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O lado “B” da primavera na Europa: a alergia ao pólen

19/05/2017

Ana Fonseca – Holanda

Pra falar a verdade para vocês leitores, eu nem planejava falar desse assunto em pleno mês de maio: a febre do pólen (hay fever), que acontece todas as primaveras no hemisfério norte. Isso porque até agora a primavera na Holanda não tinha sido lá essas coisas: dias de frios intercalados com poucos dias de sol. Chuvinhas constantes lavam e retiram o pólen do ar. Até que nos últimos dias, o bicho pegou: dias secos e de sol iniciaram uma crise de alergia em milhões de pessoas no país. Espirros, cansaço, narizes tapados e olhos muito doloridos são os sintomas mais comuns. Eu chego até a ter coceira na pele, dficuldades para respirar e dormir. A primavera é lindíssima na Europa, com tantas flores e explosão de verde, mas tem esse inconveniente das reações alérgicas. Vou tentar mostrar aqui como tentar conviver com isso.

Eu sou extremamente sensível a poeira doméstica, desde meu nascimento. Aqui na Holanda, com o passar dos anos fui sendo dominada por uma extrema reação ao pólen, farto nessa parte da Europa. A Holanda é um dos maiores produtores de flores para exportação do mundo e a poluição devido à tantos carros também piora a situação. Sem falar na grama, sempre verde e presente por toda parte. Além da dor intensa nos olhos, que parecem ter areia, sofrer perfurações e soltar uma lágrima gelatinosa, fico por vezes sem conseguir ficar em pé e já “desmaiando” de cansaço e irritação por volta das 17h da tarde. Quando vou me deitar, exausta, sinto que aumenta a temperatura do meu corpo e tenho até febre nas pernas – pesadas como chumbo.

Grama alta, mato e fartura de florezinhas selvagens por toda parte na Holanda. 

O pólen no ar é tanto, que você vê ele flutuando pelas ruas, entrando dentro das casas, rolando pelo piso… Alguns anos atrás, numa autoestrada, tive que ligar o limpador do para-brisa do carro pois o pólen caía com a intensidade de uma tempestade de neve.  O pólen cobre os carros, gruda nos vidros das janelas e portas das casas e se agarra às suas roupas e cabelos. Eu vejo até os gatos na ruas passeando com pólen grudado nos pêlos. Galhos de árvores com emaranhados de pólen… é mole?

Durante um passeio numa área de recreação perto da minha casa, vi essa toca de raposa coberta de flores. Os cogumelos sobem pelas árvores no outono e as flores cobrem os campos e bosques na primavera. Cobrem tudo, tudo mesmo. 

Eu já percebi que desde que cheguei à Holanda tenho anos “muito ruins” (ja tive vezes que não consegui sair da cama e meus olhos ficaram muito inchados e doloridos) e anos “razoáveis”. Já experimentei remédios (antihistamínicos) desses comprados em farmácia sem receita médica que realmente retiram parte da dor no olhos e diminuem a irritação – mas te deixam grogue, apático(a). Já experimentei homeopatia: cara e demora mais a sentir os efeitos. A minha conclusão é que isso, a febre do pólen, não tem cura, faz parte do “pacote de preços caros” que você paga por morar no hemisfério norte.  E você pode ter essa reação alérgica mesmo morando em cidades, o pólen atinge também centro urbanos. Mas há maneira de aliviar um pouco os efeitos da alergia ao pólen:

Primeiro de tudo: compre um colírio para específico para alergia ao pólen. Melhora muito seu conforto ocular;

Lave os cabelos com mais frequência durante a semana;

Lave o rosto mais vezes ao dia, ajuda a diminuir a irritação dos olhos e nariz. Pelo menos lave as mãos e braços várias vezes ao longo do dia;

No fim da jornada de trabalho, sacuda casacos e calças usados antes de guardá-los em casa para assim retirar o pólen acumulado na rua;

Comece a consumir mel e própolis, ainda no inverno bem cantes da chegada da primavera. A cebola crua e hortelã também ajudam a abrir as vias respiratórias;

Anti histamínicos naturais: Consuma mais vitamina C, pimenta, chá de tomilho;

Mantenha a casa toda fechada, caso contrário muito pólen pode entrar. Procure também aspirar a casa com mais frequência, e limpar os móveis com panos umedecidos.

Em caso de reações graves e baixa qualidade de vida, procure um médico e peça orientação. Eu adoro meu médico de família, mas por anos seguidos minhas reclamações foram desmerecidas e ultimamente meus sintomas já não são mais tão graves. Por exmeplo: Tenho dores nos olhos durante alguns meses por ano mas eles já não estão mais “em fogo”. Então podemos dizer que passo por um sofrimento “suportável”.

Há momentos do ano em que até os bisões ficam cobertos de pólen. 

Qualquer pergunta ou dúvida, coloquem aí nos comentários.

*Todas as fotos desse post são da própria autora.

_________________

Ana Fonseca vive desde 1999 na Holanda.  Sigam o “Brasil com Z” no Facebook para atualizações diárias sobre viver, turistar, estudar e trabalhar no exterior. Vejam fotos dos nossos autores pelo mundo seguindo nossa conta do “Brasil com Z” no Instagram. O blog Brasil com Z dá tuitadas também: http://www.twitter.com/blogbrasilcomz.  Quer participar como autor(a)? Envie-nos uma mini biografia e um texto sincero de apresentação. Caso seu potencial combine com as expectativas do blog, entraremos em contato: blogbrasilcomz@gmail.com Agradecemos! 

 

7 Comentários leave one →
  1. J. Eduardo Caamaño permalink
    19/05/2017 7:26

    Aqui na Espanha tem um nome técnico para isso: “Astenia Primaveral”, e atinge a milhões de pessoas.

    • AnaFonseca permalink*
      19/05/2017 8:03

      Bom saber o nome certinho. Numa farmácia em Sevilha falei que tinha “una alergia de primavera” e o cara entendeu, me vendeu um colírio. Pensei que quando chegasse a uma área urbana na Espanha minha alergia sumiria, ledo engano…

  2. 19/05/2017 16:02

    Lindas fotos!

    • AnaFonseca permalink*
      20/05/2017 8:28

      Ôpa, obrigada! E foi com uma dessas câmeras compactas que cabem no bolso da calça.

  3. 22/05/2017 19:43

    Tá lá… minha vontade de conhecer a Holanda se foi!kkkkk
    Tive asma durante muitos anos, porque morava em lugar bastante úmido! Tristes dias!!! Seu post me lembrou tudo aquilo e quase chorei… de verdade! kkkk
    Ei! Adorei as fotos! Adoro a natureza, mas neste caso… só por fotos. Não gostaria de sofrer de novo isto tudo… não mesmo! :p
    Apesar da dor… Excelente texto! 🙂

    • AnaFonseca permalink*
      22/05/2017 21:25

      Pois é, Marcelo. Eu ja tive anos de muita crise. De acordar esgotada e ficar um lixo o dia inteiro, arrastando correntes na masmorra. Comecei a pensar que como velhinha eu não iria muito longe, iria bater as botas durante qualquer primavera por ali nos meus 60 anos. Pois olha, descobri textos afirmando que a partir dos 50 anos as pessoas não tem febre do feno. É um consolo. Vamos ver…

      • 22/05/2017 21:31

        Bom… há uma esperança aí! kkk Torço para que você supere isto e possa curtir estas lindas paisagens em paz! 🙂

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