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Visitando Bordeaux, na França

08/05/2017

Ana Fonseca – Bordéus, França

Hoje eu deixo um pouco a Holanda de lado para falar de um diazinho que passei em Bordeaux, na França, cidade famosíssima por seus vinhedos. Devido a uma casa de veraneio que a família do meu marido tem na região da Dordonha (no sudoeste francês), pelo menos uma vez por ano damos uma passada por aquelas bandas – durante uma semana em abril ou durante alguns dias no início e no final do verão europeu.

Eu já tinha visitado Bordeaux (e a cidadezinha “vizinha” de St. Émilion) há muitos ano atrás, quando meu filho mais velho – hoje quase 14 anos – era bem pequeno, cons uns dois ou três aninhos. Chovia muito, e eu só conheci a cidade a partir de um “trenzinho” turístico e muito mal. Mas o pouco que vi na época, aquele “grandeur” todo me deixou com gostinho de “quero mais” e “tenho que voltar aqui!”. Esse ano, quase uma década e meia depois da minha primeira visita, decidi que seria uma possiblidade passar um dia por lá, se o tempo estivesse bom dessa vez. Pagar hotel lá seria totalmente impossível para meu orçamento. A previsão indicava dia sem chuvas. Tomamos coragem, viajamos duas horas e chegamos antes das 9h da matina na cidade.

Vimos muita coisa, mas não tudo. A cidade tem vários parques, jardins, museus, igrejas e catedrais, uma sinagoga e monumentos que não visitamos. Mas se você começar seu dia bem cedo na cidade, antes das 9 horas como eu fiz, e bater perna o dia inteirinho, vai ver muita coisa. Alguns números: A cidade tem uns 250 mil habitantes, que moram e trabalham na área que você vai querer visitar – e mais de um milhão de habitantes na área meteropolitana, espalhada para além do rio Garona. A cidade tem nome marcante no “planeta vinho”, e os números realmente impressionam: 10 mil castelos produtores, 13 mil pessoas cultivando vinho, 57 marcas de vinho, e 960 milhões de garrafas produzidas na região por ano! Aliás, a região tem produzido vinho interruptamente desde a época romana.

No meu caso, fizemos a viagem assim: saindo da rodovia e bem na entrada da cidade deixamos o carro num estacionamento gratuito no bairro de Dravemont. Fica bem na área suburbana da cidade, diante de um supermercado e de um ponto de bonde. Três tíquetets (meu filho, meu marido e para mim) para o uso ilimitado de um dia na cidade custaram no total 13,50EUR. Pas mal. 

Depois de muitos pontos, chegamos finalmente à Bordeaux histórica, propriamente dita. Ou seja: o pedaço com muitos bairos ao longo do rio e que aparece nos mapas turísticos. Assim que desci do bonde, quis fazer fotos da Ponte de Pedras (Pont de Pierres) sobre o rio Garonne. É belíssima e bem grande. Foi construída sob as ordens de Napoleão I, entre 1810 e 1822. Tem 486 m de comprimento e 17 arcos (o mesmo número de letras no nome de Napoleon Bonaparte).

Diante da Ponte de pedras fica esse arco, que se chama Porte de Bourgogne. Por aí começamos nosso tour até chegar ao centro de turismo para pegar um mapa. Atravessamos um bairro em que todas as lojas e produtos eram do Maghreb (norte da África). Lojas que trocavam euros-dirham, lojas de tecidos árabes brilhantes e africanos de algodão, lojas de tapetes, incensos, lojas de comestíveis com nome incompreensíveis e henés para cabelo. Muitas pessoas do sudeste asiático, região subsaariana, magrebinos e libaneses falando na rua em árabe.

Essa é a Porte de la Grosse Cloche, ou Porta do Sino Grande. E é um sino enorme mesmo, do século XV, final do período medieval. Essa parte histórica de Bordeaux é sem árvores, prédios neoclássicos com ruas estreitas  fáceis de se perder e se confundir.

32.JPG

Esse bar aí impressiona pela decoração exterior. Há vários outros bares e bistros meio louquinhos pela cidade.

Endereço nobre da cidade: o Grand Téâtre de um lado da praça e o hiper luxuoso Hotel InterContinental do outro. Por toda a cidade, monumentos, prédios colossais e fontes dão um ar de grandiosidade à cidade.

A partir desse ponto, estamos pertinho do Centro de Turismo da cidade, que tem uma lojinha bem bonita por sinal (livros de todos os tipos – infantis sobre o passado da cidade, de receitas típicas da região, de turismo), belas garrafas d’água na cor azul com o nome da cidade, xícaras pequenas de cafezinho, bolachas feitas em pedra imitando rótulos de vinho para colocar por baixo de copos, copos de vinho, etc. Achei de bom gosto e fora da cafonice usual de apenas “canecas-ímas de geladeira-camisetas”.

