japão&    bz_franca W. Anderson – Japão & França

Brasileiro é mesmo uma figurinha premiada. Muitas vezes peca por não ficar quieto.

Tinha acabado de me mudar para Tóquio, enquanto minha esposa estava passeando no Brasil. Então, resolvi conhecer alguns lugares, e a escolha foi Kamakura, uma cidade litorânea ao oeste de Tóquio, já na província de Kanagawa-ken. Porém, relativamente perto e famosa por sua estátua gigante de Buda. O Japão possui duas estátuas gigantes de Buda. A estátua de Kamakura, com 13,35 metros e o Grande Buda de Nara, com 16,2 metros (há fontes que dizem 12 e 15 metros respectivamente e também, que difere de todas elas). Ambos apresentam Buda sentado.

Buda - Templo de Koutoko-in (Kamakura/JP) arq. pessoal

Buda – Templo de Koutoko-in (Kamakura/JP) arq. pessoal

Estava dentro do trem, um pouco lotado, enquanto eu sentado, dois homens estrangeiros, um em torno dos 50 anos e o outro perto dos 30 anos de pé, bem próximos, conversavam entre si, em inglês. Eu estava lendo um ebook, mas mesmo assim ouvia algumas coisas  da conversa deles, já que não falavam tão baixo, além da proximidade. Até aí tudo bem, o assunto era do cotidiano.

Quando chegamos a Kamakura, trocamos de trem, para um outro de pequeno porte, que nos levaria até bem próximo da entrada do Templo. Por coincidência, ficaram do meu lado, todos de pé.

A conversa prosseguia entre eles, mas em determinado instante, um deles reclamou que o outro (então percebi que eram um casal), havia feito “as coisas” com muita força. Não me contive e, soltei uma risada, ainda que discreta. Eles me olharam “feio” e passaram a falar em alemão.

Numa outra oportunidade eu fui fazer um estágio na França, por indicação de um amigo.

Sabem quando você sente vontade de um “pipi” e fica balançando as pernas? Bem… Eu estava num passeio com algumas pessoas que trabalhavam comigo, quando fui ao banheiro. Neste instante, chegou outro homem (depois vi que era um japonês) e talvez ele tivesse mais apertado do que eu, estava com a mão na tentativa de livrar-se do zíper ou das roupas internas (ou procurando o “bilau” mesmo), balançando as pernas cada vez mais e, falando uma expressão de conotação desesperada, tipo, “não vai dar tempo” (あれ – are), repetidamente (あれ、あれ、あれ。。。). Mas eis que ele conseguiu, e soltou outra interjeição (あった – atta), que significa “encontrei/achei”, demonstrando alívio. É claro, tudo isso em japonês (imagino que ele falava consigo mesmo). Contudo, mais uma vez, eu soltei uma risada e ele então olhou pra mim e me perguntou se eu entendia japonês, claro, eu moro no Japão, respondi. Rimos juntos. Lá fora, já recomposto, ele me cumprimentou e se apresentou. Levou numa boa e não imaginava que em Paris, encontraria “um gaijin” que soubesse japonês. Eu falei com ele, “aqui na França, nós dois somos gaijin“.

E vocês, passaram por algo engraçado por saber outro idioma?

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W. Anderson é engenheiro elétrico e mora com a família há 11 anos no Japão. Para saber mais sobre ele clique aqui

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