É inevitável que metamos os pés pelas mãos quando saímos da nossa cultura. Aliás, não necessariamente “pagamos micos” propositalmente – eles simplesmente, qual força sobrenatural, acontecem conosco. Já publicamos Micos parte I, e Micos parte II. Hoje temos a parte III, e provavelmente, publicaremos a IV parte. Aonde, quando isso vai parar? Não sabemos. O céu é o limite. 

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Bruna Costa, Costa Rica

Quando cheguei na Costa Rica passou algo que não chamaria de “mico”, mas sim de “cilada”. No país não existe um endereço como Rua das Palmeiras, 330. Aqui o sistema é por pontos de referências e aí você adiciona as coordenadas geográficas: 300m oeste, 400m norte, 25m sul. Logo no início, é extremamente problemático esse sistema. Ainda mais que o pessoal é apegado aos antigos estabelecimentos e usa como alguns pontos de referência, por exemplo: De la Antigua Panadería, 400m norte, 100m sur. Ou ainda mais engraçado: Del Antiguo Palo de Mango – Antiga Mangueira – sim, a árvore! Se acostumar com essas direções é cilada no início, e você precisa de muita meditação “Pura Vida” para se encontrar. Além de er que voltar a estudar geografia – onde está esse raio de “o norte”, afinal?

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O maior mico que passei aqui foi algo engraçado. Logo que cheguei, fiquei num aparthotel por um mês e depois vim para o apartamento fixo, alugado. Nessa época, meu espanhol não era muito bom.  Lembro que, a moça do condomínio, me deu instruções sobre como pagar a água e a luz. Mas aquilo não entrou de fato na minha cabeça e devo ter pensado: “Ok, já sei como é”. Já estava no apartamento há mais de um mês, achando estranho que a conta de luz não chegava pelo correio. A água era paga no próprio condomínio. Já era metade do mês quando em uma segunda-feira acordo e não tem luz. Penso, “Ok, vou ler um livro, pegar sol na varanda”. Não trabalhava ainda, então fiquei de boa, tranquilona. Passadas umas 3h sem luz começo a estranhar e resolvo sair do apartamento e conversar com a moça que trabalha aqui na administração. Eis que ela me diz: “Se você não tem luz é porque não deve ter pago a conta”. Então, descobri que é preciso saber o código de seu apartamento para então pagar pela internet ou em algum lugar autorizado. Descobri o código, com ajuda claro, e logo que paguei depois de umas 2h já ligaram novamente minha luz. Foi uma vergonha para mim que sempre prezo para pagar tudo em dia. Mas, bem, vida nova é tudo novo!

 

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Ana Fonseca, Holanda

Depois que cheguei à Holanda, estive por um curto fim de semana em Antuérpia, na Bélgica. Vi algumas lojas com bons descontos (“solden”) e aproveitei para experimentar uma blusa. Caiu perfeita! Paguei e mostrei para meu marido, que arregalou os olhos e subiu discretamente o canto do lábio, num esgar. Assim que arrumei um emprego, acabei usando essa blusa um dia para ir ao trabalho, já que o modelo era meio conservador (mangas compridas, decote alto e comportado, etc.). Combinei com um blazer preto e fui, feliiiiz! Lá, vi olhos meio arregalados às vezes, e risinhos de alguns colegas. E perguntas meio como: “Você gosta muito da vida na Holanda, não é mesmo?”. Chegando em casa, meu marido me viu com a blusa e riu. “Você foi ao trabalho assim?”. Perguntei: “Assim como? Estou com uma roupa muito decente! De boa qualidade”, retruquei. Aí ele esclareceu: “Ok, mas a sua blusa… Ela é toda na cor laranja. Aqui na Holanda só se usa essa cor quando é dia da Rainha ou Copa do Mundo. Ou algum campeonato esportivo e a pessoa vai torcer pela Holanda. Durante o resto do ano é meio tabú…” E menti com a maior cara altiva respondi: “Não tem nada demais! Ninguém riu da minha cara nem fez piadinha!”. Resultado: só consegui usar a blusa de novo uma vez por ano, como “uniforme” no dia da Rainha/Rei. Pra disfarçar.  Mas nem durante Copa do Mundo eu conseguia. Anos depois, doei a blusa jogando a belezinha num saco plástico e depositando num contâiner na rua.

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Tenha certeza que você ficará ridícula se usar botas com biquíni durante o dia do Rei na Holanda. Agora, usar laranja/cor de abóbora/salmão-que-comeu-cenouras e variações desses matizes no dia do Rei pode e deve, tá? Só não vá ao trabalho ao longo do ano toda de laranjinha. É sem noção e sem loção. 

E você leitor (a), quais são seus micos ? Compartilhem conosco nos comentários !

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