japão W. Anderson – Japão

Uma das primeiras coisas que aprendemos no idioma japonês, são os números. E quando estamos estudando eles, aprendemos que alguns possuem mais de uma forma de ser expressados. O número 4 é sempre ensinado com grande ressalva, pois além do próprio número ser omitido em muitas situações (como por exemplo, o número de uma casa ou apartamento dificilmente terminará em 4), o fonema dele também está associado à morte.

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Um clássico do terror japonês no cinema: “The Ring”. E põe terror nisso! 

Falar sobre morte com um japonês é algo difícil de acontecer. Eles são muitos reticentes em falar deste assunto. Possuem medo até de fantasmas, principalmente se alguém disser que uma pessoa conhecida, apareceu em sua frente, depois de morrer. Já comentei aqui, em post anterior, sobre um colega de trabalho que foi embora depois de uma brincadeira que fiz, simulando a presença do antigo presidente da empresa que

trabalhei em Tóquio. Há, inclusive, um costume de se colocar um copo com sal grosso ao lado da porta na entrada das casas e apartamentos para espantar os fantasmas.

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The Ghost in the lantern Kuniyoshi, via Pinterest
Há uma prática que, quando alguém morre numa residência, ao decidir alugar aquele imóvel, deve ser informado ao interessado que ali já faleceu uma pessoa e inclusive a razão da morte. No condomínio onde moro, um conjunto habitacional de 80 apartamentos, há um onde houve a morte do antigo morador.  Atualmente esse imóvel encontra-se vazio, além de não ser colocado em oferta para alugar.

Contudo, em cidades como Tóquio e Osaka principalmente, com a escassez de imóveis para morar, começam a aparecer pessoas dispostas a alugar tais imóveis por um preço muito menor do valor de mercado. Isso é algo que as imobiliárias tem gostado, pois é melhor que um imóvel esteja alugado por um preço bem menor do que estar vazio por uma fatalidade.

Outra superstição nesse sentido, é a ausência de andares com final 4, em hotéis e hospitais, onde neste último, o 4º andar é geralmente usado como depósito, não ficando o elevador social habilitado a parar neste andar, além de não haver quartos também com o final 4.

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andar hospitalar com a ausência da sala “4” – by nippo.wordpress.com

Talvez a minha maior surpresa foi ter de localizar o norte com uma bússola para poder colocar a cabeceira da cama em posição diferente: Não coincidindo jamais em deixa-la em posição ao norte, pois tal situação sempre acontece em funerais, onde a cabeça do falecido fica sempre ao norte durante seu funeral.

Mas uma nova mania estranha começa a tomar formas de um grande negócio… Um empresário do ramo de lápides, criou um aplicativo móvel, onde baseado no princípio de realidade aumentada, assim como o popular jogo do Pokémon Go, permite que ao chegar em determinado lugar onde possa ter boas lembranças de um ente querido falecido, uma notificação chegue ao aparelho, podendo reproduzir uma mensagem. Geralmente, a mensagem é um vídeo feito pelo ente querido quando já sabia que ia morrer.  O serviço é free para até 10 mensagens e usuários assinantes podem compartilhar até 30 mensagens com 200 pessoas. Para entender melhor, olhe esse vídeo curtinho e emocionante:

Depois de algumas (e duras) críticas ao plano de negócio, outra finalidade para esse aplicativo foi sugerida em servir também para lembrar a alguém (vivo!), ou uma emoção feliz que já teve, ao passar por determinado local, por exemplo. Vejam abaixo:

E aí?  O que vocês acharam dessas superstições japonesas com fantasmas, mortes, números, pontos cardeais e afins?

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W. Anderson é engenheiro elétrico e mora com a família há 12 anos no Japão. Para saber mais sobre ele clique aqui.  Vejam fotos dele e de outros autores no perfil do BZ no Instagram. E sigam nossa página no Facebook acessando aqui.