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Pagando micos no exterior, parte III

04/11/2016

bz_colaborador Bruna Costa e Ana Fonseca – Costa Rica e Holanda

É inevitável que metamos os pés pelas mãos quando saímos da nossa cultura. Aliás, não necessariamente “pagamos micos” propositalmente – eles simplesmente, qual força sobrenatural, acontecem conosco. Já publicamos Micos parte I, e Micos parte II. Hoje temos a parte III, e provavelmente, publicaremos a IV parte. Aonde, quando isso vai parar? Não sabemos. O céu é o limite. 

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Bruna Costa, Costa Rica

Quando cheguei na Costa Rica passou algo que não chamaria de “mico”, mas sim de “cilada”. No país não existe um endereço como Rua das Palmeiras, 330. Aqui o sistema é por pontos de referências e aí você adiciona as coordenadas geográficas: 300m oeste, 400m norte, 25m sul. Logo no início, é extremamente problemático esse sistema. Ainda mais que o pessoal é apegado aos antigos estabelecimentos e usa como alguns pontos de referência, por exemplo: De la Antigua Panadería, 400m norte, 100m sur. Ou ainda mais engraçado: Del Antiguo Palo de Mango – Antiga Mangueira – sim, a árvore! Se acostumar com essas direções é cilada no início, e você precisa de muita meditação “Pura Vida” para se encontrar. Além de er que voltar a estudar geografia – onde está esse raio de “o norte”, afinal?

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O maior mico que passei aqui foi algo engraçado. Logo que cheguei, fiquei num aparthotel por um mês e depois vim para o apartamento fixo, alugado. Nessa época, meu espanhol não era muito bom.  Lembro que, a moça do condomínio, me deu instruções sobre como pagar a água e a luz. Mas aquilo não entrou de fato na minha cabeça e devo ter pensado: “Ok, já sei como é”. Já estava no apartamento há mais de um mês, achando estranho que a conta de luz não chegava pelo correio. A água era paga no próprio condomínio. Já era metade do mês quando em uma segunda-feira acordo e não tem luz. Penso, “Ok, vou ler um livro, pegar sol na varanda”. Não trabalhava ainda, então fiquei de boa, tranquilona. Passadas umas 3h sem luz começo a estranhar e resolvo sair do apartamento e conversar com a moça que trabalha aqui na administração. Eis que ela me diz: “Se você não tem luz é porque não deve ter pago a conta”. Então, descobri que é preciso saber o código de seu apartamento para então pagar pela internet ou em algum lugar autorizado. Descobri o código, com ajuda claro, e logo que paguei depois de umas 2h já ligaram novamente minha luz. Foi uma vergonha para mim que sempre prezo para pagar tudo em dia. Mas, bem, vida nova é tudo novo!

 

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Ana Fonseca, Holanda

Depois que cheguei à Holanda, estive por um curto fim de semana em Antuérpia, na Bélgica. Vi algumas lojas com bons descontos (“solden”) e aproveitei para experimentar uma blusa. Caiu perfeita! Paguei e mostrei para meu marido, que arregalou os olhos e subiu discretamente o canto do lábio, num esgar. Assim que arrumei um emprego, acabei usando essa blusa um dia para ir ao trabalho, já que o modelo era meio conservador (mangas compridas, decote alto e comportado, etc.). Combinei com um blazer preto e fui, feliiiiz! Lá, vi olhos meio arregalados às vezes, e risinhos de alguns colegas. E perguntas meio como: “Você gosta muito da vida na Holanda, não é mesmo?”. Chegando em casa, meu marido me viu com a blusa e riu. “Você foi ao trabalho assim?”. Perguntei: “Assim como? Estou com uma roupa muito decente! De boa qualidade”, retruquei. Aí ele esclareceu: “Ok, mas a sua blusa… Ela é toda na cor laranja. Aqui na Holanda só se usa essa cor quando é dia da Rainha ou Copa do Mundo. Ou algum campeonato esportivo e a pessoa vai torcer pela Holanda. Durante o resto do ano é meio tabú…” E menti com a maior cara altiva respondi: “Não tem nada demais! Ninguém riu da minha cara nem fez piadinha!”. Resultado: só consegui usar a blusa de novo uma vez por ano, como “uniforme” no dia da Rainha/Rei. Pra disfarçar.  Mas nem durante Copa do Mundo eu conseguia. Anos depois, doei a blusa jogando a belezinha num saco plástico e depositando num contâiner na rua.