O bonde corre por toda a cidade de Bordeaux, você nunca precisa caminhar muito para achar um ponto. A dois passos do Centro de Turismo da cidade fica o Monumento aos Girondinos (Monument aux Girondins), com sua coluna de 43m de altura, . Impressiona tanto pela altura, quanto pelas esculturas gigantes na base, com seus cavalos em patas de animais marítimos/dragões. Muita gente fazendo foto diante do monumento, e eu não fui diferente. Perto desse monumento fica a Place Quinconces, a maior praça de toda a França, com muitas barraquinhas de comida barata (churros, espetinhos) e uma incrível exposição de vendedores de antiguidades e objetos e móveis vintage. Me apaixonei por uma cadeira/poltrona antiga e de tecido brilhante listrado que estava gritando forte pelo meu nome, um raio atingiu meu coração de muita dor e tive que sair dali correndo arrastando marido e filho  antes de perguntar o preço e diante da conclusão que não tinha como carregar o móvel nas costas durante o resto do dia. 

Monumento aos Girondinos: grandioso e épico, como todo e qualquer monumento na França.

Foto meio ruinzinha (através do vidro da loja) das famosíssimas “canelés”, o doce mais típico de Bordeaux. A foto foi tirada la lado da Porta Dauphine, e nos arredores há muitos “traiteurs” e diversas lojas de doces/confeitarias (patisseries). Se você pedir um cafezinho no final de uma refeição em Bordeaux ou nas cidades próximas (St. Émilion, Bergerac, etc.) muito provavelmente ele virá com uma mini canelé. É um bolinho molinho feito no forno e com sabor de, é claro, canela. 

Porte Dijeaux, na place de Gambetta (essa porta també é conhecida como “Porte Dauphine”).

Outra “porte” im portante na cidade e que dá um arzinho de conto de fadas à cidade é a Porte Cailhau. Funcionava como uma das entradas do muro medieval da cidade de Burdigália. Há restaurantezinho na proximidade com menús de preços convidativos, e também bares onde você pode comprar uma baguete recheada e sentar-se na praça para ver o tempo passar. 

Maquete indicando alguns monumentos históricos no bairro. 

Atravessando a porte Cailhau que acabei de descrever, você está de volta ao rio, com muitas opções de restaurantes baratos. Escolhemos um restaurantezinho que anunciava um menù de 16EUR na porta, incluindo escolha de uma entradinha, prato principal de carne ou peixe e uma sobremesa. Achei 16EUR bem razoável, visto que ano passado no verão francês não econtrávamos lugares decentes para jantar a menos de 22EUR por pessoa (almoçar também sai mais barato que jantar na França). A sopa de peixe do meu marido estava “totalmente fraca”, o meu cassolette de frutos do mar (foto) estava correto. Pratos principais, bem ok, com “faux filet”fritas, verdura e ratatouille. Sobremesas idem. Nada muito surpreendente, gostosinho e preço justo. (Para saber mais sobre os hábitos gastronômicos dos franceses veja esse post do Fábio Takeshi Utida)

Eu tinha comentado acima no post que há uns bares e bistrôs maluqinhos e bem artísticos/teatrais pela cidade. Esse aí é outro, o La Comtesse (a Condessa), com uma decoração feita com rosas vermelhas e mão femininas de madeira.

Visitamos também a catedral gótica de Saint André (onde a Aliénor d’Aquitaine teve o primeiro casamento em 1137, aos 15 anos) e queríamos visitar e subir no interior da Torre Pey Berland que fica ao lado da catedral – guias indicam a vista de Bordeaux do alto da torre como belíssima. Mas a torre só abria segunda-feira a partir das 14h. Fail.

Próxima atração que econtramos por acaso, enquanto procurávamos por um ponto de bonde: as bealíssimas Colunas rostrales na Place de Quinconces. Eu já estava exausta de tanto monumento por um dia.

Eu ainda queria ir até a Praça da Bolsa (Place de la Bourse), com seu imenso espelho d’água: o Miroir D’Eau. Com uma superfície de 3.450 m², é a maior superfície de água urbana do mundo! Realmente, beleza que não cabe em fotos. A cada intervalo fixo de tempo há lançamento de vapores de água, o que seria excelente para minhas fotos e para o instagram do blog. Seria. O tempo estava curto para visitar a próxima atração e tínhamos que fazer opções.

Começou a cair uma chuvinha, fiquei com medo de puxar minha câmera da bolsa, e resolvemos pular essa atração (uma pena mesmo, essa é a atração mais recomendável em toda a cidade, tanto de dia como de noite). Pulamos dentro de um bonde linha “B” em direção à nossa próxima atração turística, e ponto alto do nosso tour em Bordeaux. Mas isso eu deixo para mostrar no próximo post, aguardem. À tout-à-l’heure…

Sugestão de dois guias excelentes e que se complementam, uso sempre:

Guide du Routard: leve para carregar (em papel barato) e para quem lê em francês, não existe guia melhor. Você pode escolher o guia “Aquitaine” (com toda a região do sudoeste), ou apenas “Bordeaux”. Os jornalistas do Guide du Routard sempre dão um bom panorama histórico e bem humorado da região / lugar / cidade, todas as atrações, sugestões de lugares para comer e dormir. Os textos são realmente muito intensos e bonitos, nem parece que você está lendo um guia. Ponto “negativo”: não há fotos das atrações. E eu acho muito importante saber reconhecer os monumentos, fachadas de prédios… Mas, como vivemos no mundo da internet, você pode “estudar” o guia do Routard e buscar imagens no Google.

