada, ainda que discreta. Eles me olharam “feio” e passaram a falar em alemão.

Numa outra oportunidade eu fui fazer um estágio na França, por indicação de um amigo.

Sabem quando você sente vontade de um “pipi” e fica balançando as pernas? Bem… Eu estava num passeio com algumas pessoas que trabalhavam comigo, quando fui ao banheiro. Neste instante, chegou outro homem (depois vi que era um japonês) e talvez ele tivesse mais apertado do que eu, estava com a mão na tentativa de livrar-se do zíper ou das roupas internas (ou procurando o “bilau” mesmo), balançando as pernas cada vez mais e, falando uma expressão de conotação desesperada, tipo, “não vai dar tempo” (あれ – are), repetidamente (あれ、あれ、あれ。。。). Mas eis que ele conseguiu, e soltou outra interjeição (あった – atta), que significa “encontrei/achei”, demonstrando alívio. É claro, tudo isso em japonês (imagino que ele falava consigo mesmo). Contudo, mais uma vez, eu soltei uma risada e ele então olhou pra mim e me perguntou se eu entendia japonês, claro, eu moro no Japão, respondi. Rimos juntos. Lá fora, já recomposto, ele me cumprimentou e se apresentou. Levou numa boa e não imaginava que em Paris, encontraria “um gaijin” que soubesse japonês. Eu falei com ele, “aqui na França, nós dois somos gaijin“.

E vocês, passaram por algo engraçado por saber outro idioma?

________________

W. Anderson é engenheiro elétrico e mora com a família há 11 anos no Japão. Para saber mais sobre ele clique aqui

Vejam fotos dele e de outros autores no perfil do BZ no Instagram. E sigam nossa página no Facebook acessando aqui.

9 Comentários leave one →
  1. 16/08/2016 11:09

    Muito bom. Acredito que muitos tenham passado por situações curiosas e engraçadas em vários lugares do mundo.

    • 16/08/2016 11:14

      E qual foi a sua situação.

      • 16/08/2016 11:22

        Entrar no metro (subway) em Londres e me dizerem entra logo e então eu dizer, “Espera essa vaca sair da minha frente”. E então a pessoa, gente boa pra caramba, me olhar e dizer “Essa vaca aqui fala português fluente”
        Ha ha. Nunca mais. Tô com vergonha até 2020!

  2. 16/08/2016 11:22

    Durante viagens, já ouvi e entendi várias coisas em varias línguas e fiquei pensando se reagiria ou não.
    Um dia sentada num bonde indo para o trabalho uma mulher em pé à minha frente falava com uns amigos em português. Eram turistas do BR. Lá pelas tantas eles começaram a falar que achavam o povo de Amsterdam meio misturado, não tinham “cara tradicional de holandês” e que tinha muito “oriental e gente escura” na cidade. Começaram a analisar cada pessoa ao redor deles no bonde. Eu fazendo cara de paisagem, sem esboçar reações. Até que chegou a hora de me analisarem. “Essa aí pode até ser holandesa, com essas roupas. Mas pode ser também italiana, francesa, americana.. tem de tudo nessa cidade. Com esse cabelo seco e armado poderia na boa ser brasileira também…. “. Aí vagou lugar ao meu lado e a brasileira sentou-se. Eu já estava de saco cheio daquele blablabla bobo e abri minha bolsa para procurar um livro, uma distração. Puxei um livro antigo em português para ler. A mulher ao meu lado ficou de boca aberta e arregalou o olho quando viu a capa do livro e o texto em português. Minutos depois dei sinal, e desci do bonde. Sempre com cara de paisagem e sem esboçar reações.

  3. 16/08/2016 13:47

    Uma vez em Londres, eu estava num famoso restaurante italiano que havia trabalhado, visitando. Em determinado momento, uma mulher vendou meus olhos e perguntou em português, “advinha quem é”. Eu respondi em inglês, “minha irmã chata”. Quando também em inglês, ela disse que eu não tinha irmã. Virei-me e, não reconheci a mulher. Era uma antiga amiga de escola, que havia estudado comigo em 1978.

  4. edvanfleury permalink
    19/08/2016 7:55

    Aqui na China algumas pessoas dizem que eu tenho a bunda grande em Chinês. Aí eu respondo que grande é a lingua da pessoa que tá falando. Na maioria das vezes isso é o suficiente para deixar a pessoa sem graça.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: