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100 observações sobre o Japão

13/09/2016

japão W. Anderson – Japão

Quando deixamos de viver uma rotina e passamos a viver em outra, é normal que façamos comparações. E o que no início era difícil de entender, logo passa ser difícil de conviver sem aquilo.

Não apenas o Japão, mas em todo o oriente, os costumes são muitas vezes incompreensíveis num primeiro momento, já que na maioria das vezes, jamais havíamos convivido ou mesmo presenciado tais “rituais”.

Escrever esse artigo, não foi nada fácil. Não apenas por causa da quantidade, mas porque, certamente, muitas outras observações importantes ficarão para (talvez) um outro post. Assim, não queria deixar de fora coisas que certamente alguém poderá citar, mas que por enquanto, irão aguardar. Então, vamos logo!

Cotidiano

1. Segurança – De cada 10 estrangeiros que for consultado, 11 irão falar que o Japão é um país seguro. É verdadeiro, é fato, é real. É claro que acontece um roubo aqui, outro ali, ou acolá, mas a polícia resolve todos. Pode demorar um dia, uma semana, um mês, ano, anos, a polícia vai te comunicar que seu caso foi resolvido e o meliante devidamente preso.

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posto policial em bairro da cidade de Tsukuba-shi, província de Ibaraki-ken – by Polícia de Ibaraki

2. Previsão do tempo & chuva – Japoneses são fanáticos por previsão do tempo. Na TV, entre um programa e outro, sempre aparece a previsão nacional e também da sua localidade, mais detalhada. Pode confiar, a taxa de acerto, ultrapassa os 95%. Não duvide que a chuva não vai cair, se deu na previsão, ela vem. Se não vier, você não olhou direito, dê um reflesh em sua tela e confira.

3. Pontualidade – No Japão, ser pontual é algo cultural. É como a alma de uma pessoa. Chegue 5 minutos antes, mas jamais chegue 1 minuto atrasado. E se chegar na hora exata, desculpe-se imediatamente antes de cumprimentar a pessoa, lamentando por fazê-la esperar por você.

4. Leis Japonesas – As Leis no Japão, existem para impor a ordem e garantir a obediência. É rigoroso demais, mas temos o resultado na nossa frente, para manter a gente calado. No entanto, as leis pouco protegem as pessoas, os menos favorecidos ou mesmo o trabalhador ou o consumidor lesado. E se não está na Lei, é difícil até reivindicar alguma coisa. Nota 5.

5. Homeless – Eu nunca tinha visto um homeless no Japão até morar em Tóquio. E confesso, fiquei chocado. Na minha cabeça, isso não existia aqui. Mas existe sim, principalmente nas grandes cidades como Tóquio, Sapporo, Nagoya, Osaka, Kobe, entre outras mais. Triste, mas por incrível que pareça (uma pesquisa nacional), a grande maioria vive nessa situação por opção de não querer viver com os familiares.

6. Abertura de lojas -Antes da abertura das lojas, há um verdadeiro ritual entre os funcionários. No exato momento da abertura, eles costumam perfilar para cumprimentar os primeiros clientes, oferecendo sacolas ou carrinhos já posicionados de forma a adiantar ainda mais a entrada dos clientes. Algumas (poucas) grandes redes, logo após o “oshogatsu”, abrem o primeiro dia comercial do ano, uma ou duas horas antes, para a grande venda de liquidação, onde os descontos são reais e vantajosos.

7. Fechamento das lojas – Geralmente 15 minutos antes de fecharem, começa uma música instrumental de fundo com uma narração em linguagem bem polida e educada, dizendo que falta “x” minutos para encerrarem o expediente, dizendo inclusive, que você poderá voltar no dia seguinte para continuar a comprar e pedindo sua colaboração e compreensão por não atrasar o encerramento.

8. Lojas de conveniência – As lojas de conveniências, aqui chamadas de “konbini”, existem com a mesma intensidade e variedade que existem bares e padarias no Brasil. As mais famosas, movimentadas e lembradas, em pesquisa nacional, são o 7 Eleven, Lawson, Family Mart e Circle K.

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loja do seven eleven – by 7 Holdings

9. Padarias – As padarias como conhecemos no Brasil, não existem na mesma quantidade. Aliás, como loja, quase não existe. E onde existe, ela não abre antes das 10:00 e já as 17:00, já não tem muito pão pra vender. Não se faz fornadas e mais fornadas de pães durante o dia. Médios e grandes supermercados, possuem sua padaria própria, com vários tipos de pães, desde o baguete, até pães com cremes e recheios, nem sempre atraentes ao paladar tupiniquim.

10. Multas de trânsito – Quando um motorista comete uma infração de trânsito e a polícia para, eles te abordam de maneira muito educada e cortês. No entanto, ao esclarecerem sua falha, eles te multam sem dó ou piedade, fazendo se sentir o próprio criminoso. Você ainda tem de assinalar na multa, se concorda com a punição que foi imposta. Concordando, você não pode nem entrar com recurso, discordando, você vai em audiência no tribunal, com pena mínima de 3 meses sem poder dirigir.

11. Licenciamento de carros – Os carros particulares (de passeio), são licenciados a cada  2 anos. Veículos zero km, o primeiro licenciamento é por 3 anos.

12. Ruas Limpas – Não há lixeiras nas ruas. A limpeza de ruas é feita pelos moradores. Algumas cidades maiores possuem veículos  varredores, mas isso também é cada vez mais difícil de ver.

13. Vaso sanitário de abaixar – Quando era criança, cheguei a ver no Brasil alguns sanitários para uso de cócoras. Era horrível. No Japão, eles existem e persistem, um pouco diferente do que havia no Brasil. Aqui, chamamos de “motoquinha” por causa do formato e da posição de uso. No entanto, o vaso sanitário “ocidental” tem sido cada vez mais instalado nas residências, empresas e shopping centers, com recursos de tecnologia.

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sanitário de estilo oriental (apelidado de motoquinha) – by google

14. Lembranças de viagem – Quando fazem uma viagem para um local distante de onde moram, japoneses compram os chamados “omiagê”, que geralmente são doces, bolos ou algum alimento daquele lugar. Levam para amigos, parentes ou vizinhos mais chegados. Levam inclusive para distribuir entre colegas de trabalho.

15. Visitando amigo/parente – Quando se vai na casa de alguém, mesmo que seja parente, é de bom costume e agrado, levar algo, seja um “okashi” ou mesmo bebidas, como forma de agradecer por estar recebendo-os em casa.

16. Cartões de visita – Viver no Japão muitas vezes exige colocar em prática coisas que muitas vezes não compreendemos bem. O uso de cartões de visitas é algo muito comum. Não apenas os cartões comerciais, mas há também, cartões pessoais, às vezes somente nome, celular e e-mail. Noutras vezes, mais completo, com o endereço e telefone residencial. A maioria das pessoas fazem esses dois tipos, para dar em situações diferentes.

17. Repartições públicas – O serviço das repartições públicas do Japão, atendem tão bem, que se tornam a utopia de todo brasileiro. Você  vai a uma repartição pública e sai de lá com o assunto resolvido. Na pior das hipóteses, você sai com o assunto encaminhado para ser resolvido na sua próxima visita, talvez por depender de algo que seja de você mesmo ou de um terceiro.

18. Aluguel de imóvel – Existe a figura do fiador. Mas ela não é de tudo primordial. Consegue-se com certa facilidade alugar um imóvel diretamente com o proprietário. As imobiliárias cobram taxas diversas para alugar, muitas vezes, chegam a totalizar 7 vezes o valor de um aluguel (2x para taxa de garantia, 1.5x taxa de administração, 1.5x para as chaves e outras vezes, cobram seguros e taxa de associação do bairro). Imóveis dos governos estaduais e federal, podem ser alugados apenas com o pagamento de garantia, muitas vezes, em parcelas  anuais.

19. Taxa da NHK – A tv estatal do Japão, a NHK, cobra uma taxa sobre o sinal de tv aberta, equivalente a quase US$2 por mês. Segundo a lei, esse pagamento é obrigatório a todos que possuem TV em casa, mas na prática, muitos já sonegam por acreditarem que a razão dessa taxa já foi cumprida depois de mais de 40 anos de existência.

20. Prisão – Quando alguém é preso e condenado, vai para um presídio. Lá, a pessoa é identificada durante sua pena, por um número. O seu nome deixa de ter importância dentro da cadeia. A pessoa perde quase na totalidade, seus direitos civis. Pode receber visitas, como também, pode recusá-las. Não há a chamada “visita íntima”, nem mesmo contato físico com os visitantes. Caso esteja preso em uma delegacia ou ainda não tenha sido condenado, as visitas são permitidas, mas somente pode-se conversar em japonês, mesmo que o preso seja estrangeiro e o visitante, não souber japonês e, na presença de um policial para acompanhar o assunto que conversarem, que poderá ser gravado a critério da autoridade.

21. Lixo – Assunto sério, que pode virar caso de polícia. Lixo queimável é coletado duas vezes por semana. Plásticos, a cada 15 dias.  Não queimável em geral, uma vez ao mês. Há outras categorizações de lixo, que possuem intervalos ainda diferenciados de coleta. Para essas três categorias, há sacos de lixo apropriados, adquirimos na maioria das vezes, com cupons fornecidos anualmente pela prefeitura das cidades. Caso não possua mais algum cupom, poderá adquirir os sacos de lixo por preço mais elevado. O valor pago por estes sacos, já incluem a taxa de coleta do lixo. Em cada saco, o morador é obrigado a colocar seu nome. Caso o saco não esteja com o nome do morador, ele não é recolhido e alguém encarregado dessa conferência, identifica o dono e leva o lixo de volta para que o morador coloque seu nome e então despache novamente. Pode parecer chato isso, mas existe uma razão sensata para agirem desta forma. Lixos de grande volumes, deve ser descartado pelo morador diretamente com a empresa de coleta, pagando uma taxa para tal.

22. Papel higiênico – Algo que o Brasil deveria aprender rápido. Aqui, joga-se o papel higiênico usado no vaso. Sua composição permite que imediatamente após a descarga, começa a se dissolver, com a ação de correr pela tubulação. Geralmente é fabricado com a reciclagem de papel de caixinha “pack” de bebidas. É muito fácil acostumar com esse hábito, tanto que quando vamos ao Brasil visitar parentes, achamos muito estranho e também  nojento, colocar papel usado numa cestinha ao lado do vaso.

23. Tirar os sapatos – Outro costume muito positivo e inspirador para o Brasil. Nas entradas de casas e apartamentos, existe um recuo para deixar os calçados usados na rua e assim, não levar a sujeira deles para dentro de casa. Ali, geralmente têm sandálias (chamadas de suripa) apropriadas para andar dentro de casa. Eu gosto muito de ficar descalço ou de meias apenas.

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hall de entrada em apartamento com destaque para sapatos posicionados antes do piso da residência – by google.com

24. Máscaras – O uso de máscaras é praticamente unânime em todo Japão. Há empresas que obrigam o uso durante a execução de determinadas tarefas. Além do mais, pessoas também utilizam quando estão gripadas ou resfriadas. Você se acostuma rápido e muitas vezes, sente que num determinado dia, deveria ter pego uma máscara também pra você.

