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Gastronomia na Holanda? Stamppot e… culinária indonésia!

05/01/2017

 

bz_holanda Ana Fonseca – Amsterdã, Holanda

Com tantos anos vivendo na Holanda e gostando tanto de cozinhar, amigos e parentes do Brasil já me perguntaram com frequêcia qual é o prato nacional mais representativo da Holanda. Tipo: qual é o “arroz com feijão” deles? Geralmente o que vem à cabeça na pressa é o “stamppot”: um amassado de batatas que leva legumes, mais uma proteína defumada ou cozida por cima (geralmente salsichão ou carne de porco), bacon picadinho e talvez molho. O stamppot tem muitas variações, e você mesmo pode bolar um stamppot a partir dos ingredientes que encontrar na geladeira, sem preconceito. O importante é que o purê de batatas seja macio, os legumes picados do mesmo tamanho, e tudo bem arrumado para não ficar com um aspecto de “bagunça”.

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Um Stamppot bem tradicional: de endívias e batata, com almôndegas de carne de porco e molho. 

Eu já vi gente que faz stamppot com tudo misturado (a carne dentro do purê) e serve. Gororoba. Acho horrível. Você quando arruma um prato de feijoada não mistura carnes, laranja, farofa, arroz, couve e faz uma coisa só, correto? Põe tudo separadinho, as laranjas fatiadas na beirada, um montinho de arroz, as carnes junto com o feijão, um “ninho”de couve picadinha… tem que ter uma certo apuro estético. Então o stamppot também tem que prezar pela boa apresentação, seja em casa e/ou (principalmente) num restaurante.

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Um clássico “comfort food” de inverno: o zuurkool stamppot: repolho fermentado, maçã, bacon  picadinha e salsichão defumado. Como – mas não morro de amores. 

A Holanda não tem uma cozinha pouco diversificada, como muita gente que já viveu ou vive por aqui apregoa. Dizer que eles só tem o “stamppot” seria tão simplificador dizer que no Brasil “só se come arroz e feijão todo dia”, ou que “na Itália só se come massa”, e “na China só se come arroz” – sabemos que é não é bem assim, certo? Mas é bem verdade que eles no inverno curtem um stamppot com frequência, umas duas vezes por semana pelo menos. É um prato que tem similaridades com muitos outros pratos europeus pela Bélgica (o “Stoemp”), Dinamarca, Inglaterra (o “Bubble &  squeak”) , Irlanda, Escócia, e até Espanha (o “Trinxat” de batatas com repolho e carne de porco).

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Purê de batata com cenoura e cebola, e carne cozida com molho de louro e noz moscada: se chama Hutspot, uma variação do stamppot. O Hutspot teve origens na cidade de Haarlem. É popular em toda a Holanda e norte da Bélgica, e é o meu favorito. 

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Classicão total ! Stamppot de couve (com bastante couve) e linguiça. Adoro! 

Assim como na Inglaterra, um país com grande quantidade de estrangeiros, onde o prato mais consumido nacionalmente é na verdade um indiano – o chicken tikka masala – na Holanda a cozinha da Indonésia tem um prato enormemente popular: o chicken saté (ou “satay”).  Simplesmente não há festa sem chicken satay (“kip saté” em holandês). Festas empresariais, festinhas no quintal durante o verão, festas comunitárias de agremiações e clubes… sempre tem religiosamente o kip saté. São espetinhos de frango marinados, levados à grelha e depois cobertos com um molho espesso de amendoim e com cebola frita crocante por cima.

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Quando meu sogro era vivo, churraso no quintal dele sempre incluía saté de frango com salada. Foto: arquivo pessoal Ana Fonseca. 

Em todo churrasco na Holanda tem “frango saté”, servido com molho, tomates, baguete fatiada e kroepoek (uns crackers braquinhos ou dourados, com gosto de camarão, e que podem também ter uma versão feita com aipim ou “cassave”).

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Kroepoek pronto para consumo, da marca Conimex em versão “natural”, de aipim, e Bali (picante). Pronuncia-se “crupúk”. Você pega e mergulha no molho de amendoim  – e vai comendo junto com o frango. 

Um adendo: claramente, esse kip saté servido na Holanda, já tem o molho de amendoim modificado para o gosto holandês, mais doce. Uma vez na Malásia reconheci “chicken satay with peanut sauce” num cardápio e pedi. O espetinho de frango estava muito bom, dava para ver que tinha ficado um longo tempo na marinada e depois foi assado sobre brasas. Veio com arroz e obviamente sem pão (coisa de europeu) mas o molho (uma delícia) era quase apenas amendoim quebrado e um óleo temperado, não um creme como na Holanda. Meu marido avisou que esse sim devia ser  o “original” – ou pelo menos a versão malaia. E que, na Holanda,  muitos pratos indonésios já tinham sofrido alteração para adaptar-se ao gosto local.

Mas, enfim… E como é essa tal de cozinha indonésia ?

Não vou tentar aqui me passar de expert na cozinha indonésia, longe disso. Só a conheço muito superficialmente: de take aways e visitas ocasionais a restaurantes baratos. Ou em molhos em potes do supermercado. Fui a um par de festas (de empresa) e desfrutei de um bufê indonésio. Conheço então essa cozinha mais como consumidora ocasional. Mas posso garantir que é uma cozinha vibrante e muito, mas muito complexa – como a maioria das cozinhas do sudeste asiático, diga-se de passagem: tailandesa, vietnamita, etc.. Lógico que é uma cozinha variada: quando você vê num mapa a quantidade de ilhas que formam o país (milhares!!!) e de ingredientes (a Indonésia é a terra das especiarias por excelência).

