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Já ouviu falar de “Biergarten”?

14/11/2016

bz_alemanhaJuliano Emílio – Munique, Alemanha

Certamente você já ouviu falar de “Biergarten” e, provavelmente, já esteve em um, seja no Brasil, na Austrália, na Irlanda ou no Japão. A ideia é bem conhecida e difundida: um lugar de confraternização ao ar livre, sob a sombra das árvores, onde se bebe cerveja no melhor estilo alemão. O que poucos sabem, é como este conceito nasceu aqui em Munique, no século XIX.

Naquela época, a produção da cerveja era restrita pelo rei ao período mais frio do ano, entre setembro e abril, por dois motivos: a cerveja estragava fácil no calor (estamos falando de uma era pré-pasteurização), e para que não houvessem incêndios durante o processo de secagem dos grãos. Os cervejeiros, interessados em vender seu produto o ano todo, construíram então adegas nas margens do rio Isar, que corta a cidade trazendo água de degelo dos Alpes, que resfriava os estoques de cerveja; plantaram também frondosas castanheiras, que com sua sombra, mantinham a temperatura das adegas subterrâneas ainda mais baixa, inclusive nos meses de verão. Ao adicionarem bancos de madeira sob as árvores, onde era permitido aos clientes trazerem sua própria comida, estava criada a fórmula mais clássica e famosa de socialização germânica: o “Biergarten”.

blog-juliano-biergarten

Posteriormente foram criados os cinco critérios que definem um “Biergarten legítimo” e que valem até hoje:

  1. a possibilidade de trazer sua própria comida;
  2. o auto-atendimento que dispensa garçons;
  3. as castanheiras que fazem sombra para os visitantes;
  4. as mesas e bancos compridos de madeira, no melhor estilo piquenique e, claro,
  5. os canecos com capacidade para um litro de cerveja, chamados de “Masskrug”.

blog-juliano-maskrug

Dentre os cerca de 95 (!)  “Biergärten” registrados em Munique e arredores, os mais famosos estão ligados as cervejarias centenárias da cidade: “Augustiner” (minha favorita), “Löwenbräu”, “Hofbräuhaus”, “Paulaner”, “Hacker-Pschorr” e “Spaten”. As discussões sobre qual é a melhor lembram muito os debates sobre times de futebol, e como tais, nunca se chega a um consenso.

blog-juliano-augustine-biergarten

Augustine-Keller biergarten. Foto daqui. 

Este ano os 10 melhores “Biergärten” da cidade foram listados no site münchen.tv (https://www.muenchen.tv/top-10-die-schoensten-biergaerten-in-muenchen-95708/), dos quais alguns eu recomendo. O “Königlicher Hirschgarten”, além de ser o maior “Biergarten” do mundo, com 8000 lugares, tem como atração trinta animais silvestres em uma área cercada, para alegria das crianças. Outro que vale a visita é o “Löwenbräukeller”, que funciona desde 1883, e onde, em ocasiões especiais, é assado um boi inteiro; o do “Augustinerkeller” vale a visita simplesmente porque serve a cerveja mais saborosa do mundo desde 1812 (a cerveja por sua vez é produzida desde 1328); e o “Chinesischer Turm” (“Torre Chinesa”), o mais visto em cartões-postais de Munique, que possui uma banda típica apresentando-se regularmente, e fica no meio do belo “Englischer Garten”, o maior parque da cidade. Em todos os “Biergärten” encontra-se alguém de traje típico; para os moradores da cidade este é um ótimo pretexto para vestir as roupas tradicionais fora da época de Oktoberfest.

Os cardápios modernos são quase como de restaurantes, geralmente trazendo vários tipos de cervejas, incluindo até algumas misturas bem diferentes como o “Radler”, cerveja com limonada, criado para amenizar o efeito do álcool nos ciclistas alemães que queriam beber e depois pedalar.

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Para compensar este consumo de álcool em quantidades medidas em litro, nada melhor do que comidas típicas como o “Brezn” (um “pretzel” grande e salgado, que costuma ser carregado como uma bolsa no antebraço), o “obazda” (um queijo cremoso e picante), “halbes Hendl” (meia galinha assada), “Leberkäse” (um bolo de carne) e “Schweinshaxe” (o famoso joelho de porco).

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Assim como degustar sushi em Tóquio, fish and chips em Londres, ou ceviche em Lima tem muito mais sabor do que em qualquer outro lugar do mundo, beber uma cerveja gelada debaixo de uma castanheira em Munique é a maneira ideal de vivenciar uma parte da cultura alemã. Uma experiência deliciosa e única, que eu recomendo!

________________

Juliano Emilio nasceu no Paraná e é medico. Mora atualmente em Munique, na Alemanha, com a família. Para saber mais sobre ele clique aqui. Para atualizações diárias nossas, sobre a vida fora do Brasil, acompanhem-nos no Facebook e Twitter. Veja fotos do Juliano Emílio e dos outros autores no nosso Instagram. Blog Brasil com Z, um site feito por brasileiros expatriados, vivendo nos quatro cantos do mundo! Quer participar como autor? Envie-nos sua minibio e motivação para: blogbrasilcomz@gmail.com Contactaremos os melhores candidatos. 

6 Comentários leave one →
  1. 14/11/2016 11:11

    “Mesas longas com muita comida e bebida sob as castanheiras…” Só falta ter um bardo tocando, rs. Tal e qual a página final de qualquer estorinha de “Asterix & Obelix”. Tão celta isso! Me parece um costume muito anterior a construção de adegas nas margens do rio Isar nos fins do séc. XIX. Eu adoraria poder desfrutar de biergartens ao longo do ano! Joelho de porco então… tô sempre super afins quando vou à Alemanha! Na Holanda definitivamente não aparece no cardápio, o que é uma pena…

    • Juliano Emilio permalink
      15/11/2016 14:42

      A cerveja é espetacular mesmo… A “Weihenstephan” feita aqui nos arredores de Munique tem documento que confirma produção desde 1040 !!! Mas o povo por aqui diz que ela já era produzida pelos monges beneditinos muito antes, desde o século IX !!

  2. Ana cecília permalink
    14/11/2016 12:38

    Durante as Olimpíadas, fizeram uma Biergarten aqui sensacional, na Barra, com várias cervejas e essas comidas típicas. O modelo pode rodar o mundo, bela sacada!

    • Juliano Emilio permalink
      15/11/2016 14:43

      Que combinação hein? Biergarten na Barra eu também queria ir!

  3. 16/11/2016 0:03

    Que post legal…único problema é que me deu sede e fome😂😂😂

    • Juliano Emilio permalink
      25/11/2016 17:07

      A ideia é vir com muita sede e muita fome mesmo!

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