25. Inglês nipônico – Não se iluda que japonês saiba falar inglês. Eles não falam. A menos que trabalhem com turismo ou vivido muito tempo no exterior, não espere conseguir se virar no idioma de Shakespeare. Neste quesito, há muito mais brasileiros falando inglês do que japoneses. “Thank you” para eles, vira “sankyu” e por aí afora com outras barbaridades.

26. Banca de jornal – Simplesmente não existem no Japão. Nas lojas de conveniências e também livrarias , há revistas e jornais. Apesar do aviso de não folhear revistas e gibis, é muito comum e natural que muitas pessoas passem horas folheando revistas, gibis e livros, não comprando nada e saindo sem sequer comprando um cafezinho. Livrarias e lojas de conveniências, não inibem essa prática.

27. Novelas – As novelas japonesas somente são transmitidas na TV depois de totalmente filmadas. Não há mudanças de histórias durante a apresentação, mesmo que alguma pesquisa reprove o assunto ou personagem. Geralmente, duram no máximo 3 meses, em capítulos diários na média de 20 minutos.

Transporte

28. Horário de trem – O seu trem vai estar naquela plataforma, naquele horário marcado, sem falta. Se por qualquer razão houver atraso, com certeza algum japonês maluco se jogou na linha para se matar. Ou algum espertinho, resolveu segurar as portas para provocar o atraso. Se isso acontecer, a polícia pega ele na estação seguinte.

29. Horário do ônibus – Em todos os pontos de ônibus, sem exceção, há uma tabela afixada com o número da linha e os horários que o ônibus pára ali. Atrasos são raros e, quando ocorrem, não mais do que 2 minutos. Mas se o ônibus estiver adiantado, ele pára e espera o horário certo para sair daquele ponto. Você nunca vai perder o ônibus só porque ele estava adiantado.

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ponto de ônibus no bairro de Roppongi Tokyo – by Shibuya City Hall

30. Pagamento da tarifa de ônibus – Nos ônibus urbano (e também rodoviário), NÃO há a pessoa/figura/função de cobrador. O pagamento é feito próximo ao motorista, numa máquina coletora automática. Inclusive o troco. Algumas cidades, há uma máquina que identifica alguém entrando no ônibus e libera um ticket com um número impresso. Ao descer, a máquina coletora identifica aquele ticket e recolhe o dinheiro, tudo junto. E dá o troco, corretamente.

31. Dormir no transporte público – Mesmo com cartazes e placas indicando que a preferência de assentos para idosos, gestantes, pessoas feridas ou imobilizadas, deve ser respeitado e obedecido, sob pena de multa ou mesmo prisão. Japoneses literalmente ignoram isso e, dormem ou fingem dormir, apenas para não ceder o lugar que está sentado. Aquela gentileza que nossos pais e professores nos ensinaram, aqui, eles também aprenderam, mas usam o sono como desculpa para não respeitar. Nota zero!

32. Leitura em transporte público – É muito comum, muito mesmo, você ver japoneses lendo no transporte público. Eles leem bastante. Muitas vezes, não contentes com a leitura dos livros, jornais e revistas, eles leem também os cartazes dentro do transporte. Isso eu admiro muito mesmo. Seja criança, adolescente, adulto ou idoso, sempre vai ter um de cada lendo algo. Nota 10 para esse hábito.

33. Ônibus urbano (1) – Nas grandes cidades, é normal que muitas linhas de ônibus urbano parem de funcionar após as 20:00. Poucas funcionam até as 23:50. Estranho isso num país que tem o transporte público muito eficiente. Isso porque, o valor dos táxis são muito acessíveis, por isso, quando não caminham da estação até suas casas, as pessoas pegam um táxi.

34. Ônibus urbano (2) – Em qualquer cidade, os pontos/paradas de ônibus, possuem um nome. Quando o ônibus se aproxima do ponto, o motorista fala no sistema de alto falantes, o nome da próxima parada. O passageiro dentro do ônibus, NÃO precisa levantar do assento para aguardar a chegada no ponto e descer. O motorista avisa inclusive, para aguardar que  o ônibus parará totalmente, e então levantar-se para descer. Além disso, o passageiro que está aguardando pelo ônibus, NÃO precisa levantar o braço para pedir que o ônibus pare. O ônibus vai parar de qualquer maneira, caso exista alguém aguardando no ponto.

Comportamento

35. Pedidos de desculpas/perdão – Japoneses vivem pedindo desculpas, principalmente se você ajudar eles. Eles acreditam que se você ajudar em algo, vai estar te causando um enorme transtorno, podendo até prejudicar a você mesmo. Se ajudar um idoso a atravessar, uma mulher com carrinho de bebê, ou mesmo se ceder seu lugar no ônibus ou trem, eles vão te pedir desculpas.

36. Dar justificativas/desculpas – No Japão, justificar-se perante a alguém, empresa ou vizinhança, remete a idéia de que você é um irresponsável. Faz com que se torne uma pessoa extremamente sem confiança e portanto, sem utilidade. Não se desculpe por seus erros. Apenas não erre e será elogiado.

37. Arigatou – No Japão, é natural agradecer por qualquer coisa. Até mesmo por algo que você faz, mesmo que seja sua obrigação. Eles agradecem e pedem desculpas, por achar que você teve algum transtorno em fazer aquilo. Se estiver  em Osaka ou em cidades ao sul, poderá ouvir “okini”, que é o arigatou no dialeto de daquela região.

38. Gentilezas – Japoneses não são gentis. Isso não faz parte da cultura deles. Não se assuste se caso você entrar em uma loja de conveniência, a pessoa que entrou na sua frente, fechar a porta na sua cara ou, ser empurrado por um homem ou mulher mais jovem que você, dentro do trem, apenas para sentar naquele lugar que você iria sentar.

39. Formalidades – Aqui talvez um ponto que muitos irão discordar de mim. Japoneses não são educados, são formais. Eles demonstram a tão admirada “educação nipônica” no ambiente de trabalho, na relação de cliente/fornecedor. No dia-a-dia, com estranhos, é cada um por si e Deus contra todos. Acabou o expediente, literalmente, “phoda-se”.

40. Aperto de mão – No Japão, o cumprimento social é a reverência. O vendedor/fornecedor faz uma reverência mais acentuada para seu cliente. O subordinado, mais acentuado ao seu superior. Até mesmo entre amigos, uma leve reverência apenas com a cabeça costuma acontecer. Apertos de mãos, beijos e abraços não são muito apreciados. Ainda bem, pois muitos japoneses não têm costume de lavar as mãos, mesmo depois de irem ao banheiro.

41. Exibicionistas – Japoneses adoram se exibir, claro, de forma bem sutil, mas explícita. Confuso? Eles exibem seus modelitos fashion, sua maquiagem autoral, seu carrão bonito, sua grife preferida, sua fama social. Mas não confundem, vocês não irão vê-los contando vantagens de suas qualidades, para você, em uma conversa social.

42. Paz e Amor (✌) – Tirar uma foto com algum japonês é garantia de ver ele/ela fazendo o sinal de amor e paz, acaba contagiando tanto, que logo também fazemos.

43. Bolsas de mulheres – É incrível ver uma japonesa andando na rua com sua bolsa a tira colo, mas segurando também uma segunda e às vezes uma terceira bolsa. As razões são as mais variadas, desde sendo uma bolsa para a maquiagem, para assuntos do trabalho ou até para levar uma roupa de emergência.

44. Maquiagem – As japonesas se maquiam muito. Há cursos oferecidos pelas fabricantes de cosméticos, disputadíssimos e caros, ensinando técnicas para a maquiagem perfeita. No entanto, é muito fácil ver uma mulher se maquiando dentro do ônibus, do metrô ou trem, ainda que lotados, sem se segurar em nada, se equilibrando entre o aperto, segurando suas bolsas e ainda assim, fazendo sua maquiagem antes de chegar no serviço ou no encontro marcado. Reparando na pessoa que se maquia, você percebe que a aparência realmente se transforma e que a habilidade que possui para tal, é mais impressionante do que a própria beleza que ela tem.

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cartaz no metrô em Tokyo, alerta para não se maquiar dentro do trem – By Tokyo Metro

45. Medo de fantasmas – Além de supersticiosos, os japoneses levam muito a sério quando se fala de fantasmas. Principalmente de pessoas conhecidas que morreram. Há programas de TV que duram até 4 horas só falando deste assunto. Eu trabalhei em um escritório em Tokyo, que diziam, o antigo dono já falecido costumava visitar o escritório durante a madrugada. Certo dia, fazendo uma mudança no sistema, ouvi um japonês dizendo que se sentia aliviado por não ter mais visto o antigo presidente nas madrugadas de plantão. Ao me virar para o lado, brinquei, falando para o imaginário: “Boa-noite presidente, pensava que não viria nos visitar hoje!”. Imediatamente o japonês se levantou e desculpou-se por ir embora, já que o fantasma do antigo dono estava ao meu lado. 👻

46. Uniformes – É verdade que existe o fetiche por colegiais. As garotas nos uniformes escolares despertam o desejo e a libido de muita gente. Isso é fato e é cultural. Mas o impressionante é ver nas empresas, todos devidamente uniformizados, desde o presidente até o ajudante. Isso porque, no pós guerra, foi a indústria têxtil, produzindo uniformes, que alavancou o início da recuperação do Japão.

47. Pachinko – Leia-se “patinko”. São locais de jogos de azar. Máquinas tipo caça níqueis que atraem milhares de pessoas. Geram um volume de emprego considerável, recolhem impostos, mas ainda assim, provoca o estrago em muitas famílias. Há casos de crianças que morreram por ficarem esquecidas nos apartamentos ou até dentro de carros, enquanto os pais estavam jogando no pachinko.

Saúde & Alimentação

48. Alimentação (1) – O Japão é o campeão internacional em câncer de estômago. Hum…., estranho ler isso? Afinal de contas, reza a lenda que a alimentação nipônica é muito saudável. Contradição? Não! Explico. Eles fumam muito, comem muita fritura e, definitivamente, relaxam na saúde quando adultos.

49. Alimentação (2) – Realmente a alimentação no Japão, principalmente para crianças, idosos e enfermos em hospitais, é modelo para o mundo todo. Eles levam a sério a questão de “quanto mais colorido, mais saudável é”, pena que quando se tornam adultos, deixam de praticar consigo mesmos o que aprenderam quando criança e só voltem à esta boa pratica, na velhice.

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marmita “o bentou” de criança – by google.com

50. Alimentação (3) – Ainda que o Japão seja conhecido como a “Terra do Arroz”, ainda que você veja, mesmo em Tóquio um (pequeno) terreno com arroz plantado, ou inúmeras e infinitas plantações de arroz de norte à sul, de leste à oeste, também se importam arroz de outros países. Aliás, o Japão importa praticamente tudo que se refere à alimentação, pois o que se produz internamente, é insuficiente. Por isso, a alimentação  na vida de qualquer um aqui, pesa muito no orçamento.

51. Frutas – Quando morava no Brasil, eu quase não ligava muito para frutas. Afinal de contas, era como ter água na torneira o tempo todo. Aqui, as variedades são poucas e os sabores, às vezes deixam a desejar. Além do mais, qualquer fruta aqui é muito cara (enquanto uma manga das Filipinas custa em torno de ¥200 cada, uma manga tipo “haden” do Brasil, custa ¥4000). Há exceções, como morango, pera d’água, maçã e uva, que aqui, são saborosas demais. As outras são importados, e o sabor fica devendo para o Brasil.