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Tenha certeza que você ficará ridícula se usar botas com biquíni durante o dia do Rei na Holanda. Agora, usar laranja/cor de abóbora/salmão-que-comeu-cenouras e variações desses matizes no dia do Rei pode e deve, tá? Só não vá ao trabalho ao longo do ano toda de laranjinha. É sem noção e sem loção. 

E você leitor (a), quais são seus micos ? Compartilhem conosco nos comentários !

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7 Comentários leave one →
  1. 04/11/2016 14:02

    Bruna, já passei por isso também, de ouvir a informação em uma outra língua, entender perfeitamente e absolutamente não fazer nada a respeito. É cansaço. Aí eu não registro, não tomo ação. Agora, Isso de 100m para cá, 400 metros para lá… Norte, sul, etc. comigo não dá certo. Até sei calcular 300m a 1km, dirigindo. Mas para mim os pontos cardeais não são fixos nem ficam parados. Prova: A cada estação do ano a luz no meu quarto incide de maneira diferente…

    • 04/11/2016 17:27

      Sim Ana, bem isso. Mas aqui depois de um tempo, aprendi que uma quadra vale 100m, meia quadra 50m, 25 para 1 quarto, por aí vai. Outro indicativo são as igrejas que estão sempre voltadas pro Leste.

  2. 04/11/2016 14:42

    O sistema de endereçamento aqui no Japão é bem diferente. Eles começam pela província, depois cidade ou região, região ou vilarejo, distrito ou bairro e então, vila, para indicar o número da quadra (não confundir com o número do imóvel) e então o nome do seu prédio.
    Desta forma, a quadra 43, por exemplo, poderá estar ao lado da quadra 189, não seguindo uma ordem lógica de numeração. Poderá ainda, encontrar “quadra 43-21” e uma quadra “43-19” do outro lado do bairro.
    Note, que se você morar em casa, só mesmo uma identificação do nome da família na porta ou na entrada do lote, vai fazer o carteiro entregar a correspondência de forma correta.
    Com o tempo, você até acostuma com esse método e acha engraçado.
    Outra coisa, as ruas aqui não possuem nome, salvo poucas exceções. As avenidas principais, são conhecidas como rotas (route) e são identificadas por um número.
    Existe uma rota, a de número 1, que inicia em Tokyo, no bairro de Nihonbashi, e termina em Osaka, sendo foco de um programa de Tv, onde percorreram toda sua extensão, enumerando lojas de conveniências, postos policiais, postos de gasolina e muito mais.

    • 04/11/2016 15:15

      Tadinho do carteiro japonês.

    • 04/11/2016 17:25

      Sim, aqui não tem nome de rua e algumas tem número. Mas é tão estranho, que aos poucos, você vai acostumando mesmo, estranho é também estar acostumado a isso, hehehehe.

      • 04/11/2016 18:58

        Uma vez andando em Amsterdam, olhei pra plaquinha do nome da rua. Quando dobrei a esquina, quis saber qual era o nome da rua e era o mesmo. Seguindo adiante e dobrando mais uma vez para outra rua o nome na plaquinha era… o mesmo. Pensei que estava dentro de um sonho e que ia acordar a qualquer momento. Meu marido falou que é muito comum nomear todas as ruas de uma certa área pelo mesmo nome. Isso acontece bem mais em cidades do interior. Na village que eu moro tem umas 5 áreas assim, onde todas as ruas tem o mesmo nome (e mais ou menos o mesmo estilo arquitetônico).

  3. 04/11/2016 17:28

    Essa história de roupa laranja é bem engraçada! Seu marido achou que você usaria só no dia específico! hehehehe

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