Guia Visual da Folha: tem sua versão em vários países e línguas. É justamente o “contrário” do Guide do Routard: pesado para carregar (folhas em papel brilhante, de ótima qualidade, capa dura), cheio de fotos e pouca informação, apenas o estritamente técnico. É praticamente um “guia visual” para turistas superficiais. Não é uma crítica desmerecedora, eu tenho vários desses guias em casa, em português e holandês, gosto de admirar as fotos para relaxar. Adoro! Só não acho ele completo ou eficiente para se entender o “background” histórico de um lugar e o espírito francês. É um guia frio em termos de texto.

Serviço:

Office de Tourisme de Bordeaux:

12 Cours du 30 Juillet 33000 Bordeaux

*Todas as fotos desse post, com exceção das duas últimas (o Espelho D’água ou “Miroir d’Eau”), são do arquivo pessoal da própria autora da postagem.

____________

Ana Fonseca vive desde 1999 na Holanda. Sigam o “Brasil com Z” no Facebook para atualizações diárias sobre viver, turistar, estudar e trabalhar no exterior. Vejam fotos dos nossos autores pelo mundo seguindo nossa conta do “Brasil com Z” no Instagram. O blog Brasil com Z dá tuitadas também: http://www.twitter.com/blogbrasilcomz.  Quer participar como autor(a)? Envie-nos uma mini biografia e um texto sincero de apresentação. Caso seu potencial combine com as expectativas do blog, entraremos em contato: blogbrasilcomz@gmail.com Agradecemos! 

6 Comentários leave one →
  1. edvanfleury permalink
    08/05/2017 10:15

    É minha impressão ou parece ser um pouco caro comer e beber lá? 16 euros achei meio salgado para uma refeição. Bjs amei o post

    • AnaFonseca permalink*
      08/05/2017 13:53

      Acho que é o normal a 16EUR, com entrada, prato principal (carne, frango ou peixe) e sobremesa, mais pão à vontade. Claro que há lugares só com “entrée + plat” ou só “plat + dessert” a 13EUR, 14EUR ou 15EUR. Mas pode ser que a porção seja muito reduzida ou o preparo deixe um pouco a desejar. Comida no supermercado e comer fora na FR tem ficado caro nos últimos anos.

  2. Arlete permalink
    08/05/2017 10:37

    Fotos inspiradoras!

  3. Sandra permalink
    09/05/2017 20:07

    Lindíssima a cidade. Fiquei aqui morrendo de vontade conhecer. Não conheço ainda nada desta região. Meu marido está um pouco desencorajado de viajar para a França por causa dos atentados. Mas onde mesmo estamos seguros??
    Achei interessante você citar o preço do jantar. Talvez por conta do terrorismo, tenha ficado”mais barato” fazer turismo na França? Dezesseis reais eu também acho um valor bem razoável, visto que na Suíça, mesmo em um restaurante considerado barato você não janta por este preço.
    Enfim, quero muito viajar mais pela França…Bordeux, Provence, vou colecionando destinos por enquanto, rs.. Amei o post!! Um abração Ana!

    • AnaFonseca permalink*
      10/05/2017 8:18

      Oi Sandra, bom te ver por aqui. Olha, esses lances de atentados é melhor você esquecer. Eu vou continuar visitando a França como “top priority” na minha lista. A Dordonha tem muita coisa para se ver, várias grutas e cavernas ocupadas desde a pre-história(a réplica de Lascaux é apenas um dos muito exemplos), navegar pelo rio Dordonha na rota de vários castelos medievais (o da Josephine Baker com seus shows de falcões é imperdível), visitar castelos/maisons produtoras de vinhos (passeio super relax e informal), as cidades “bastide”, a elegantissíssima Sarlat, os jardins suspsenso de Marqueyssac (dá um Google, inacreditável)… sem falar que é centro produtor de trufas, morangos, muito pato, nozes e foie gras. A Dordonha é uma região muito marcante e mais barata do que a Provence (para milionários. Ou então vc tem que ficar em camping) ou o vale do Loire, por exemplo. O país basco que visitei ano passodo também é mais caro, tanto alojamento quanto comida. Enfim, se você mais tarde quiser dicas sobre a Dordonha, entre em contato comigo no FB. Beijos!
      P.S.: Aí no post eu cito um ALMOÇO a 16EUR. Do lado desse nosso restô tinha um outro a 15EUR e em cidade menores você encontra um “plat+dessert” a 12EUR, 13EUR ou 14EUR. Jantar é mais caro na França.

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