52. Verduras – Ah…, outro item que também nos faz sentir falta do Brasil. As variedades de verduras são muito limitadas. E o preço de um maço de verdura, geralmente não se encontra abaixo de US$1.50 cada.

53. Café da manhã – Arroz, peixe, verdura, omelete, sopa de misô, são componentes indispensáveis no café da manhã japonês. Dizer a um nativo que você toma café com leite e come pão como sua refeição de desjejum, vai causar uma estranheza muito grande. Eles consideram a primeira refeição do dia, como a mais importante para uma vida saudável e energia para um dia todo de trabalho.

54. Sistema de saúde pública – Todos os residentes, nacionais ou estrangeiros, são obrigados a possuir um seguro saúde. Funcionários de empresas, são geralmente vinculado com seguro patronal, aqui chamado de Shakai Hoken, onde saúde, aposentadoria e seguro desemprego estão inclusos. Autônomos, agricultores e desempregados, são inscritos no seguro de saúde da prefeitura local (Kokumin Hoken). Todos os médicos, dentistas, farmácias, clínicas e hospitais, mesmo particulares, são obrigados a aceitar o atendimento pelo seguro saúde, qualquer que seja entre as duas modalidades. O usuário paga 30% da despesa, inclusive remédios ou exames, após o atendimento.

55. Gravidez & parto – No Japão, gravidez NÃO É DOENÇA. O pré natal não é coberto pelo seguro saúde, nem o parto. Mas o governo paga um benefício de ¥450,000 para ajudar nas despesas do parto (esse valor muitas vezes cobre 90%). Caso a gravidez seja de alto risco, o seguro saúde sobre 100%. As prefeituras oferecem à gestante, cupons para gratuidade do pré natal. O parto normal, é praticamente uma obrigação, os médicos somente  fazem opção pela cesárea, se houver risco para a mãe ou para o bebê. O aborto é permitido, caso a mulher decida por isso.

56. Ginástica matinal – Japoneses gostam muito de uma ginástica no início do dia. É muito comum nos bairros, as 06:30, pessoas se reunirem para executarem o “taiso”, ao som de uma música instrumental ou ainda, da famosa “Radio Taiso”. É também feito nas fábricas e escritórios antes de iniciar o expediente. Essa ginástica, além da música, é coreografada também. Consideram que o taiso é essencial para uma boa saúde.

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ginástica da “radio taiso” em escritório japonês – by google.com

57. Fumar – Há uma grande campanha velada para o combate do tabagismo. O Japão possui um número exacerbado de fumantes. Em empresas, há salas apropriadas para poder fumar, em estações de trem, a proibição de fumar na plataforma vem desde 2009. Nas ruas, há lugares demarcados no chão onde se é permitido fumar, mas deve-se permanecer parado, para não ser multado. Contudo, em restaurantes, ainda se encontra áreas para fumantes e não fumantes, sem nenhuma separação física de portas ou espaço.

Economia & Finanças

58. Poder de compra – Mesmo se fizermos a conversão de câmbio e perceber que um único iene (¥1), vale algo perto de R$0,05 (cinco centavos de real) – US$ 1 vale ¥100, na conversão mais fácil, o dinheiro aqui tem um poder de compra incrível. Ainda que pagamos altos impostos, alimentação e moradia cara, você consegue comprar um carro semi novo com 3 meses de salário. Se tiver sorte, alguém até doa pra você um carro “velhinho” em bom estado de uso e segurança.

59. Juros de financiamento – Talvez seja estranho para brasileiros o modo de financiamento aqui. As taxas de juros são informadas por período de 2, 5 ou 10 anos. Se quiser financiar por 10 meses por exemplo, o cálculo da taxa é simples demais ( exemplo  (taxa/24)x10) – 8%/24×10=3.333% ), muito simples mesmo.

60. Nome sujo – Talvez seja a punição mais severa para quem ficou com problemas de dívidas. Mesmo que pague seu débito, nunca mais vai ficar com o nome limpo. A única forma de limpar o nome, é declarar sua falência pessoal. Neste caso, a pessoa fica por 7 anos numa lista negra, mas depois fica limpo. No entanto, isso só pode ser feito uma única vez na vida toda, além de existir um valor mínimo conforme cada caso.

61. Troco em dinheiro – Você pode comprar um pão de ¥95, por exemplo e, querer pagar com a cédula mais alta (de ¥10,000), que o comerciante não vai reclamar do troco e nem perguntar se você não teria dinheiro mais trocado para fazer o pagamento. Mas se faltar ¥1 que seja, você não leva.

62. Caixas eletrônicos – Com exceção de raríssimos  pontos turísticos, fazer saque depois das 22:00 e antes das 07:00, é praticamente impossível em todo o Japão. É uma medida de segurança, difícil de entender, num país que tem a segurança como o item mais bem  avaliado positivamente.

63. Poupança – Japoneses fazem poupança para tudo. É poupança (e cada uma separada da outra) pra comprar casa, para viajar, para a escola dos filhos, para o passeio das escolas, comprar carro, moto, enfim, para qualquer coisa praticamente.

64. Seguro – Assim como as poupanças, japoneses adoram seguros. Fazem seguro para as despesas médicas (aquelas que já foram cobertas pelo seguro saúde normal), para terremotos, incêndios, roubos (mesmo sendo um país seguro), para pagar a escola dos filhos, para a faculdade, para garantir a aposentadoria e até para um eletrodoméstico, caso pife, o seguro paga um novinho.

65. Pagamentos eletrônicos –  Com o advento dos cartões com chip, os IC Card, a modalidade de pagamento rápido se popularizou drasticamente. Várias empresas, oferecem seus cartões de fidelidade atrelados aos cartões de pagamentos, onde se faz a recarga de uma quantia em dinheiro e utiliza o saldo nos pagamentos.