BLOG sambal

Molho sambal básico. 

O sabor quente e picante é muitíssimo apreciado por diversas culturas pelo mundo. Há uma infinidade de possibilidades. Harissa (Marrocos), Tabasco (México), Chilisauce, Wasabi (Japão)…  A cozinha indonésia tem o Sambal, feito de pimentas espanholas, cebola frita, sal, vinagre, açúcar e especiarias. Pega fogo na boca! O interessante é que essas “pimentas espanholas” que são a base do sambal na verdade foram introduzidas no sudeste asiático pelos portugueses, com pimentas brasileiras que eles levaram para lá. Antes da chegada dos portugueses, os indonésios temperavam a comida com pimentões e gengibre.

O sambal é facílimo de ser encontrado em qualquer supermercado holandês, junto com diversos outros molhos e produtos da Ásia.  Se você pedir comida indonésia pronta para levar para casa, eles sempre vão incluir uma placa/ retângulo grande de kroepoek (quase um metro, embalado num saco plástico transparente e amarrado com um nó) e uns potinhos plásticos com sambal. Se você for um tipo “monstro do sambal” pode pedir mais potinhos extras (cruzes!) que eles jogam no saco com suas comidas em potes embrulhadas em papel de seda.

Num restaurante indonésio, sugiro que peça uma “mesa de arroz” (“rijsttaffel” em holandês ou “rice table”em inglês). Basicamente: arroz e várias mini porções de diversas comidinhas indonésias. Peixe, frango, pato, porco, legumes cozidos, rolinhos, picles de pepino, mil coisas de mil texturas diferentes (fritas, cozidas, quebradiças, ou com molho fino, molho espesso, molho grudento, etc.).  Muito bom!

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Cada “Rice Table” de cada restaurante indonésio tem uma apresentação diferente. Vá ao google e digite: rijsttaffel e você vai ver a enorme variedade de apresentação e interpretação do négocio. Essa mesa aí é de um restaurante em Utrecht, o “Salatiga”. Foto via Groupon.nl

Alguns muito bons e tradicionais restaurantes indonésios bem no centro de Amsterdã são:

Sampurna, pertinho do mercado das flores: sampurna.com 

Tempo Doeloe (pronuncia-se “Tempoh Dulú”), famosíssimo, pequeno e chic, perto da Rembrandtplein. Aqui peça uma “Mesa de arroz”. Faça reserva antes, verifique o site em holandês e inglês acessando: tempodoeloerestaurant.nl

Na mesma rua do Tempo Doeloe fica o Coffee & Jazz. Eles não tem a “mesa de arroz”, mas um excelente saté. Música ao vivo na sexta (Ah, minha perdição! Comida indonésia + jazz, quer melhor que isso?). Veja mais detalhes visitando o site em inglês: coffeeandjazz.nl

O Jun, no bairro Jordaan, tem “Mesa de arroz” e menús variados em holandês e inglês:  restaurantjun.nl

Sari Citra, fica no bairro De Pijp, no sul de Amsterdam, perto da Heineken Experience. Dá uma conferida: saricitra.nl/en/

Então, fica a dica sobre gastronomia holandesa para quem estiver visitando o país. No inverno, quando você visitar qualquer café/pub na Holanda, peça um stamppot. Veja se há a descrição do legume para não se surpreender, achando que vem couve ou endívias e vem repolho (e você detesta repolho). E certamente o ano inteiro você pode encontrar um kip saté (saté de frango), tanto em bares/pubs, quanto restaurantes de hotéis ou perto de atrações turísticas. Se puder encarar uma mesa de arroz, pela cidade toda de Amsterdã e nos grandes centros do país  há diversos restaurantes indonésios para diversos bolsos.  Recomendo!

Em outros posts, darei mais dicas gastronômicas sobre a a Holanda. Het is maar even wachten…

Tot ziens!

__________________

Ana Fonseca vive na Holanda e troca facinho um stamppot por uma prato indonésio. Sigam-nos no Facebook, Twitter e no Instagram para atualizações diárias. Blog Brasil com Z, um blog de brasileiros vivendo nos quatro cantos do mundo. Que colaborar com o blog? Escreva-nos! blogbrasilcomz@gmail.com Explique-nos sua motivação, informe-nos sua mini-bio e que temáticas gostaria de abordar. Agradecemos. 

5 Comentários leave one →
  1. carlosfernandeschile permalink
    05/01/2017 17:51

    Eu encararia o Hutspot fácil, fácil.

  2. Ana Cecília permalink
    06/01/2017 1:05

    Adorei adorei!
    E tô contigo, hutspot é a melhor pedida! Que fomeeee
    Fala mais!!! 👏👏👏

  3. edvanfleury permalink
    06/01/2017 9:26

    EU preciso parar de vir ler o blog quando eu estou com fome… e para a sua informação eu quando me sirvo eu misturo a feijoada, farova, arroz e tudo junto ahahaha, não sou chique. Eu amei o classicão com essa salsicha, quero provar um dia.

  4. 13/01/2017 17:41

    Delícia de post, Ana! Muito bom! Também fiquei morrendo de fome! Agora ia bem tanto um prato holandês quanto um indonésio, rs. Adoro ‘chicken satay’ e, sempre que vejo no cardápio, peço. Minha cunhada é holandesa, filha de indonésios. Ela adora cozinhar e, algumas poucas vezes (eu a vejo pouco porque ela mora na Inglaterra), tive a oportunidade de comer pratos indonésios que ela faz. Amei! Ela nunca fez nada holandês para mim, talvez porque esteja morando na Inglaterra há muitos anos. Na próxima vez que eu a visitar, vou pedir!

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