66. Internet Banking – Algo que o Brasil serviu de escola. O Japão foi buscar no Brasil, a tecnologia para o Internet Banking, considerado o modelo brasileiro o mais eficiente e seguro. No entanto, os japoneses fizeram melhor. Transferências entre contas de bancos diferentes, são feitas e disponíveis imediatamente na conta creditada, algo que no Brasil,  antes se fazia por “Doc” e só estava disponível no dia seguinte. Nota 10, onde o aluno superou o mestre.

67. Tarifas bancárias – Aquelas listas enormes de tarifas bancárias existente no Brasil, aqui é muito mais simples. O banco cobra uma tarifa sobre saque, de ¥108 a ¥216, conforme dia e horário. Saques feitos após o expediente, ¥108, feitos em ATM de banco diferente também. Aos finais de semana, ¥216. Transferências no mesmo banco, é free. Entre bancos diferentes, até ¥29,999, cobram ¥216, acima de ¥30,000, ¥432. Além disso, cobram a emissão de 2ª via do cartão da conta corrente, em caso de extravio ou perda.

68. Uso de selos – Quando se faz um pagamento de qualquer conta acima de um limite mínimo, seja no caixa do banco ou na loja de conveniência, eles usam aplicam um selo comercial, para “validar” a operação.

69. Pagamentos diversos – Quando se paga uma fatura, seja no banco ou loja de conveniência, não existe a “autenticação mecânica” algo comum no Brasil. Eles carimbam o seu comprovante com o nome do posto recebedor e aplicam o selo, se for o caso. Apenas isso. Tudo é feito eletronicamente e o comprovante é apenas para o controle pessoal.

70. Point Card – Os cartões de pontos de fidelidade são presentes em todo Japão. É cultural. Acumulam-se pontos de acordo com o consumo. Algumas restaurantes, oferecem uma refeição extra quando atingem um número específico de vezes. No entanto, o mais comum, é acumular 1% do valor gasto em pontos, cada ponto, ¥1. Esse segmento, movimenta a economia com um poder incrível. Há promoções de cada compra, pode-se acumular até 10x os pontos normais. Frequentemente  na TV, programas mostram o quanto a economia movimenta só com essa “moeda”.

71. Gorjetas – Não existe o costume de pagar gorjetas. Aliás, o japonês acha isso uma ofensa, afinal de contas, ele já recebe pelo trabalho que faz, portanto, não há sentido algum que se pague gorjetas.

72. Vendas sem vendedores – Muito comum em cidades do interior, pequenas bancas de produtos alimentícios ficam com os produtos expostos em mesas ou prateleiras, sem que o vendedor esteja presente. Há uma caixa para deixar o dinheiro do pagamento, referente ao produto que você “pegar”. Ao final do dia, o dono vai recolher os produtos que ainda sobraram e o dinheiro apurado com as vendas.

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banca com produtos sem vendedor presente – by Ina-shi City Hall

Escolas

73. Crianças X Escolas (1) – As escolas orientam os pais que as crianças devem dormir cedo todos os dias, inclusive finais de semana e, impõe um horário limite das 20:30 para que estejam recolhidas aos seus quartos. Já com todas as lições de casa prontas.

74. Crianças X Escolas (2) – Crianças até 12 anos, não podem ficar na rua após as 18:00. Entre 13 e 20 anos (a maioridade aqui é 20), caso estejam na rua após as 20:00 e a polícia pegue, são levadas para a delegacia. Lá, a polícia liga primeiro para a escola/professor e, somente depois que ele chega, ligam para os pais. A escola é informada primeiro, leva uma bronca da polícia e depois, a escola repassa essa bronca aos pais (geralmente nas reuniões de pais). Estranho essa interferência tão acentuada que a escola tem na autoridade entre pais e filhos.

75. Crianças em creche – Aqui, para uma criança entrar na creche, precisa comprovar que pai e mãe estão trabalhando. Se algum deles  não estiver trabalhando, a criança não é admitida para ingressar na creche. Neste caso, somente creches particulares aceitam.

76. Creche & Escolas – Essas instituições, quando públicas, cobram mensalidade das crianças, as que oferecem alimentação, cobram também pela alimentação. Algumas escolas, por causa da idade dos alunos, orientam a levar comida de casa, caso não optem por pagar a comida que a escola oferece. Escolas públicas, não são gratuitas. O valor das mensalidades variam de acordo com a renda bruta da família.

Trânsito

77. Sinais de trânsito – Sensores de presença instalados nos sinais, identificam se o veículo está parado ou não, acionando a abertura para os veículos circularem. Isso acontece na maioria esmagadora dos sinais de trânsito. Em locais de grande movimentação, o funcionamento é automatizado por tempo. Entre 01:00 e 05:00, sinais de trânsito automatizados, ficam no amarelo piscante para a via principal e, vermelho piscante para a outra. Você deve sempre parar nos sinais de trânsito. Sem medo. Aqui não tem a violência que tanto tememos. 😄

78. Placa de PARE – Há dois tipos de placa de pare na orientação do trânsito. A placa branca, serve para advertir, não sendo obrigatoriamente necessário parar o veículo. Você reduz a velocidade e verifica se pode seguir adiante. Na placa vermelha, você já é obrigado a parar totalmente o veículo e então, verificar cuidadosamente se pode seguir. Vale notar, que não parar na placa vermelha, é considerado infração gravíssima no trânsito, passível de multa alta e até perda temporária da licença para dirigir. A sinalização de pare, pode estar também pintada no solo, nas cores branca e vermelha, com o mesmo significado e aplicação.

79. Multar pedestres – Não é permitido fumar andando a pé ou em vários locais públicos. Mas em cidades grandes, o controle é muito rígido e, caso a polícia pegue em flagrante, o pedestre é multado na hora, devendo ali mesmo pagar.

80. Multar ciclistas – Outra coisa que a polícia faz muito bem. Ciclistas fumando, falando ao celular ou até segurando um guarda-chuva, são frequentemente multado nas ruas das grandes cidades. Há regras de trânsito muito rígidas para os ciclistas, que desde 2014, podem até responder criminalmente por infrações cometidas.

81. AM-1620 KHz – Uma rádio  AM existente ao longo de todas rodovias expressas (há também em muitas vias secundárias de grande movimento), fornece informações atualizadas das condições de tráfego daquela rodovia.

82. Seguro de carro – Pôde-se optar por fazer um seguro apenas para o terceiro, não cobrindo o conserto do próprio carro em caso de sinistro. Essa modalidade geralmente é a escolha das pessoas com carros muito velhos. Há também opção do seguro total, em duas modalidades, onde na primeira, indeniza qualquer situação de sinistro e na segunda, caso o motorista acidentar-se sozinho, batendo num “guard rail” ou num muro, ou poste, árvore, vai indenizãr o terceiro, mas não o próprio veículo, pois não acidentou-se em outro veículo.

83. Placas de veículos – As placas dos veículos em geral, possuem o nome da cidade onde o licenciamento tem a sede. Isso significa que seu carro poderá ter o nome da cidade diferente da que você morar.

placacarro

placa de carro de passeio – cidade de Osaka (大阪), categoria (230), letra (と – to), número – by google.com

84. Imposto veicular – Aqui também tem o “ipva” do carro. Carros de placa branca, pagam imposto no âmbito estadual (províncias), placa amarela, keijidousha (o que seria equiparado ao carro popular), pagam no âmbito municipal. Motos também pagam ao município.

85. Ruas sem calçadas – Mesmo em Tokyo, é muito comum encontrar ruas sem calçadas, principalmente em bairros mais antigos. Portas das entradas das casas, pedestres e veículos, possuem convivência muito harmoniosa, mesmo em ruas muito estreitas.

Família

86. Mulheres Japonesas I – Cada vez mais, mulheres conquistam espaço no mercado de trabalho. Isso é bom sinal. A sociedade japonesa vai vencendo o machismo e diminuindo as diferenças. No entanto, cada vez menos nascem crianças. A taxa de natalidade já está abaixo de 1.

87. Mulheres Japonesas II – O casamento já não é prioridade para as mulheres, pelo menos, a maioria chega aos 30 anos sem se casar. Contudo, antes dos 35, procuram rapidamente um possível e provável marido. Adiar o casamento é algo comum, mas usar o trabalho como desculpa, já não convence muito. Na minha opinião, elas adiam ao máximo o casamento, pois procuram incessantemente um homem que seja diferente daquilo que o pai era e, não encontrando, casam-se desesperadamente até os 35 anos, para poderem ser mães, com risco ainda pequeno.

88. Casamento – Para casar, homem e mulher precisam comparecer na prefeitura da cidade onde moram (ou pretendem morar) e solicitar o registro de casamento civil. Ambos podem alterar seus nomes. Mas para divorciar, basta que apenas um vá até a prefeitura e solicite o divórcio. A legislação federal, não permite o casamento de pessoas do mesmo sexo. Não há obrigatoriedade de pagamento de pensão alimentícia, seja para filhos ou cônjuge.

89. Registro de nascimento – É feito (obrigatoriamente) na prefeitura da cidade onde reside, podendo muitas vezes, nascer em cidade diferente, por qualquer razão que seja.

90. Solteiros – Homens e mulheres vivendo sozinhos, sem relacionamento algum, já é algo que preocupa o governo. Contudo, ninguém aqui julga que um solteiro seja homossexual, só porque não casou ainda. Ninguém cuida da vida do outro e por isso, ninguém se preocupa se alguém vai achar algo por você ainda não estar casado.

91. Morar na casa dos pais – Cada vez mais, as pessoas demoram mais ainda para casar. Algumas vezes, casam e moram na casa de um dos pais. Isso é por causa da “preguiça” de morarem sozinhos, de verdade. Quando solteiros, a desculpa é porque os gastos são muito altos para manter uma casa e, enquanto os pais moram sem os filhos, estes, alegam ser um desperdício a casa toda só para “os velhos”.

92. Asilos – Com a grande parte da população em idade avançada, é normal encontrar vários asilos em quase todas as cidades. Alguns são muito bonitos e parecem um conjunto residencial de alto padrão. Mas o que mais surpreende nisso tudo, são que uma parcela significativa de idosos são internados por iniciativa dos filhos, que alegando necessidade de dedicação integral ao trabalho, fazem essa opção para não serem responsáveis pelo cuidado com os próprios pais. Muitos procuram obter atestados médicos para pedir auxílio financeiro ao governo para o pagamento do asilo, pois pagando particular, sai em torno de US$1500 por mês, por idoso.

93. Herança – Muitos japoneses recusam receber herança de seus pais. Até mesmo casas, muitas vezes são recusadas quando ambos os pais já faleceram. Isso porque, paga-se um imposto relativamente alto para a transferência. Neste caso, a prefeitura acaba absorvendo o patrimônio e vendendo por preço bem menor. Há casos, que os próprios herdeiros compram, mas porque, comprando da prefeitura, estão isentos do pagamento do imposto de herança. Vai entender o que se passa na cabeça deles.

94. Adoção – Há orfanatos sim. Mas as adoções de crianças são quase nulas ou de números de pouca expressão. Isso porque, a sociedade nipônica considera que a linhagem de um sobrenome é algo difícil de quebrar ou sequer mudar. A maioria das crianças ficam órfãs até a maioridade, quando saem do orfanato e vão viver por si mesmas. Mas há a adoção de adultos, geralmente, quando idosos em idade muito avançadas, não querendo que o patrimônio vá para a prefeitura, adotam alguém já adulto para transmitir a herança. Coisa de doido…

95. Conselho tutelar – Quando o Conselho Tutelar retira uma criança de seus pais, elas vão para um abrigo e a família fica sem contato até a maioridade delas. Eles quebram o vínculo sem sequer discutir o que levou a isso. Tiram o pátrio poder sem mesmo dar uma segunda chance aos pais. Inclusive estrangeiros são sujeitos a isso.

96. Mesada para crianças – O governo oferece para cada criança, até 16 anos incompletos, uma mesada que varia de ¥10,000 a ¥15,000 de acordo com a idade. O benefício é pago a cada 4 meses, na conta corrente do “chefe da família”. Quando se tem 2, 3 ou mais filhos, o valor altera, favorecendo sempre a criança mais nova, com valore mais altos.

97. Pensão alimentícia – Não existe por lei, a obrigação do pagamento da pensão alimentícia em caso de divórcio. O governo possui um benefício de pagar a quem manteve a guarda (ou posse) dos filhos, um valor que popularmente chamam de “ajuda de mãe solteira”, mas que também se paga aos homens que ficaram com os filhos, por divórcio ou viuvez.

Trabalho

98. Reunião matinal (chyorei) – Leia-se “tiorei”, é a reunião de toda equipe ou escritório, para orientações do dia de trabalho. Nas fábricas, na parte da manhã ou na troca de turno, sempre há um “chyorei”.

chyorei

reunião matinal antes do trabalho – by google.com

99. Beber com o chefe – Jamais recuse sair para beber com o seu chefe. Além de rude, pode abreviar sua carreira dentro da empresa. O melhor, é aceitar o convite, beber um pouco e quando seu copo for abastecido novamente, não beber novamente. Ele saberá que você já está satisfeito com o que já bebeu.

100. Horário de trabalho – A maioria das categorias de trabalhadores, trabalham 40 horas semanais. Contudo, muitas empresas adotam horários de revezamento e, limitam as horas extras. Mas o que chama mais atenção, é que faltas não são toleradas sem prévio e antecipado aviso. No entanto, não há leis que protegem o trabalhador lesado por má prática das empresas.

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W. Anderson é engenheiro elétrico e mora com a família há 12 anos no Japão. Para saber mais sobre ele clique aqui

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8 Comentários leave one →
  1. edvanfleury permalink
    13/09/2016 8:01

    Na china tem varios pontos iguais e fiquei chocado como são parecido: aqui por exemplor tem 7 Eleven, Lawson e Family Mart em tudo que é esquina. O bom é que aqui não existe pontualidade aahahaha. Esse chyorei tem muito para quem trabalha com serviços, salão de beleza por exemplo e a gente vê muito na rua os cabeleleiros ou cozinheiros alinhados para ouvir as ordens do dia (acho bizarro isso), mas o mesmo não acontece nos escritórios.

    • 13/09/2016 11:57

      Quando estive na China, realmente percebi que a pontualidade não é um costume oriental. Mas nem por isso, deixei de apreciar as coisas boas que o passeio me deu.
      Eu acredito que nas filiais das empresas japonesas, o chyorei deva existir, afinal de contas, os japoneses não abrem mão desse habitual costume.

  2. Thais saito permalink
    13/09/2016 10:50

    Anderson, imagino que não tenha sido fácil, mas ficou ótimo! Provavelmente o texto mais completo e absolutamente correto que já li sobre o Japão. おめでとう!

  3. 13/09/2016 11:20

    Adorei saber do #45 (medo de fantasmas) hahaha! Não sabia disso. Se eu convivesse com japoneses iria volta e meia divulgar sobre meus poderes paranormais (fake).

    O #48 “O Japão é o campeão internacional em câncer de estômago” não me espanta. Afinal, os molhos são salgadíssimos (aqueles escuros) e apimentadíssimos (aquele verde).

    O #12 “(“Ruas Limpas – Não há lixeiras nas ruas. A limpeza de ruas é feita pelos moradores), não sei se entendi bem. Você quer dizer que a prefeitura não tem profissionais para a coleta de lixo? Como assim, os moradores limpam as ruas? Fazem mutirão? Combinam um cronograma? Não entendi muito bem.

    • 13/09/2016 11:49

      Sim Ana, a prefeitura não possui funcionários garis ou varredores. A limpeza é feita pelos moradores. Geralmente, cada um limpa o seu espaço, no dia que lhe convir, mas uma vez por mês, há a limpeza do bairro, geralmente num domingo, onde todos se reúnem para uma grande limpeza, muitas vezes, abrindo inclusive os bueiros.
      Em cidades grandes como Tokyo, Nagoya, entre outras, um caminhão grande, com escovas enormes e um potente aspirador, limpam as avenidas. Esses caminhões, cada vez mais, se nota que menos unidades são utilizadas, pois atrelam a tecnologia para uma melhor manutenção da cidade.
      Sensores instalados nas galerias pluviais, identificam problemas de sujeira ou entupimento, facilitando a manutenção corretiva, quando necessária.
      Sobre a alimentação, não é o sal do shoyu ou o ardido da pimenta ou o wasabi, que aumenta o índice de câncer no estômago. Isso (talvez) prejudica na pressão arterial. A fritura e o tabagismo, combinados em doses extravagantes, é realmente o grande vilão.

  4. carlosfernandeschile permalink
    13/09/2016 14:14

    Belíssimo trabalho Anderson!!! Parabéns!!!

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